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Análise: o que esperar de Guto Ferreira no Internacional

08 de junho de 2017 7
Foto André Vila/Agência RBS

Foto André Vila/Agência RBS

No ano mais difícil da história do Sport Club Internacional, Guto Ferreira chega com a missão de recuperar o lugar na Serie A, mas principalmente de conseguir que o time tenha bom desempenho e uma identidade que espelhe o desejo do torcedor colorado. Seus últimos trabalhos tiveram destaque no cenário nacional, e para fazer uma projeção do que ele pode trazer ao clube, vamos rever suas passagem por Chapecoense (2015/16) e Bahia (2016/17).

EVOLUÇÃO DO MODELO NA CHAPECOENSE

Guto recebeu a Chape de Vinicius Eutrópio, um treinador estudioso, com metodologias contemporâneas e que foi o responsável pela montagem do elenco. Havia ideias e um modelo de jogo já estabelecido. Isso permitiu que Guto pudesse evoluir o desempenho do time com suas ideias.

Aproveitando as características do elenco, montou um 4-2-3-1 baseado em toques curtos e saídas em velocidade. Principalmente do lateral Apodi pela direita e do atacante Ananias pela esquerda. Guto contava também com Camilo para realizar o controle. Em 2016, perdeu Apodi e Camilo, mas conseguiu manter o modelo de jogo com o meia Lucas Gomes realizando o controle e Cléber Santana recuado para a segunda linha, dando qualidade `a saída de bola.

CHAPE NO 4-2-3-1

Chape

Com dois centroavantes de características similares, Bruno Rangel e Kempes, o time jogava para quem estivesse na referência dentro da área. Passes curtos na construção e transição em velocidade para buscar o centro avante. Na fase defensiva, duas linhas de 4 com marcação por zona. Guto não conseguiu dar ao time uma intensidade maior na pressão ao portador, talvez pela característica dos jogadores. Mas coletivamente, o time jogava compactado e organizado.

Jogando assim, Guto conseguiu 64% de aproveitamento em 2016 (57,3% no total do período), foi campeão catarinense e deixou a Chape a dois pontos do G4 no Brasileirão.

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DINÂMICA E JOGO BONITO NO BAHIA

O belo trabalho realizado na Chape chamou a atenção do mercado nacional e internacional. Guto chegou a receber propostas do oriente, mas foi o projeto do presidente Marcelo Sant’Ana no Bahia que o convenceu. Mesmo tendo que enfrentar uma Serie B, Guto chegou no Tricolor de Aço bem referenciado pelo dirigente.

“O Guto vem de uma sequência muito boa de trabalhos. Desde o Mogi Mirim em 2012, depois Portuguesa, Ponte Preta e agora na Chapecoense. Um técnico que tem montado equipes que conseguem durante boa parte do seu período alinhar desempenho com resultado, que é uma expectativa que a gente tem aqui no Bahia”, disse o presidente na recepção.

O antecessor de Guto Ferreira foi Doriva, que variava entre um 4-3-3 base alta com um 4-4-2 losango. Era um time muito irregular e que não agradava ao torcedor. Guto chegou e implantou o 4-2-3-1 e levou seu modelo de jogo, com aproximação, posse de bola e trabalho coletivo que busca um jogador na referência.

BAHIA NO 4-2-3-1

Bahia

Terminou a Serie B de 2016 em quarto lugar, com 55% de aproveitamento em 18 vitórias, 9 empates e 11 derrotas. Foi um campeonato um tanto irregular, mas onde pode se ver o bom uso do elenco e suas características. E em 2017, com boas contratações, deixou o elenco mais competitivo e conquistou seu maior título, a Copa do Nordeste.

Mantendo o 4-2-3-1 em fase ofensiva e um 4-4-2 em duas linhas na defensiva, Guto tinha 2 extremos de muita qualidade técnica (Zé Rafael e Allione) e encontrou em Régis um meia que alia velocidade com controle, dando uma dinâmica e uma “beleza” ao jogo baiano. Na frente, Edigar Junio e Hernane Brocador eram as opções de referência.

APROVEITAMENTO NA CARREIRA DE GUTO FERREIRA

Aproveitamento Guto Ferreira

POSSIBILIDADES NO INTERNACIONAL

Antônio Carlos Zago deixou um trabalho bom no Internacional, se formos comparar com o que o próprio Zago recebeu da draga que foi o Inter em 2016. Faltou mais consistência para um desempenho satisfatório, mas alguns princípios de bom futebol apareceram: jogo apoiado, saída de três, passagem dos laterais.

Além disso, o colorado tem o melhor elenco da Serie B tecnicamente falando, e com mais possibilidades de criar variações táticas durante as partidas. A soma desses dois fatores é uma boa vantagem para que Guto Ferreira possa instalar suas ideias e seu modelo de jogo.

“Quem acompanha meu trabalho, sabe que minhas equipes têm compactação, marcação agressiva e transição rápida de jogo. Aprendi muito na passagem do Tite aqui. Quero o controle do jogo. Buscar sempre esse controle”, disse o treinador em sua apresentação no Inter. 

Para sorte de Guto, o Inter tem jogadores para montar um 4-2-3-1 com essas características que ele gosta. Meias defensivos que sabem sair jogando, laterais que saem pro jogo, extremos de velocidade, um meia criativo no controle e centro avantes que fazem bem a referência.

Um primeiro time com o equilíbrio e características poderia ser formado com Danilo, Junio, Danilo Silva, Cuesta e Uendel; Dourado e Edenílson; Pottker, D’Alessandro e Cirino; Brenner.

INTER COM A CARA DE GUTO NO 4-2-3-1

INTER A

Com essa escalação, Guto pode trabalhar o jogo apoiado curto, a passagem dos laterais com qualidade, a flutuação do meia controlador, as transições em velocidade e o “facão” dos extremos, além do centro avante mais fixo na referência. A recomposição defensiva de Cirino e Pottker para formar duas linhas de 4 pode dar certo, pois ambos faziam isso com qualidade em seus clubes anteriores.

VARIAÇÕES E OPÇÕES INDIVIDUAIS

Zago trabalhou sempre no 4-4-2 losango e no 4-3-2-1, que são opções já internalizadas com o grupo. Mas uma variação interessante pela característica dos atletas, seria o 4-1-4-1, tendo a Dourado como o “volante parabrisa” entre as linhas. A segunda linha de 4 com Cirino, D’Alessandro, Edenílson e Pottker, usando Nico Lopez como centro avante de mobilidade, ou até mesmo um falso 9.

VARIAÇÃO 4-1-4-1 COM NICO NA REFERÊNCIA

Inter4141

O chileno Gutierrez pode eventualmente realizar a função do controle no lugar de D’Alessandro, assim como Roberson já o fez em várias partidas com Zago. O próprio Gutierrez, Charles e Fabinho são boas opções para as funções da linha de 2 meias defensivos; e Diego, Sasha e Juan são alternativas interessantes para os lados na linha de 3. Carlos é o substituto natural de Brenner como último homem.

DESAFIOS DO FUTURO PRÓXIMO

Acabar com a “DAlessandrodependência” é um enorme desafio, pois El Cabezón não conseguirá jogar todas as partidas e, jogando centralizado, termina facilmente anulado pela marcação adversária. Guto terá que criar mecanismos coletivos onde o time consiga desenvolver suas ideias sem depender do capitão.

Outro enorme desafio é o lado anímico do grupo, da direção e do torcedor. Ainda não caiu a ficha que o Inter está jogando a Serie B, onde nem sempre se pode “dar show” com a bola e massacrar adversários “menores”. Pontos serão perdidos, derrotas acontecerão contra clubes de menor expressão. E isso gerará enorme pressão sobre o elenco. Cabe ao treinador administrar isso internamente, mas precisa contar com o apoio da direção.

Mas é fato que Guto Ferreira é um treinador que tem um modelo de jogo bem claro, que consegue implantar suas ideias nas suas equipes e elas terminam, ao longo do tempo, tendo a sua cara e jogando do jeito que ele gosta. Tudo leva a pensar que acontecerá o mesmo no Internacional.

Será um ano que exigirá resiliência de todos os colorados, mas que em condições normais de trabalho deve terminar com o acesso `a Série A. Não apenas pelo investimento no elenco, pela estrutura, pela camiseta e enorme torcida, mas também pela competência e qualidade de Guto Ferreira e da comissão permanente do Internacional. Se houver paciência, os objetivos virão.

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Comentários (7)

  • Luan diz: 9 de junho de 2017

    Parabéns pela análise e projeção! Prefiro o 4-1-4-1, mas na defensiva e 4-3-3 na ofensiva, com Pottker, Nico e Cirino.

    Rio Branco – AC

  • Augusto diz: 17 de junho de 2017

    Fogaça.

    Contra o Santa, inter jogou no 4-1-4-1

    linha de 4 zagueiros e laterais, dourado (1), edenilson e uendel (meias centrais) com sasha e cirino de meias abertos (4), Nico na frente (1).

    Considero que o Nico tem dificuldade de jogar com todos os treinadores que já passaram pelo beira-rio.

    Não se sabe a posição dele.

    Como ultimo atacante falta força p jogar entre os zagueiros e altura e caracteristica p ter algum aprooveitamento da bola aérea, sem contar que ele não faz pivô. Ou seja, como último atacante, ele não serve.

    Como meia extremo (na direita ou esquerda), nico marca mt pouco, não tem o mínimo cacoete de marcação, seja desarmar, seja interceptar a bola ou só fechar o espaço… abandona seu marcador e participa muito pouco da armação do jogo. Faz muito pouco a função do meio de campo de pegar a bola, passar e correr p receber e tabelar e armar o jogo e etc. Sequer tem biotipo de ir a frente e recompor atrás, como cirino e sasha. Ou seja, como meio de campo (mesmo pelos extremos) ele também não serve.

    Nico é um solista, joga p/ sim. Não sabe tabelar e procurar os companheiros para “dialogar”. É um jogador que ou faz uma grande jogada, ou perde a bola e dá um contra-ataque. Tem o mesmo estilo do valdivia e vitinho (talvez por isso o Inter ano passado parecia que cada atacante era uma “ilha” no campo).

    Só falei mal dele até agora, mas ele tem virtudes também, se não sequer seria profissional.

    Nico é bem, veloz, dribla e conduz muito bem a bola, e, o principal, chuta bem no gol pq tem sempre a ambição de fazer gol. E nesses vetores ele é muito bom. Porém, coletivamente ele é muito fraco, além de ser o legitimo “fominha”. Lembra o Rivaldo no inicio de carreira, que era mt criticado, mas tinha um talento indiscutível.

    Assim, Fogaça, pergunto te se a “posição ideal” do Nico não seria daquele antigo segundo atacante ( Paulo Nunes, Muller, Dagoberto, Iarley e outros, posição extinta no futebol atual, em razão dos novos esquemas táticos),que não era o centroavante, e ajudava um pouco na marcação, mas não como os atuais meias extremos (de ir na frente e atrás)…

    ENfim, pergunto a sua avaliação sobre o Nico ? Uma vez que, respeitosamente, me parece que a imprensa faz a “critica fácil” de pedir ele no time, pq tem gols, mas não vê, ou não quer ver (para fazer média com a torcida), os inúmeros “defeitos” que esse atleta têm, tanto que nenhum técnico, até agora, conseguiu aproveitá-lo bem.

    Sabedor que vc se propõe a realizar uma análise do futebol além da mera repetição de frases feitas, fico na espera de uma análise tua.

    Gr. Abrs

  • Augusto diz: 20 de junho de 2017

    ?

  • augusto diz: 20 de junho de 2017

    Li agora tua análise. Ela se confirmou nesses meses do Nico no Inter. Parabéns.

  • Teresinha Winter diz: 21 de junho de 2017

    O que falta no Inter é um técnico que diga o que cada jogador deve fazer, dentro das suas posições originais, SEM IMPROVISAÇÕES. Os melhores têm de jogar nas suas posições, os outros é que podem ser improvisados, se necessário. Chega de inventar goleiro de centroavante e vice-versa. Tem de determinar se Uendel é meia ou lateral. Ficamos anos sem um lateral decente. Agora, só porque ele joga um pouco melhor do que os outros, já o pegaram pro meio. E as laterais continuam peladas. Cada um na sua, esse é o princípio. Se não houver todas as posições, quem tem de contratar é a tal direção, que já contratou vários inúteis, sérios candidatos a irem embora do clube no final do ano, se o Inter não subir pra série A. Vocês pensam que vão ter vida mansa se o Inter não voltar pra série A? Esses dirigentes vão ficar descansadamente naquele Conselho que não faz nada, só politicagem, tranquilamente, como estão o Pífero e outros que levaram o Inter pra segundona? Podem ter certeza: não terão segunda chance. Fora com todos os conselheiros que viraram dirigentes e que pensam na sua vida mansa. Não. Não terão. Chega de mordomia. Dirigentes fraquinhos, incompetentes. Técnico igualmente fraco, inseguro. Sempre foi assim e não mudou. Vocês pensam que os jogadores não veem isso? Que não se aproveitam? Quero ver o presidente colorado indo ao vestiário só uma vez e botando aquela turma na parede: quem não corresponder tá fora!!! Vão ter de procurar emprego urgente!!! E chamem os empresários dessa turma e os coloquem na garimpagem por novos clubes pra turma leeeeeerdaaaaaaa. Chega de lerdeza no Beira-Rio!!! Com dirigentes devagar quase parando o que esperar? VOLTA PORTÃO 8 !!!!!!!!

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