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Posts do dia 23 maio 2010

Têxteis:"Não podemos ser ingênuos"

23 de maio de 2010 0

O Brasil tem uma cadeia têxtil e de confecções completa, com potencial para triplicar a produção e exportar, mas ela vem sendo desmantelada pela concorrência asiática, diante de uma competição desigual e injusta. O alerta é do diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Fernando Pimentel, que conferiu na Texfair Feira Internacional da Indústria Têxtil , na última semana, na Vila Germânica, em Blumenau, o dinamismo da produção do setor diante do maior crescimento da economia.
O executivo diz que o governo federal deve buscar condições isonômicas porque o país precisa gerar muitos postos de trabalho. A Abit está elaborando uma lista de prioridades para o setor se tornar mais competitivo, que será apresentada aos candidatos a presidente do país.

Perfil – Fernando Pimentel

É diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) desde 2005, cargo que passou a ocupar a convite do presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do vice-presidente José Alencar. Fernando Pimentel, 55 anos, casado, é economista e administrador graduado pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, com pós-graduação pela FGV. Está no setor têxtil desde 1977, quando ingressou na Cia Têxtil Ferreira Guimarães e atuou por 30 anos, em vários cargos. Na Abit, participa de negociações nacionais e internacionais em defesa do setor.

As importações de confecções e têxteis crescem bem mais do que as exportações, gerando empregos lá fora. Como a Abit vê isso?
Fernando Pimentel
– Nós vemos isso com muita preocupação. É verdade que em 2010, apesar de as importações estarem crescendo muito mais velozmente do que o crescimento da produção e das vendas no varejo, todo mundo está crescendo, o que está acomodando esse tipo de tensão. Mas nós não podemos olhar, como associação, para 2010, até porque o PIB do Brasil está crescendo numa taxa acima do seu potencial. Vamos sair de um crescimento de 6,5% a 7% este ano para alguma coisa entre 4,5% e 5%, como o PIB potencial que o Brasil pode alcançar. O país, infelizmente, não se preparou para crescer 7% ao ano, nem tem poupança para isso.

Muitos consideram isso uma evolução…
Pimentel
– Ninguém é contra o comércio. É saudável. E a indústria têxtil e de confecção tem no seu DNA a competição exacerbada. São mais de 30 mil empresas só no Brasil, disputando coração, mente e bolso dos consumidores. É um setor de concorrência perfeita, mas o bom comércio é positivo, desde que se dê em condições equilibradas. E nós não estamos em condições equilibradas para enfrentar o jogo da competição mundial, e não falo só da indústria têxtil. O país não está organizado em termos de infraestrutura, de câmbio, de carga tributária, de acordos internacionais, de capacitação, enfim…, para admitir trazer produtos dos países asiáticos e, principalmente, da China, praticando dumping cambial, ambiental, social, trabalhista, etc…

Como enfrentar isso?
Pimentel
– Temos duas agendas. Uma é a da competitividade interna. Os problemas de juros, infraestrutura e câmbio são nossos, não chineses. Nós temos que consertar. A outra agenda é das relações internacionais. E essa agenda é extremamente preocupante porque os grandes países importadores estão com nível de consumo restrito. Mas temos os países asiáticos, que montaram sua estrutura com um grande viés exportador. Recebemos delegações de países asiáticos, antes de mais nada querendo o nosso mercado. Não podemos fechar as fronteiras, mas não podemos ser ingênuos de franquear nosso mercado, colocando o trabalhador e o empresário brasileiro numa competição desigual. Ninguém quer paternalismo, queremos condições isonômicas para progredir e competir, porque capazes nós somos. Se não fôssemos, não seríamos a sexta maior indústria do mundo de têxteis e confeccionados, não seríamos a maior indústria têxtil de confecção integrada do Ocidente, e com potencial vastíssimo. O Brasil pode triplicar sua produção.

E a desindustrialização?
Pimentel
– Nós, da Abit, temos visão muito pró-negócios, pró-comércio, mas temos como bandeira fundamental de que que isso tem que ser em condições isonômicas. Nenhum país vai ser o melhor em tudo, mas você não pode colocar a sua indústria competente e capaz das porteiras para dentro das fábricas a disputar um mercado de coisas que ela não tem à mão, com juros, câmbio, carga tributária, e trazer produtos de outros países que têm legislação completamente diferente da nossa e que machucam, de forma desequilibrada e desleal, a produção e o emprego nesse país. Foi cunhado um termo interessante, “especialização regressiva”, é o Brasil regredindo na sua especialização. O país construiu uma base industrial diversificada, ampla, forte, mas é notório, agora, olhando pelo lado do empresário, que ele tem que manter a sua empresa viva. E ele o fará da forma que for factível.

Que riscos traz para o futuro?
Pimentel
– Não significa que esses estímulos que o empresário esteja recebendo sejam os melhores para o futuro. Há estímulos que estão desmantelando cadeias produtivas. Essa especialização regressiva seria o seguinte: o Brasil tem todas as etapas da cadeia têxtil e, daqui a pouco, o algodão é exportado porque o preço tá bom e o sujeito resolve importar o fio. Depois, acha melhor importar a malha e o tecido. Depois importa a roupa pronta. O que acontece? Você desmantelou a cadeia produtiva, é assim que se desindustrializa.

O que a Abit vai propor aos candidatos à Presidência?
Pimentel
– Estamos definindo carta-convite com as principais demandas: não taxar investimento; não taxar as exportações; reduzir o custo do trabalho (em setores intensivos de mão de obra, como o de confecção, você tem que ter mecanismo de desoneração e nossa proposta é clara: gerar crédito de PIS e Cofins sobre folha mais encargos para reduzir do PIS e Cofins devidos sobre a venda); não acúmulo de impostos de exportações e avanço nos acordos internacionais, com evidência para os acordos Mercosul-União Europeia e com os EUA. Também defendemos para empresas nacionais a produção das roupas das Forças Armadas e uniformes escolares.

Notas

Importações

Uma das preocupações da Abit é com o avanço de produtos importados. O governo tá querendo, unilateralmente, abrir mercados duty free para os países em desenvolvimento, entre eles, o Camboja e Bangladesh, que exportam em torno de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões por ano de vestuário. Para a entidade, é possível ajudar países como o Haiti, mas o Brasil também tem suas áreas pobres, como o Vale do Jequitinhonha e outros, que precisam de empregos. Por isso não dá para abrir o mercado para os asiáticos.

China

Um dos países asiáticos que mais vem prejudicando a produção de confecções e têxteis do Brasil é a China. Segundo o superintendente da Abit, Fernando Pimentel, ela tem o capitalismo de Estado, mas não na política. Não deveria fazer a sua legislação interna prejudicar um país tão grande quanto o Brasil. Na avaliação do empresário, o desmantelamento da cadeia produtiva têxtil é perigosíssimo porque depois que desmonta, o custo de remontar é sempre mais alto.

Exportações

A série de reivindicações da Abit às empresas de pequeno porte resultou na criação do Simples Exportador. Uma decisão recente do governo permitirá que as empresas exportem até o seu limite de enquadramento do Simples, que é R$ 2,4 milhões, sem perderem o benefício do imposto simplificado.

Assim, as empresas poderão faturar R$ 4,8 milhões, metade no mercado interno e metade no externo.

Com as consultoras Natura

23 de maio de 2010 0

Além da palestra na Expogestão, em Joinville, o fundador e co-presidente do Conselho de Administração da Natura, Antônio Luiz da Cunha Seabra, aproveitou sua presença no Estado para fazer reunião com um grupo de Consultoras Natura Orientadoras, as CNOs. O sucesso da marca de cosméticos se deve muito a estratégia de venda adotada, com a oferta de produtos por meio de uma rede de contatos e relacionamentos. O empresário tem experiência para compartilhar na área. Foi o primeiro consultor da Natura quando a empresa abriu sua loja na Oscar Freire, em São Paulo.