
Após descoberta dos operários, ninhos foram manejados e foram protegidos - Foto: Gestão Ambiental/STE
Nem só de operários, concreto, caminhões, vigas e parafusos se faz uma rodovia. Projetada para passar às margens do Parque Delta do Jacuí, a BR-448, que cresce a cada dia, vai apresentar aos gaúchos uma nova visão da Região Metropolitana de Porto Alegre. Enquanto a rodovia não é inaugurada, a Gestão Ambiental, contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), preserva a fauna e a flora da região.
Num desses trabalhos, oito ninhos de tartarugas, que buscaram a área da BR-448 para desovar, foram manejados nos últimos meses para um local mais seguro e protegido. A equipe da STE aguarda, para as próximas semanas, a eclosão dos primeiros dos mais de 70 ovos monitorados próximo ao Rio dos Sinos, em Canoas. Ainda em outubro, os operários do lote três acionaram a equipe ambiental ao ver a desova de uma tartaruga entre as estacas dos quilômetros 18 e 19 da BR-448, onde está sendo construída a rodovia elevada, no município.
- Quem relatou o fato foi a equipe de campo que teve a iniciativa de paralisar momentaneamente as atividades e fazer o resguardo do ninho e informar, no dia do manejo, a posição exata onde a tartaruga havia desovado - conta o biólogo do lote três, Sandro Dourado.
Por meio de imagens captadas pelos celulares dos operários, a bióloga da Gestão Ambiental, Suzielle Paiva Modkowski, identificou a espécie como tigre-d’água - quelônio de pequeno porte, muito comum nas áreas baixas do Rio Grande do Sul. Encontrada em rios, riachos, lagoas e banhados, a espécie aparece no nordeste da Argentina, Uruguai e no sul do Brasil. As fêmeas realizam as desovas entre os meses de setembro e fevereiro, colocando uma média, por desova, de 12 ovos. A incubação dura cerca de 110 dias.
- Devido o ninho encontrar-se em área de risco, pela intensa movimentação das atividades na área, optamos pelo manejo dos ovos para uma área mais segura e com condições apropriadas para o desenvolvimento dos ovos, proporcionando o nascimento dos filhotes de uma forma segura - informa a bióloga.
Depois do primeiro ninho, houve uma sequência de descobertas de novos ninhos próximo ao local da primeira desova. O fato incomum pode ser justificado pela facilidade de escavação da área.

Ovos foram transportados para uma região mais segura e protegida na região - Foto: Gestão Ambiental/STE
A região já abriga 8 ninhos:
Ninho 1 – dia 16/10/2011 - Espécie: Trachemys dorbigni (tigre-dágua) - 13 ovos;
Ninho 2 – dia 20/11/2012 - Espécie: Trachemys dorbigni (tigre-dágua) - 10 ovos;
Ninho 3 – dia 20/11/2012 - Espécie não identificada - 10 ovos;
Ninho 4 – dia 20/11/2012 - Espécie não identificada - 07 ovos;
Ninho 5 – dia 21/11/2012 - Espécie não identificada - 09 ovos;
Ninho 6 – dia 21/11/2012 - Espécie não identificada - 10 ovos;
Ninho 7 – dia 29/11/2012 - Espécie não identificada - 07 ovos;
Ninho 8 – dia 07/12/2012 - Espécie não identificada - 10 ovos.
A equipe está monitorando os ninhos semanalmente para verificar se houve qualquer alteração e prevê a eclosão dos primeiros ovos a partir da segunda quinzena de janeiro sendo que a incubação da espécie registrada varia de 2 a 4 meses, e o filhote nasce pesando cerca de 11 gramas e com 3,5 cm de carapaça.