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Sem a "Boeing dos mares"?

25 de junho de 2010 3

A informação de que o empresário Eike Batista está negociando com o governo do Rio de Janeiro a transferência do projeto do estaleiro da OSX para aquele Estado em função da falta da licença ambiental em Santa Catarina não surpreende. A empresa ainda não comunicou oficialmente que está abandonando o projeto de Biguaçu, mas, pressionada pelos investidores internacionais, procura um local para viabilizar o projeto com mais rapidez. Com a notícia de ontem, as ações da companhia listadas no Novo Mercado da Bovespa tiveram alta de 0,73%.
Enquanto o ICMBio mantém a posição de que há questões ambientais intransponíveis, os executivos da OSX dizem que os impactos seriam mínimos e compensáveis no projeto. Se não for possível um consenso, o Estado perderá seu maior investimento privado e o Instituto de Tecnologia Naval que seria instalado em parceria com a UFSC. Assim, ficará fora da nova onda econômica do país, a do setor de petróleo. Segundo Eike Batista, a OSX, integrada pelo estaleiro, afretamento e serviços, será a “Boeing dos mares” porque o Brasil é o maior mercado offshore do mundo, tem matéria-prima e mão de obra para avançar no setor. O estaleiro vai gerar, nos primeiros anos, 5 mil empregos diretos. A sua sócia Hyundai, na Coreia do Sul, gera 45 mil.

Acif defende o estaleiro

A diretoria executiva da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) defendeu, na sua reunião semanal, a construção do estaleiro da OSX em Biguaçu.
– A sociedade precisa dialogar com os empreendedores e buscar uma solução para o impasse, já que existem instrumentos jurídicos que disciplinam empreendimentos dessa natureza, resguardando os interesses legais, ambientais e urbanísticos – disse o presidente da entidade, Doreni Caramori Júnior.
Um dos fatos que preocupam é que, enquanto os políticos catarinenses estão ocupados com suas negociações para a próxima eleição, o governador do Rio, Sérgio Cabral, faz lobby para levar o projeto ao seu Estado.

Falsa polêmica

O diretor de Turismo da Acif, Ernesto São Thiago, diz que existe uma falsa polêmica sobre o impacto negativo da possível instalação do estaleiro na Grande Florianópolis. Na avaliação do empresário, a obra promoverá a revitalização do Canal Norte da Ilha de Santa Catarina, favorecendo a livre navegação de embarcações de maior calado, uma demanda histórica da comunidade regional. Ele defende a instalação de infraestrutura para receber cruzeiros marítimos e lanchas.

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Comentários (3)

  • Paulo Simões Diniz diz: 25 de junho de 2010

    Vai acontecer com SC o que aconteceu com SP. O Eike planejava construir um superporto em Peruíbe (SP) mas criaram tantos empecilhos que ele transferiu o projeto para o estado do Rio. Tudo bem proteger a natureza mas deixar de melhorar o ambiente econômico não é decisão correta. Sempre existe uma maneira de conciliar ambos.

  • Andre diz: 26 de junho de 2010

    Falsa polemica sobre os impactos. Essa é nova. Os impactos são claros para um empreendimento deste porte. Com grandes embarcações, vem grandes dejetos e poluição. Revitalização do canal com a construção de um grande estaleiro, isso parece contraditorio para mim. Santa Catarina parece pra mim ingenua neste ponto, pois o projeto ja foi recusado em varios locais por causa do seu impacto, e agora com a premissa de progresso e empregos, o ambiente paga o pau. A ameaça de levar o projeto para RJ foi apenas para cutucar as autoridades e fazer todos pensarem que vão perder o empreendimento do ano. Não tem como não pensar no impacto turistico para as praias ao redor, quem que vai querer passar o verão do lado de um estaleiro?

  • Paulo Simões Diniz diz: 28 de junho de 2010

    André, a decisão de ir para o Rio não é ameaça, é alternativa. Se SC julgar que o empreendimento não atende os requisitos ambientais da região, então, não há outra alternativa senão deixar o Estado. É simples assim no mundo dos negócios. Eike é pragmático, já deixou empreendimento na Bolívia e em SP, ele vai para onde aceitam seus negócios. Não conheço a região. Sou de SP e conheço a região do Vale do Ribeira, uma das mais pobres do Estado. O porto seria instalado ali. Danos ambientais sempre existem, a alternativa é minimizá-los. Não permitiram o porto e a miséria da população continua presente.

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