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"O mercado imobiliário disparou"

08 de agosto de 2010 0

A compra de imóveis residenciais está em alta em todas as faixas de renda no país. A afirmação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão (foto), que esteve em Florianópolis em evento sobre negócios internacionais na área. Segundo ele, há crédito para todos os segmentos e a falta de mão de obra é o maior gargalo do setor. Ao mesmo tempo, há evolução no uso de tecnologias construtivas e muito otimismo nas cidades que vão sediar a Copa e as Olimpíadas. Para os entraves na infraestrutura, a Cbic defende um esforço concentrado em torno de soluções. O que falta no país, ainda, na avaliação do empresário, são investimentos elevados em educação e saneamento. Este último terá campanha da entidade. Leia a entrevista.

Perfil: Paulo Safady Simão

Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), entidade que representa o setor da construção civil em nível nacional, por meio de 62 sindicatos. Engenheiro Civil graduado pela UFMG em 1971, Paulo Safady Simão é presidente do grupo Wady Simão Construções e Incorporações, de Minas Gerais, fundado por seu pai há 66 anos. Também é membro do Conselhão do governo federal desde 2003, foi presidente do Sinduscon de MG e do Conselho Curador do FGTS. É casado há 38 anos, tem três filhos e dois netos.

Qual é o segmento de imóvel que mais cresce no país?
Paulo Safady Simão – O mercado imobiliário disparou em todos os níveis. Para o rico, nunca teve problema, o que muda é a sofisticação e a forma de financiar. Mas a grande mudança do mercado ocorreu para a classe média, média baixa e de interesse social. Por várias razões. Primeiro, pela legislação. Segundo, pela redução da pobreza. Em terceiro são os programas. No Minha Casa, Minha Vida uma família que recebe um salário mínimo paga R$ 51 por mês durante 10 anos.

O Minha Casa, Minha Vida conseguiu venceu as barreiras ?
Simão – O primeiro projeto é para 1milhão de unidades. Já temos 960 mil na Caixa, 600 mil contratadas em obra e até o final do ano vamos liquidar essa fatura. Já lançamos o Minha Casa, Minha Vida 2, com 2 milhões de unidades para 2011 a 2014. Aí começa um bom problema, a falta terrenos. Vamos resolver isto.

Quais são as tendências?
Simão – O jovem está saindo de casa mais cedo para morar sozinho. Isso exige apartamentos de um quarto. As pessoas idosas estão buscando imóveis com mais segurança e silêncio.

O que está sendo feito para formar mão de obra?
Simão – A falta de pessoas qualificadas é o nosso maior gargalo. O setor cresceu demais nos últimos cinco ou seis anos. Para dar conta desse gargalo, há uma série de programas. Vou citar o Próximo Passo. Estamos treinando 175 mil pessoas do Bolsa Família, já estamos com 65 mil em sala de aula, nas regiões metropolitanas do país, e 35 mil estão formados, 60% ou mais são mulheres. A indústria da cana de açúcar vai demitir 350 mil pessoas nos próximos 10 anos, fruto da legislação que obriga a mecanização. Vamos preparar esse pessoal, para a construção. As grandes empresas também estão trabalhando na formação de pessoal, e tem o Senai no Brasil inteiro. São Paulo está formando 60 mil pessoas agora.

Que tipo de inovação está sendo adotada?
Simão: Tenho consciência de que não vamos conseguir repetir a performance que tínhamos no passado, quando havia à disposição milhões de operários. Hoje, as favelas têm centros de informática, o jovem quer um emprego melhor, com menos sacrifício e de maior remuneração. Por isso, na Cbic, temos dois projetos voltados ao futuro: um de inovação tecnológica, com produção em fábricas, e outro de produção sustentável. São projetos que envolvem legislação municipal, universidades.

Qual será o impacto da Copa e da Olimpíada no setor?
Simão – Vão mobilizar a construção. Já estão mobilizando, na minha visão; a Copa já está feita. As regras estão sendo definidas agora. Em BH, estão previstos 25 hotéis e 10 estão em execução. Serão gerados de R$ 130 bilhões a R$ 140 bilhões em obras. Muitos projetos urbanos vão mobilizar empresas pequenas. Precisamos fazer a Copa para as cidades do futuro. Não quero uma Copa para 30 dias, mas para 30 anos.

Por que um plano de saneamento?
Simão – Nós já criamos um projeto chamado Sanear é Viver, que lançaremos dentro de 15 a 20 dias. Vamos mobilizar a sociedade para transformar o saneamento num tema nacional porque é uma vergonha o que está acontecendo. Temos obras bilionárias, corrupção por todo lado e 500 crianças morrendo por dia porque não têm saúde devido à falta de saneamento.

Notas

O que falta

Uma educação de alta qualidade é o que falta no Brasil, na opinião do presidente da Cbic, Paulo Simão. Ele recomenda ao país fazer investimento maciço nessa área, em todos os níveis, com qualidade. Para ele, o nível universitário, hoje, na maioria das vezes, é uma vergonha. Acho que há consciência dos dois principais candidatos, estamos participando ativamente da campanha, levando nossas sugestões.

Infraestrutura

O setor de infraestrutura é um dos que requerem mais investimentos. Para o empresário mineiro, há vários entraves a serem vencidos, apesar de alguns avanços já conquistados com obras saindo do papel. Entre os obstáculos estão os licenciamentos ambientais e questões regulatórias.

– No segmento de obras públicas é preciso nomear uma comissão de notáveis para analisar ponto por ponto os problemas e começar a resolver tudo de uma vez, como fizemos no mercado imobiliário – diz Paulo Simão.

Futuro

As expectativas do setor com o futuro governo do Brasil são positivas.

– Atingimos um estágio no Brasil, do ponto de vista econômico, que, independentemente do vencedor – Dilma Rousseff ou José Serra –, não vejo a menor possibilidade de grandes retrações. Acho que o país já termina o ano num patamar de segurança, estabilidade, que não deve mudar – diz o empresário.

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