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"Temos que fazer passeatas, dar a cara"

27 de setembro de 2009 0

Diego Redel

Do Informe Econômico:

Adotar uma postura mais proativa na defesa dos interesses da classe empresarial e elaborar uma proposta de reforma fiscal para o governo federal melhorar os gastos públicos estão entre as prioridades da nova diretoria da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina, a Facisc, que tem à frente o empresário Alaor Tissot, de Florianópolis.
Eleito no último dia 18, Tissot vai suceder, a partir de 5 de novembro, o empresário Luiz Carlos Furtado Neves na presidência da federação, com o compromisso de dar continuidade ao trabalho da atual gestão e fazer mais. Acostumado a enfrentar desafios, Tissot tem ampla trajetória no setor privado, em associações empresariais e na esfera pública. Começou a trabalhar como officeboy da Cia Brahma, em Curitiba, aos 13 anos, mais tarde ingressou na Coca-Cola e tornou-se fabricante da mesma em SC, negócio que vendeu em 1986, e, hoje, atua nos ramos imobiliário e de reflorestamento. Foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis por quatro mandatos e, por quase dois anos, presidiu a estatal SC Parcerias, no governo de Luiz Henrique.

A aprovação das reformas sempre foi uma das lutas prioritárias da Facisc. O que a nova diretoria vai propor?
Tissot –
Temos aquele trabalho de reforma tributária feito pela Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) que a Facisc encampou e que queremos transformar numa PEC (proposta de emenda constitucional). O deputado Jorge Boeira (PT) prometeu apresentar a emenda. Além disso, o presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), Carlos Rodolfo Schneider, está propondo que a gente pense em um projeto de reforma fiscal, incluindo a reforma tributária. Ele acha que vamos atingir melhor nosso objetivo se o governo federal gastar menos. Assim, sobrará mais dinheiro para infraestrutura, saúde, educação e, inclusive, para reduzir a carga tributária. A Acij vai elaborar a proposta de reforma fiscal ao país e, depois, a intenção é fazer uma grande mobilização nacional para aprová-la, envolvendo todas as federações e confederações empresariais do Brasil. O Schneider já tem contato com a Fiesp, em São Paulo. No Conselho das Federações de SC (Cofem), já vem se falando nisso. Alguém tem que dar o pontapé inicial, e Joinville é o maior polo econômico de Santa Catarina.

A Facisc pensa em ser mais atuante na mobilização empresarial?
Tissot Hoje, os empresários ficam esperando que os líderes os representem em toda a parte. Mas, muitas vezes, a gente precisa escurecer a sala, colocando cem pessoas. Com 10 não acontece nada. O empresariado tem vergonha de aparecer, mas nós temos que fazer passeatas, temos que dar a cara. Isso não pode ficar só com o líder. Temos 28 mil sócios. Será que não conseguimos trazer 2 mil para a Assembleia Legislativa e mostrar aos deputados que há um setor que está sendo prejudicado? Será que não podemos levar 6 mil a Brasília? O sujeito não participa porque acha que vai gastar R$ 1 mil numa viagem, mas esquece que, provavelmente, se for prejudicado, vai gastar mil por mês pelo resto da vida. Na mobilização contra a CPMF, eu e o Alcantaro Corrêa, presidente da Fiesc, demos a cara para bater. Eu já participei de outras passeatas, sempre fui meio rebelde.

Essa mobilização fez falta no processo do mínimo regional?
Tissot No mínimo regional faltou mobilização de toda a classe empresarial. Enquanto os empresários marcaram presença com seis ou sete presidentes de federações, o lado laboral tinha 400 pessoas. Não quero entrar no mérito, mas uma decisão que era social e de renda virou uma questão política. Daqui a pouco, por uma questão eleitoral, podem querer que o salário mínimo seja de R$ 1 mil. Precisamos estar mais preparados politicamente e tecnicamente para nos posicionar diante dessas votações.

Qual é o diferencial da Facisc às empresas associadas?
Tissot
– Temos 28 mil empresas associadas às associações empresariais filiadas à Facisc e nosso principal diferencial são os serviços. Essas entidades dão uma contribuição mensal, na maioria dos casos é um valor único, e também utilizam serviços, entre os quais cartões como o Útil Card, Útil Alimentação e Útil Refeição; Serasa, Uniodonto, certificado de origem e seguro empresarial. Cada cliente paga pelo uso que faz. Hoje, graças ao trabalho dos nossos últimos presidentes, de 70% a 77% da receita da Facisc vem dos serviços. Nosso objetivo é chegar a 90%.

A Fundação Empreender continuará forte na entidade?
Tissot A Fundação Empreender, que é o nosso braço técnico, coordena os núcleos, cursos e missões ao exterior. Os núcleos setoriais estão em ampla expansão. Temos em torno de 6 mil empresas que participam de núcleos, e isso é importante porque fortalece o associativismo. Eles podem criar uma central de compras e desenvolver programas de marketing em conjunto. O maior exemplo é o de automecânicos, que têm um núcleo com 300 empresas.

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