Agora está definido. A OSX, empresa do setor naval do bilionário Eike Batista, que chegou a escolher inicialmente Biguaçu para sediar o seu estaleiro, vai construir a unidade na região do Porto do Açu, em São João da Barra, Rio de Janeiro. Ontem, a OSX divulgou fato relevante informando que obteve a licença ambiental de instalação no dia 22, cerca de um ano após o início do licenciamento ambiental, e de ter recebido a licença ambiental prévia em fevereiro. Com essa autorização emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Fatma do Rio de Janeiro, a companhia pode iniciar as obras da unidade de construção naval (UNC), o que fará no mês que vem. A diretoria da OSX voltou a reforçar que será o maior estaleiro das Américas, com geração de 14 mil empregos, sendo 10 mil na fase de operação e os demais na implantação. Boa parte da equipe que trabalhará no estaleiro será treinada pelo Instituto Técnico Naval, que está em desenvolvimento pela OSX. O know how virá da líder mundial na produção de navios sonda e plataformas para a exploração de petróleo, a coreana sócia da unidade, Hyundai. Entre as vantagens está a integração logística.
Contrapartidas socioambientais
Para instalar o estaleiro no Rio com preservação do meio ambiente e apoio ao desenvolvimento local, o Grupo EBX, por meio da OSX e LLX, se comprometeu a realizar contrapartidas socioambientais de R$ 71 milhões e mais uma série de ações. Vai destinar R$ 34 milhões em obras de saneamento em São João da Barra e medidas de proteção à biodiversidade, investir cerca de R$ 37 milhões par a implantação e manutenção de unidades de conservação ambiental, capacitação de pessoas das comunidades vizinhas, implantação de plano de investimento social da pesca e agricultura na região, difusão de gestão integrada do território e criação da reserva ambiental Caruara, com 3.845 hectares de área protegida.
SC perdeu?
O projeto do estaleiro cresceu no Rio de Janeiro e Santa Catarina perdeu não só o que seria o maior investimento privado já anunciado para o Estado com a geração de milhares de empregos, mas também elevadas cifras em preservação ambiental e desenvolvimento social. Sem a empresa, a Baía Norte segue com a mesma paisagem, mas quase nada vem sendo feito para preservar o meio ambiente local.
Mais discussões sobre alternativas de preservação ambiental e menos radicalismo por parte dos ambientalistas talvez pudessem ter viabilizado o projeto na Grande Florianópolis, com ganhos maiores a pessoas da região que não contam com os empregos públicos. Afinal, o meio ambiente da região segue afetado por imóveis e pequenas empresas.