Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Posts do dia 2 maio 2010

Bovespa vai premiar jovens estudantes

02 de maio de 2010 0

Estudantes de todo o Brasil estão convidados a participar do Desafio BM&FBovespa. Cada escola pode participar com até 24 equipes formadas por três a cinco alunos. O Desafio Web é totalmente virtual e a Bovespa vai dar uma premiação total de R$ 70 mil para a compra de ações. As inscrições devem ser feitas até sexta-feira desta semana no site www.desafiobmfvovespa.com.br. A programação envolve um curso com fase teórica e prática, com a compra virtual de ações.

Ministro catarinense propõe hidrelétricas mais ecológicas

02 de maio de 2010 0

Com uma sólida trajetória de engenheiro eletricista, o catarinense Márcio Zimmermann, de Blumenau, assumiu o ministério das Minas e Energia dia 31 de março e logo enfrentou o polêmico leilão da super hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia. Mas ele não só está administrando bem os desafios daquele projeto como deverá adotar, para novas hidrelétricas da região, um conceito que ele próprio criou quando fez mestrado na PUC do Rio de Janeiro, o de usina plataforma, que preserva mais o meio ambiente.

À frente de uma das mais poderosas pastas do governo, que envolve energia elétrica, petróleo e gás, ele dedica atenção especial tanto para ações de curto prazo, quanto aos investimentos para o longo prazo, os próximos 30 anos. Com agenda mais intensa em Brasília, aproveita os fins de semana para passar com a família, que mora em Florianópolis, onde também descansa fazendo passeios de lancha, churrascos à moda gaúcha, ou assistindo a jogos dos seus times, o Internacional de Porto Alegre e o Avaí, da Capital.

Perfil

Ministro das Minas e Energia, presidente do conselho de administração da Eletrobras e membro do conselho da Petrobras. Nascido em Blumenau, Márcio Zimmermann, tem 53 anos, é engenheiro eletricista formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre (RS), fez pós-graduação na Escola Federal de Engenharia de Itajubá (MG) e mestrado em Engenharia Elétrica pela PUC do Rio de Janeiro. É funcionário de carreira da Eletrosul desde 1980 e antes de suceder Edison Lobão no ministério, era secretário executivo da pasta. Casado com Maristela Gugelmin, graduada em Letras e irmã do piloto paranaense Maurício Gugelmin, tem dois filhos: Márcio, estudante de Engenharia Elétrica da UFSC, e Guilherme, que faz Engenharia de Automação na instituição. Ambos cursaram Administração na Esag.

Como é o conceito de usina plataforma que o senhor criou?
Márcio Zimmermann
– O conceito foi desenvolvido por mim, na minha dissertação de mestrado. O Brasil precisa continuar investindo em hidrelétricas e na Amazônia, onde está o seu grande potencial. Como fazer isso sem desmatar e provocar toda uma polêmica mundial? Como a região não precisa de grandes reservatórios, podemos usar usinas mais de fluxo, a fio d’água. E para evitar que nasçam cidades onde são feitas as usinas, eu desenvolvi o modelo plataforma. Quando estão prontas, elas funcionam como uma plataforma de petróleo. Hoje as usinas têm telecontrole e, depois de implantadas, é preciso pouca gente para operar. Então, é possível ter trocas de turno, como se faz nas plataformas. Terminada a implantação da usina, você não deixou nascer uma cidade, transforma tudo aquilo em reserva florestal.

Qual será o primeiro projeto nesse modelo?
Zimmermann
– Vamos usar esse conceito em Tapajós. De uma área que vamos inundar, cerca de 2 mil quilômetros quadrados, vão ficar protegidos em torno de 100 mil quilômetros quadrados. O conceito foi apresentado ao presidente Lula pelo ministro Edison Lobão e ele virou fã. A Eletrobras começou a estudar Tapajós assim e fez um filminho mostrando o conceito. O presidente mandou distribuir em cem embaixadas do Brasil para mostrar como o brasileiro sabe explorar a Amazônia. Estive no ministério das Minas e Energia dos EUA e eles ficam impressionados.

O que mais preocupa as pessoas é a falta de energia. Como a sua pasta trabalha para evitar isso?
Zimmermann
– Uma coisa que nunca se diz, quem é do ramo, é que o país nunca vai ter blecaute. Normalmente, apagão e racionamento ocorrem quando não há planejamento e há falhas na execução, como aquele processo que houve em 2001. Tinha um problema estrutural, que era falta de usinas, agravado por um conjuntural que foi uma seca. O processo de um blecaute é mais complexo. O Brasil optou, diferente de outros países, por ter a hidrelétricas. Tem um sistema baseado na hidroeletricidade que é longe da carga. Temos linhas que ligam do Sul do Rio Grande do Sul ao Norte do Brasil, é complexo, mas também temos uma das melhores equipes mundiais para resolver esses problemas. Aqui, o restabelecimento é mais rápido que no exterior.

A trajetória política foi surpresa na sua carreira?
Zimmermann
– Todo ser humano tem o lado político, não só o partidário, mas no sentido amplo. Eu não exerço a política partidária, não sou filiado a nenhum partido. Se você analisar bem, o modelo do setor elétrico no governo anterior era totalmente neoliberal. Quando a ministra Dilma reformulou esse modelo, nem foi para aquilo que no passado o PT defendia, o estatismo puro, nem ao neoliberalismo puro. Buscou um meio termo que está dentro do que o PMDB concorda. Isso nos aproximou muito.

O senhor vem seguidamente a Florianópolis?
Zimmermann
– Sou funcionário da Eletrosul há 30 anos. Mas nessa trajetória, trabalhei em Curitiba, Florianópolis e Rio. Fiquei bastante tempo fora da sede. Depois de um tempo, minha família decidiu morar em Florianópolis e eu faço a ponte aérea para Brasília. Agora que sou ministro, tenho que alternar mais porque o presidente nos convoca em alguns fins de semana. Então a minha esposa, Maristela, vai a Brasília. Os meninos preferem ficar aqui. Junto com a mãe, eles tocam a fazenda que temos no Paraná. Quando eu morava em Curitiba, íamos todo final de semana pra lá, onde temos criação de gado e produção de erva mate. Atualmente, também gosto de ficar aqui e andar de lancha.

Notas
Hidrelétricas

O Brasil ainda tem muito potencial para hidrelétrica, em torno de 90 mil megawatts, incluindo usinas pequenas, grandes e médias. Conforme o ministro Márcio Zimmermann, o país tem, hoje, em torno de 80 mil MW instalados e dá para chegar a 170 mil. Esse potencial se esgotará até 2030. Mas o Brasil tem um consumo per capita muito pequeno, de 2,3 mil quilowatt/hora, que poderá subir para 4,2 mil, como o da África do Sul.

Petróleo

De volta ao Congresso, o ex-ministro Edison Lobão vai trabalhar para aprovar os projetos do pré-sal em regime de urgência. O modelo que propõe a criação da Petrosal, empresa para o segmento do petróleo do pré-sal, vem da Suécia. Para Márcio Zimmermann, o regime de partilha, sugerido para o pré-sal é o correto para grandes produtores.

Apagão

Apesar das críticas sobre eventuais faltas de energia, especialmente o blecaute do final do ano passado, o Brasil é um país que enfrenta baixo risco, diz Márcio Zimmermann.

– O ano tem quantas horas? 8.760 horas. Você vê que vai ter energia em 8.750 e poucas horas, então o fator de confiabilidade é de 99,9%. Por que não temos confiabilidade total? Para passar de 99,9% para 100%, o custo vai lá para cima. Não existe sistema no mundo que seja viável economicamente com 100% ­– garante ele.