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Como construir o futuro do Vale do Itajaí

29 de novembro de 2008 2

Alcantaro defende planejamento das cidades/Fiesc, Divulgação

Do Informe Econômico deste domingo:

Esta não foi a primeira enchente enfrentada pelo Vale do Itajaí e não deverá ser a última. Se é inevitável, então, como reconstruir o que foi perdido para que a região não perca o seu dinamismo econômico e também consiga minimizar perdas humanas e materiais no futuro?

A coluna ouviu três lideranças da região que já viveram o problema antes e dão sugestões. O presidente da Federação as Indústrias do Estado (Fiesc) e também blumenauense, Alcantaro Corrêa, sugere fundo social, plano urbano e outras medidas. O presidente do conselho de administração da Cia. Hering e ex-cônsul da Alemanha, Hans Prayon diz que a região sairá mais forte desta tragédia mas deverá evitar construções em áreas de risco. Para o presidente da Associação Empresarial de Itajaí, Marco Aurélio Seára Júnior, a retomada urgente das atividades do Porto de Itajaí é decisiva para a recuperação rápida da economia do município.

Verbas e um fundo

Para o presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa, a recuperação das regiões atingidas vai exigir aporte de recursos por parte do governo federal e também é necessário a criação de um fundo social específico pelo governo do Estado para o planejamento das cidades. Seria um fundo semelhante aos demais fundos do Estado, para que as empresas da região depositem 5% do ICMS que arrecadam.

_ A proposta é criar um fundo para atender o planejamento das cidades, isto é, comprar áreas de terra para que se construa bairros planejados, em locais sem riscos de desmoronamento, com visão de futuro e padrão moderno, com toda a infra-estrutura. Em Blumenau terá que ser em área alta, não atingida por enchentes. Esse fundo deve ter, também, verbas do Ministério das Cidades para infra-estrutura e a CEF deverá financiar os imóveis _ diz Corrêa.

Apoio financeiro

Além disso, para o empresário, é preciso conseguir dinheiro a fundo perdido ou com financiamentos acessíveis para ajudar as pessoas que perderam tudo.

Ele conta que passou em frente a uma pequena floricultura que foi totalmente destruída pela enchente. Acredita que a empresa não terá condições de se reerguer sem ajuda. Situação semelhante é, também, a da costureira que perdeu sua máquina.

_ Vamos comprar uma máquina de costura e dar para ela recomeçar a vida. Precisamos de uma organização que dê atenção a esses pequenos empresários que não têm condições de se restabelecer rapidamente se não tiverem equipamento e matéria-prima. Temos que montar um comitê misto que vai fazer o cadastramento, análise, julgamento, e comprar os produtos para essas pessoas porque são esses pequenos negócios que, somados, garantem o desenvolvimento da cidade _ diz.

Sem demissões

Para Corrêa, os empresários de todos os setores devem se manter unidos e não demitir. A propósito, os empresários de Blumenau decidiram não demitir nos próximos três meses. Além disso, precisam resolver o problema de cada funcionário da sua empresa de forma que ele volte a ter auto-estima e uma vida digna.

_ Tem pessoas que vêm, trabalham, fazem sua casa e depois perdem tudo de uma hora para outra. Daí, podem ir embora. Se não fizermos nada, daqui a pouco estaremos com falta de pessoal.

Na avaliação do empresário, a cidade vai precisar também de doações em dinheiro para sua reconstrução, por isso as contas bancárias abertas são importantes. A Fiesc conta com duas contas sob sua responsabilidade, uma no Bradesco e outra no Banco do Brasil, cujos recursos arrecadados pretende investir bem e fazer relatórios completos dos gastos.

“Perdi tudo”

Ao circular pelo Centro e bairros de Blumenau, quinta-feira, o presidente da Fiesc disse que viu coisas que lembraram o problema que teve em 1983 e 1984, quando também sua residência atingida e ficou desabrigado.

_ Em 1984, a água atingiu 1,80 metro dentro da minha casa, no bairro Velha e perdi simplesmente tudo. Eu havia enviado a esposa e os três filhos para a casa de um funcionário da Altona e fiquei colocando algumas coisas em casa, pensando que a água não subiria tanto. Quando percebi, estava cheia d`água e tive que passar a noite toda no telhado porque não tinha condições de sair. Fiquei abrigado com roupas e um guarda chuva da 1h da manhã até o dia clarear _ conta Corrêa.

Entendo como é triste perder tudo, por isso acho importante o envolvimento de todos para as pessoas recuperarem suas casas e sua auto-estima.

Vai ficar melhor

_O Vale do Itajaí vai se recuperar e ganhar coisas melhores para compensar essa desgraça. O Porto de Itajaí, por exemplo, vai receber obras novas que estavam previstas e ainda não foram feitas. Serão desmanchados dois armazéns, colocados guindastes novos e outros equipamentos. Em Blumenau, o prefeito vai ter que trabalhar um bom tempo, cerca de dois anos, para remover o que caiu e dar uma cara nova à cidade. Ela vai se reerguer porque existe aquela garra das pessoas. Muitas dizem: Eu perdi tudo, mas tem gente muito pior _ afirma.

Produção afetada

Não são somente as indústrias cerâmicas que estão com a produção afetada por causa da falta de gás natural e outros problemas de infra-estrutura. Várias empresas enfrentam falta de matéria-prima e poderão ter que suspender a produção por uns dias se as rodovias não voltarem a oferecer tráfego, observa o presidente da Fiesc.

“São inevitáveis”

Atento aos conselhos dos seu avô, Max Hering, que recomendou construções somente 17 metros acima do nível do mar em Blumenau, o presidente do conselho de administração da Cia Hering e ex-cônsul da Alemanha, Hans Prayon, defende edificações somente em locais mais seguros. Ele diz que as enchentes, na região, são inevitáveis.

_ Muitas cidades enfrentam enchentes. Quando eu era presidente do Comitê Bacia Hidrográfica de Itajaí, visitei várias cidades na Suíça e Alemanha, em morros, que também convivem com as enchentes. A gente precisa aprender a conviver com os problemas climáticos, assim como há países que enfrentam tempestades de neve ou tufões, e sobrevivem _ diz

Mais garra

_As pessoas que passam por uma guerra, uma enchente ou desmoronamento criam uma força interior tão forte que ficam muito mais ativas depois disso. Em Blumenau ocorre isso. Na reportagem que fez na cidade, o apresentador da Globo, William Bonner, citou o caso do homem que abriu a janela do carro e disse: vamos reerguer. Blumenau é assim, já passou por isso, diz Prayon. Essa vontade de reerguer fortalece muito as pessoas. Vamos sair dessa em poucos dias _ afirma.

Veio a Oktoberfest

Conforme Prayon, a maior enchente foi a de 1911, quando as águas subiram para 17 metros. Nas enchentes de 1983 e 1984 a cidade se reergueu de novo rapidamente. A de 1984 resultou na Oktoberfest, principal festa germânica do país e uma das maiores do mundo.

A atual foi a que atingiu mais pessoas em Blumenau e também a pior para o município de Itajaí e região, mas Prayon acredita que eles também se recuperarão rápido e sairão fortalecidos. Em Blumenau, a maioria das empresas já retomou atividade. A Hering voltou a operar terça-feira. Desta vez, as indústrias não tiveram seus parques fabris atingidos porque se preveniram após 1984. A maior dificuldade é buscar os trabalhadores.

Atenção ao porto

O presidente da Associação Empresarial de Itajaí (Acii), Marco Aurélio Seára Junior, diz que as atenções maiores, agora, além da ajuda humanitária, é para a recuperação do Porto de Itajaí, que é o grande motor da economia local.

_ Estávamos preocupados com informações de que o porto só voltaria a operar após seis meses, mas a diretoria nos esclareceu que as atividades poderão voltar em breve. Com a dragagem, o berço quatro poderá operar logo e, para o dia 15 de dezembro, está prevista a conclusão do novo berço, o zero, o que permitirá ao porto operar com dois berços _ diz.

A expectativa é que o governo federal libere, imediatamente, os R$ 350 milhões prometidos. Isto porque três berços foram danificados com a enchente e há outras obras a serem feitas.

Com Navegantes

Como o canal ficou assoreado, o Porto de Navegantes, que tem três berços, também não está podendo operar enquanto não for feita a dragagem, que garantirá, novamente, os 11 metros de profundidade.

Em função dos danos ao Porto de Itajaí, a região já começa a falar em termos do Complexo Portuário de Itajaí e foi cogitada uma parceria entre os portos de Itajaí e Navegantes para a movimentação de cargas, garantindo o atendimento dos clientes na região e a movimentação econômica também, informa Marco Aurélio Seára.

Ocupação urbana

Itajaí é um dos municípios mais dinâmicos de SC, conta com o segundo maior retorno de ICMS do Estado graças à atividade portuária. Mas para Marco Aurélio Seára, é fundamental a definição de um plano diretor que solucione o problema das ocupações das regiões mais baixas da cidade, que são mais atingidas por enchentes. A expectativa do empresário é que a Caixa libere os recursos necessários para as pessoas investirem nas suas residências e empresas.

Postado por Estela Benetti

Comentários

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Comentários (2)

  • Eduardo RF diz: 30 de novembro de 2008

    Pensar positivo é a única solucao para uma tragédia desse nível. O Vale di itajaí vai se recuperar, com o tempo tudo sera solucionado. E quanto a florianópolis, pode-se dizer que a cidade esta intacta, a ilha suportou bem o volume de chuvas e toda agua escorreu para o mar bem rapidinho, afinal somos uma ilha abençoada e muito bem localizada, felicidades a todos, paz e muito sucesso em tudo em 2009.

  • fernando diz: 30 de novembro de 2008

    Gostei do que acabo de ler.E o interessante é que alguem tem o bom senso de apontar soluções ,não apenas discorrer sobre tragédias.alguem já pensou que estamos começando a temporada. muitos devem estar projetando novos ganhos com mais uma tragédia: o trade turistico.ou será que imprensa está planejando vender submarinos para os turistas que pensam visitar o litoral de SC.interessante que as empresas pensaram em construir seu parque industrial em áreas protegidas e esqueceram de quem?adivin

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