Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Por que Glauco quer presidir a Fiesc

21 de junho de 2010 0

Há 20 anos na diretoria da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc), o empresário Glauco José Côrte formalizou sua candidatura para disputar a presidência da entidade na última quinta-feira. Na condição de primeiro vice-presidente da federação, é o candidato da situação. Se não houver consenso, vai disputar o posto com o empresário Vicente Donini, que deixou o cargo de primeiro secretário no final do ano passado por discordar do processo de decisão da atual gestão. Acionista das indústrias Inplac e Portobello, Glauco diz que se sente preparado para servir mais à indústria catarinense por meio da Fiesc, priorizando educação técnica, serviços à família dos trabalhadores e fazendo pressão para melhorar as condições de competitividade da indústria. A Fiesc tem orçamento superior a R$ 600 milhões e sua eleição é por meio de votos de delegados sindicais que representam mais de 120 sindicatos industriais.

Perfil: Glauco José Côrte

Primeiro vice-presidente da Fiesc, presidente do conselho da Previsc, entidade de previdência complementar, e membro dos conselhos da Multilog, Pedra Branca e Santinvest. Empresário e bacharel em Direito pela UFSC, é acionista fundador da Inplac, de Biguaçu, líder latino-americana em embalagens plásticas flexíveis para fertilizantes, argamassa e calcário, tem mil colaboradores e fatura cerca de R$ 200 milhões. Foi vice-presidente da Portobello, hoje é conselheiro e tem ações da empresa que é líder no seu segmento e gera cerca de 2 mil empregos. Também é delegado do Sindicato das Indústrias de Olaria e Cerâmica do Alto Vale do Itajaí e Tijucas e foi presidente do conselho da Celesc de 2005 a 2010.

Por que quer presidir a Fiesc?

Glauco José Côrte -Tomei a decisão depois de amadurecê-la muito e fazer consultas junto a vice-presidentes regionais e sindicatos. Eu atuo há 20 anos na Fiesc, entrei na segunda gestão do presidente Milton Fett. Depois, quando Osvaldo Douat assumiu a presidência, fui seu primeiro secretário, continuei na gestão de José Fernando Faraco, e na atual, de Alcantaro Corrêa, fui convidado a ser vice-presidente. Na Fiesc, contribuí muito com meu trabalho, presido a Câmara de Assuntos Legislativos e Tributários e me sinto preparado para exercer a presidência, que encaro como mais um serviço. Essa chance me fascina, porque a Fiesc é uma casa de profissionais qualificados, tem potencial muito grande para contribuir ao desenvolvimento do Estado. Este ano, a indústria criou mais de 30 mil empregos dos mais de 50 mil que foram gerados no Estado.

Formalizou a candidatura?
Glauco
– Quinta à noite, na reunião com os vice-presidentes, o presidente Alcantaro comunicou que tinha recebido duas manifestações de candidatos à presidência da Fiesc, a do empresário Vicente Donini e a minha. O vice-presidente Guido Búrigo disse que não será candidato. Acho que antecipar o debate político é um desserviço à entidade, mas como acabou se precipitando, apresentei meu nome. Se eu tiver a oportunidade de ser eleito, espero ter uma atuação que signifique um passo a mais. Não falo em continuidade, cada um tem o seu estilo. Eu pretendo manter os pontos positivos que o presidente Alcantaro adotou e dar um passo à frente.

Pode haver consenso?
Glauco
– Há um grande apelo das lideranças sindicais para se tentar uma composição entre os dois candidatos. Somente na primeira eleição de Milton Fett a Fiesc teve duas candidaturas. Eu e o Donini já conversamos duas vezes, mas não chegamos a um consenso.

Quais são as suas principais propostas para a Fiesc?
Glauco
– Tenho propostas de gestão corporativa. Acho que podemos estimular uma participação compartilhada nas decisões estratégicas da Fiesc. Chamar os diretores, vice-presidentes para, junto com a casa, estabelecer programas estratégicos. O meu estilo é de gestão colegiada. Sobre o Sesi e o Senai, acho que temos, na Fiesc, com essas instituições, a combinação perfeita. O Sesi cuida da qualidade de vida da família do trabalhador, e o Senai, com o ensino técnico, é o grande promotor da inclusão do jovem, dos trabalhadores nesse novo ambiente que se formou nos últimos anos, que é extremamente competitivo.

Vai ampliar os serviços?
Glauco
– Estamos fazendo uma avaliação profunda, com o Senai regional, para verificar o que está acontecendo com os cursos, se estamos atendendo as demandas do setor industrial. Por paradoxal que seja, em época de crescimento da economia, as matrículas se reduzem porque as chances de empregos para as pessoas ainda não qualificadas e parcialmente qualificadas é maior. Quanto ao Sesi, ele poderia dar nova contribuição se tiver unidades onde os trabalhadores residem. Precisamos levar o Sesi para as periferias.

Como ajudar a indústria a ser mais competitiva?
Glauco
– Vivemos uma aceleração do que se poderia chamar “desindustrialização” porque o processo está apenas no início. Vamos dar mais atenção à pequena empresa porque tem mais dificuldades para buscar competitividade.Também precisamos de uma carga tributária e uma legislação compatíveis com os países com os quais competimos. Estudo da Fiesp apurou que a carga tributária da indústria é de quase 60% em relação ao PIB industrial, não sobra nada. Em pesquisa que fizemos com o setor, constatamos que a indústria precisa investir mais em inovação para exportar mais. Em 2000, o Estado era o quarto maior exportador do país. Hoje, é o 10º.

Notas

Economia
Embora graduado em Direito, Glauco Côrte seguiu a economia.
– Eu sou um estudioso da economia catarinense há mais de 40 anos. Desde que me formei, a economia sempre despertou meu interesse. Entrei com 17 anos na faculdade e, além de leis, aprendi também economia e administração. De lá para cá nunca deixei de estudar, acompanhar e escrever sobre a indústria e a economia de Santa Catarina – conta.

Estado

A Fiesc está concluindo um trabalho que é uma visão da indústria sobre o desenvolvimento do Estado. O documento mostra o que está ameaçando a competitividade, quais são os desafios e propostas do setor. O levantamento será entregue aos candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República para que conheçam a realidade catarinense e possam direcionar investimentos.

Serviços

Os serviços comunitários recebem atenção especial de Glauco Côrte. Há oito anos, sua mulher, Silvia, preside o Educandário Santa Catarina, de São José, que atende a 540 crianças com creche ou atividades extra classe. Uma das ações recentes do casal foi fechar parceria com o Centro Educacional Menino Jesus, em projeto educacional complementar no educandário.

Comentários

comments

Envie seu Comentário