Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.

Bombeiro, socorrista e empresário

31 de outubro de 2011 0

Se os EUA sofrem com furacões, e a Ásia, com tufões, Santa Catarina e o Brasil enfrentam, com certa frequência, chuvas, alagamentos, enchentes, deslizamentos, secas e outras catástrofes climáticas. Foi logo após a enchente de 2008 que o jovem industrial Adriano Bornschein Silva, no trabalho como bombeiro voluntário de Joinville, identificou a necessidade de criar uma central de emergência, que atendeu a 14 municípios. No início deste ano, reativou a central para socorrer vítimas do Rio de Janeiro e de SC. Para difundir esse modelo que acelera a ajuda logo após catástrofes, ele acaba de criar a ONG Força Empresarial para Emergências, a FEE (lê-se fé), que tem como slogan União das forças pelo bem. O trabalho, que tem apoio do Conselho das Federações Empresariais do Estado (Cofem), vai começar em SC e, depois, será expandido para o Brasil e até ao exterior, se necessário. Por isso haverá a FEE Brasil e a FEE World. O serviço voluntário, incluindo uma noite por semana como socorrista dos bombeiros, é exercido por Adriano paralelamente à função de vice-presidente do Laboratório Catarinense, o maior e mais tradicional fabricante de medicamentos de Santa Catarina.

Adriano Bornschein Silva

Vice-presidente do Laboratório Catarinense, socorrista dos Bombeiros Voluntários de Joinville e fundador da ONG Força Empresarial para Emergências, a FEE Brasil e FEE World. Adriano Bornschein Silva, 33 anos, casado, é administrador de empresas formado pela Universidade de Mackenzie, de São Paulo. Quando fazia graduação, trabalhou para agência paulista que atendia o Laboratório e, ao retornar para Joinville, assumiu como assistente de informações e mercado da empresa. Depois, foi para a gerência de produtos, de marketing, diretoria comercial e, este ano, assumiu a vice-presidência. É o filho do meio dos empresários Ney Osvaldo Silva Filho, presidente do Laboratório Catarinense, e Karin Bornschein Silva. É bombeiro voluntário e socorrista há oito anos.

Como se tornou um gestor de doações após catástrofes?
Adriano Bornschein Silva – Em 2008, no sábado da enchente que atingiu SC, eu estava em Garopaba e fiquei ilhado lá. Cheguei em Joinville na segunda, fui ajudar na sede dos Bombeiros Voluntários e, ao atender ligações, percebi que a maioria era de pessoas que queriam saber como ajudar e não tinham um local para fazer entregas. Aí falei para os meus pais, que em 1983 tinham trabalhado o atendimento a vítimas da enchente, que precisava criar uma central para receber e distribuir doações. Eles aprovaram. Pedi ajuda para a Amanda Pickler, presidente da Associação Joinvilense de Obras Sociais (Ajos), e ela trouxe o Rotary. Conseguimos criar a central no Expocentro Ingo Doubrawa. Na quarta já estávamos recebendo doações. Após 15 dias, tínhamos 5 mil pessoas trabalhando na central e entregamos mais de 140 caminhões para 14 municípios, incluindo Joinville. O fluxo de doações e distribuições foi muito rápido.

E a ajuda ao Rio e Rio do Sul?
Adriano
– Com a enchente do Rio, em janeiro, minha mãe sugeriu abrir a central de novo. Liguei para a mesma turma e, dois dias depois, estávamos com a central montada. Tivemos várias grandes doações. A Embraco doou R$ 200 mil em produtos. Enviamos sete caminhões ao Rio, com kits organizados. Nesse período, choveu em Joinville e distribuímos mais cinco carretas no município. Nossa organização foi elogiada pela defesa civil e Rotary do Rio. No alagamento de Rio do Sul, em setembro, eu estava na França de férias, logo retornei, mas não deu para montar a central em Joinville porque o expocentro estava ocupado. Decidimos ir até Rio do Sul e ver como estavam organizados. Como já havia uma estrutura, optamos por acelerar o processo da FEE.

 Por que fundou a FEE?
Adriano – Meu pai assumiu a vice-presidência Estratégica da Fiesc e eu queria lançar um projeto amplo, que pudesse ajudar mais pessoas com o nosso modelo de central de emergências. Isto porque o setor público atende, mas demora de 15 a 30 dias. Então, criamos a Força Empresarial de Emergêncais (FEE). Temos o apoio do Conselho das Federações Empresariais (Cofem), que vai nos ajudar a custear uma estrutura mínima. A FEE terá sede em Joinville e, inicialmente, centrais regionais em Brusque e Rio do Sul. Depois, o Dr. Glauco, presidente da Fiesc, disse que vai ajudar a difundir a ONG no país, com apoio da CNI.

Há quanto você atua como bombeiro voluntário?
Adriano -
Eu estou há oito anos como socorrista de ambulância. É a minha paixão. Já atendi mais de 800 acidentes, a maioria, hoje, com motociclistas. Trabalho uma noite por semana, entro às 18h30min e saio às 6h30min. Para ser socorrista voluntário, fiz um curso durante um ano, todos os domingos. A primeira vez que entrei no Hospital Municipal como socorrista foi um choque. Muita gente no corredor. E continua tudo igual. Acho que o problema é mais de administração do que falta de recursos. Há muitos profissionais na área que são heróis.

Como estão as vendas do Laboratório?
Adriano -
A gente vem mantendo uma média anual de 15% a 20% de crescimento nos últimos três anos. Produzimos fitoterápicos (produtos à base de plantas) mas, também, medicamentos alopáticos e similares. São mais de 60 produtos e estamos fazendo pesquisas para criar outros. A marca Melagrião é líder, temos o xarope, pastilhas e spray, que respondem por 20% do faturamento da empresa. Em SC, são fortes no mercado a Camomila Catarinense, o Bálsamo Branco e o Elixir Paregórico. Com o Melagrião, em 2008, atingimos o primeiro lugar em vendas no Brasil, segundo o instituto de pesquisa da IMS Health.

Notas

Força

Adriano Silva explica que a sigla FEE (fé) foi uma coincidência e não a escolha de uma palavra religiosa, embora seja preciso fé para trabalhar após uma catástrofe. A intenção era incluir no nome da nova ONG as palavras força e empresarial. Atualmente, o grupo trabalha no registro da ONG, que será um instituto. Depois, será transformado em Oscip, organização que permite receber doações públicas, embora esse não seja o foco. O objetivo é fazer trabalho temporário após os problemas climáticos e, também, difundir medidas de prevenção.

Empresa

O trabalho voluntário é um dos pontos fortes da gestão de pessoas do Laboratório Catarinense. Companhia que já tem administradores da quinta geração do fundador, desenvolve projetos como jardins cultivados por funcionários e programa de inclusão social que envolve a empresa, a prefeitura e o Exército, para formação de meninos.

Pesquisas

Entre os parceiros do Laboratório Catarinense para pesquisar novos medicamentos está a USP. A partir do produto Catuama, ela pesquisa um desfibrilador cardíaco e um antidepressivo.Outra instituição estuda, a partir do Catuama, um suplemento para pessoas com câncer. Segundo Adriano, o Laboratório é a maior empresa do setor em Santa Catarina.

Comentários

comments

Envie seu Comentário