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Móveis "verdes" para a classe A

11 de julho de 2010 0

O engenheiro Guido Otte, presidente da Butzke, de Timbó, fabricante de móveis de eucaliptos para áreas de lazer, é um visionário. Graças ao seu empenho, a companhia foi a primeira do mundo a produzir móveis de eucalipto certificado, em 1998. Com o desafio de agregar mais valor aos produtos, contratou o renomado designer brasileiro Carlos Motta para criar a sofisticada linha Timbó (foto), lançada este ano. O sucesso foi imediato. Os produtos já são vendidos na Espasso, loja luxuosa com unidades no bairro Soho, em Nova York, e em Los Angeles, Estados Unidos. Mas a linha também está disponível para os consumidores brasileiros.
Agora, o empresário conta com a participação dos filhos na gestão da empresa. Thomas e Michel atuam em diretorias na empresa e a filha Marina, que é designer, em criações. A última novidade da Butzke é uma linha de deques para os mercados interno e externo.

Perfil: Guido Otte

Presidente da Butzke, fabricante de móveis para lazer, de Timbó, Santa Catarina. Engenheiro civil pela UFSC, Guido Otte (foto), 60 anos, iniciou a carreira em 1972, como engenheiro, fazendo projetos de casas e indústrias. Em 1975, ingressou na Metisa (Metalúrgica Timboense SA), empresa da família da sua mulher, Dagmar Paul. Implantou projeto de expansão da companhia e, em 1983, surgiu a oportunidade de comprar a Butzke, o que fez em sociedade com o sogro Henry Paul. Mais tarde adquiriu o controle e diversificou, com o ingresso no setor de móveis. É pai de Thomas, Michel e Marina.

Como comprou a Butzke?
Guido Otte
– Eu me considero engenheiro civil até hoje. Mas a vida leva a gente a certos caminhos que não tem como evitar. Eu queria ser um profissional autônomo. Jamais pensei em trabalhar numa indústria, tanto que vim de uma, na qual não aceitei o convite para trabalhar com meu pai, que tinha um curtume e era ligado a construtoras. Comecei como engenheiro civil e, por afinidade familiar, entrei na Metisa. Em 1983, os sócios da Butzke colocaram a empresa à venda, e eu e meu sogro, Henry Paul, compramos.

Por que a empresa mudou de atividade?
Guido
– A Butzke fazia carrocerias de veículos sob encomenda, um trabalho muito artesanal, e peças para implementos rodoviários. Nossos concorrentes estavam com dificuldades. Esse quadro começou a chamar a nossa atenção e começamos a procurar outros negócios. Mantivemos a carroceria e os implementos, mas começamos com embalagens de madeira para montadoras e entramos no segmento de móveis de madeira. Em 1994, deixamos de produzir carrocerias, e em 1997, ficamos só com móveis.

O que pesou na escolha do eucalipto como matéria-prima?
Guido
– Quando ainda atendíamos as montadoras, consegui convencê-las a mudar a matéria-prima da araucária para o eucalipto. A partir daí comecei a introduzir isso nos móveis. Hoje, 100% dos nossos móveis são de eucalipto. Em 1995, tivemos um cliente da Alemanha que fabricava esquadrias de portas e janelas e ele tinha um sonho de fazê-las com eucalipto. Tentamos e deu certo.

E o selo ambiental?
Guido
– Fomos os primeiros do mundo a ter produtos de eucalipto certificado. Conquistamos, em 1998, a certificação FSC (Forest Stewardship Council), selo verde de maior credibilidade internacional, que dá garantia de origem da madeira. A gente sempre teve esse pensamento ecológico. Procurei o eucalipto porque a madeira nativa estava acabando devido ao corte desenfreado. Se eu comprar madeira nativa, estou sujeito à ilegalidade. Em 1998, a nossa empresa foi a primeira do Brasil e do mundo a ter a certificação FSC para eucaliptos, foi um orgulho para nós, uma empresa de Timbó. Nos tornamos referência internacional. Fomos os primeiros no mundo a ter móvel de eucalipto certificado.

Quanto a Butzke exporta?
Guido
– Por causa do FSC, nos tornamos conhecidos no exterior, chegamos a exportar 90% da produção. Mas com o recente problema cambial brasileiro, tivemos muitas dificuldades nas exportações e não conseguimos repor tudo no mercado nacional. De 2005 a 2008, exportamos 50%. Ano passado, vendemos ao exterior 35%, e, este ano, deve chegar a 45%. A Europa era nosso grande cliente até 2005. Hoje, exportamos mais para a América Latina, EUA e África.

O mercado interno melhorou com a expansão da construção?
Guido
– Para o nosso produto, o boom da construção é no final, quando o cliente já não tem mais dinheiro. A nossa performance está melhor mais pelas nossas estratégias do que algo de governo ou da construção. Ao contrário de outros setores, a indústria de móveis sempre foi deixada de lado. Em novembro último, tivemos a redução do IPI, mas foi muito tarde, as compras de final de ano estavam sacramentadas e só durou até março. Não tivemos resultado positivo dessa isenção no nosso setor. No ano passado, faturamos 15% menos e, este ano, esperamos crescer 30%. Projetamos alcançar receita bruta de R$ 18 milhões.

Como a Butzke chegou ao bairro de luxo de Nova York?
Guido
– O arquiteto Carlos Motta, que criou a nossa linha Timbó, é muito conhecido no mundo, e o proprietário das lojas Espasso é um brasileiro que conhece a fama dele. Tem uma loja em Nova York, no bairro Soho, e outra em Los Angeles, que parecem museus contemporâneos. Quando ele soube da coleção, entrou em contato conosco. Foi a primeira venda que fizemos da Linha Timbó e já está repetindo, vamos embarcar outra remessa.

Por que o ingresso no segmento de deques?
Guido
– Os deques são o nosso último lançamento, no mesmo espírito dos móveis, feitos de eucalipto, com especificações físico-mecânicas superiores, para substituir as madeiras nativas. É um projeto novo, para mudar a cultura do setor. Em São Paulo, vendemos na Casa Fortaleza. Em Florianópolis, na Marce Piscinas.

Notas

Certificação

A resistência da madeira de eucalipto foi o que levou o empresário Guido Otte a escolher o produto para fabricar móveis. Como é uma planta exótica, nativa da Austrália, conseguiu com mais facilidade a certificação.
Há 832 espécies, a maioria é macia, mas algumas são mais resistentes. No Brasil, só 20 delas têm uso profissional, e a Butzke utiliza a Eucalyptus grandis.

De eucalipto

A empresa fabrica principalmente móveis de eucalipto para áreas externas, tanto para jardins quanto para espaços cobertos, como grandes varandas e sacadas. Há produtos para área interna que são derivações dos externos.
Em muitos países, casa sem móveis no jardim não é casa, observa Guido Otte.

Estratégias

Com foco em grandes varejistas do exterior a Butzke teve que mudar em função do câmbio. Hoje, tanto no exterior quanto no Brasil, fornece os mesmos produtos, com a sua marca, para pequenos lojistas. Faz private label para a Artefacto e Tok Stok. A linha Timbó, em uma loja de cada região. Em Florianópolis, é a Ettore.

Gestão

Atento para a sucessão na empresa, Guido Otte já incluiu os filhos na gestão dos negócios. Thomas, o mais velho, é engenheiro civil e atua como diretor industrial. Michel é administrador de empresas e vai assumir a presidência. Marina, que é arquiteta e professora da Univali, presta serviços de design de móveis para a companhia, embora não tenha vínculo empregatício com ela.

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