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"O jeito da Havan é diferente"

13 de agosto de 2011 3

Um empreendedor catarinense que chama cada vez mais a atenção do país é o fundador e presidente da Havan, o brusquense descendente de alemães Luciano Hang. Ousado e perfeccionista, ele vê oportunidades em todos os estados brasileiros e não tem medo de investir. Com 27 grandes lojas distribuídas em Santa Catarina e no Paraná, no ano que vem projeta chegar a 50, incluindo o interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Quando recebeu o título de Personalidade de Vendas ADVB/SC, em 30 de junho, Hang surpreendeu fazendo uma palestra sobre o seu jeito de fazer negócios. É uma nova fase do empresário, mais comunicativo? Ele diz que não, simplesmente falou sobre as razões do sucesso da Havan, empresa que acaba de completar 25 anos. Uma das poucas críticas que faz é sobre os juros altos para investir. Segundo ele, empresário é um cara maluco que sonha com uma coisa e vai fazendo. A maioria não tem dinheiro. Hang, que trabalha todos os dias e se desloca de helicóptero para ganhar tempo, revela que gosta de fazer compras para a empresa que, indiretamente, gera de 30 mil a 50 mil empregos. Também investe no esporte e criará instituto.

A Havan tem um modelo único de lojas. Como trabalha frente à concorrência em vários setores?

 Luciano Hang – Todos que atuam nos segmentos em que trabalhamos são nossos concorrentes, embora não nesse estilo de negócio. O jeito da Havan é diferente. Atuamos com lojas de departamento, enormes, com toda a infraestrutura aos clientes. Temos lojas de 4 mil, 5 mil, 10 mil, 12 mil metros quadrados.

Como a empresa começou?

Hang –  Começamos como atacado de tecidos em 1986. Depois de 1993 começamos a importação; em 1996 importávamos produtos para o lar e brinquedos para lojas de R$ 1,99. Na virada do câmbio, em 1999, entramos com confecção, que hoje representa 40% do nosso negócio. Compramos a maior parte em Santa Catarina. Se não encontramos a qualidade e o preço que queremos, importamos. As compras externas representam, hoje, de 10% a 20% do nosso negócio. Lá atrás, já representou 80% a 90% do nosso negócio. Nós transferimos toda a parte têxtil para o mercado nacional. Cama, mesa e banho compramos aqui. Até quando a gente chega nos outros estados, é a forma de abrir portas. Somos do polo têxtil de Santa Catarina.

Quantas lojas serão inauguradas até dezembro e em 2012?

Hang – Vamos montar nove até o final do ano. Acabamos de abrir a de São José. Ficou linda. Agora, vamos abrir em Chapecó, Itajaí e no Shopping Park Europeu (Blumenau) em SC. No Paraná, teremos lojas em Bom Retiro e Xaxim, em Curitiba; em Toledo, Paranaguá, Pinhais, Maringá. Queremos 30 lojas no Paraná e o mesmo número em SC. Temos 17 no Estado. Em 2012, vamos abrir mais 14 lojas para chegar a 50. Entraremos no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo. Vamos abrir mais uma em Joinville, mas o local não está definido. Vamos investir R$ 150 milhões este ano e o mesmo em 2012. Esse dinheiro vem da empresa e dos bancos. Captamos no mercado financeiro, desde BNDES, debêntures, operações com os bancos privados. O Brasil é muito grande. Penso que poderíamos ter cerca de 30 lojas em cada estado, o que daria em torno de 600 lojas no país.

Teme impacto da crise?

Hang – Não sinto que vai ter a repercussão que teve a crise de 2008. Naquele ano, revimos investimentos, enxugamos a empresa e crescemos muito. Crescemos 75% em 2009, em faturamento. No ano passado crescemos 80% e vamos crescer muito este ano. Passamos de 16 lojas para 27.

Por que escolheu o varejo?

Hang – Ninguém da minha família atuou no varejo. Eu também comecei na indústria, mas na área de vendas. Eu gosto de vendas, marketing e de fazer compras para a empresa. Eu adoro fazer compras para a Havan. Estou ligado aos departamentos de marketing e vendas.

A empresa já foi grande importadora. Está mais fácil comprar lá fora?

Hang _ A China e a Índia, de onde a gente compra, hoje não são fornecedores de um país, mas do mundo. A China, onde antigamente se comprava uma coisa e entregava em 30 dias, hoje está demorando meses. Antigamente, poucos compravam lá. Hoje, o mundo todo compra lá. É como se eles tivessem aumentado muito a sua gama de clientes. Eles não sentem tanto impacto. Tanto que na crise de 2008 eles cresceram mais 8%. Há países desligando suas máquinas, lamentavelmente, para comprar de lá.


Onde gosta de comprar para a Havan?

Hang – Eu gosto de comprar no Brasil, na minha região que é polo têxtil. Compramos aqui de Brusque, Botuverá, Nova Trento, Guabiruba, Gaspar, Blumenau, Indaial, Ilhota e Pomerode. A Havan chega a comprar 2,5 milhões a 3 milhões de peças de confecção por mês. Imagina quantos milhares de empregos geramos? Se vamos chegar ao final do ano com 7 mil funcionários, acho que geramos, indiretamente, empregos para 30 mil a 50 mil pessoas. É loucura. Estamos montando um depósito  em Barra Velha, na Parada Havan, para receber 500 mil peças de confecções por dia. Podemos armazenar 3 milhões de peças. Nossa loja de Barra Velha é muito bonita e agradável. Até o final do ano terá McDonalds, Subway, um posto de combustíves, um hotel e um restaurante. Já empregamos 600 pessoas, somos o maior empregador de Barra Velha e seremos o maior gerador de impostos.

Os juros altos prejudicam muito os investimentos?

Hang –Não só a Havan, mas todo o empresário poderia investir mais se os juros fossem mais baixos. Isto porque empresário é um cara maluco que sonha com uma coisa e vai fazendo. A grande maioria não tem recursos e até o juro do BNDES é caro no Brasil.

Quando o senhor recebeu o prêmio Personalidade ADVB, surpreendeu com um discurso. É uma nova fase sua, mais comunicativa?

Hang – Não. Eu era acostumado a fazer reuniões mensais com nossa equipe. Reunia até 400 pessoas. Naquele dia eu não fiz um discurso. Eu falei por que a Havan faz sucesso, em função de trabalho, equipe, determinação, visão, entusiasmo e, principalmente, foco. Somos uma empresa 100% brasileira, mas sempre fazendo de tudo melhor. O nosso sucesso é querer fazer o melhor e diferente. Aqui na Havan, eu digo vai ser feito, vai ser o melhor, vamos fazer diferente. Como eu viajei muito pelo mundo, não só nos EUA, mas na China, Coréia do Sul e Taiwan, eu vi que lá fora eles pregam a cultura do fazer melhor e fazer dar certo. Quando fui a primeira vez à Coréia do Sul, cheguei à noite e vi muitas luzinhas vermelhas na cidade. Achei até que poderiam ser casas de meretrício. Aí o coreano que estava comigo disse que são todas igrejas anglicanas. Disse que lá há uma cultura muito forte do trabalho e que as pessoas que se deram bem na vida são pessoas que merecem e são abençoadas por Deus. É diferente do que ocorre no Brasil que pregam o conformismo e a pobreza. Isso em 1993. Hoje, as maiores e melhores empresas automobilísticas brasileiras são coreanas, a Hyundai e Kia. E as melhores de eletroeletrônicos são coreanas, a LG e Samsung.Os coreanos colocaram na cabeça das crianças que tinham que trabalhar muito, estudar muito e tentar ser o melhor. Quer coisa melhor do que todo mundo ir bem financeiramente? É isso que tentamos incutir na cabeça dos nossos funcionários. Mas como a Havan trabalha todos os dias do ano, algumas pessoas saem da empresa porque querem ter mais folgas do que as que concedemos.

Quais os planos para a Havan virtual?

Hang_ Queremos que, nos próximos 12 meses, nossa loja online seja concorrente em faturamento das nossas lojas físicas. Estamos crescendo bem. Temos uma estrutura já montada para atender todo o Brasil e estamos crescendo bastante nessa linha. Eu não compro online

Como o senhor faz compras na empresa?

Hang _ Como os demais clientes. Escolho os produtos, pego fila, passo no Caixa. As pessoas ficam curiosas em saber se eu pago também. Uma vez um advogado disse que a empresa, depois que nasce, passa a ser um bem público, não é mais privado, porque ela gera emprego, impostos, riqueza para o país. A gente administra, mas é um bem público. Por isso que a Havan funciona. Temos um jeito alemão de tocar as coisas. Eu não sou consumista. Gosto de comprar roupa. Eu e a minha esposa compramos quase tudo aqui. Meus filhos só ganham presentes em datas especiais. Os gêmeos têm 14 anos e não têm celular. Por enquanto, eles não precisam.

Por que a fascinação pelos EUA? As lojas da Havan imitam a Casa Branca, boa parte tem réplica da Estátua da Liberdade, os anúncios da empresa imitam os de Hollywood.

Hang _ Eu ia muito para os EUA, quando eu comecei a importar, duas vezes por mês. Fui para Washington e gostei da fachada da Casa Branca. Aí, um menino de nove anos me encontrou no estacionamento e disse: porque você não faz a Estátua da Liberdade para combinar. No ano seguinte inauguramos a primeira estátua. Poucos criticam. A maioria adora e quer nas suas cidades. Chegamos na cidade e eles pedem. Algumas a gente monta porque custa muito caro. Além de Nova York dos EUA tem na França e em Nevada, em cassino.

Como é o seu ritmo de trabalho?

Hang_ Eu trabalho todos os dias, durante o ano todo. Não paramos, inclusive aos sábados e domingos. Durmo sete a oito horas por dia. Pego férias duas vezes por ano. A gente viaja. Pesquisa outros mercados pelo mundo. Eu estou sempre ligado. Estou o dia todo em função da Havan. Para mim virou rotina. Se viajo, vejo coisas para melhorar, modernizar. Leio publicações focadas em negócios. Quando estou de folga, ou à noite, vejo um filme ou leio publicação de economia. Aos sábados e domingos eu vou para as lojas. Eu penso estrategicamente a empresa.Todos os funcionários da empresa podem mandar mensagens para mim. Às vezes fico até a 1h da madrugada lendo e respondendo mensagens que eles enviam. Isso ajuda a manter a equipe motivada

Quantos negócios a família Hang tem?

Hang_ A Havan, hoje, é a rede de lojas Havan, factoring, postos de gasolina, hotel (somos sócios do Hotel Bourbon, de Joinville), usinas hidrelétricas em SC e no RS, e empresas do ramo imobiliário.

Por que o marketing no futebol?

Hang_ Nós ajudamos a patrocinar o Brusque, o Joinville, o Cascavel e fazemos várias outras coisas. Estamos patrocinando o nadador paraolímpico Matheus Rheine, de Brusque, que é cego. Ele acaba de ganhar quatro medalhas no Rio de Janeiro, agora.

Quais são os maiores obstáculos aos empresários no Brasil, na sua opiniãol?

Hang _Olha, eu parei de reclamar. Não reclamo mais de nada. As leis estão aí para todos, o mercado está para todos. O que eu tenho que fazer e achar oportunidades naquilo que as pessoas não acharam ainda. Vou reclamar dos impostos, das estradas, dos aeroportos que não funcionam? De uns anos para cá, eu não discuto política, não discuto nada. Estou fora. Não sou partidário.

O senhor pode divulgar o faturamento?

Hang – As empresas que estão listadas na Bolsa tem que falar. Eu estou fora da bolsa. Estamos indo muito bem, crescendo para caramba. Não pretendo ir para a bolsa agora, mas no futuro eu não descarto. Não gosto de dar muita entrevista. A Havan nasceu em Brusque, é catarinense, e a gente tem que ficar orgulhoso por isso. A Havan é uma referência nacional. Harvard ainda não veio estudar o case. É preciso passar alguns anos para ver se a fórmula deu certo. É preciso lutar todo o dia.

Já pensa em preparar o sucessor?

Hang _ Temos uma equipe boa, umas 10 pessoas preparadas. Todos podem tocar. O que pode mudar é a velocidade. Até quando vamos manter o atual ritmo? Até onde der.

Planeja abrir unidades no exterior?

Hang_ Não. O Brasil é muito grande. Eu fui visitar, agora, Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás. A Havan tem um espaço muito grande para crescer. Antes eu visitava países pequenos. Eu me perguntava, se aqui cabe tantas lojas, imagina no Brasil, que é muito maior.

Qual será o foco do Instituto Havan?

Hang _ Estamos criando o Instituto Havan que vai cuidar só de educação. Um número expressivo de crianças têm muitos problemas de aprendizado, como dislexia, descalculia, hiperatividade. O instituto vai atuar nas cidades onde a gente opera para tratar desses assuntos. Vou encomendar um estudo, agora, sobre dislexia. As pessoas com esse problema têm dificuldade enorme para aprender a ler porque não conseguem encaixar as letras para formar palavras. Hoje, o Brasil é um dos únicos países do mundo que tem método fônico para o aprendizado, ensina por palavras e o disléxico passa muito trabalho. Eu sempre fui um aluno esforçado, mas não conseguia ler. Acho que eu era disléxico, e o meu filho tem o mesmo problema. Como atinge muita gente, vou iniciar um trabalho para que Santa Catarina e o Brasil voltem a ensinar pelo método silábico. A Califórnia fez isto.

Comentários

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Comentários (3)

  • Darcy Martins Dias Maragno diz: 17 de agosto de 2011

    Olá Luciano Hang! Gostei muito da iniciativa de criação do Instituto Havan, que será voltado para a educação. Sou psicopedagoga e membro do Núcleo Desenvolver que trabalha, inclusive, com crianças com dislexia e outras dificuldades de aprendizagem. Somos uma equipe coordenada pelo Dr. Álvaro José de Oliveira, professor da UNISUL e especialista em desenvolvimento infantil. Poderíamos marcar uma reunião para conversarmos??
    Abraços e ja antecipo sucesso para o Instituto, Darcy

  • Darcy Martins Dias Maragno diz: 17 de agosto de 2011

    Olá Luciano Hang! Gostei muito da iniciativa de criação do Instituto Havan, que será voltado para a educação. Sou psicopedagoga e membro do Núcleo Desenvolver que trabalha, inclusive, com crianças com dislexia e outras dificuldades de aprendizagem. Somos uma equipe coordenada pelo Dr. Álvaro José de Oliveira, professor da UNISUL e especialista em desenvolvimento infantil. Poderíamos marcar uma reunião para conversarmos??
    Abraços e ja antecipo sucesso para o Instituto, Darcy

    P.S. Estela, por favor, como faço para encaminhar este texto para o Luciano??

  • Uilmara Machado diz: 2 de outubro de 2011

    Eu e meu marido passeamos, em maio/2011, pelo sudeste e sul do Brasil: foi uma viagem e tanto! Conhecemos pessoas interessantes, descobrimos lugares muito agradáveis e outros, nem tanto!
    Fomos à sua Loja em BARA VELHA (SC) e a adoramos! Excelentes localização, atendimento e variedade de produtos! Confesso que fui atraída pela Estátua da Liberdade (sou apaixonada por NY) e, num passeio vespertino, resolvemos ir à referida Loja. Enchemos o carro de produtos; presentei parentes, amigos… Fomos até parados pelo PRF na estrada!
    Li sua entrevista e descobri que temos coisas em comum: identificação com monumentos americanos; inconformismo e atitude; o fato de não sermos consumistas e o interesse por uma Educação de qualidade (e o que é, também, interessante, é que V.S.ª julga-se dislexo e eu descobri, somente após formar-me em Direito, que sou portadora de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – o que dificultou-me bastante nos estudos e no comportamento – eu tinha que estudar bastante, para ser uma boa aluna e controlar meu comportamento, para não ir tanto para a Diretoria!…).. É uma pena que nossos Governantes não tenham interesse em desenvolver nosso País e tratam a Educação, com o descaso que temos visto!
    Mas, o que pretendo, aqui, é cumprimentá-lo pelo excelente empreendimento, desejar MUITO SUCESSO, PROSPERIDADE, BOAS PARCERIAS, MUITA REALIZAÇÃO e, acima de tudo, que consiga realizar o seu Projeto Educacional (INSTITUTO HAVAN): TORCIDA JÁ TEM!!!
    Desejo, ainda, que inaugure uma Loja HAVAN, aqui em Juiz de Fora (MG) (ou, nas imediações). Aguardamos novos empreendimentos!
    Abraços UILMARA e Júlio Cézar.

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