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Ele produz, exporta, importa e empreende

25 de julho de 2010 0

A catarinense Olsen Odontomédica é um exemplo de empresa de médio porte que atua no mercado global e adota criatividade em várias frentes para se manter no mercado, especialmente em função da crise global, que continua na Europa. Fabricante de equipamentos odontológicos e para consultórios médicos, foca no atendimento para manter clientes no exterior, importa para equilibrar um pouco a conta cambial e enxuga custos no Brasil. Quem está à frente desse processo é o empresário César Augusto Olsen que, na melhor fase da empresa, chegou a planejar a abertura de uma filial nos EUA, mas recuou depois. Uma das novas cartadas da Olsen é a importação de equipamentos de diagnóstico por imagem para consultórios e hospitais. Em outra frente, o empresário encaminha a sucessão da empresa. Seu filho Augusto se prepara para assumir a presidência.

Perfil

Fundador e presidente da Olsen Odontomédica, de Palhoça, fabricante de equipamentos odontológicos e para procedimentos em consultórios. Técnico formado pelo Senai de Blumenau na área de ajuste mecânico, 56 anos, César Augusto Olsen também é representante da Federação das Indústrias (Fiesc) no conselho regional do Senai/SC.
Um dos projetos que mais motivaram o empresário foi a participação na instalação da Escola de Aviação do Senai em Palhoça. Nasceu em Mafra, é casado, tem um filho e duas filhas.

Frase

“Se não tivéssemos adotado o sistema Toyota de produção, conhecido também como produção enxuta, teríamos quebrado.”

Como estão os negócios nesse período pós-crise?
César Augusto Olsen – Adequamos a fábrica, mudamos processos e reduzimos o número de empregados de 245 para 180. Com a crise lá fora e as dificuldades cambiais, nossa receita bruta, este ano, será um pouco mais da metade do que poderíamos obter se o câmbio fosse favorável e a crise não tivesse ocorrido. Demitimos trabalhadores, mas ampliamos os treinamentos para aumentar a produtividade.

Quanto da receita da empresa vem das exportações?
Olsen – O Brasil perdeu competitividade nas exportações em função do câmbio e dos impactos negativos da crise em outros países. Na nossa melhor fase de exportações, com o dólar de R$ 2,80 a R$ 3,50, cerca de 60% do nosso faturamento vinha do exterior e chegamos a exportar para 101 países. Hoje, 15% da receita vem das vendas externas e temos clientes fiéis em 35 países. Nossa principal estratégia é o serviço de pós-venda, que os concorrentes asiáticos não têm. Como o Brasil perdeu competitividade nas exportações, estamos importando para equilibrar as finanças. Estamos trazendo da Alemanha o que existe de mais moderno de equipamentos por imagens. São tomógrafos, raios X e outros produtos de tecnologia para diagnóstico por imagem. Já importamos produtos da NSK, do Japão, e visitamos uma fábrica de tomógrafos na Coreia.

Que tipo de equipamentos a Olsen está produzindo?
Olsen – Atualmente, de 10% a 12% dos equipamentos que fabricamos são os de preços mais acessíveis, para prefeituras. Em torno de 20% da produção é de itens para um nível mais elevado. Os produtos médios responde por 40% e os sofisticados, por pouco menos de 30%. Nosso top de linha é o Infinity. Entre as estratégias de marketing estão contatos com formadores de opinião, especialmente professores universitários. Oferecemos uma linha popular de equipamentos, usados em prefeitura, mas o material, a robustez e visual são os mesmos que usamos para os nosso produtos mais modernos. Os equipamentos mais coloridos são comprados pelas dentistas.

Qual é a maior dificuldade do segmento da Olsen?
Olsen – O governo atrapalha. Esperamos há oito meses por um carimbo da Anvisa. Acho que não sai por retaliação. Pagamos R$ 12 mil por uma inspeção na fábrica. A gente espera seis meses por uma licença e ela não aparece. Mandamos e-mail para a Anvisa e para o gabinete da presidência da república. Oito meses, eu paguei, não recebi o serviço, já fui desclassificado em duas concorrências porque não tinha o documento. Eles vão inviabilizar as empresas da nossa área. Gastamos em normas R$ 120 mil por ano. Na china, o governo banca tudo. Isso é economia de mercado?

Como está a sucessão?
Olsen – O Augusto, meu segundo filho, começou a cursar design, foi até a metade e desistiu. Cursou eletrônica no Senai e está se preparando para assumir a empresa. Pretendo me aposentar aos 60 anos. Vou deixar o pessoal digital avançar. Tenho uma equipe qualificada, mas preciso de mais dois anos para me afastar com tranquilidade.

Notas

Empresa

César Augusto Olsen abriu a empresa a partir de experiência que teve em multinacional fabricante de equipamentos odontológicos e de oficina própria para consertos de produtos do setor. Mas, questionado sobre que conselhos daria a quem quer empreender, traçou cenário difícil.

–Primeiro tem que ser um corajoso. E se não tiver capital que não tente porque não consegue. Só o que vai gastar com normas e procedimentos ambientais não conseguirá arrancar. Só 0,03% dos que começam têm a empresa após 10 anos – afirmou.

Nos EUA

Há cerca de quatro anos, o empresário quase abriu uma filial da Olsen nos EUA, mas recuou.

– Eu estava empolgado com o que ofereciam de benefício. Mas depois avaliei as dificuldades. A primeira seria o idioma, depois fui ver os fundamentos das leis americanas, que são muito diferentes das nossos. seria uma aventura, eu teria quebrado – comentou o empresário que ficou impressionado com o impacto da crise nos EUA.

Aviação

A escola de aviação do Senai, em Palhoça tem muito da paixão do empresário por aviões. Ele é dono de um helicóptero que pilota há alguns anos. Conseguiu terreno de 26 mil metros e um prédio a custo zero para a instituição. Ela tem 300 alunos e a maioria vai trabalhar fora do Estado. Cesar Olsen é presidente do Aeroclube de SC.

Foto de Charles Guerra

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