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Colunista do Zeitung compara o funcionamento do transporte público na Alemanha e em Blumenau

11 de outubro de 2011 11

Ivana Ebel

A bicicleta é parte importante do dia a dia dos alemães. Crianças, jovens, adultos de todas as profissões, pais rebocando carrinhos de bebês e mesmo pessoas muito idosas não abrem mão desse meio de transporte, nem mesmo sob os dias mais rigorosos de inverno. Há ciclovias em quase todas as cidades, bem sinalizadas para o tráfego e com espaço para guardar as bicicletas nos arredores das estações de trem. Como por aqui, na Oktoberfest, os alemães não abrem mão de decorar suas “magrelas”: na chegada da primavera, elas ganham flores nos guidões, cestinhos e mesmo entre as rodas.

E se for passear pela Alemanha, fique atento: as faixas vermelhas nas calçadas são exclusividade delas e quem invade leva uma buzinada! Além disso, para pedalar é preciso usar o lado correto da via, ter buzina, luzes e freios em ordem. Para a falta de cada equipamento a multa começa em 10 euros (quase 25 Reais).

Alemães usam bicicleta até no inverno

Ir e vir

Blumenau enxerga a Alemanha como espelho e, seja pela preservação da tradição dos colonizadores – ou copiando elementos mais recentes da cultura do Velho Mundo –, emula a gastronomia, a dança e tantos outros elementos de lá. Mas deveria copiar mais e não se manter apenas no aspecto cultural: pensar de um jeito um pouco mais alemão na hora de ir e vir traria uma sensível mudança na qualidade de vida de toda a cidade. Uma pesquisa recente da Escola Superior de Economia em Bergisch Gladbach mostra que os carros estão perdendo importância para os alemães.

Símbolo de status

Enxergar o carro como um símbolo de status era um comportamento comum entre os anos 60 e 80 na Alemanha. Atualmente, o número de jovens que faz a carteira de motorista e que planeja comprar um veículo cai significativamente: entre 30% e 40% dos jovens alemães que vivem em centros urbanos não têm qualquer intenção de possuir um automóvel. São outros objetos de desejo – muito mais inofensivos! – em evidência: celulares inteligentes e computadores tablet. Enquanto isso, Blumenau se torna intransitável…

Painéis informam horários dos ônibus na Alemanha

Pra onde eu vou?

Há mais cultura alemã a ser assimilada por Blumenau. Coisas simples e sem uma demanda elevada de investimentos públicos, até mesmo para melhorar o transporte. Na Alemanha, há um planejador de viagens de abrangência nacional: www.fahrplaner.de. É só incluir o endereço de partida e o de chegada para ter informação de linhas, horários e melhores conexões. Nas estações, a informação está em cartazes que seguem o modelo de mapa de metrô mesmo em cidades servidas apenas por ônibus.

Tem ônibus?

Estimar o horário em que o ônibus alcança cada um dos pontos não parece ser uma tarefa tão hercúlea. Saber exatamente a que horas vai chegar o próximo transporte estimula o uso dos coletivos. Na Alemanha, isso tem importância dupla. Quando os placares eletrônicos informam algum atraso a agitação começa na plataforma e o condutor do trem vai enfrentar caras azedas na chegada. A pontualidade também é importantíssima nas temperaturas abaixo de zero, pois ninguém aguenta ficar esperando muito tempo sem congelar.

Diz o ditado:

Fahre wie der Teufel, und du wirst ihn bald treffen.

Dirija como o diabo e em breve te encontrarás com ele.

Ivana Ebel é jornalista e vive na Alemanha. Blumenauense, está na cidade natal para a Oktober e para escrever a coluna Conexão Alemanha no Oktoberzeitung

Comentários (11)

  • Felipe diz: 12 de outubro de 2011

    Ivana,

    gostei de seu texto. Sou gasparense e moro na Alemanha a 3 anos. Tenho minha bicicleta, os carros NAO (teclado alemao, sem “tio” e sem cedilha) fazem falta e o sistema público de transporte é espetacular.

    Gostaria de te perguntar uma coisa, é possível se readaptar ao Brasil, quando voltar?
    Abraco!

  • paulo roberto rosa diz: 12 de outubro de 2011

    Qualidade das calçadas, ciclovias e asfalto é outro fato que distancia muito a Alemanha de Blumenau, pois se aqui fossem de qualidade e padronizadas, o transito fluiria melhor, e muitos ciclistas cadeirantes e mamaes conseguiriam se locomover com dignidade.
    Blumenau é uma cidade de papel, onde a única preocupação é com a aparencia para a Oktoberfest, já na Alemanha a preocupação é com a população.
    Nao esqueçam, Blumenau se localiza no Brasil…então, paciencia!

    (moro em Blumenau, conheci a Alemanha e utilizei muito o transporte público de lá)

  • Ed Antonio diz: 12 de outubro de 2011

    Estou cada vez mais convencido que faltam cérebros na administração pública de Blumenau, esta matéria demonstra isto de forma clara.

    O recente implantado corredor de ônibus, vazio na maior parte do tempo e congestionado nos horários de pico, como era previsto, carecem de aumento da frota e planejamento de linhas.

    Coisas simples como o sincronismo de semáforos é tratado com descaso.
    O semáforo da Rua São José com a Rua Sete Setembro ainda fecha em intervalos regulares, por qual motivo? Não bastaria que funcionasse apenas quando acionado por pedestres.

  • Carlos R. Pereira diz: 12 de outubro de 2011

    A diferença é que lá as leis funcionam e aqui não, são politiqueiros que só pensam em promoções pessoais e partidárias. População que acha que a mudança deve partir de outro…

    Na Holanda na década de 70 a população foi a rua para exigir um basta nas mortes no transito e uma cidade mais humana, isto foi seguido por países como Alemanha e Dinamarca… Hoje França, Espanha e outros estão indo no mesmo caminho.

    O aqui é um “faz de conta”, dividem as calçadas com ciclovias compartilhadas e mal sinalizadas, depoimentos de secretários municipais que falam em mobilidade urbana e na mesma frase em “Garantir o Fluxo de Automóveis”…

    E não precisamos ir a Europa para ver que em questão de mobilidade estamos atrasados. Bogota na Colombia é exemplo a ser seguido…

  • Josiane Torres diz: 12 de outubro de 2011

    Blumenau enxerga a Alemanha como espelho, concordo plenamente, porém precisa ser feito muitas mudanças. Faz quase 10 anos que estou longe de Blumenau e cada ano que vou visitá-la me surpreendo com a grande demanda do crescimento da população e consequentemente dos carros, o transito tá terrível. e andar de bicicleta fica até perigoso. Esperemos que Blumenau tenha futuramente uma melhora por ser uma cidade que espera pessoas de todos os cantos do mundo para a OKTOBERFEST.

  • tomatebg diz: 12 de outubro de 2011

    poxa é muuito diferente presisa avançar muito
    um abraço pro pessoal de curitiba

  • Sergio Lingnau diz: 12 de outubro de 2011

    Ivana
    Interessante mostrar o louvável abandono dos automóveis num país com transporte público de primeiro mundo. Porém, antes de condenar os blumenauenses por preferirem o carro e afirmar que é por razões de status, sugiro que experimente o transporte público vergonhoso de Blumenau.
    Na noite passada, por uma desgraça pessoal, precisei usar o ônibus depois do trabalho. Alcancei o primeiro ponto da Theodoro Holtrup às 18:05 e esperei até as 18:25 para a chegada do primeiro ônibus, que nem parou no ponto, pois não tinha condições de receber mais passageiros. 10 ou 15 minutos mais tarde, chegou o próximo, também lotado, mas depois de 5 minutos de compactação de pessoas, conseguiu receber pelo menos metade das pessoas que esperavam no ponto. Dali seguiu até o terminal da Proeb, onde com muita dificuldade e atraso para o ônibus que seguia até a Fonte consegui desembarcar e esperar mais 20 minutos até a chegada do meu segundo ônibus.
    Você viu muito disso na Alemanha? Será que isso faz diferença no momento de optar por um carro ou não?

  • Locatelli diz: 12 de outubro de 2011

    Oi Ivana,

    Eh isso ai, aproveito a deixa para concordar com vc sobre a possibilidade de “copiarmos” mais as boas idéias dos alemães. Boas idéias em geral não custam muito. Blumenau é uma cidade ainda de tamanho razoavel, se pode fazer muita coisa quanto ao transporte publico e urbanismo. Mas, não adianta investir em ônibus pois vc sabe que blumenauense prefere o carro. Por isso um sistema de Tramways (bondes) poderia ser uma boa alternativa para convencê-los a mudar. Além disso polui menos e dura três vezes mais que o ônibus. Mas falta à toda a região uma integração maior, aos moldes das “Länder” alemãs, para poder integrar ações e construir uma rede de transporte publico comum interligando os municipios do Vale e o litoral, usando o ferroviario e o fluvial. A região precisa tirar carros da rodovia e para isso so o trem (que ja tivemos até os idos de 1971…).

    Abs,

  • Ivana Ebel diz: 12 de outubro de 2011

    Em primeiro lugar, obrigada pelos comentários!! É essa troca que estimula o trabalho e fico satisfeita e colocar esses assuntos em pauta!
    Em segundo, lugar, queria falar ao Sr. Lingnau… Eu concordo com suas queixas. Desde que cheguei estou tentando me manter firme ao estilo de vida que tenho na Alemanha e tenho usado o transporte coletivo – quase que exclusivamente – para me locomover na cidade. Para mim, o pior problema é não saber as rotas, horários e não contar com a pontualidade na saída dos terminais. Por isso mencionei que alguns detalhes deixariam a vida menos complicada. Ainda falta muito para que o transporte coletivo se aproxime dos padrões Europeus (embora a tarifa já tenha conseguido essa façanha), mas colocar o assunto na pauta é uma forma buscar essas mudanças!
    Obrigada mais uma vez por comentar!!!!

  • david it central diz: 13 de outubro de 2011

    Otimo artigo colunista, mas vamos deixar de lado as comparações…

    Pois não existe comparação entre Blumenau (Brasil) x Alemanha.

    Brasil = país de 3° mundo subdesenvolvido/em desenvolvimento com quase 200 milhões de habitantes e pib de pouco mais de 2,2 trilhões… e Blumenau infelizmente fica neste país..

    Alemanha = país de 1° mundo, desenvolvido com cerca de 80 milhões de hab., pib de pouco mais de 3,1 trilhões…

    por esse comparativo ja vemos que não temos como comparar um com o outro, pois são dois patamares distintos…

    mas realmente colunista, gostei de seus relatos e é de se invejar a qualidade de vida do povo alemão mesmo com um clima desfavorável…

    e num futuro próximo planejo morar em um país de 1° mundo tbm, mas minha escolha será a Autralia muito provável…. pois como todos os outros colegas que comentaram aki, estou de saco cheio deste pais de M… e ainda ficar ouvindo pessoas dizerem q está tudo ótimo…

    abs

  • Luiz Fernando Pantaleão diz: 13 de outubro de 2011

    Ivana,
    Tenho que elogiar o tema e te felicitar pela matéria. Já que Blumenau se espelha na Alemanha, poderia ser importado para cá várias soluções de urbanização, incluindo-se aí o transporte. Poderíamos fazer a infra-estrutura nos padrões germânicos, tudo bem. Com dinheiro podemos fazer isso. Mas o trabalho deve ser um pouco mais intenso, já que existe um hiato cultural entre Brasil/Alemanha. Existe uma barreira psicológica que nos mantém usuários de automóveis. E quanto maiores, mais beberrões e mais caros, mais desejáveis. Aqui ficar esperando ônibus pode pegar mal para os negócios. Muita gente não fica, sob hípótese ou pretexto algum, num ponto para ser visto. Assim como andar de bicicleta, para estes, parece meio hippie ou pobre. A verdadeira revolução tem que começar nos conceitos. Esta mudança não é só com recurso financeiro que se faz. Esta se dá mexendo com a opinião das pessoas. Para isto, se faz necessário que encontremos iniciativas como esta, espaço na mídia e matéria inteligente. De novo, parabéns.

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