Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "tinto"

Os rosés e as delícias da Provence

26 de outubro de 2011 0

Ainda no clima da França, aproveito para dar a dica do livro "Os vinhos da Provence", de François Millo, lançado recentemente no Brasil. Projeto da editora Boccato, a obra é resultado de uma pesquisa realizada pelo escritor e fotógrafo francês que se diz um verdadeiro apaixonado pela gastronomia, especialmente pela relação desta com a enologia, tanto que já publicou três livros sobre os vinhos da região onde nasceu - Provence.

Dividido em duas partes, “Os Vinhos da Provence” traz informações sobre as características que fazem da região, no sudoeste da França, banhada pelo Mediterrâneo, uma área especial para a vitivinicultura. Trata, também, sobre as uvas e os rótulos produzidos por lá, principalmente os rosés. Millo narra de forma didática, mas não cansativa, os principais elementos - como a geografia e os processos de vinificação - que interferem e determinam as características únicas dos vinhos da região.

Posteriormente, o autor traz receitas de pratos que casam com os vinhos de Provence, em menus com sugestões de entradas, pratos principais e sobremesas. No livro, há diversos cardápios inspirados na região, como um menu para receber os amigos, outro com ingredientes brasileiros, dentre outras sugestões.

E hoje, para variar um pouco, falaremos mais de comida do que de bebida, afinal, nada como um prato bem executado para harmonizar com um vinho de qualidade, não é mesmo?

Focaccia de cebolas temperada com tomilho fresco

Focaccia: perfeita para um happy hour harmonizado com rosé | Crédito: Reprodução, Editora Boccato

Focaccia: perfeita para um happy hour harmonizado com rosé | Crédito: Reprodução, Editora Boccato

Descasque e pique 8 cebolas. Refogue-as com 200 ml de azeite de oliva (até que fique com uma textura de geleia) e adicione 1 punhado de tomilho fresco.Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Reserve.

Coloque 250 g de farinha de trigo e 2,5 g de sal em uma tigela. Misture bem e acrescente em seguida 8 g de fermento biológico, 50 g de azeite de oliva e 125 ml de água morna. Trabalhe a mistura até obter uma massa lisa, bem uniforme. Separe a massa em 8 pedaços iguais. Abra a massa em formas ovais e deposite as cebolas temperadas somente de um lado. Feche a massa com a outra metade que ficou sem recheio e em seguida, faça uma incisão sobre cada foccacia. Deixe a massa crescer por 1h30 em temperatura ambiente.

Besunte a parte de cima das foccacias com azeite de oliva e asse no forno a 200° C por 30 minutos. Quando retirar do forno, besunte novamente a parte de cima da massa com azeite de oliva. Sirva quente com vários tipos de folhas verdes temperadas, apresentadas em formato de buquê.

Bookmark and Share

O vinho e a gastronomia de Bordeaux

18 de outubro de 2011 0

Como falei nesse post, o terroir de Bordeaux é único, e, nessa região, são produzidos vinhos com uvas específicas. Nas tintas, há o famoso corte bordalês, que são as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. Já entre as brancas, Semillion e Sauvignon Blanc são castas que dão origem aos vinhos na região. Aproveito, então, para passar a degustação selecionada pelo sommelier Cristiano Ribeiro, que faz um pequeno recorte da região, através de vinhos interessantes para a sua faixa de valor.

O primeiro deles é um Sauvignon Blanc Château Reynon 2007 com 12,5% de teor alcoólico e preço médio de R$70,00. Esse bordeaux branco apresenta coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados e bastante brilho. No nariz, tem aromas primários bem típicos da uva, toques minerais (areia molhada, brisa marítima) e herbáceos (folha de tomate). Tem média intensidade, mas boa persistência olfativa.

Em boca, tem um primeiro ataque vigoroso, com ótimo volume, bem mineral, correspondendo aos aromas identificados anteriormente, com notas salgadas e uma excelente persistência. É um vinho gastronômico, que harmoniza bem com frutos do mar, porco, em suma, com pratos ácidos, mas sem muita gordura.

Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006, um vinho com aroma de frutas vermelhas | Crédito: Rafael Lorenzato

Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006, um vinho com aroma de frutas vermelhas | Crédito: Rafael Lorenzato

O segundo é um Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006 de R$75,00, em média. Com 12,5% de graduação alcoólica, o vinho, engarrafado na origem, é um corte entre as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, e apresenta uma bela e intensa cor vermelho-rubi. Ao agitar a taça, o vinho se mostra com poucas “lágrimas” - leia mais sobre o tema no post, e, aromaticamente, lembra frutas vermelhas, chocolate amargo e um quê de caixa de charuto, com boa intensidade e média persistência.

Gustativamente, o tinto tem um primeiro ataque marcante, um amargor acentuado e baixo frescor. Apesar do longo tempo de garrafa, poderia ter descansado por mais alguns anos, o que provavelmente atenuaria seu amargor e taninos. Entretanto, não deixa de combinar perfeitamente com cordeiro com ervas ou com doces à base de chocolate.

A última indicação é a do Château Fleur Cardinale 2007, engarrafado na origem e com um corte de 70% de uvas Merlot, 15% Cabernet Franc e 15% Cabernet Sauvignon. Com 13,5% de álcool, o vinho se mostra elegante e complexo no nariz, liberando aromas terciários de geleia, ameixa madura e eucalipto, dentre outros. No paladar, é macio e com taninos bem agradáveis. Ele preenche e evolui na boca, além de revelar uma boa persistência. Ao preço de R$270,00, não poderia se esperar diferente. Casa com cordeiros, parillas e filés, ou seja, com pratos mais encorpados e de presença.

Em Bordeaux, não apenas se bebe bem, mas se come melhor ainda. Da gastronomia praticada no sudoeste da França, destacam-se preparações à base de produtos regionais como o foie gras de Dordogne, as ostras de Arcachon, o caviar de Gironde, o cordeiro de Pauillac, além de confits e cous farcis que são tradicionais da região. Tem ainda queijo de cabra, steak tartare, magret de pato e uma infindável lista de delícias.

Para quem quiser se aventurar em uma refeição bordalesa, fica a receita de Magret de Pato do chef Sander Beschorner, que combina com esse último vinho que vimos, o Château Fleur Cardinale 2007.

Magret au pommes
(rendimento: 2 porções)

O magret de pato pode também ser servido ao molho balsâmico | Crédito: Divulgação, Senac-RS

O magret de pato pode também ser servido ao molho balsâmico | Crédito: Divulgação, Senac-RS

1 magret de pato;
15ml de vinagre balsâmico;
30g de mel;
50g de cebola roxa (ou échalote);
2 maçãs verdes;
5g de pimenta preta (mignonette) picada grosseiramente;
Sal a gosto;
15g de manteiga;
30ml de conhaque.

Modo de Preparo
1. Faça uma marinada para o magret com o mel, as échalotes (cebola roxa) e o vinagre balsâmico. Deixe repousar por 1 hora.
2. Retire a pele e as sementes das maçãs. Corte-as em oito e disponha em uma frigideira. Junte gotas de limão e manteiga, e deixe cozinhar até que fiquem macias, virando-as de vez em quando. Tempere com sal e pimenta.
3. Faça cortes na diagonal na gordura do magret, e tempere com sal e pimenta. Comece a saltear com a pele virada para baixo, por aproximadamente quatro minutos. Vire a pele para cima e deixe mais três minutos.
4. Em seguida, flambe com conhaque e; na sequência, deglaceie o fundo da frigideira com a marinada. Cozinhe rapidamente, até que se reduza a um molho espesso.
5. Corte o magret em fatias e, na hora de servir, uma opção de apresentação é dispor o prato com as maçãs cozidas, o magret com a pele virada para cima e o molho oriundo da deglaçagem da frigideira por cima.

Bookmark and Share

Que tal degustar um espumante tinto e um tinto com uva branca?

10 de outubro de 2011 0

Em uma tarde de degustação, esta primeira dica veio da sommelier Iáscara Marques, que é a espumante argentina Gemma, da região de Mendoza, da Bodega Pokrajac. Feita com uva malbec, o que é um grande diferencial, a espumante tem um visual muito bonito, uma bela cor clarete e uma perlage bem fina e elegante.

Espumante mostra uma bela cor tinta | Foto: Rafael Lorenzato

Espumante mostra uma bela cor tinta | Foto: Rafael Lorenzato

No nariz, apresenta aroma de flores, frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Já no paladar, é bem refrescante, frutada e com uma excelente acidez. Custa em média R$79,00 e, como quase todo espumante, é de fácil harmonização, combinando perfeitamente com um risoto de amêndoas – leve e básico, mas delicioso.

Na sequência, degustamos o tinto Las Perdices 2010, dica do colega de sommelierie André Chesini. Também produzido em Mendoza, na Argentina, o vinho tem uma mescla diferente para a região: 93% Syrah e 7% Viognier. Esse é, inclusive, um corte típico da AOC (do francês, designação de origem controlada) Côte-Rôtie, na França, que, segundo especialistas, quebra um pouco a tanicidade do Syrah e confere toques frutados e almiscarados à bebida.

O Las Perdices apresentava cor rubi e halos violáceos, além de um aroma com notas de framboesa, amora e especiarias. De taninos equilibrados, vinho era de média persistência, além de denotar um toque ácido e um frescor devido à presença da Viognier, que é uma uva branca. O preço médio do vinho é de R$ 55,00 no varejo.

Mais estruturado, esse vinho tinto já aceita a harmonização com pratos mais pesados, como carnes de caça, pratos elaborados com cocção lenta, e também com preparações aromatizadas com cogumelos. Uma boa pedida é um fettuccine ao molho de funghi, vinho tinto e ao perfume da noz moscada.

Bookmark and Share

Pequena degustação de vinhos até 40 reais

03 de outubro de 2011 4

A degustação é a arte de apreciar tudo o que uma bebida pode oferecer aromática e gustativamente. E é, também, adequação: se um vinho custa R$25,00 e corresponde ao que custa, não precisa ter nome ou ser caro para se transformar numa boa escolha. Pensando nessa ideia, realizamos o primeiro encontro da Confraria de Sommeliers de Porto Alegre  - e convidados - no Colônia Villanova Armazém e Café, em Porto Alegre, para degustarmos vinhos entre R$ 25,00 e R$ 40,00.

Um bom vinho para tomar a dois | Foto: Rafael Lorenzato

Um bom vinho para tomar a dois | Foto: Rafael Lorenzato

Para essa degustação, selecionamos alguns exemplares de vinhos das variedades Sauvignon Blanc, Merlot e Cabernet Sauvignon. Em suma, foram degustados e debatidos um total de oito garrafas – mais um Syrah que entrou para fechar o evento. Eis, então, a minha apreciação sobre os vinhos degustados, já salientando que os preços são uma média de mercado de varejo.

Entre os brancos, preferi um Sauvignon Blanc Casa Rivas 2009, chileno do Valle del Maipo, com 12,5% de álcool e custo de R$ 36,00. O vinho se apresentou límpido e de cor amarelo palha com um bom brilho. No nariz, apesar da baixa intensidade, revelou aromas minerais e cítricos, como maracujá e abacaxi. Ao paladar, o vinho foi quente e com ótima acidez, contudo, ligeiro, sem persistência e com pouco frescor. Gastronomicamente, combina com pratos leves, como uma pizza margherita – clássica combinação entre mussarela de búfala, tomate e manjericão.

De Mendoza, na Argentina, o Merlot Cava Negra 2007 da Bodega Barberis se sobressaiu por unir uma boa qualidade e um preço bem acessível (R$ 25,00). Com uma bonita coloração rubi puxando para granada, o vinho despertou aromas de frutas vermelhas maduras, baunilha, café e chocolate. Na boca, com seus 13,5% de teor alcoólico, se mostrou macio e equilibrado, com uma boa persistência. Bem gastronômico, harmoniza com carnes não muito gordas, como um bom entrecot feito na parrilla. É um vinho que, como resumiu a confrade Cintia Cibele Fonseca, é perfeito para um encontro de início de namoro.

Da mesma vinícola, o Cabernet Sauvignon Cava Negra 2009 surpreendeu pela excelente relação custo-benefício. Ao preço de R$25,00, o vinho de cor violácea exalou um perfume adocicado de frutas vermelhas bem maduras e especiarias, como cravo, com excelente intensidade. Na boca, o primeiro ataque foi doce, contrabalanceado pela boa acidez e um delicado amargor no final. Pode acompanhar pratos com boa estrutura e sobremesas, como um fondant de chocolate amargo.

Relativamente hours concours, o Reserva Syrah Almaúnica 2010, do Vale dos Vinhedos, no RS, se mostrou um vinho bem elegante. Com 12 meses de passagem por carvalho e 13,5% de teor alcoólico, a bebida apresentou uma bela e brilhante coloração violácea. No nariz, notas de tabaco, couro, ervas, frutas vermelhas e um mix de pimentas. Na boca, seu excelente equilíbrio demonstra que o vinho é uma boa opção gastronômica. Harmoniza perfeitamente com pratos fortes, como um queijo grana padano ou até mesmo massas e molhos mais arrojados e com especiarias.

Esse Syrah é de uma série de apenas 7.900 garrafas e custa cerca de R$48,00. Inclusive, já falei sobre a versão 2011 dele no post sobre os tintos da Avaliação Nacional de Vinhos. É isso, se tiver alguma outra sugestão de vinho ou de harmonização, comente aí!

Bookmark and Share

Os tintos da seleção brasileira de 2011

28 de setembro de 2011 1

Assim como a Avaliação Nacional de Vinhos da Safra de 2011 foi dividida em dois momentos, aqui eu também resolvi quebrar o texto para não ficar muito grande. Na primeira parte, falei sobre os brancos, e, agora, vamos aos tintos. Estes foram os que tiveram os comentários mais prolixos da mesa, composta por 16 degustadores como jornalistas e enólogos.

Rosé da Almadén | Foto: Rafael Lorenzato

Rosé da Almadén | Foto: Rafael Lorenzato

O primeiro exemplar foi um Rosé da Almadén, com 13,3% de álcool e tonalidade rosa intenso – visual que me prendeu como degustador. No nariz, o vinho apresentou notas de frutas vermelhas, sendo a cereja e o morango as que mais se sobressaíram. Na boca, esperava um pouco mais de acidez, mas se mostrou interessante, principalmente por seu primeiro ataque doce e pelo retrogosto, que lembra as frutas da olfação. Achei-o um vinho redondo e leve, feito sob medida para um público bem segmentado, mas com bom potencial, servindo bem para happy hours. A nota da mesa foi 88, e a minha, 89.

Na sequência, foi degustado um Merlot da Salton com teor alcoólico de 12,9% – o único tinto jovem selecionado. A coloração foi um vermelho-rubi não muito intenso. No nariz, foi necessária uma segunda olfação – agitando bem a taça – para liberar os aromas de frutas vermelhas e um toque herbáceo. Na boca, foi de média persistência e intensidade, com um leve toque de frescor. Cheguei a nota de 86, a da mesa foi 88.

Merlot da Basso Vinhos e Espumantes | Foto: Rafael Lorenzato

Merlot da Basso Vinhos e Espumantes | Foto: Rafael Lorenzato

Da Basso Vinhos e Espumantes veio o terceiro vinho: um Merlot de coloração intensa, entre o rubi e o violáceo. Com estágio em carvalho bem presente, o vinho apresentou aromas de café, chocolate e frutas vermelhas, além de um sutil frescor de eucalipto. No paladar, esse vinho com 12,1% de álcool se mostrou equilibrado e macio. A nota da mesa foi 90, a minha, 92.

O último Merlot do dia foi da Luiz Argenta, um exemplar de cor violácea bem intensa e graduação de 12,3%. Mostrou aromas de frutas vermelhas, ervas e um toque picante de especiarias. Na boca, foi um pouco ácido, mas nada desagradável, e trouxe um sabor equilibrado e nítido. Esse Merlot deixou uma ideia de que irá evoluir para um vinho ainda melhor quando estiver engarrafado – se encontra atualmente nos tanques. A nota da mesa foi 89, e a minha, 91.

Bem alcoólico – 14,2% –, o Cabernet Sauvignon da Rasip Agropastoril se mostrou de coloração rubi fechada e reflexos violetas. No nariz, diversos aromas, se destacando os de frutas vermelhas e de especiarias, além de tostado e um quê de cassis. Na boca, os taninos marcantes e a alcoolicidade sustentaram o bom corpo do vinho. Dei nota 93, já a mesa, 90.

Syrah da Almaúnica | Foto: Rafael Lorenzato

Syrah da Almaúnica | Foto: Rafael Lorenzato

Este para mim foi a estrela do dia: um Syrah da vinícola Almaúnica, ao qual dei a nota 95 – inclusive achei que a nota 89 atribuída pela mesa foi um pouco baixa. O vinho, com 13,3% de teor alcoólico, tinha uma cor rubi bem intenso. No nariz, se mostrou elegante, com notas de framboesa, café, chocolate amargo e especiarias. Ao paladar, excelente acidez e taninos bem maduros compõem o sabor e dão um agradável e persistente retrogosto.

Os últimos vinhos do dia foram dois exemplares de Tannat, um da Vinícola Gheller e outro da Seival Estate – braço da Miolo na região da Campanha Gaúcha. Muito elogiados pela enóloga uruguaia Estela de Frutos, uma das degustadoras da mesa e sumidade quando o assunto é essa casta, os exemplares demonstraram que o Brasil tem um grande futuro para desenvolver excelentes vinhos a partir da uva tannat.

Sobre os vinhos, ambos tinham tonalidades rubi bem intenso e reflexos violáceos. O Gheller, no nariz mostrou aromas de amora e ameixa madura, especiarias, café, coco e um toque mentolado; quanto ao Seival, as frutas vermelhas do aroma pareciam mais maduras, tendendo para uma nota de geleia, além de toques de chocolate e baunilha. Na boca, o Gheller, com 13,3% de graduação alcoólica, se mostrou de boa qualidade, com acidez na medida e de grande persistência; já o Seival (14,1% de teor), mostrou taninos mais macios e um leve toque de doçura. As minhas notas foram 88 para o Gheller (igual à da mesa) e 89 para o Seival (90 a mesa).

É um texto um pouco difícil de ser lido, mas se ficou curioso sobre como degustar um vinho, acompanhe a tag análise sensorial e compartilhe aqui conosco como foi.

Bookmark and Share

A seleção brasileira de vinhos de 2011

27 de setembro de 2011 2

Como eu já havia falado neste post, no último sábado ocorreu a 19ª Avaliação Nacional de Vinhos, na qual foram degustadas 16 amostras consideradas as mais representativas da safra deste ano (2011). Para se ter ideia, grande parte dos vinhos ainda não está pronta, e nem sequer engarrafada – apenas uma das bebidas apreciadas no evento estava já na garrafa.

Moscato Giallo da Don Guerino | Foto: Rafael Lorenzato

Moscato Giallo da Don Guerino | Foto: Rafael Lorenzato

A degustação foi dividida em duas partes: brancos e tintos. Dentro dessas categorias, tivemos dois vinhos base para espumante, quatro não aromáticos e dois aromáticos; já nos tintos, foi enquadrado um rosé, um merlot jovem, e e seis outros secos.

Nas bases para espumante, foram selecionados dois Chardonnay, sendo um deles da vinícola Domno do Brasil. Com 11,2% de álcool, acidez bem marcante, aroma de flores, frutas como maçã verde e um quê de “biscoito”; na boca, se mostrou com boa intensidade e boa nitidez. A nota atribuída pelos degustadores foi 93 – a minha foi 90. A outra base para espumante, da Casa Valduga, tem a mesma graduação alcoólica da anterior (11,2%), mas de uma cor amarelo palha com reflexos esverdeados e aromas característicos da variedade, como maçã verde, frutas cítricas e flores. Na boca, demonstrou frescor e boa acidez. A nota dos degustadores foi 90, já a minha, 93.

Base de Espumante da Domno do Brasil | Foto: Rafael Lorenzato

Base de Espumante da Domno do Brasil | Foto: Rafael Lorenzato

Nos brancos não aromáticos, tivemos um Riesling e quatro Chardonnay. O Riesling da Cooperativa Vinícola Aurora tem 12,4 % de álcool, cor amarelo palha, e no nariz se mostrou elegante, com aromas cítricos e de mel. Na boca, foi delicado e equilibrado, com um bom volume e uma boa intensidade. A nota da mesa foi 89, enquanto a minha avaliação foi 91. O Chardonnay da Vinícola Nova Aliança apresenta 12,8% de alcoolicidade e teve o melhor resumo da mostra. O jornalista Luis Henrique Rivoiro, da Playboy, disse que, “se esse vinho fosse uma mulher, seria a capa da revista”. Brincadeiras à parte, o vinho tinha notas de melão, maracujá e  outras frutas cítricas, além de flores. Gustativamente, apresentou acidez sutil e frescor. Suas notas foram 89 (mesa) e 90 (a minha).

Já a quinta amostra, da Góes & Venturini, tinha coloração amarelo dourada e brilhante, o que inclusive reflete sua passagem por barris de carvalho. Aromaticamente, temos notas de frutas bem maduras, mel, flores e baunilha. Com 12,6% de álcool, o vinho demonstrou, na boca, ter baixa acidez, e uma boa persistência. A nota da mesa para ele foi 89, enquanto a minha foi 88.

O Chardonnay da Don Giovanni, de 12,7% de teor alcoólico, também denota passagem por carvalho, e tem uma cor amarelo dourada. No nariz, é um pouco amanteigado, com toques de baunilha, tostado e abacaxi bem maduro, enquanto no paladar ele se mostra medianamente ácido e um pouco doce no início – uma combinação harmônica de sensações. A nota atribuída pela mesa foi de 88, e, por mim, 89.

Moscato R2 da Perini | Foto: Rafael Lorenzato

Moscato R2 da Perini | Foto: Rafael Lorenzato

Abrindo a categoria de brancos aromáticos, um Moscato R2 da vinícola Perini, com 10,2% de álcool e uma coloração amarelo palha. No nariz, o toque de papaya se sobressaiu, acompanhado de notas florais e também de maçã verde. Na boca, tem doçura delicada, não sendo enjoativo, mas, sim, harmônico e um pouco elegante. A nota da mesa foi 88, e minha foi 87.

Por último, foi apresentado um Moscato Giallo da vinícola Don Guerino com 12,2% de álcool, cor amarelo palha e reflexos esverdeados. Possui aromas da uva moscato, flores, frutas cítricas e especiarias, o vinho se mostrou um pouco doce no primeiro ataque, mas equilibrando em pouco tempo em função da boa acidez da bebida. A nota da mesa foi 90, e a minha foi 92.

Vale lembrar que a avaliação é apenas um recorte da safra de vinhos brasileira, até porque pequenas vinícolas geralmente não têm condições de participar da seleção, pois não têm produção suficiente para a inscrição e para o evento. Isso não tira o mérito das vinícolas que foram selecionadas, uma vez que mostraram bons produtos, que podem, sim, concorrer muito bem no mercado, e que, inclusive, recomendo que sejam degustadas.

Seguimos conversando sobre os tintos na sequência...

Bookmark and Share

Escolha a companhia aérea pelo vinho

06 de setembro de 2011 0

Para quem pode se dar ao luxo de viajar de primeira classe ou de classe executiva – ou, ainda, de fazer como eu, ir de classe econômica e usar a diferença para beber em terra mesmo – pode escolher a companhia a partir das melhores opções de vinhos. A seleção foi promovida pela revista Global Traveler Magazine e contou com o julgamento às cegas de 31 especialistas, que elegerem os mais representativos entre champanhes, espumantes, brancos e tintos.

Champanhe vencedora custa €250,00 nas enotecas europeias | Crédito: Divulgação

Champanhe vencedora custa €250,00 nas enotecas europeias | Crédito: Divulgação

Eis a lista dos melhores: na primeira classe, a melhor champanhe foi a Comtes de Taittinger Blanc de Blancs 1999, pela Asiana Airlines, que se apresentou elegante e com acidez balanceada, com notas equilibradas de elementos cítricos e tostados; vinho branco, o israelense Carmel Winery Gewürztraminer 2009, da EL AL Israel Airlines, que demonstrou ser uma bebida expressiva, com um toque picante advindo do terroir; e nos tintos, o francês TIE Château Gruaud Larose 2006, também pela Asiana Airlines, que foi considerada a melhor primeira classe em se tratando de vinhos, bem estruturado, complexo e elegante, traz equilíbrio entre acidez e tanicidade, e possui aroma marcante de frutas maduras.

Já para os passageiros da classe executiva, a OpenSkies ficou na melhor posição, apesar de não ter nenhuma primeira colocação. Em champanhe, a melhor foi a Lanson Gold Label Brut 1999 da V Australia, rica em complexidade e sabor, e com excelente perlage e um bom potencial de harmonização; espumante, a sul-africana Philip Jonker Entheos Brut, pela South African Airways, que o produtor classifica como cremosa, de boa permanência e com toques de biscoito; branco, o alemão Dr. Fischer Riesling 2008 da Etihad Airways, um vinho picante e com sabor de frutas finas; e tinto, o português Casa de Santar Dão Reserva 2007 para os passageiros da TAP Air Portugal, considerado complexo, saboroso e equilibrado.

Bookmark and Share

Um pouco de harmonização

02 de setembro de 2011 0

Uma das funções de um bom sommelier é saber realizar o casamento da bebida com a refeição proposta. Inclusive, faz parte da grade curricular do curso do Senac-RS a participação dos alunos em refeições harmonizadas. Isso sem contar, é claro, as várias dicas dadas pelos professores.

Este Merlot apresenta cor vermelho-violácea intensa | Crédito: Rafael Lorenzato

Este Merlot apresenta cor vermelho-violácea intensa | Crédito: Rafael Lorenzato

Assim, como a presidente Dilma, eu também tive a oportunidade de tomar um Merlot – só que o meu foi um Reserva Boscato Merlot 2007 – em um jantar no restaurante Vilaró – Parilla Lounge, em Porto Alegre. A escolha do vinho foi realizada pelo colega jornalista Danilo Ucha, que inclusive assina o interessante blog Cordeiro&VinhoByUcha, e combinou perfeitamente com o T-Bone do chef Felippe Sica. Além disso, o vinho também harmonizou por contraste com o excelente fondant de chocolate com castanha do Pará: a doçura da sobremesa versus a maciez e o equilíbrio do vinho.

Para quem se interessou, lá vai uma palhinha do vinho – colocando em prática as aulas dos professores Cristiano Ribeiro e Felipe Bebber: esse Merlot tem cor violácea, bem intensa; e não demonstra ter sedimentos, sendo bem límpido e brilhante. No nariz, salienta aromas de frutas vermelhas maduras e toques de especiarias. Na boca, é harmônico e equilibrado, tendo uma interessante persistência, e boa alcoolicidade (11,5%).

Bookmark and Share

Conhecendo o vinho pelo olhar

18 de agosto de 2011 2

Como já comentei anteriormente, a degustação começa pela contemplação da bebida pelo sommelier. Ou seja, no olhar. Através desse primeiro contato, o profissional pode apreender diversas características do vinho para começar a compor sua análise.

Vinhos possuem diversas nuances de cor | Crédito: WeHeartIt

Vinhos possuem diversas nuances de cor | Crédito: WeHeartIt

É importante ressaltar que a avaliação deve sempre se dar sob as mesmas condições, pois o que está sendo avaliado, em todas as etapas, não é o gosto do sommelier, mas, sim, a capacidade daquela bebida de corresponder ao que se propõe. Um vinho que se classifica como Merlot, por exemplo, deve ter as características dessa casta, podendo, é claro, variar em alguns aspectos, mas sem perder sua essência.

Dessa forma, com a taça na mão e uma boa iluminação – a luz natural é considerada a melhor, contudo, como é mais difícil de controlá-la, é normalmente utilizada uma fonte artificial incandescente –, o primeiro passo é examinar o vinho visualmente. Buscar distinguir, após uma leve inclinação da taça, elementos como a cor, o brilho, e o comportamento do vinho no recipiente, para, através desse perscrutamento, ter indícios da idade, corpo, limpidez, viscosidade, acidez, efervescência – importante no caso dos espumantes –, alcoolicidade, adstringência e castas que formam a composição.

Uma análise visual detalhada pode, também, ajudar o sommelier a entender como aconteceu a produção do vinho. Ou seja, se a safra enfrentou excesso de chuva ou de sol, a região em que foi produzida, e mesmo as temperaturas às quais foi exposta.

As cores do vinho

Os vinhos são divididos em brancos, rosés e tintos. Nos brancos, a coloração pode variar de amarelo-esverdeado a amarelo-âmbar, passando por amarelo-palha e amarelo-dourado.

Vinhos de tonalidade amarelo-esverdeado são geralmente muito jovens e feitos a partir de uvas colhidas antes de sua maturação completa; equilibrados, porém, mais ácidos do que macios, são ligeiros na boca. Esses vinhos costumam ter perda significativa de suas características já a partir do primeiro ano de vida.

Diferentemente, os vinhos que se apresentam como amarelo-palha são normalmente feitos com uvas colhidas na maturação plena, com uma boa proporção de açúcar e, portanto, com um bom equilíbrio entre acidez e maciez.

Nesta linha evolutiva, em seguida temos os vinhos amarelo-dourado, elaborados com uvas bem maduras e, consequentemente, mais macios do que ácidos. Contudo, tal coloração também pode ser proveniente do amadurecimento da bebida em barris de carvalho. Se opaca, a cor pode denotar oxidação do vinho.

Finalmente, os vinhos brancos amarelo-âmbar são, na maioria das vezes, fortificados e bem mais macios do que ácidos. Entretanto, nos secos, a tonalidade pode representar que a bebida está estragada.

Vinhos brancos, do amarelo-âmbar ao amarelo-esverdeado | Crédito: Colour Lovers

Vinhos brancos, do amarelo-âmbar ao amarelo-esverdeado | Crédito: Colour Lovers

Com os tintos, a classificação varia do vermelho-púrpura ao vermelho-alaranjado. Vinhos muito jovens se apresentam normalmente na cor púrpuravioláceo –, têm menos luminosidade e um equilíbrio entre acidez, tanicidade e maciez, pendendo para os dois primeiros.

Já os vinhos vermelho-rubi variam de jovens a prontos, em termos de maturidade, e são equilibrados em acidez, taninos e maciez. Em seguida, a evolução do vinho o deixa com a cor vermelho-granada, que representa certo envelhecimento, no qual o equilíbrio se dá mais para a maciez.

E, por fim, o vermelho-alaranjado é um exemplar que passou por grande envelhecimento, se apresentando ainda mais macio do que ácido ou tânico. Quando essa coloração aparece em vinhos jovens, pode significar que há algo de errado com a bebida.

Paleta com as cores dos vinhos tintos | Crédito: Colour Lovers

Paleta com as cores dos vinhos tintos | Crédito: Colour Lovers

Os rosés, vinhos normalmente degustados ainda jovens, são divididos em rosa tênue, rosa intenso e clarete. Os rosa tênue – da tonalidade da flor de pessegueiro – são obtidos de uvas pouco maceradas ou de pouca cor, como a Pinot Grigio. Pode apresentar reflexos violáceos na juventude, ou semelhantes aos da casca da cebola.

Já o rosa intenso possui matiz semelhante à da cereja ou à do salmão, com reflexos que podem variar entre violáceo e alaranjado, de acordo com o envelhecimento do vinho. A última classificação do rosé é a clarete, que muitas vezes se assemelha a um vinho tinto um pouco mais fraco e com tonalidade rosada. Ele perde suas características de frescor em aproximadamente dois anos.

Vinhos rosés, do rosa tênue ao clarete | Crédito: Colour Lovers

Vinhos rosés, do rosa tênue ao clarete | Crédito: Colour Lovers

Vale levar em consideração que há elementos subjetivos na análise de um vinho, além do fato de que as cores podem se mesclar, oferecendo uma enorme gama de nuances, que, com o tempo e com a prática, o sommelier consegue decodificar com mais facilidade.

Buenas, é com uma taça na mão e muito vinho na cabeça que o degustador desenvolve suas habilidades.

Bookmark and Share