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Diretor da Previ fala sobre a polêmica na Celesc

20 de julho de 2009 1

Joilson Rodrigues Ferreira, diretor de Participações da Previ/Divulgação

Íntegra da entrevista do diretor de Participações da Previ, Joilson Rodrigues Ferreira, ao DC.

O diretor de Participações da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Joilson Rodrigues Ferreira, afirma que a Previ não tem intenção, nem poder para privatizar a Celesc. Quem tem este poder é o governo do Estado que é acionista majoritário. Em entrevista ao Diário Catarinense, ele disse que o fundo tem trabalhado para melhorar a gestão da companhia e explicou que a incorporação da dívida da Invesc com a Previ foi uma decisão da Justiça.

A Previ é o maior fundo de pensão da América Latina e tem, hoje, um patrimônio de R$ 121,6 bilhões. Conta com 175.995 participantes entre ativos, aposentados e pensionistas. Com a incorporação das ações da Invesc, a Previ passou a ter quatro das 13 cadeiras do conselho de administração da Celesc e os conselheiros do fundo são Arlindo Magno de Oliveira, Emilio Mayrink Sampaio, Paulo Roberto Evangelista de Lima e Lauro Sander. Leia a entrevista a seguir.

Como a Previ tem atuado no conselho de administração da Celesc?

Joilson Rodrigues Ferreira _ Na verdade, o que a gente tem observado é que os conselheiros indicados pela Previ vêm buscando fazer um trabalho conjunto com a diretoria da Celesc para a melhoria da gestão. Foram tomadas várias iniciativas em conjunto e uma delas foi a contratação da consultoria Galeazzi, para adequação da empresa ao modelo de empresa de referência definido pela Aneel. Isto tudo vem sendo discutido dentro do âmbito do conselho, mas no mais alto nível. O que a gente percebe na atuação dos conselheiros da Previ é uma atuação para melhorar a gestão da empresa, para que ela seja mais eficiente, não tenha problemas estruturais, atenda bem o consumidor e que seja lucrativa, acho que é o interesse de todos os acionistas públicos e privados, fundos de pensão e governo. A gente percebe que os conselheiros vêm fazendo este debate, procurando fortalecer a companhia, interagindo dentro da companhia, com uma critica aqui e outra ali, sempre no sentido de melhorar.

DC _ Naquela reunião extraordinária do dia 2 de julho, os conselheiros da Previ iriam sugerir o ingresso da empresa no Novo Mercado da Bovespa?

Ferreira _ A Previ não tem este poder. A Previ é acionista minoritário. Nós não temos poder nem na assembléia de acionistas nem no conselho de administração da empresa de tomar esta decisão. Quem pode tomar esta decisão é o controlador e o controlador da Celesc é o governo de Santa Catarina. Ele tem a maioria das ações ON. Não existe a menor possibilidade de fazer uma mudança desse tipo sem a iniciativa do controlador. Além disso, é necessária a aprovação da Assembléia Legislativa. Esta é uma discussão falsa. Temos que deixar muito claro que a Previ não tem poder nenhum de decidir sobre a privatização da Celesc. Nós temos um percentual expressivo do poder de voto, 33%, mas não temos o controle. Temos 33% das ações ON, com poder de voto, e 14% do capital total da Celesc.

DC _ A Previ gostaria que a Celesc ingressasse no Novo Mercado?

Ferreira _ Não temos poder para tomar esta decisão. Temos feito um debate no sentido de melhoria de governança. Há várias formas de melhorar a governança, desde criar comitês para melhorar a empresa e buscar mais transparência. A gente sempre tem feito este debate de diversas formas. Agora, achar que a Previ possa fazer um movimento para privatizar a companhia não tem o menor sentido. A Previ não pode impor isso ao controlador da empresa, não tem o menor sentido.

Os nossos conselheiros são independentes, a Previ indica mas eles têm atuação independente, eles têm responsabilidades perante a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), perante a lei e perante a Justiça. E eles têm, de fato, uma preocupação pela melhora da governança.

DC _ Esta atuação é a mesma em outras empresas nas quais a Previ tem participação?

Ferreira _ Nós fizemos, recentemente, a reestruturação da Tupy, de Joinville. Convertemos uma dívida de debêntures em ações e hoje temos 36,8% das ações ON da companhia e dividimos o controle com o BNDES. Colocamos lá conselheiros profissionais, estamos implantando comitês de remuneração, comitê de auditoria. São práticas de empresas listadas no Novo Mercado. Também recomendamos isso para empresas que estão em outros níveis de governança da Bovespa. Nossa preocupação é a melhora da governança, com mais transparência, respeito ao minoritário.

DC _ A Previ tem participação em quantas empresas?

Ferreira _ Temos participação em 82 empresas. Desde a Vale do Rio Doce e outras, como a Perdigão, de Santa Catarina, que é do Novo Mercado e temos 14% do capital. Temos, também, 14% da Embraer,  31% da CPFL que é uma empresa de energia de referência no Novo Mercado e 10% do Banco do Brasil, que também está no Novo Mercado. Participamos, ainda, de empresas listadas nos níveis 1 e 2 de governança da Bovespa mas sempre com a orientação de melhorar a governança, tratar bem o minoritário, melhorar a gestão. A Previ tem um patrimônio, hoje, de 121,6 bilhões.

DC _ O governo do Estado está questionando, na Justiça, o avanço da Previ no capital da Celesc em função de dívida da Invesc. Qual é a posição da Previ sobre isso?

Ferreira _ A Planer que era a gestora da Invesc, o agente custodiante da Invesc, é quem tem ação contra o Estado. A Invesc é um fundo criado pelo Estado de Santa Catarina para buscar recursos de investidores institucionais e investir no desenvolvimento do Estado. A Invesc pegou recursos do mercado e deu como garantia para estes investidores que colocassem dinheiro neste fundo ações da Celesc. Essas eram as garantias.

Como a Invesc não pagou os valores colocados pelos investidores, a Planer, que é quem fazia a custódia para os investidores, entrou com ação contra o Estado porque ele não pagou o dinheiro que os investidores colocaram. Aí, como conseqüência, nós recebemos as ações que foram dadas como garantiras. É como você comprar um carro e fazer um empréstimo, dando bens como garantia. Aí a Justiça julgou e conseguimos receber as garantias que são estas ações. Já tínhamos participação na Celesc, mas acrescentou por conta de garantias que recebemos pela Justiça.

DC _ A intenção do Estado é reverter esta decisão na Justiça.

Ferreira _ É decisão da Justiça. Nós colocamos este dinheiro na Invesc, fizemos um investimento. Ou a gente recebe o dinheiro de volta, ou exerce a garantia. E a Previ respeita a decisão da Justiça. Recorremos à Justiça, ela nos deu ganho de causa e nós exercemos este direito.

DC _ Há algo na gestão da Celesc que preocupa mais a Previ?

Ferreira _ A gente não pode entrar em detalhes sobre a gestão da Celesc, nem positivamente, nem negativamente. A gente está fazendo os debates nos ambientes corretos. A gente indicou os conselheiros e as pessoas estão fazendo este debate, dentro do fórum adequado. Se tiver matéria de assembléia de acionista, a Previ vai lá votar em benefício da companhia. A Previ não tem a prática de votar contra a empresa em benefício da Previ. Como somos acionistas, achamos que a empresa ganha quando o acionista ganha. Queremos que a empresa tenha melhores resultados e ofereça serviços de qualidade. Temos participação em empresas de referência no setor elétrico. Temos 31% da CPFL que é uma referência de empresa no setor e ganhou prêmio de governança mais uma vez. Estamos na Neoenergia que é uma holding que controla a Coelba (distribuidora da Bahia) e outras empresas de referência. A gente tem como contribuir, como sócio, se houver disposição do controlador, de levar boas práticas que a gente aprendeu em outras empresas. Colocamos pessoas muito qualificadas no conselho da Celesc. 

 

DC _ Quem são os conselheiros da Previ na Celesc?

Ferreira _ O conselheiro é sempre independente em relação a quem indica. Um é funcionário da Previ. Antes era um diretor da Previ. Hoje, temos um gerente da área financeira. Outros dois são aposentados do Banco do Brasil, sem vínculo de trabalho com a Previ e outro é do Banco do Brasil. São todas pessoas qualificadas, ex-diretores da Previ e do Banco do Brasil, pessoas que tiveram carreiras brilhantes em alguns casos, até chegar ao nível de diretor. Um deles já foi conselheiro da Neoenergia, CPFL e Eletrobrás. Outro é especialista em controles internos. São pessoas que têm conhecimento do setor e podem ajudar a Celesc. A gente procurou identificar os melhores conselheiros para que, nos debates, a empresa tenha os melhores resultados. Acho que a empresa pode aproveitar a experiência dessas pessoas para melhorar a sua gestão. Este é o limite da nossa atuação. A Previ não privatiza nada. Não somos estatal, não temos ativos com esta classificação.

Postado por Estela Benetti

Comentários

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Comentários (1)

  • Duda Hamilton diz: 20 de julho de 2009

    Bela entrevista Estela. Beijos

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