Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Dudalina: "varejar" e ser "simples"

26 de junho de 2010 1

Leia aqui no blog a entrevista mais completa da presidente da Dudalina, Sônia Hess:

 A vanguarda da moda masculina é o foco da Dudalina, a maior camisaria da América Latina, que consolidou três marcas e agora investe no varejo, por meio de franquias. Quem está à frente desse processo é a empresária Sônia Hess, sexta filha da matriarca Adelina Hess de Souza, que fundou e desenvolveu a empresa ao mesmo tempo em que constituiu uma família com 16 filhos. A Dudalina tem quatro fábricas em Blumenau (matriz), Luiz Alves, Presidente Getúlio e Terra Boa (Paraná) e vai faturar mais de R$ 170 milhões este ano, um crescimento superior a 20%. Com as marcas Dudalina, Individual e Base, a empresa tem seis franquias e vai abrir uma loja em São Paulo, para o consumidor masculino.
A Dudalina chama a atenção pela inovação dos seus produtos, marketing e pela gestão voltada à qualidade de vida dos seus trabalhadores. A empresária Sônia Hess integra o Conselhão do presidente Lula, o Consult do governo de SC e acaba de assumir o Lidem, que reúne empresárias do Brasil

Perfil
A empresária Sônia Regina Hess de Souza preside desde 2003 a Dudalina, maior camisaria da América Latina, fundada por sua mãe, Adelina Hess de Souza, há 53 anos, em Luiz Alves, Santa Catarina. É membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (Conselhão), do Conselho Consultivo do governo de SC (Consult) e presidente do Grupo de Mulheres Líderes Empresariais (Lidem), com sede em São Paulo. Durante a semana, comanda a empresa a partir da matriz, em Blumenau, e encontra tempo para a sua atividade de conselheira. Os fins de semana são reservados para a família, em São Paulo: o marido e as três enteadas, que considera suas filhas. Em breve, será avó de gêmeos e vai colocar dois berços no seu quarto para viver com intensidade esta nova fase.  

 

 
O que há de novo na gestão de pessoas da Dudalina?
Sônia Hess
_  Como a Dudalina ainda é uma empresa industrial, mas totalmente voltada para o varejo, para fortalecer as suas marcas estamos aprimorando a qualidade dos produtos e atuando com cuidado não só dos resultados financeiros, mas olhando muito as pessoas. Uma das coisas que mais gosto é dar emprego, mas dar emprego com dignidade. As pessoas se comprometem ao saber que estamos juntos, buscando um resultado também de felicidade. Como 80% do nosso público é mulher, estamos criando espaços com serviços para mulheres, reformando nossos restaurantes e estacionamentos. Temos vários programas de responsabilidade social, uns muito interessantes como o mãe Dudalina, porque a mulher vai estar grávida enquanto estiver trabalhando conosco. Por isso ela tem desde o anjo da guarda, que é uma outra que já teve filho, o kit bebê, palestras com médicos e psicólogos e faz o chá de bebê na empresa.

Quantas mulheres trabalham na empresa atualmente?
Sônia
_ Temos, hoje, 1.250 colaboradores e devemos encerrar o ano com 1,4 mil. São quase mil mulheres, cerca de 80% do total. Nós temos o PPR (participação nos resultados) definido sempre pensando em incluir o maior número de pessoas. Elas têm metas para trabalhar com maior qualidade, menor tempo e melhor performance. É interessante que numa fábrica nossa, no Paraná, tem muito homem costureiro, cerca de 20%. Em Santa Catarina, não é muito normal isto. Talvez não tenham outra opção de emprego porque lá não se criou um paradigma de que mulher é costureira. Aqui em Santa Catarina tem mais mulheres do que homens na costura.
Como está a evolução para o varejo?
Sônia
_ Hoje, 65% da nossa produção não é camisaria, fabricamos calça, malha, tricô e outros produtos. Cada marca nossa tem uma solução completa para o homem. A Individual é para o momento de trabalho; a Dudalina, para o social, o evento; e a Base é para o lazer. O nosso core business é camisaria, mas estamos investindo em tear, fechamos um Finame com o BNDES, para malharia, estamos ampliando a fábrica de Terra Boa. Devemos investir R$ 6 ou R$ 7 milhões na modernização de fábricas e no varejo, este ano. Fora as seis lojas que a gente já tem, investimos numa loja-conceito, de experimentação, no Shopping Market Plaza, do João Dória, em Campos do Jordão, SP. É uma experiência fantástica, porque lá a gente está vivendo o varejo. Todas as pessoas com cargo executivo aqui da empresa vão passar a experiência de estar lá um final de semana junto ao consumidor, para começar a aprender a conjugar o verbo “varejar”, porque o verbo varejar é muito diferente do verbo fabricar.
E as camisas femininas?
Sônia
_ Lançamos na loja Tida, em Florianópolis, a nossa linha de camisaria feminina, que está um show. Pegamos tecidos masculinos, botamos um charme e modelagem feminina, para vestir a mulher. É a grande novidade. A degustação em São Paulo está indo muito bem.
Qual é o maior entrave às empresas no Brasil?
Sônia
_ Quando Steve Jobs diz que não vai abrir uma Apple no Brasil por causa da carga tributária brasileira é preocupante porque é verdade. Você compra um iPhone lá fora e quanto custa no Brasil? Nosso país está muito caro pela sua carga tributária. Acredito que a responsabilidade do próximo presidente da república tem que ser olhar, principalmente, a carga tributária do nosso país. É imposto, sobre imposto, sobre imposto. Eu diria que hoje, o valor de uma camisa, 50% é carga tributária. Se a gente for lá do começo, do plantador do algodão, até colocar essa camisa no varejo, ela realmente tem carga violentíssima, enquanto em qualquer outro país, se cobra o imposto no final. O Lula perdeu uma grande oportunidade de fazer uma reforma tributária. Também precisamos de uma reforma trabalhista.
O que sugere ao próximo(a) presidente da República?
Sônia
_ Deveria ter a responsabilidade de fazer as reformas porque ainda falta muita reforma no Brasil. Temos todas as condições de fazer agora e criar um país moderno. Eu tenho uma frase na empresa, “ser simples assim”. Falo isto há anos, antes da campanha da Oi. A gente tem que procurar a forma mais simples de fazer as coisas. Não é simplória, é simples. A vida tem que ser simples.
Você é membro do Conselhão e do Consult. Os conselheiros são ouvidos?
Sônia
_ Os conselhos são orientativos. Eu me sinto extremamente honrada de estar lá (no Conselhão) porque as pessoas que participam dele são importantes para o Brasil, não me pergunte porque estou lá. Um dia veio uma ligação de Brasília me convidando. O presidente Lula vai às reuniões, ouve, respeita o conselho. Claro que não sai dali para executar o que ele está ouvindo, mas é orientativo. Esse conselho tem um misto de pessoas importantes que eu tenho muito mais a ganhar do que a doar. O conselho estadual, o Consult, também é muito interessante, reúne várias pessoas que gostam de Santa Catarina. Assumi recentemente a presidência do Lidem, que são as mulheres que participam do Lide, grupo criado por João Dória, que reúne presidentes de 600 empresas.
Porque há poucas mulheres no topo das empresas?
Sônia
_ Até o nível de gerência há muitas mulheres, elas estão em cerca de 50% dos cargos. Da gerência para diretoria cai para 16%. Da diretoria para presidência não chega a 5%. Você vê que tem um caminho longo para as mulheres conquistarem mais espaço. Nosso tema no Lidem, este ano, é a inovação. Entre as empresárias que participam estão a Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza) e Chieko Aoki (Blue Tree Hotels). O problema da baixa participação feminina não é dos homens, é das mulheres porque elas têm muitas outras coisas além do seu trabalho. Elas têm família e os homens nem sempre têm esse lado.
Como você concilia trabalho e família?
Sônia
_ Querendo ou não, sou dona de casa. A filha faz aniversário, ela quer fazer churrasco, eu estou organizando… eu tenho que cuidar da minha família, da minha casa. Eu acho que é muito trabalho, a mulher acaba dormindo menos para dar conta de tudo, eu não sei como é que minha mãe conseguiu. Ela teve seus 16 filhos e foi empreendedora, por isso ela é minha inspiração, nem tenho idéia de como ela conseguiu isso. Eu estava lá no meio, mas não entendo. Muitas vezes ela colocava os filhos para dormir e depois nós íamos botar etiqueta, despachar pedidos da empresa. Meu sonho é um dia fazer um filme sobre ela, de como ela construiu isso. Até eu iria aprender muito, teria que pesquisar mais para saber como é que essa alma da minha mãe, de ter feito tudo isso e ter deixado um legado único. Eu tenho um amor maternal pelos meus irmãos mais novos, porque ajudei a criar, é uma coisa muito forte. Em relação à família, eu vejo meu marido de sexta à noite até domingo à noite. Quando vou para casa eu desligo, vou ser dona de casa, cozinho e leio. Adoro cozinhar e receber pessoas.
Como avalia a educação no Brasil?
Sônia
_ O maior investimento que o Brasil pode fazer é na educação. Temos um ensino de qualidade muito baixa e o resultado do nosso país vem através da educação. Eu falo da educação da família, da escola e técnica, para preparar as pessoas para o futuro. Na Itália, a criança entra na escola às 8h e sai às 16h. No Brasil como é? Ela fica pouco envolvida, se desenvolve pouco. Nós, empresários estamos complementando a educação, estamos participando disso, mas a gente  participa quando essa criança já está pronta, e, às vezes, não dá para recuperar. No começo é que tem que ministrar uma educação muito criteriosa, com muito trabalho.

 
Notas

Lojas

A Dudalina está ingressando no varejo lentamente e com muita responsabilidade. As três marcas da empresa têm uma clientela grande e definida. Mas um dos projetos novos, para novembro, será uma loja em São Paulo, que a presidente da companhia, Sônia Hess, chama de loja destino, no Bairro Paraíso, onde funcionava a sede da empresa. É uma loja para o homem, muito diferente, para o consumidor que gosta de qualidade, inovação.
Conforme a empresária, para acertar no varejo a empresa pretende fazer muito benchmarking com parceiros que têm mais tempo de estrada, a exemplo de uma Hering e uma Marisol.

Impostos

Entre as maiores dificuldades do setor de vestuário estão a concorrência com produtos chineses e a informalidade. Sônia Hess afirma que a Dudalina é uma empresa 100% formal, por isso é difícil concorrer com o “importabando”. É difícil oferecer produtos lindos diante de tantos impostos. Ter uma empresa competitiva dá muito trabalho diante da carga tributária de 50%.

Na Globo

Com uma agenda intensa, a presidente da Dudalina diz que tem pouco tempo para assistir televisão. Mas os atores da rede Globo vestem muitas roupas da empresa.

– Todos os atores vestem bastante nossos produtos, mas merchandising em novela não dá para fazer. É melhor vestir os atores, que é um merchandising bem mais barato! A gente fornece roupas para todas as novelas, o tempo todo. Terno, gravata, tricô, camisa… todas as noites nós estamos na Globo, mas vestindo alguém – diz a empresária Sônia Hess.

Comentários

comments

Comentários (1)

  • Hermes Candido Alves diz: 21 de julho de 2014

    Eu Hermes Candido Alves sou um Fã dessa marca maravilhosa, e como consumidor gostaria de ser um vendedor dessa marca,tanto masculina e feminina….como posso fazer e se isso seria possivel…..Espero uma resposta….e tbm já agradeço pela atenção de vcs… abrs..

Envie seu Comentário