Graças ao avanço da tecnologia e à difusão das redes sociais, o consumidor tem cada vez mais poder. O empresário Hélio Rotenberg, fundador e presidente da Positivo Informática, do Paraná, a maior fabricante de computadores do Brasil, foi o convidado da Federação das CDLs de Santa Catarina para falar sobre o consumidor do futuro, na convenção anual do setor, realizada nos últimos três dias, em Chapecó. Rotenberg traçou um cenário no qual as empresas terão que respeitar mais o consumidor e se adaptar para atendê-lo em multicanais. Nesta entrevista, o empresário também fala sobre as novidades da Positivo para empresas, além das expectativas sobre o lançamento do seu tablet, a sensação do momento.
Hélio Rotenberg
Fundador e presidente da Positivo Informática, a maior fabricante brasileira de computadores e 13ª no ranking mundial. Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Paraná e mestre em Informática pela PUC do Rio de Janeiro, ele liderou, em 1989, a criação da Positivo Informática. Ingressou no Grupo Positivo em 1988, quando se tornou o primeiro diretor do curso de Informática das Faculdades Positivo, hoje Universidade Positivo. Foi aí que identificou a oportunidade de produzir computadores. Também inseriu o Brasil no mapa dos exportadores de tecnologia educacional.
O que vai diferenciar o consumidor do futuro?
Hélio Rotenberg – Esta é uma resposta que buscamos exaustivamente. Um estudo divulgado neste ano pelo Instituto Deloitte – intitulado Consumidor 2020: Interpretando os Sinais –, realizado com o objetivo de projetar o perfil do consumidor no ano de 2020, indica que ele está cada vez mais plugado, vem aderindo ao universo online, caracterizando, inclusive, um novo formato de mercado. Hoje, o consumidor já pesquisa, entende mais e conhece melhor as suas marcas preferidas. Ele está cada vez mais exigente, é capaz de reconhecer bons produtos e, a partir de agora, vai querer, principalmente, se surpreender. Somos uma empresa que procura entender o consumidor brasileiro, suas aspirações e suas necessidades como usuário de informática. Por esse motivo, nos preocupamos tanto em estudar o nosso público. Queremos ser a melhor opção de compra em tecnologia.
Quais características do consumidor do presente vão continuar no consumidor do futuro?
Rotenberg – Não existe mais o consumidor como mero receptor de mensagem ou propaganda. Ele vem ganhando voz ativa e se sentindo cada vez mais poderoso, com mais informação e poder de decisão em suas mãos. Agora, ele pode interagir com a empresa. Mais do que isso, tem o poder de escolher e indicar, além de falar das suas boas e más experiências nas redes sociais. Esse caminho é de ida, sem volta.
Como serão as lojas do futuro?
Rotenberg – Como esse novo consumidor está conectado à web, todos os estabelecimentos deverão estar nesse ambiente. Nossos estudos sinalizam que o varejo no Brasil e no mundo terá seu crescimento no formato multicanal, com maior participação digital e mais canais de relacionamento e vendas. Estamos atentos a isso e, hoje, os nossos produtos são comercializados em mais de 8,3 mil pontos no país, inclusive nas maiores redes pontocom.
O senhor está à frente da Positivo, a maior indústria brasileira de computadores. Quais são as principais novidades?
Rotenberg – Nós somos uma empresa nacional que procura entender profundamente o consumidor brasileiro, suas aspirações e suas necessidades como usuário de informática. Quando entramos no varejo, há seis anos, o computador ainda não fazia parte do cotidiano da população. Em um ano de atuação, nos tornamos líderes em vendas nesse mercado e a maior fabricante nacional de PCs. Em 2010, inovamos com a linha Positivo Premium Select, modelo que permite a personalização com a troca da face externa do computador. Temos também uma linha para o mercado corporativo, a Positivo Master, com notebooks, netbooks e desktops desenvolvidos com recursos e funcionalidades específicos para pequenas e médias empresas e grandes empresas. Em novembro, lançamos a linha Positivo Alfa, primeiro leitor digital do país com tela touch, que ganhou um novo modelo, o Positivo Alfa Wi-Fi. Com ele, o leitor pode acessar ao conteúdo de livrarias online e fazer o download de livros digitais.
Quando a Positivo vai lançar o seu tablet?
Rotenberg – Sempre concentrada em todas as oportunidades de popularização da tecnologia, em especial as voltadas à educação, nossa empresa lançará um tablet no segundo semestre deste ano. Nossa meta constante é estabelecer e ampliar o relacionamento com os consumidores. Queremos entendê-los para traduzir as suas aspirações e oferecer produtos adequados às suas necessidades e desejos.
A maioria dos consumidores, hoje, só quer comprar tablet?
Rotenberg – O mercado de tablets no país é recente, portanto, ainda é cedo para fazermos essa avaliação. A penetração do computador nos lares brasileiros é de apenas 32%. A primeira compra deve continuar sendo de um desktop ou de um notebook, pelo conforto de um teclado e um mouse ou do touchpad. O netbook também é muito vendido no Brasil como primeiro computador portátil. Acreditamos que a máquina de primeira compra não deve ser substituída por um tablet, mas a segunda pode ser. É importante lembrar que o tablet é feito mais para consumir do que para produzir conteúdo. Isso deve ser levado em conta no momento da compra. O grande aprendizado sobre tablets é que para se ter um produto vencedor não basta apenas a qualidade do hardware, é preciso ter um ecossistema com conteúdos focados nos brasileiros.
Notas
Do futuro
Entre os grupos de consumidores que mais podem revolucionar as vendas mundiais está a geração “Z”, que nasceu com acesso ao mundo digital, observou o presidente da Positivo, Hélio Rotenberg em Chapecó. Segundo ele, o consumidor mais digital é exigente, faz pesquisa de preço, de qualidade, comenta se foi bem tratado ou não. É uma pessoa com o mundo na ponta do dedo. Hoje, existe a geração “Y”, que tem entre 20 e 30 anos e é bem mais exigente do que no passado. Se for maltratada em um restaurante, na mesma hora comunica para todo o seu grupo de conexão. Por isso, as empresas precisam repensar a sua atuação.
Tablet
Ao enquadrar o tablet na Lei do Bem, ele poderá ser vendido a preços mais baixos no Brasil, acelerando o amadurecimento do mercado nacional para essa nova ferramenta, avalia o empresário Hélio Rotenberg. Segundo ele, isso vai contribuir, de forma bastante efetiva, para a inclusão digital, o que vai agilizar a chegada do produto à casa de um número cada vez maior de brasileiros. Rotenberg diz que a Positivo está fazendo um produto muito bem feito. O tablet complementa o computador.
A Positivo
Com 22 anos de atividades completados na última quinta-feira, a Positivo Informática é a 13ª maior fabricante de computadores do mundo e a primeira do Brasil. No ano passado, teve receita bruta de vendas de R$ 2,3 bilhões e lucro líquido de R$ 89 milhões. A empresa iniciou, no final do ano passado, uma série de medidas para melhorar sua eficiência operacional. No primeiro trimestre de 2011, a receita bruta alcançou R$ 425 milhões e o resultado final ficou negativo em R$ 30 milhões.