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Colunista do Zeitung comenta a diferença de tratamento de cachorros de estimação entre a Alemanha e o Brasil

21 de outubro de 2011 3

Melhor amigo

O melhor amigo de qualquer alemão é o seu cachorro. Não tente explicar que no Brasil é comum haver animais usados como guardas, que dormem fora de casa: é algo que não vai acontecer na Alemanha. Primeiro pelo rigor do inverno, claro. Depois pelo status que os cãezinhos têm. Por lá, não existem animais de rua. Para ter o seu companheiro, é preciso pagar um imposto anual – que pode variar de R$ 150 a R$ 400 dependendo do Estado. Além disso, em muitas cidades, já há leis que obrigam o cachorro a passar por uma escola – a Hundschule – para andar com o dono em espaços públicos. Nesses locais, se o cachorro morder alguém ou for flagrado sem a documentação em dia, as multas podem ser bem salgadas.

Vaivém

Os cães andam de trem, de ônibus, de bicicleta. Frequentam restaurantes, bancos e outros serviços públicos. Via de regra, são aceitos em todos os lugares, a não ser que haja uma placa explicando que não podem entrar. Supermercados são espaços vetados aos amigos de quatro patas e onde os cães esperam do lado de fora, juntos, sem brigas.

Algumas vezes há pequenos cercados com água e ração oferecidos como cortesia. Se os cães refletem o comportamento dos donos, isso explicaria em grande parte o fato de não se ouvir qualquer latido pelas cidades. Mas nem pense em chamar, acariciar ou fazer gracinhas para os cães alheios. Além do animal dificilmente dar atenção a estranhos, alemães não gostam desse tipo de intimidade com os seus bichinhos.

Vai um remedinho ai?

Passear pelas ruas do Centro de Blumenau é sempre uma experiência renovada. Se olhar for voltado para as lojas, fica difícil de ignorar a quantidade de farmácias. É um exagero. É chocante até.

E essa proliferação desmedida de pontos de venda de remédio reflete, certamente, a abundância de clientela e o uso desmedido dos produtos. Na Alemanha as coisas são diferentes. A lista de remédios vendidos sem receita é pequena e constam analgésicos, pomadas para batidas, antiácidos e alguns xaropes para tosse e antialérgicos leves, por exemplo.

Três escolas

O sistema de ensino alemão é motivo para discussões ferrenhas. De acordo com a Unesco, não se trata do melhor do mundo: ocupa a 13ª posição – um sétimo lugar na Europa –, mas está bem acima da vergonhosa 88ª colocação do Brasil, em um ranking divulgado em março. O que difere mesmo é a separação feita logo após o fim do quarto ano, de acordo com o rendimento escolar das crianças.

Os melhores alunos vão para o Gynamsium, onde são preparados para o Abitur, uma prova cuja nota é usada para a seleção nas universidades. A decisão de onde estudar é feita pela escola e a pressão da família é grande nos estudantes dos primeiros anos para assegurar um futuro promissor. Em qualquer uma das Gesamtschule, como são chamadas as escolas, o primeiro dia de aula é sinônimo de festa: as crianças ganham sacolas em forma de cones com doces e presentes, a tradicional Schultüte.

Público, mas pago!

E quem pensa que o sistema de saúde pública da Alemanha é perfeito, certamente não vive por lá. Não se trata de comparar com a realidade brasileira – que tem muita coisa para melhorar, mas também merece elogios em alguns aspectos.

O fato é que não existe saúde pública gratuita em terras germânicas. O governo é o maior provedor ainda, mas vende os serviços de planos de saúde como qualquer outra empresa privada. E o preço é salgado. Para estudantes, em torno de R$ 175. Para quem passou dos 30 anos, as taxas ficam em torno de R$ 350 por mês.

Os planos de saúde do governo subsidiam o preço de uma série de remédios. Para quem precisa ir à farmácia com receita médica de um plano privado, os valores chegam a cinco vezes mais pelo mesmo produto e nem sempre são reembolsados. Quem quer fazer turismo na Alemanha deve lembrar de ter um seguro de saúde, obrigatório para a estada no país.

Diz o ditado:

Mit jeder neu gelernten Sprache, erwirbt man eine neue Seele

Com cada nova língua aprendida, se ganha uma nova alma

Ivana Ebel é jornalista e vive na Alemanha. Blumenauense, está na cidade natal para a Oktober e para escrever no Zeitung

Comentários (3)

  • Yolanda L. Sestren diz: 21 de outubro de 2011

    Excelente o artigo informativo da jornalista. Talvez conhecendo outras realidades o brasileiro, inclusive eu, comece a cobrar mais do governo e seus representantes em troca dos altos impostos que pagamos.
    Parabéns ao Santa pela ideia!

  • graziela diz: 23 de outubro de 2011

    parabéns ivana seus comentarios são um sucesso ,adorei as informações sobre os cachorrinhos pois amo animais no brasil tmb poderia ser assim pois temos muitos animais abandonados por aqui bjinhus

  • Isabel diz: 23 de outubro de 2011

    Muito legal essa coluna falando do modo de vida dos alemães da Alemanha. Em Blumenau, que se orgulha de ser uma cidade alemã, mantém vários de seus cães abandonados nas ruas. Li que na Alemanha há os ¨Tierheim¨, lares adotivos para cães. As pessoas podem ir até lá e se cadastrar para levar algum cão para passear. Quem gosta de cães, mas não pode cuidar como manda a lei alemã, pode, pelo menos, passear com um e depois devolvê-lo ao abrigo. Também li que quem quiser adotar um cão deve preencher um ficha extensa, passar por uma entrevista e por um período de adaptação no ¨Tierheim¨. Se passar no teste, leva o animal para casa. Imagino essa burocracia toda aqui em Blumenau, choveriam críticas de todo lado. Isso sem falar que uma semana após a adoção, um fiscal do Tierheim chega de surpresa na sua casa para ver como o cão está. Se notar algo errado com o cão, ou estranhar algum tratamento, leva de volta para o abrigo.

    Seria interessante uma coluna sobre o modo de se vestir no dia-a-dia, dos alemães. Se existe essa ditadura da moda como se ve aqui. Se a cada novela tem que mudar o guarda-roupa senão a mídia alemã diz que você é brega e desatualizado. Se lá eles tem roupas de tecidos melhores, que duram mais, e não ficam a todo momento falando e divulgando modinhas como se fosse a coisa mais importante da vida.

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