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Análise: e se o Inter jogasse no 3-4-3?

02 de janeiro de 2018 2

ROMPENDO A LINHA

Depois da tempestade, a bonança. Geralmente é assim que acontece na vida, e o ano que começa no Beira-Rio promete ser um ano de mudanças. A começar pela estréia de Odair Hellmann como treinador da equipe, após muitos anos como auxiliar e interino.

Será a primeira vez que veremos as ideias de Odair em campo. Já se sabe que ele é muito respeitado e querido pelos atletas e funcionários do clube. Isso é importante para aceitação das ideias. Mas sabemos que no futebol brasileiro a pressão dos resultados domina. E por isso, Odair precisará também do apoio da direção para ter tempo para executar seu trabalho com qualidade.

Tenho um respeito enorme por Odair, um treinador que estudou e se capacitou, e que tem uma bela visão sobre o esporte como um processo sistêmico e multi-disciplinar. A ideia desta análise é romper um pouco a linha e sugerir sem pretensão alguma, uma ideia de como aproveitar melhor as características do elenco colorado, para recuperar o estilo que o torcedor gosta e formar uma equipe competitiva.

Odair

Odair Hellmann Foto: Carlos Macedo/Agência RBS

QUAL MODELO DE JOGO? QUAL PLATAFORMA TÁTICA?

Historicamente, a torcida colorada sempre se identificou com times que criassem situações através da posse de bola, que valorizassem o passe, com jogadores de qualidade técnica do meio pra frente e com solidez e “garra” no setor defensivo.

O Rolo Compressor, a máquina de Figueroa e Falcão dos anos 70, o Inter de Abel e o de Tite. Essas são referencias vitoriosas, mas que além dos títulos, tinham um jeito de jogar que agradava ao torcedor, pois ele se identificava com aquilo. O Inter de Ênio Andrade (1987) e o do GreNal do Século (1989), também entram nessa foto afetiva, mesmo sem os grandes títulos.

Inter87

Poster do Inter de Ênio Andrade – 1987

Dentro do futebol atual, onde a intensidade aumentou e os espaços escassearam, o segredo para um futebol propositivo, de posse e passe, são as chamadas CONEXÕES: como eu posso conectar de melhor forma possível os atletas em campo e sobrepor o adversário.

E já foi comprovado científicamente (J.R. Lara/A. Ines) que a MELHOR plataforma tática para criar conexões eficientes é a 3-4-3. É uma questão de geometria: é o esquema que permite a distribuição mais equilibrada dos atletas nos espaços em campo.

Area343

Barcelona no 3-4-3

Mantendo uma distância (ponderada, não euclidiana) de 20.6m do companheiro mais próximo, consegue-se distribuir de forma equânime os 10 atletas em campo, criando assim triângulos e losangos eqüiláteros. Desde que o time jogue compactado e “viajando junto”.

Com uma circulação rápida da bola, permite uma transição ofensiva com velocidade e qualidade técnica, caso atletas envolvidos tenham vocação associativa. Se o modelo de jogo tem como princípio a posse e a troca de passes curtos/médios, é muito importante que haja o maior número possível de conexões entre os atletas. E o 3-4-3 permite o maior numero entre todos os esquemas: 19 conexões.

Inter 3-4-3: 19 conexões entre 10 atletas formando triângulos e losangos equiláteros.

Inter343 losangos

Criação de Losangos pelas laterais

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA SÓLIDA

Defensivamente, o 3-4-3 pode se transformar em um 5-4-1, criando uma sólida e forte linha de cinco defensores com outros 4 “vigilantes” a sua frente. Novamente, a boa ocupação espacial e a criação de “áreas de controle” permitem maior segurança ao time quando é atacado.

Esses quatro jogadores da segunda linha tem a função de cortar linhas de passe na frente da primeira linha e de pressionar o portador. Em uma organização defensiva por ZONA, há um alto grau de orientação pelos próprios atletas em campo, permitindo que enquanto a primeira linha defende em amplitude, a segunda pode fechar espaços e encurralar o adversário.

Evolui343

Transição defensiva do 3-4-3 para 5-4-1

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HÁ JOGADORES PARA FAZER ISSO?

Eu gosto de pensar que tudo no futebol é condicionável. Ou seja, qualquer ideia pode ser aplicada e executada. Vai depender do tempo disponível e da vontade dos atletas. Partindo do ponto de vista que o grupo gosta muito do treinador, e ele conta com o benefício da dúvida do primeiro trabalho, pode assim comprar “tempo” com a torcida, imprensa e direção para executar essas ideias.

O elenco do Internacional tem atletas para montar um 3-4-3 e executar as dinâmicas que o sistema permite. Na primeira linha, aberto pela direita o zagueiro Klaus e pela esquerda, Victor Cuesta. Enterrado entre eles, Rodrigo Dourado, que faria a função que David Luiz faz no Chelsea no 3-4-3 de Conte.

Como trio reserva imediato, zagueiro pela direita Danilo Silva, pela esquerda Ernando, e o volante do meio, Charles. Ou algum outro zagueiro.

Para criar uma estrutura estável de conexões pelos flancos, os meias internos precisam se movimentar para constantemente formar losangos (diamantes) eqüiláteros. Teoricamente, essa forma permite que o condutor tenha linhas diagonais de passe, pra frente ou para trás, podendo avançar e levar consigo o resto do losango.

Por isso, os extremos da linha de 4 precisam ser jogadores com características ofensivas, mas que saibam recompor. Que tenham bom passe, sejam associativos mas que também saibam fechar linhas.

Pela esquerda, Uendel e pela direita, Edenílson. Os reservas imediatos: Ruan, Winck e Dudu.

InterInicio

Início da construção: saída de 3

A CONSTRUÇÃO PASSA PELOS INTERNOS

Os verdadeiros agentes que permitirão as tais conexões são os dois internos. E o Inter tem várias opções para essas posições, podendo adaptar o time `as necessidades e estratégias das partidas e adversários. Pela direita, Gabriel Dias, que tem forte imposição física e alta capacidade de desarme. Pode cumprir as funções que Kanté faz no Chelsea, por exemplo. Dourado também pode ser esse cara, quando outro jogador for o 3o zagueiro.

OBS: Gabriel Dias é zagueiro de origem. Ou seja, pode também realizar a função do terceiro zagueiro.

Pela esquerda, D’Alessandro é o termômetro do modelo de jogo. Tendo mais liberdade de movimentação, apresentando-se como opção de passe, vindo detrás com assistências e passes de ruptura. Camilo e Juan são boas opções para a função. Patrick e Rithiely (a confirmar) podem muito bem se adaptar nas funções dos internos.

Inter343 constroi

Zona de criação: híbrido 2-3-2-3

AGENTES DO ATAQUE

Um fator interessante do 3-4-3 é a liberdade de movimentação da última linha durante a transição ofensiva. Pensando que o time ataca compacto, “viaja junto”, no começo os extremos criam amplitude e se mantem abertos pisando a linha, com o centroavante entre os zagueiros adversários.

A medida que o bloco avança, os três podem se movimentar mais livremente para criar os constantes triângulos e losangos que a plataforma permite, abrindo espaço para que os laterais subam e os meias entrem na área.

Se Odair quer dois extremos de velocidade e vitória pessoal, pode jogar com Wellington Silva (a confirmar) e Pottker. Mas pode também jogar com Camilo pela esquerda e Sasha pela direita. Ou misturar esses quatro jogadores (W.Silva/Sasha, Sasha/Pottker, Camilo/Sasha, Camilo/Pottker).

Tem duas opções de centroavante mais de referência (Damião e Roger) e um de mais movimentação, capaz de fazer o “falso 9” (Nico Lopez). O importante é que esse jogador saiba que ele é o PONTO FOCAL da construção, e saiba trabalhar a favor do time.

Inter343 ofensivo

Zona finalização: liberdade para D’Alessandro e extremos

VANTAGENS DO 3-4-3

Se trata apenas de uma ideia, uma sugestão viável e possível. Mas sem dúvidas que o 3-4-3 é uma plataforma que permite dinâmicas ofensivas muito interessantes e o Internacional tem elenco com características que podem ser moldadas a isto, com boas rotinas de treino para entender os mecanismos de tempo e espaço. Abaixo, um resumo das vantagens deste esquema:

-       Saída Lavolpiana (saída com linha de 3)

-       Sistema com maior quantidade de conexões (19)

-       Melhor ocupação espacial com distancia entre atletas (20.6m)

-       Formação de triângulos e losangos eqüiláteros

-       Liberdade de movimentação para a última linha

-       Criação de muitas diagonais internas e externas

-       Importância do 3o homem em cada jogada de construção.

-       Recomposição no 5-4-1

-       Cria até 16% mais impedimentos (média) aos ataques adversários que as outras plataformas.

-       A melhor plataforma para anular dinâmicas ofensivas do 4-2-3-1, sistema mais usado por times da Serie A.

-       A melhor plataforma para enfrentar o 3-4-3 é o próprio 3-4-3, e nenhum time da SerieA parece querer jogar assim em 2018. É uma vantagem considerável a ser levada em conta!

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Comentários (2)

  • MATEUS SOARES diz: 3 de janeiro de 2018

    Boa tarde. Gostei da matéria, além de torcedor do Inter, sou também torcedor do Chelsea, pioneiro do uso desse sistema nos tempos atuais. Apesar de gostar da explicação, eu gostaria de fazer uma sugestão de substituição, pelo Box-to-Box ou “área-a-área” que faz, penso que o Edenilson possa ser o cara por dentro e o Winck (ou até Sasha) poderiam jogar pelo lado na linha de 4. Pois os próprios laterais adversários encontram dificuldades ao marcar esse sistema sofrendo pressão, tão alta.

  • Fabiano Barbosa diz: 3 de janeiro de 2018

    Gostei da Idéia. Não gostei da Escalação. Damião hj é titular. Roger, tem que provar. Pra esse esquema dar certo, não vejo com um volante brucutu (Gabriel Dias) possa atuar na linha de 4. Gabriel seria o mais o reserva do Dourado nesse esquema. Acho que seria mais pro Patrick ou Ritchely (ou outro a contratar) ali, acho que o Montoya cairia como uma luva ali, mas esse é “águas passadas”.

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