Melhor amigo
O melhor amigo de qualquer alemão é o seu cachorro. Não tente explicar que no Brasil é comum haver animais usados como guardas, que dormem fora de casa: é algo que não vai acontecer na Alemanha. Primeiro pelo rigor do inverno, claro. Depois pelo status que os cãezinhos têm. Por lá, não existem animais de rua. Para ter o seu companheiro, é preciso pagar um imposto anual – que pode variar de R$ 150 a R$ 400 dependendo do Estado. Além disso, em muitas cidades, já há leis que obrigam o cachorro a passar por uma escola – a Hundschule – para andar com o dono em espaços públicos. Nesses locais, se o cachorro morder alguém ou for flagrado sem a documentação em dia, as multas podem ser bem salgadas.

Vaivém
Os cães andam de trem, de ônibus, de bicicleta. Frequentam restaurantes, bancos e outros serviços públicos. Via de regra, são aceitos em todos os lugares, a não ser que haja uma placa explicando que não podem entrar. Supermercados são espaços vetados aos amigos de quatro patas e onde os cães esperam do lado de fora, juntos, sem brigas.
Algumas vezes há pequenos cercados com água e ração oferecidos como cortesia. Se os cães refletem o comportamento dos donos, isso explicaria em grande parte o fato de não se ouvir qualquer latido pelas cidades. Mas nem pense em chamar, acariciar ou fazer gracinhas para os cães alheios. Além do animal dificilmente dar atenção a estranhos, alemães não gostam desse tipo de intimidade com os seus bichinhos.

Vai um remedinho ai?
Passear pelas ruas do Centro de Blumenau é sempre uma experiência renovada. Se olhar for voltado para as lojas, fica difícil de ignorar a quantidade de farmácias. É um exagero. É chocante até.
E essa proliferação desmedida de pontos de venda de remédio reflete, certamente, a abundância de clientela e o uso desmedido dos produtos. Na Alemanha as coisas são diferentes. A lista de remédios vendidos sem receita é pequena e constam analgésicos, pomadas para batidas, antiácidos e alguns xaropes para tosse e antialérgicos leves, por exemplo.
Três escolas
O sistema de ensino alemão é motivo para discussões ferrenhas. De acordo com a Unesco, não se trata do melhor do mundo: ocupa a 13ª posição – um sétimo lugar na Europa –, mas está bem acima da vergonhosa 88ª colocação do Brasil, em um ranking divulgado em março. O que difere mesmo é a separação feita logo após o fim do quarto ano, de acordo com o rendimento escolar das crianças.
Os melhores alunos vão para o Gynamsium, onde são preparados para o Abitur, uma prova cuja nota é usada para a seleção nas universidades. A decisão de onde estudar é feita pela escola e a pressão da família é grande nos estudantes dos primeiros anos para assegurar um futuro promissor. Em qualquer uma das Gesamtschule, como são chamadas as escolas, o primeiro dia de aula é sinônimo de festa: as crianças ganham sacolas em forma de cones com doces e presentes, a tradicional Schultüte.
Público, mas pago!
E quem pensa que o sistema de saúde pública da Alemanha é perfeito, certamente não vive por lá. Não se trata de comparar com a realidade brasileira – que tem muita coisa para melhorar, mas também merece elogios em alguns aspectos.
O fato é que não existe saúde pública gratuita em terras germânicas. O governo é o maior provedor ainda, mas vende os serviços de planos de saúde como qualquer outra empresa privada. E o preço é salgado. Para estudantes, em torno de R$ 175. Para quem passou dos 30 anos, as taxas ficam em torno de R$ 350 por mês.
Os planos de saúde do governo subsidiam o preço de uma série de remédios. Para quem precisa ir à farmácia com receita médica de um plano privado, os valores chegam a cinco vezes mais pelo mesmo produto e nem sempre são reembolsados. Quem quer fazer turismo na Alemanha deve lembrar de ter um seguro de saúde, obrigatório para a estada no país.
Diz o ditado:
Mit jeder neu gelernten Sprache, erwirbt man eine neue Seele
Com cada nova língua aprendida, se ganha uma nova alma
Ivana Ebel é jornalista e vive na Alemanha. Blumenauense, está na cidade natal para a Oktober e para escrever no Zeitung