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"Vinho é uva, paixão e enologia"

24 de setembro de 2011 4

A vinícola Villaggio Grando, situada no município de Água Doce, no Meio-Oeste catarinense, em campos com 1,3 mil metros de altitude, alcança projeção pela qualidade dos vinhos e também por oferecer um complexo enoturístico em expansão. O fundador da empresa, Maurício Carlos Grando, que ingressou no ramo por sugestão de cliente europeu, transferiu para o seu filho Guilherme Grando o desafio de comandar as ações comerciais da vinícola no Brasil e exterior. Convencido de que a vitivinicultura é um trabalho de muitas gerações, o jovem começou a aprimorar sua formação no segmento aos 15 anos, quando fazia intercâmbio na Austrália. Além do posicionamento de vinícola butique, sempre com foco em qualidade, o que dá confiança para a equipe da Villaggio Grando são resultados de degustações informais, às cegas, nos EUA e Europa, que já colocaram vinho da empresa entre os melhores do mundo.

Guilherme Sulsbach Grando

Diretor comercial da Villaggio Grando, vinícola butique baseada em Herciliópolis, município de Água Doce, no Meio-Oeste catarinense. Guilherme Sulsbach Grando, 26 anos, é o filho mais velho do empresário do setor madeireiro de Caçador e fundador da vinícola, Maurício Carlos Grando, que tem mais dois filhos, Marila e Bernardo. Há três anos, tem como desafio principal difundir os vinhos e espumantes da vinícola. Graduado em Direito pela Universidade Positivo, de Curitiba, é sommelier formado pelo Centro Europeo daquela cidade e, antes, curso um ano de Agronomia. Como quer estar sempre estudando, começou esta semana, em Florianópolis, o famoso curso de longa duração WSET, Wine & Spirit Education Trust. É noivo de uma dentista e planeja casar em outubro do ano que vem.

Como surgiu a Villaggio Grando?

Guilherme Grando – O meu pai, Maurício Grando, é empresário do setor madeireiro em Caçador, com a empresa Madepinus. Um dos seus clientes era um francês produtor de armanhaque (destilado de uva). Ele veio nos visitar e conheceu nossa propriedade onde estávamos começando a criar gado red Angus, para carne nobre. Mexeu no solo e disse: vocês até podem criar gado, mas é um grande local para uva vinífera. Aí fizemos convênio com a Epagri, Embrapa e com o Instituto San Michele, da Itália, para pesquisas. Temos, hoje, um dos maiores laboratórios de pesquisa de uvas da América do Sul. São mais de cem variedades plantadas para ver quais vão dar mais certo. A primeira fase das pesquisas começou em 1998 e foi até em 2011.

Por que você entrou o negócio?

Grando – Minha história na vinícola começou em 2001. Eu estava fazendo o segundo grau na Austália, com 15 anos, e o pai ligou informando que apareceram os primeiros cachos de uva e a produção era para vinhos. Aí me empolguei e, nas férias, mudei para Barossa Valley, a região vinícola da Austrália, para conhecer um pouco mais, e me encantei. Voltei para Santa Catarina, fiz Direito e curso de sommelier em Curitiba. Há três, anos retornei para Caçador e assumi a diretoria comercial da vinícola. Nossos primeiros vinhos foram lançados em 2004. Além da gestão comercial, ajudo o meu pai na parte administrativa.

O que a vinícola oferece ao turista?

Grando – Oferecemos tanto visitação, com o enoturismo, quanto venda dos nossos vinhos. A visitação iniciou há três anos e, ano passado, concluímos área de degustação, com piano de cauda, mesas e vista para o lago. A nossa vinícola é butique. Nessa linha, estamos buscando um parceiro para a construção de um hotel ou resort de luxo, com 10 a 20 unidades. A gente quer ceder o terreno. Também estamos iniciando uma pista de pouso de 1,4 mil metros. Há crescente número de turistas que se deslocam de avião próprio. Muitas vezes recebemos clientes que vem até Caçador de avião e se deslocam de carro até a vinícola. Outro projeto é um condomínio para residências de férias.

Quantos hectares estão plantados?

Grando – Todas as uvas da Villaggio Grando são próprias. Finalizamos o projeto da vinícola, com 42 hectares plantados, e estamos iniciando um plano para uma unidade exclusiva de espumantes. Para isso, vamos terceirizar produtores vizinhos, que contarão com assessoria do nosso corpo técnico. Será um modelo como as integrações de agroindústrias de carnes.

Qual é a produção atual?

Grando - Hoje, elaboramos três espumantes, um demi-sec, um brut e um brut rosé; dois vinhos brancos, o sauvignon blanc e o chardonay; e quatro tintos, um cabernet sauvignon, um merlot, o Inominable, que é um corte de seis varietais, e o Além Mar, um corte de três varietais, feito pelo enólogo português Antônio Saramago e o sommelier José Santanita, que foi eleito o melhor de Portugal no ano passado. Temos, ainda, o vinho colheita tardia, das uvas petit manseng e gros manseng. Produzimos de 160 a 180 mil garrafas. Nosso projeto é chegar a 300 mil garrafas. Queremos ampliar com a produção de espumantes.

Vocês estão em busca de castas raras?

Grando – Pesquisamos 103 variedades. Temos uma região nova, com indicação de uma pessoa que conhece, mas ninguém sabe, realmente, a uva que vai dar mais certo aqui. Já sabemos que a chardonay, por exemplo, é espetacular na nossa região. Mas por que não testar outras? Quem sabe a gente encontra um tesouro que não deu certo em outros países. Vinícola é um negócio para centenas de anos. A Europa, por exemplo, tem muitos vinhos de regiões específicas.

Quanto vocês já investiram na vinícola?

Grando – Não costumamos  falar em números, mas a gente colocou todas as fichas lá. Meu pai é filho de um bancário que trabalhava no Banco do Brasil e é muito empreendedor. Começou a negociar madeiras com 16 anos. Mas ao entrar no ramo do vinho, sabe que é um projeto de longo prazo, diferente. Os americanos costumam dizer que, quando você faz o seu projeto empresarial, vai direto para a última página, para saber o custo e como sair se não der certo, menos as vinícolas porque vinícola você não sai nunca mais. É um ramo de gerações. Além de encantador, envolve muita coisa. Empregamos cerca de 60 pessoas na safra e em média, 50 pessoas durante o ano. Mas como a gente está em outros segmentos também, a gente acaba precisando de mais pessoas. Na vinícola, fazemos tudo manualmente. Uma poda errada, são duas ou três safras de prejuízo.

Há muita tecnologia na produção?

Grando – Contamos com um enólogo na vinícola, o Mateus Valduga, consultoria do Jean Pierre Rosier, que tem doutorado em Bordeaux, mais o Antônio Saramago, que vem duas vezes por ano e elabora o Alem Mar. Em sempre falo que vinho é feito de uva, paixão e enologia. Você precisa ter uva boa e enólogo bom. Todo o mundo que começa a tomar vinho sonha em tomar um Petrus dos anos 1940. Tinha tecnologia naquela época? E o vinho está vivo, inteiro na garrafa. Para mim, tecnologia no vinho é inox para controlar a temperatura, ter higiene. Não é um computador que vai dizer se o vinho está pronto. Ele está pronto na hora em que o enólogo diz que ele tem que ser tirado da madeira.

As degustações no exterior proporcionam muitas surpresas?

Grando – São histórias interessantes. Um cliente da madeireira levou o Inominable, que é o nosso vinho mais famoso, para o restaurante do irmão dele em Paris. Numa degustação às cegas para amigos e clientes, o grupo começou a tentar descobrir de que região da França era o vinho. Quando viram que era brasileiro, alguns até comentaram que alguém estava levando vinho da França para engarrafar no Brasil. Tivemos outras situações não oficias de concurso, mas bem interessantes. Em um chateau de Bordeaux e na vinícola mais famosa dos EUA, numa degustação às cegas, os nossos vinhos ficaram em primeiro e segundo lugar, entre vinhos muito mais caros. Isso prova que não só a Villaggio Grando, mas que o Brasil em geral e as vinícolas de altitude catarinense conseguem fazer qualidade. Existe um preconceito que está mudando com o tempo. É através dessas formas que hoje são até engraçadas, que o Brasil surpreende o degustador do mundo e nossos produtos poderão ser mais reconhecidos. Aqui em Santa Catarina tivemos o apoio de muitas pessoas para divulgar nossos produtos e, em especial, os vinhos de altitude de Santa Catarina. O senador Luiz Henrique, nos seus dois mandatos de governador do Estado, sempre divulgou muito os vinhos catarinenses. Agora, no Senado, segue difundindo o setor.

Quais são os planos de vendas no Brasil e exterior?

Grando – Nossos produtos estão de Brasília para baixo, em lojas especializadas e restaurantes. Estamos iniciando, agora, o Norte e o Nordeste do país que são regiões boas para a venda a turistas estrangeiros que consomem vinhos. Nossos planos são exportar para Londres, Estados Unidos e China. Em 2009, fizemos a feira de Londres e quarta-feira vamos expor na feira de Miami (EUA). Fechamos com uma trading internacional para fazer a distribuição em nível mundial. A gente não tem volume gigantesco, mas buscamos nichos de mercado de alta qualidade. Apesar do câmbio ser desfavorável, queremos exportar porque o produto indo para fora também vende mais aqui dentro. Incluímos Londres porque é a capital do mundo para qualquer bebida, desde os tempos das navegações. Qualquer lojinha, lá, tem 4 mil rótulos.

O que mais atrapalha o setor?

Grando - O pessoal critica muito a entrada de vinhos do Chile e da Argentina. Mas eu sempre destaco, quando possível, que eles não atrapalham o Brasil. Concorrência você tem em qualquer ramo, é normal. O que atrapalha o Brasil é a incidência de carga tributária muito alta, em alguns casos chegando até a 50% do preço, encargos trabalhistas e o contrabando. O vinho que entra legalizado compete no seu nicho. O contrabando é muito desleal porque você tem, em restaurantes, vinhos por R$ 500 que foram comprados por US$ 40 na fronteira. Na Espanha, por exemplo, o vinho é considerado um alimento e o imposto é de até 3%.

O que mais vocês produzem em Água Doce?

Grando – Junto com o projeto do vinho produzimos maçãs, bovinos da raça red angus (que produz a melhor carne do mundo) e iniciamos a criação de ovelhas. Tudo acaba sendo turístico. No caminho, entre o portal e a vinícola, você vê tudo isso. Também plantamos dois hectares de oliveiras porque queremos lançar um azeite de oliva Villaggio Grando. Estamos ainda pesquisando. Não temos a planta de azeite, é uma indústria mais simples do que a vinícola, mas a escolha das oliveiras que serão cultivadas é mais difícil. Também para o futuro, planejamos produzir queijos com leite de ovelha.

O argumento de que vinho faz bem à saúde ajuda?

Grando – Ajuda a vender, sim. São muitas as pesquisas científicas que apontam benefícios à saúde se a pessoa consumir vinho de forma moderada. Por isso a classificação tributária deveria ser diferente. Hoje, o consumidor quer vinhos com teor alcoólico de 12% a 13,5%, náo mais.  

Quando a Villaggio Grando recebe turistas?

Grando – Nossa visitação é de segunda a sábado, das 9h às 17h, inclusive nos feriados. Não abrimos aos domingos porque não temos restaurante. Costumamos agendar grupos de 15 a 20 pessoas para visitação. Água Doce fica a 50 quilômetros de Caçador e o tempo, de Florianópolis até a vinícola, de carro, é de aproximadamente quatro horas e meia.  Para quem prefere chegar mais rápido, há vôos de Florianópolis para Caçador feitos pela companhia NHT. Além disso, recebemos, com frequência, clientes e compradores que vem com aviões particulares até caçador. Por isso estamos construindo a pista de pouso.

Comentários

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Comentários (4)

  • Edson Silva diz: 25 de setembro de 2011

    Os vinhos do Villaggio Grando sao realmente muito bons. Quem teve a oportunidade de prova-los pode confirmar. Nao devem nada aos importados da melhor qualidade.

  • Rota da Amizade CVB diz: 26 de setembro de 2011

    Parabéns ao nosso associado Villaggio Grando pela conquista do reconhecimento da qualidade de seus produtos e serviços.

  • Rota da Amizade CVB diz: 26 de setembro de 2011

    O turismo no Vale do Contestado vem se desenvolvendo com o forte investimento dos empresários locais, como é o caso da Villaggio Grando. O Rota da Amizade Convention & Visitors Bureau ganha força com o cuidado que esses empresários têm com o próprio negócio e ajuda a fomentar, divulgar e promover o turismo na região.

  • Aderbal Francisco Speck diz: 26 de setembro de 2011

    Parabéns a Família Grando.Tivemos a oportunidade de conhecer/desfrutar da área de degustação, com piano de cauda, mesas e vista para o lago.Simplesmente espetacular a Vinícola VILLAGGIO GRANDO!!!Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer a recepção amiga e calorosa que recebemos.SUCESSO.Aderbal Francisco Speck-Balneário Camboriú-SC

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