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Colunista do Zeitung fala sobre o repertório de músicas alemãs da Oktoberfest

20 de outubro de 2011 2

Repertório alemão

A discussão sobre o repertório da Oktoberfest deve ter nascido junto com a festa. Há quem defenda ritmos exclusivamente alemães. Outros aceitam uma versão “Polka” de sucessos nacionais e internacionais. O que parece estar fora da pauta é discussão em torno da diversidade do repertório. Quem percorre os pavilhões pode acreditar que só existem três músicas na Alemanha: Rosamunde, Ein Prosit e Zigge-Zagge Hoi, Hoi, Hoi, do Kristall Quintett. O problema não está em restringir os ritmos: o que falta para deixar a festa animada é pesquisa e um novo repertório.

Quer tocar rock, funk, rap? É só tocar em alemão e juntar nuances da Alemanha moderna às marchinhas e outros ritmos alpinos. É possível dar toques mais irreverentes sem deixar de lado a tradição: existem centenas (milhares!) de outras canções típicas. Além disso, por que não os sucessos atuais? Das Geht Ab pode ser uma opção: essa fez sucesso há uns dois verões, mas ainda toca nas rádios e ninguém fica parado ao som do refrão pegajoso. Mais um? A canção Satellite, que levou a jovem Lena a vencer o Eurovision de 2010: ela canta em inglês, mas trata-se de conectar a festa de Blumenau com o que faz a Alemanha cantar junto e cair na dança hoje em dia.

Gosto musical

Se a moda alemã parou nos anos 80, o gosto musical não difere tanto . Assim como o Brasil dança ao som das festas bregas ou músicas com mais de 20 anos, por lá o estilo também faz sucesso e, ao lado de canções românticas e hits de outras épocas, pode ser resumido em uma expressão: Schlager. Talvez a mais famosa _ uma espécie de Fogo e Paixão alemão _ seja Marmor, Stein und Eisen Bricht. É aquele tipo de música que todo mundo diz que não gosta, mas quando toca, todos cantam. Mas há também coisas impossíveis de explicar. Uma delas é a paixão alemã pelo ator David Hasselhoff _ o salva-vidas fortão de SOS Malibu _, que na Alemanha fez sucesso como cantor no final dos anos 80. O hit Looking for Freedom é considerado um dos hinos da queda do Muro de Berlim e empata em popularidade com o bizarro Hooked on a Feeling (vale procurar o clip na internet e ter uns minutos de puro riso). Pra fechar a lista de sucessos improváveis, Take Me Home, Country Roads , de John Denver é sempre cantada em coro seja nas rodas de violão ou nas inúmeras vezes que ecoa pelos pavilhões da Oktoberfest de Munique.

Seleção

Outra coisa difícil de entender é narrador de futebol na TV alemã: não pelo idioma em si. Difícil é entender o que eles passam fazendo a maior parte do jogo, já que o silêncio impera por longos intervalos e até um espirro tem mais força que o grito de go. A parte cômica (ou trágica) fica por conta dos jogos do Brasil que são televisionados por lá. Primeiro, que para os alemães, Seleção é o nome do time do Brasil: na verdade, eles falam algo do tipo “Zêlêzáo”. Neste caso, a recíproca é verdadeira: já vi muito jornalista brasileiro chamando o time alemão de “Mannschaft”. National Elf pode, mas Mannschaft quer dizer apenas “equipe” e pode ser qualquer uma, até mesmo fora de campo. Os narradores alemães também gostam de brincar com as palavras estrangeiras e, entre os comentários, volta e meia sai algo do tipo “jogo bonito”, com todo o sotaque que se possa colocar. Se bem que ultimamente os alemães têm feito mais disso que os brasileiros…

Paladar brasileiro

Quem muda de país sempre fica com aquela nostalgia da comidinha de casa. Na Alemanha isso não chega a ser um problema. É só saber cozinhar aqui, já que os ingredientes mais exóticos aos olhos germânicos podem ser encontrados nos mercados maiores, casas naturais, mercados asiáticos e mesmo casas especializadas em produtos brasileiros e portugueses, mas grades cidades. Tem feijão, farinha, polvilho, leite condensado, aipim, azeite de dendê e até rapadura. O nosso paladar, no entanto, causa um certo estranhamento. Feijoada é considerada diferente. Pão de queijo ganha elogios. Mas tente oferecer espetinhos de coração de galinha e prepare-se para ver a expressão pouco receptiva a essa iguaria tão brasileira: a maioria dos alemães faz carinha de nojo. Nem o brigadeiro recebe aprovação unânime: muito doce para o paladar de lá.

Morgen, morgen, nur nicht heute, sagen alle faulen Leute.

Amanhã, amanhã, só hoje não, dizem todas as pessoas preguiçosas.

Comentários (2)

  • A.G. diz: 21 de outubro de 2011

    Concordo, deve ser revisto o repertório das músicas Alemãs na Oktoberfest, Sei que não adianta vir aqui colocar axé e have metal. Deve seguir a moda de músicas alemãs. Afial estamos exaltando a cultura germânica na nossa cidade, que tal podemos nos atualizar. Acho interessante criar uma comissão para ir a Alemanha para resgatar e atualizar vários itens: música, moda(trajes), gastronomia, arquitetura. deve se ter muita coisa para rever acredito…Possa já até existir essa comissão, mas não estamos vendo muito efeito! Não estou desfazendo a festa, pois ainda sim gosto muito, mas fica aí meu comentário.
    Abraços

  • Cleria Maria Adler diz: 21 de outubro de 2011

    Concordo plenamente com o tema acima…………..após morar anos na Alemanha e agora residindo em Blumenau……….as nossas sobremesas e docerias sao muito doces para os alemaes……..meu marido e eu nao conseguimnos saborear mais os doces brasileiros, chega arrepiar de tao doce. Pao de queijo, empadoes, risoles e a famosa coxinha sempre foram muito apreciados pelos nossos amigos.
    Gostamos muito dessa coluna.
    Um abraco

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