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De SC ao topo das finanças globais

25 de abril de 2010 0

Do Informe Econômico:

O engenheiro aeronáutico Conrado Engel, 52 anos, catarinense natural de Concórdia, é um dos maiores executivos do setor financeiro mundial. Após atuar por mais de dois anos em Hong Kong, à frente da área de varejo do Grupo HSBC, o banco privado número um do mundo, presente em 88 países, voltou ao Brasil em junho do ano passado para presidir a instituição neste que é um dos mercados globais mais promissores do setor.
Entre os focos do HSBC para crescer no país estão a expansão do crédito imobiliário, atendimento premium a clientes e serviços especiais para empresas, principalmente as que atuam em diversos países. Com 8% do mercado financeiro catarinense, o banco tem uma agência na cidade natal de Engel que atende bem a região onde moram seus pais e irmãs, e que ele visita com frequência.

Perfil

Presidente do HSBC Bank Brasil desde junho de 2009, Conrado Engel é um dos principais executivos do Grupo HSBC, da Inglaterra. Ingressou na instituição em 2003, quando ela comprou a Losango. De janeiro de 2007 a maio de 2009 atuou em Hong Kong, China, onde comandou a área de varejo da instituição na Ásia e Oceania. Engenheiro pelo ITA, ingressou no setor financeiro em 1981, no Citibank, depois atuou no Nacional e Unibanco. Nascido em Concórdia, é casado com a concordiana Márcia Marcon e tem dois filhos, Maria Alice e Pedro.

O senhor cursou engenharia no ITA mas foi para o setor financeiro. Por quê?
Conrado Engel
– Nasci em Concórdia e sai de lá cedo para estudar. Fiz o segundo grau em Curitiba e depois fui fazer engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, São Paulo. Eu sempre quis fazer Engenharia Aeronáutica, mas acabei indo direto para o mercado financeiro por acaso e não retornei à engenharia. Eu estava no quinto ano do curso e o Citibank fez recrutamento de trainees no ITA. Resolvi entrar para ver como funcionava o sistema financeiro. Comecei na área de informática e migrei para a de negócios.

Seus pais influenciaram na escolha da sua carreira?
Engel
– Meus pais eram professores. Minha mãe coordenava a escola de primeiro grau que a Sadia tinha para os funcionários Meu pai era tesoureiro-caixa na Sadia, onde trabalhava durante o dia. À noite, era diretor de um colégio e também foi professor de português. Ambos tinham atividade diferente da engenharia.

O senhor é um dos maiores executivos do setor financeiro global. A que atribui seu sucesso?
Engel
– A razão número um é uma formação básica forte em engenharia. A número dois, é a capacidade de entender diferentes culturas, as pessoas com quem se está lidando, isso, no final do dia, faz a diferença. E a terceira, sorte, também, né?

Como avalia os mercados da Ásia e Oceania, onde coordenou a área de varejo do HSBC?
Engel
– Na Ásia, eu era responsável por 19 países, com culturas e formas de reação muito diversas. Depois da crise, a Ásia se tornou o grande motor da economia. Existe um grande comércio da Ásia com os países desenvolvidos e emergentes. O potencial econômico da Ásia é imenso, a China já é o maior parceiro econômico do Brasil e o maior exportador do mundo. Para operar na Ásia, tem que entender que são muitos países com culturas e sistemas regulatórios diferentes. A forma como o chinês reage é diferente do indiano. Para ter sucesso nesses mercados, tem que entender como as pessoas agem.

O HSBC atende bem Concórdia, a sua cidade natal?
Engel
– Temos uma agência em Concórdia com capacidade suficiente para atender bem a cidade e a região. A agência tem 8 mil contas e um nível de serviços e negócios bastante grande.

Como está a participação do banco em Santa Catarina?
Engel
– O HSBC tem 37 agências no Estado, das quais quatro são em Florianópolis. Temos 150 mil clientes, 8% do mercado estadual. Nossa estratégia é de expansão do número de agências no curto prazo. Pensamos em abrir mais uma em Chapecó, uma em Palhoça e estamos reavaliando praças importantes como Florianópolis, Joinville e Blumenau. Temos grandes parceiros, como a prefeitura de Blumenau e empresas como a Portobello, a Duas Rodas…Além da minha questão sentimental com o Estado, é um mercado que cresce e tem uma boa distribuição econômica e geográfica.

Qual é a posição do Grupo HSBC nos rankings mundial e nacional dos maiores bancos?
Engel
– No mundo, somos o terceiro maior, atrás, apenas, de dois bancos estatais chineses. Somos o maior banco privado do mundo. No Brasil, estamos em quinto lugar. Nossos ativos no país devem crescer em torno de 20%, mas especificamente em crédito imobiliário, deve crescer mais do que o dobro. O segundo segmento que queremos crescer é o do banco premium para pessoa física. Temos uma agência em Florianópolis, no Hotel Majestic. É uma estratégia global, na maioria dos 88 países temos agências assim.

Que serviços globais vocês oferecem a pessoas e empresas?
Engel
– O cliente premier tem o mesmo nível de serviço aqui, na China ou em Dubai. Se chegar numa cidade chinesa e perder seus cartões, vai numa agência nossa e tem o processo de reposição muito rápido. É bom para pessoas físicas, principalmente as que viajam ao exterior. Na pessoa jurídica, temos foco nas grandes empresas e no comércio com os chineses. Temos uma mesa do Brasil em Xangai para apoiar as empresas brasileiras que têm negócios com a China e vice-versa. Temos estruturas que suportam companhias brasileiras a fazer negócio em todos os países em que operamos. Somos o mais internacional dos bancos globais, colocamos à disposição dos clientes essa infraestrutura.

Notas

Brasil

O HSBC prevê crescimento de 5,8% para o PIB do Brasil este ano. Segundo o presidente da instituição no país, Conrado Engel, a economia brasileira já está em fase pré-crise, alguns setores, principalmente os voltados para consumo interno, estão acima do pico de produção, o que significa crescimento rápido.

Por isso ele prevê que o Banco Central vai subir os juros para tentar gerenciar melhor esse crescimento, senão a inflação vem junto. Apesar da alta do juro básico este ano, a projeção, no médio prazo, é de estabilidade.

Imobiliário

Entre os serviços às pessoas físicas, o HSBC oferece linha completa de crédito imobiliário que está crescendo muito bem no Estado, diz, Conrado Engel. Nos últimos 12 meses, as operações com imóveis avançaram 30%. Além das linhas de crédito do banco para veículos e outras operações há a oferta de financiamento ao consumidor direto pela Losango, com diversas lojas no Estado.

Exterior

No ano passado, o HSBC liderou a busca de recursos do exterior para empresas e o governo brasileiro. A instituição emitiu mais de US$ 23 bilhões em bônus.

– As empresas e a própria república captam dinheiro lá fora. Nós somos o banco número um em captação de investimentos para o país – explica Conrado Engel.
O cliente premier do HSBC tem o mesmo nível de serviço aqui, na China ou em Dubai. Somos o mais internacional dos bancos globais.

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