Bruno Breithaupt
Perfil
É presidente da Federação do Comércio do Estado de Santa Catarina (Fecomércio) desde fevereiro do ano passado. Além das atividades no associativismo empresarial, Bruno Breithaupt, 58 anos, é sócio e diretor administrativo e financeiro do grupo Breithaupt, empresa familiar de Jaraguá do Sul que tem rede de supermercados e de materiais de construção (23 lojas no Norte do Estado) e o Shopping Breithaupt.
Bruno divide a gestão com o irmão Roberto, o diretor comercial do grupo que gera 1,7 mil empregos diretos. Administrador de empresas formado pela Univille (Furj), com pós-graduação em Administração Financeira, é casado com Janice e tem três filhos: Célia, Joana e Bruno Filho.
Entrevista
Em sintonia com o que acontece nos países ricos, o setor de serviços avança rapidamente no Brasil. Em Santa Catarina já é o maior empregador, com aproximadamente 60% das vagas. A Federação do Comércio do Estado (Fecomércio/SC), entidade empresarial que representa cerca de 300 mil empresas do comércio de bens, serviços e turismo, vê um cenário ainda melhor para este ano, avalia o seu presidente, Bruno Breithaupt.
Por isso, a formação, com cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, é prioridade nas 26 unidades do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) pelo Estado. Outra questão relevante ao setor, conforme Breithaupt, é o custo da mão de obra. Isso fez com que a entidade entrasse na Justiça contra a lei do mínimo regional. Na entrevista a seguir, ele fala sobre sucessão na federação que reúne também o Serviço Social do Comércio (Sesc) e oferece 3,4 mil empregos diretos no Estado.
Os serviços lideram a abertura de empregos no Brasil e no mundo. É assim também em SC?
Bruno Breithaupt – O nosso sistema, que inclui o comércio de bens, serviços e turismo, representa cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB). E o setor de serviços é o que mais emprega hoje. Se nós separarmos o comércio, o turismo e os serviços, 60% dos empregos estão nessas três áreas em SC, e dessas, o setor de serviços lidera. Desse total, 18% são do varejo, 15% do turismo e a outra parte é de serviços.
Quais são os segmentos de serviços que mais empregam?
Breithaupt– São as atividades gerais como limpeza e segurança. O turismo é bem definido, e o varejo também. Há outras atividades importantes no setor de serviços e uma delas é a tecnologia da informação e comunicação. Hoje, temos no Estado grandes empresas de serviços, com 1,5 mil, 2 mil até mais de 3 mil funcionários.
É um setor que tem se mostrado muito competente.
E o apagão de mão-de-obra ?
Breithaupt – Falta mão-de-obra qualificada no Estado todo. Qual é o papel do Senac? Intensificar os programas de treinamento. Também firmamos um convênio com o Ministério do Trabalho, pelo Senac, para ajudar as pessoas que não têm qualificação a se inserir no mercado de trabalho. A grande preocupação hoje é trazer essas pessoas não qualificadas para o mercado. Dentro do Senac, nós temos um acordo com o governo federal de gratuidade, que começou com 20% das vagas e vai até 66% em 2014. Hoje, o Senac forma 60 mil estudantes por ano.
Por que vocês foram à Justiça contra o mínimo regional?
Breithaupt - A Confederação Nacional do Comércio (CNC), por solicitação da Fecomércio, ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no STF pedindo a suspensão da lei do mínimo regional. Sempre defendemos a livre negociação dos salários entre empregados e empregadores. Da forma como a Lei foi construída, há uma nítida intervenção do Estado na atividade sindical, além de afrontar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Constituição Federal.
A Fecomércio terá eleição em abril e o senhor é candidato. A chapa será de consenso?
Breithaupt – Estou concluindo o mandato do empresário Antônio Edmundo Pacheco, que faleceu em fevereiro do ano passado. Eu era um dos vices e fui eleito pela diretoria. Agora sou candidato. O prazo legal para inscrição é até dia 23 deste mês. Mudamos o estatuto para permitir a inscrição de mais chapas, mas acredito num consenso.
Qual é o orçamento da Fecomércio?
Breithaupt – O nosso orçamento, somando a Fecomércio mais o Senac e o Sesc, gira em torno de R$ 170 milhões por ano. Evidente que o Senac e o Sesc utilizam a maior parte. Vamos investir mais em educação, na abertura de faculdades, onde o Senac está muito bem.
Notas
Cenário
Se o ano passado, de impacto da crise global, permitiu um resultado razoável para o comérico, o cenário para este ano está melhor. Outro fato que anima o presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, é o otimismo do consumidor. Pesquisa na Capital revelou que 62% das famílias acreditam em condição salarial melhor.
Turismo
O setor, que também integra a base da Fecomérico, tem destacada projeção em SC. Mas para o presidente da entidade, Bruno Breithaupt, há problemas de infraestrutura que impedem um crescimento maior. Em Florianópolis, por exemplo, ele vê carência de aeroporto, marinas e rodovias.
Educação
O Sesc, que também tem 26 unidades no Estado, desenvolve trabalho forte na assistência social, saúde, educação e lazer. Entre os projetos mais relevante estão o Sesc Ler e a alfabetização de adultos. Na área de assitência, o Mesa Brasil viabiliza doações a entidades filantrópicas.
Perda
O empresário Bruno Breithaupt foi entrevistado pela coluna segunda-feira. E na quinta teve uma grande perda familiar: sua mãe, Carmen Piazera Breithaupt, 81 anos, diretora do grupo, faleceu em Jaraguá do Sul.
Postado por Estela Benetti