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WEG, bilionária e global aos 50 anos

17 de setembro de 2011 5

O Grupo WEG, de Jaraguá do Sul, uma as empresas mais admiradas do Brasil, completou 50 anos de atividades sexta-feira. A companhia, fundada pelo eletricista Werner Voigt, o administrador Eggon João da Silva e o mecânico Geraldo Werninghaus, cujas iniciais dos nomes formam a marca WEG, começou com o capital de três fuscas e, agora, apresenta cifras notáveis para qualquer mercado. No primeiro semestre deste ano faturou R$ 2,85 bilhões, tem 18 fábricas no Brasil e exterior e emprega 24 mil pessoas. Segundo o presidente do conselho de administração, Décio da Silva, os negócios futuros são voltados a produtos e serviços que consomem cada vez menos energia.Considerada a maior fabricante de motores elétricos do mundo, a WEG atua, também, na produção de geradores elétricos, sistemas de automação industrial, motorização elétrica, energia renovável e tintas industriais. Nesta entrevista, Décio da Silva fala das razões do sucesso do grupo e revela estratégias vencedoras.

Décio da Silva

Presidente do conselho de administração do Grupo WEG e da WPA Participações e Serviços, a empresa que faz a gestão dos bens das três famílias fundadoras da companhia. Décio da Silva ficou conhecido no meio econômico como o executivo que, durante 18 anos no cargo de presidente, imprimiu ao grupo um crescimento acelerado de 25% ao ano. Filho mais velho de Eggon João da Silva, um dos três fundadores da companhia, é Engenheiro Mecânico pela UFSC com especialização no Insead, na França. Atualmente, também preside o conselho de administração da Oxford Porcelanas e é membro dos conselhos da BRF Brasil Foods, grupo Iochpe e da Tecsis. É casado e tem duas filhas. 

Como o Grupo WEG chega aos 50 anos?

Décio da Silva – Chegamos aos 50 anos com muita energia para continuar nossa trajetória de crescimento. Temos uma importante posição no mercado brasileiro nos segmentos em que competimos e, cada vez mais, crescemos internacionalmente. Hoje, nossa equipe é de 24 mil pessoas, das quais 4 mil atuam em unidades fora do Brasil e temos colaboradores de 25 nacionalidades. Cerca de 15 mil estão em Jaraguá do Sul, na matriz. Temos fábricas na Argentina, México, Portugal, China, Índia e África. Além disso, temos 18 filiais de comercialização e serviços que fazem o trabalho de pré e pós-venda.

O que levou a WEG a se tornar esse grande conglomerado?

Décio – Acho que foi o investimento continuado dos três fundadores. Principalmente investimentos com respostas de longo prazo, como em tecnologia em produtos e processos. Há muitos anos a WEG investe mais de 3% da sua receita em tecnologia e inovação. O segundo aspecto é o desenvolvimento das pessoas, e o terceiro, foi investir em novos mercados. A empresa começou a exportar muito cedo, em 1970, quando tinha apenas nove anos e o Brasil estava deitado em berço esplêndido, com barreiras para importação. Essa participação no exterior tem nos ajudado muito, temos uma posição internacional. Os primeiros países para os quais exportamos foram, simultaneamente, o Paraguai e o Uruguai. No mesmo ano, iniciamos vendas aos Estados Unidos e Alemanha, o que foi relevante para o nosso desenvolvimento porque são mercados de primeiro mundo, extremamente exigentes. Enfrentamos clientes mais sofisticados, concorrentes mais preparados. Além dos dólares para a nossa receita, foram importantes para a nossa curva de aprendizado.

Que estratégias fizeram mais diferença?

Décio - A maior diferença foi o investimento nas pessoas e no modelo de gestão. Todos dizem que o ativo mais importante de qualquer empresa são as pessoas. Os fundadores imprimiram essa cultura na companhia de maneira muito intensa. Hoje, temos mais de 100 colaboradores nossos nas empresas e divisões fora do país. Isso é uma grande oportunidade para essas pessoas. Quando a empresa era muito pequena, em 1972, começou o Centro WEG, uma escola técnica interna na qual fui aluno da primeira turma. Hoje, mais de 2,5 mil funcionários da empresa saem do curso técnico desta escola, que tem duração de três anos. A pessoa é remunerada para trabalhar um período e estudar no outro. Depois, têm emprego garantido. Programas como esses são a coluna vertebral da WEG, aliados com modelo de gestão extremamente participativo, com comissões, círculos de controle de qualidade, comitês. Isso foi feito lá atrás e gerou uma empresa que tem um modelo que ajuda no desenvolvimento das pessoas.

Qual foi o maior legado dos três fundadores?

Décio – Os três fundadores são três pessoas muito especiais. O grande legado que nos deixam é a cultura da empresa. A WEG é reconhecida no Brasil e no mundo pela ação de milhares de funcionários, mas que trabalham sob a cultura que o seu Werner, seu Eggon e seu Geraldo implementaram. Eles tinham diferentes habilidades, mas souberam aproveitar as diferenças de uma forma com extrema lealdade e harmonia. Se complementaram. Eles podiam ter diferença em questões técnicas, discutiam até o final e, depois, tomavam a decisão vencedora como se fosse de cada um. Um dos maiores segredos do sucesso da WEG foi a complementariedade, a harmonia e lealdade entre eles.

Quando o seu pai assumiu a Perdigão, em 1993, também levou o modelo WEG para a empresa?

Décio – O meu pai, quando assumiu a presidência da Perdigão, muito dos valores, do modelo de gestão e da cultura da WEG ele tentou implementar. Ele teve uma participação fundamental na recuperação e, depois, no desenvolvimento da Perdigão, hoje a BRF Brasil Foods.

Nesses 50 anos, a WEG passou por várias crises econômicas. Qual foi a que mais impactou na empresa e que conselho o senhor dá para empresários enfrentarem essas dificuldades?

Décio - Em 1989 e 1990 houve uma recessão muito grande no Brasil. Dentro da nossa cultura, evitamos ao máximo as demissões, colocamos em prática a redução de jornada de trabalho. Uma das coisas que eu acho relevante na gestão é mitigar ao máximo os riscos. Evitar concentração em mercados, em moedas… A gente procura mitigar todos os riscos.

O senhor presidiu a empresa por 18 anos, com crescimento acelerado. Que lições aprendeu e podem ser referência a jovens empresários?

Décio - No período em que fui presidente, o grupo cresceu numa média de 25% ao ano. Aprendi coisas muito básicas, uma é estudar continuadamente, a outra é ouvir os mais experientes. Eu sempre ouvi muito os três fundadores, as pessoas da minha equipe. Outras coisas relevantes são estar muito atento às tendências de mercado e estar muito próximo dos clientes. Uma das coisas que durante a minha gestão eu me cobrava é que todo dia eu tinha que fazer alguma coisa ligara a cliente ou a mercado, seja por telefone, por e-mail, atendendo uma visita. A melhor maneira de você conhecer a sua empresa é olhando ela de fora para dentro, através da visão do cliente. Isso é relevante.

 O grupo, hoje, tem condições de investir mais. Quais são os focos principais?

Décio- A nossa estratégia está voltada ao desenvolvimento de produtos e serviços que garantam consumo cada vez menor de energia. Também procuramos avançar na geração de energia renovável por meio da biomassa, ventos e outras coisas que podem vir lá na frente. A todo o momento estamos lançando novos produtos. Há cerca de dois anos, lançamos motores com imã permanente, que reduzem mais o consumo de energia.

E os motores para carros elétricos?

Décio - Dentro do nosso desenvolvimento em tecnologia está a substituição de motores de combustão por motorização elétrica para automóveis, caminhões e ônibus. A WEG tem feito investimentos e fornecimentos, principalmente na área de equipamentos maiores, como é o caso de ônibus e bondes. É uma tecnologia que estamos muito atentos, acompanhando. Para carros é um projeto mais distante, mas temos feito vários projetos, um com a Itaipu e a Fiat. Estamos mais atentos às alternativas de transporte de massa.

O senhor também administra a WPA Participações e Serviços, a empresa das famílias fundadoras da WEG. Em que está investindo?

Décio - Além do controle da WEG – o maior investimento é a WEG SA _  temos investimento de 3,5% da BRF Brasil Foods e 85% da Oxford Porcelanas, de São Bento do Sul. Também temos feito alguns investimentos na área de geração de energia e contamos com mais dois fundos de ações pelos quais fizemos investimentos em empresas no Brasil e no exterior.

Como vê o cenário econômico do Brasil e do mundo?

Décio - Um mercado extremamente volátil, com países desenvolvidos enfrentando dificuldades de terem rotas de crescimento como nas últimas décadas, e o aparecimento de novas economias como a China, Índia e Oriente Médio. Nós vamos viver momentos, agora, de mudanças e muita volatilidade. Dentro desse cenário, estamos procurando mitigar os riscos, evitar concentrações, e estamos procurando surfar as melhores ondas, onde estão as oportunidades melhores. Há quatro anos fizemos nosso primeiro investimento na China, no ano passado, abrimos fábrica na Índia. Vamos surfar nas novas economias.

O que o grupo prioriza nos investimentos em responsabilidade social?

Décio – Os investimentos da WEG na área de responsabilidade social focam as comunidades onde a empresa tem unidades. Essa é prioridade porque a empresa acredita que o crescimento e o desenvolvimento sustentável devem ser harmônicos. Não há empresa competitiva e saudável dentro de uma comunidade menos desenvolvida. Por isso, temos priorizado investimentos em educação, cultura e saúde. Recentemente, fizemos investimentos importantes nos dois hospitais de Jaraguá do Sul. Não só a WEG como outras empresas da região fizeram investimentos no Hospital São José superiores a R$ 20 milhões.

Comentários (5)

  • L.C.Santos Rocha diz: 18 de setembro de 2011

    Meus parabéns Décio, um grande abraço no seu Egon!

  • LORENZO BETTING diz: 18 de setembro de 2011

    Sera que seu Décio teria tempo para ministrar palestra?
    apesar de ser empresario bem sucedido, gostaria de aprender mais, e ninguem mais
    recomendado do que esse cidadão,Parabens seu ´Décio
    Ass Lorenzo Betting-Garanhuns PE.

  • marly diz: 18 de setembro de 2011

    como deve ser gratificante trabalhar numa empresa como esta onde valoriza o seu colaborador , como pessoa e ser humano, por isso mesmo nunca perco a esperança de um dia participar de um grupo empresarial desse nivel. Muito obrigada pela oportunidade de poder me manifestar. Pato Branco-PR

  • Fábio diz: 30 de outubro de 2011

    Tenho muito orgulho de trabalhar nessa empresa.

  • João Pimenta diz: 31 de agosto de 2012

    Realmente a WEG é uma empresa que merece todo o nosso respeito e admiração. Como engenheiro a considero um orgulho para a engenharia nacional.
    Parabéns pelo artigo Estela!

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