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Gol da Weg na terra da Copa

30 de maio de 2010 0

A multinacional catarinense Weg, de Jaraguá do Sul, quer retomar o crescimento, apesar de o mundo ainda enfrentar dificuldades devido às crises financeira global e europeia. Para isso, além dos investimentos de R$ 260 milhões que vem desenvolvendo este ano, foi às compras. Na terra da Copa do Mundo, a África do Sul, a Weg fez seu gol antes da Seleção Brasileira: adquiriu o Grupo Zest, que fatura US$ 200 milhões (R$ 365 milhões), a maior aquisição da sua história. Também anunciou, na última semana, a compra de mais 30% da mexicana Voltran.

O presidente da companhia, Harry Schmelzer, diz que os maiores projetos deste ano são as novas fábricas no México, em Linhares, no Espírito Santo, e na Índia. No ano passado, a Weg obteve receita bruta de R$ 5,1 bilhões, 6% menor do que a do ano anterior. Para este ano, o melhor resultado, até agora, vem do aquecido mercado brasileiro. Em função disso, a empresa enfrenta apagão de mão de obra em Jaraguá.

Perfil: Harry Schmelzer Jr

Presidente do grupo Weg desde janeiro de 2008. Harry Schmelzer, 51 anos, é catarinense nascido em São Francisco do Sul, engenheiro eletricista e administrador, com especialização em Administração de Empresas no Brasil e cursos de gestão e finanças pela Kellog School of Management, nos EUA; Insead, França; e IMD, na Suíça. Desenvolveu toda a carreira na Weg, onde ingressou em 1980. Sua primeira promoção foi para chefe de vendas, em 1983 e antes de assumir a presidência, foi diretor da Weg na Europa.

A compra do grupo Zest, na África do Sul, e do controle acionário da mexicana Voltran foi porque a crise favoreceu ou já estava nos planos da Weg?
Harry Schmelzer
– Não foi em função da crise. As aquisições fazem parte da estratégia da Weg, que não compra empresas gigantescas para não correr riscos muito grandes. Nos últimos dois anos compramos 100% do controle acionário da Trafo. As duas aquisições desta semana, cujos valores não revelamos em função de cláusula de contrato, foram feitas com recursos próprios, fora dos investimentos orçados em R$ 260 milhões.

Qual é a meta com a Zest?
Harry
– A compra do Grupo Zest foi a maior já realizada pela Weg. Ele é líder em motores elétricos na África do Sul e há 30 anos trabalha para a Weg. É uma empresa com 400 funcionários que agrega muito valor porque tem uma engenharia de suporte e aplicações, com montagem de painéis eletrônicos e grupos geradores.

E a aquisição no México?
Harry
– Temos, no México, fábrica de motores elétricos e automação, de transformadores e, agora, aumentamos de 30% para 60% nossa participação na Voltran, que fatura US$ 70 milhões (R$ 128 milhões). Além do México, queremos avançar nos EUA na área de energia.

Como vê os cenários econômicos nacional e mundial?
Harry
– Estamos sentindo reaquecimento significativo de vendas no mercado brasileiro frente a 2009. Mas, lá fora, falar do futuro da Europa é até uma bola de cristal porque a situação ainda é preocupante. O mercado europeu responde por 10% dos negócios da Weg e não está crescendo. Nos EUA, registramos retomada, a crise já passou, embora a economia vá demorar para voltar ao padrão de 2008. A Ásia segue em alta.

Quais projetos vão receber os R$ 260 milhões de investimentos?
Harry
– Uma parte vai para a conclusão da fábrica de transformadores no México. Também estamos trabalhando a todo o vapor para terminar a fábrica da Índia em julho e iniciar as vendas em setembro. No Brasil, o maior projeto é a fábrica de Linhares, no Espírito Santo, que deve operar em novembro. Tudo isso para botar a Weg no rumo de crescimento.

A Weg enfrenta apagão de mão de obra no Brasil?
Harry
– Este ano, em Jaraguá do Sul, já contratamos quase mil trabalhadores, e temos, ainda, 650 vagas no município e 10 em Itajaí. Estamos enfrentando muita dificuldade para admitir em Jaraguá porque a cidade tem prosperado muito. Contratamos pessoas com primeiro grau completo, mas em algumas áreas a gente concorda em ter essa escolaridade incompleta se a pessoa continuar estudando. A Weg oferece mais de 20 mil empregos no Brasil e exterior. Com as novas empresas, são mais 800 empregados.

Há falta de engenheiros?
Harry
– Neste nível não temos dificuldade em contratar. Temos um número muito grande de engenheiros dos cursos de Joinville e Florianópolis, principalmente de Engenharia Mecânica e Elétrica, mas também de Química e de outras áreas. Há, também, os que fazem estágios. Hoje, a Weg emprega 1.012 engenheiros e 626 estudantes de engenharia.

A fabricante de ônibus Busscar está em crise. A Weg teria interesse em investir nela?
Harry
– A nossa missão está focada em ser uma empresa global de máquinas elétricas e automação para indústrias e sistemas de energia. O setor de montagem de ônibus, não está no foco da Weg.

Notas

Vendas

O presidente da Weg, Harry Schmelzer, diz que o negócio do grupo no Brasil deve ser avaliado de duas maneiras porque o percentual de exportação é importante. Em receita, é 35%. Para o mercado interno, os produtos de curto prazo de fabricação, às indústrias de manufatura, consumo, alimentos e infraestrutura já recuperaram as vendas. Em relação a 2009, a empresa cresceu mais de 25%, mas ainda não chegou aos níveis de vendas de 2008.

Crescimento

A Weg não previu, no orçamento, crescimento para este ano em função da volatilidade de mercado. Informou o investimento e disse que buscaria crescimento sem definir quanto, diz Harry Schmelzer.

Energia

Apesar de o mercado estar aquecido para alguns segmentos que consomem motores elétricos, a Weg está conseguindo atender à demanda com poucos atrasos. Mas na área de produtos de longo prazo de entrega, fornecidos para grandes investimentos, as encomendas estão no mesmo padrão de 2009. Há consultas, mas não assinaturas de contratos.

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