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O ano novo será gêmeo do ano velho?

31 de dezembro de 2011 0

Apesar de o Brasil estar vivendo o seu bônus demográfico, com a maioria da população economicamente ativa, o que impulsiona a economia, a crise nos países ricos está limitando o otimismo de lideranças empresariais catarinenses. Para elas, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 ficará em torno de 3%, mais parecido com o de 2011, que também fechará em torno de 3%. Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, 2011 foi difícil para o setor, no Estado, e o quadro é de incerteza para o novo ano, o que inibe investimentos e crescimento. O vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alcantaro Corrêa, diz que a indústria catarinense está em recessão, mas ele acredita que a economia do país vai crescer mais em função da Copa e Olimpíadas. Na avaliação do presidente da Federação das CDLs (FCDL-SC), Sérgio Medeiros, 2012 vai ser parecido com 2011 na expansão do PIB porque a crise externa está impactando negativamente na economia brasileira. A incerteza lá fora também preocupa o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faesc), José Zeferino Pedrozo. Mas ele confia na capacidade de reação do governo brasileiro por meio da taxa de juros, controle da inflação e oferta de crédito. Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte do Estado (Fetrancesc), Pedro Lopes, o setor está muito atrelado ao desempenho da economia, mas sofre com a falta de infraestrutura rodoviária e com a crescente informalidade.

  • Glauco José Côrte

    Presidente da Fiesc

    – O ano de 2011 foi difícil para a indústria brasileira e, especialmente, ao setor em Santa Catarina. O que podemos esperar para 2012?As últimas pesquisas que temos do setor empresarial apontam para um quadro de incerteza econômica. E quando a expectativa é pouco otimista, a tendência é de postergação de investimentos. Isso em função do cenário externo, que é sombrio e promete uma duração mais longa dessa situação, de três a cinco anos, o que afetará o Brasil pelas dificuldades para exportar mais.

    Apesar da Copa do Mundo e das Olimpíadas, as projeções são pessimistas para o crescimento do nível de investimentos no país. O consumo interno será o responsável por induzir a economia de um lado, com a ajuda do salário mínimo maior. Deveremos ter um crescimento de PIB da ordem de 3%, muito parecido com o de 2011, com, provavelmente, uma contenção no nível de emprego. Talvez esta seja a pior notícia. Outro fato preocupante é que o país não avançou em relação a eliminação dos obstáculos para se tornar mais competitivo, especialmente no mercado externo.

  • Alcantaro Corrêa

    Vice-presidente da CNI

    – O quadro da indústria catarinense, especialmente com base nos números dos dois últimos trimestres, mostra recessão. Estamos vendendo menos do que produzimos e teremos que encontrar alternativas. Mas em todo o Brasil temos muita coisa a ser feita, especialmente para a Copa do Mundo e Olimpíadas, o que vai exigir obras, por isso eu estou otimista para 2012. A gente não imagina o tecido que é a infraestrutura para esses eventos. Eles exigem investimentos, vão acontecer, não tem outra saída. O ano começa com a privatização dos três maiores aeroportos: de Brasília, Rio e São Paulo. Além disso, nós temos um lastro grande de reservas cambiais. Se tomarmos cuidado, isso dá um folego por muito tempo. Também contamos com juros e inflação sob controle. A Europa e os Estados Unidos têm problemas financeiros, mas terão que se ajustar. Na minha opinião, o problema da indústria é a importação. Isso está tirando os empregos do país.Não podemos fechar as porteiras das compras externas, mas é preciso dar condições melhores para competir, reduzir o custo Brasil.

  • Sérgio Medeiros

    Presidente da FCDL

    – Eu não estou muito otimista para 2012, em termos de aumento de crescimento para o varejo catarinense. Acredito que o novo ano será muito parecido com 2011, quando o setor deve ter registrado crescimento de 4% a 5% no máximo, o que já é um bom número. Vamos ficar longe de 2010, quando crescemos 8,5% após a estagnação de 2009, em função da crise global. Esse cenário de crise longa na Europa e EUA deixa as pessoas com muitas dúvidas para consumir. Outra coisa que preocupa é a inflação, que tira o poder de compra.

    Quanto ao PIB, acredito que no ano que vem terá expansão muito parecida com a deste ano, em torno de 3%. E o comércio vai crescer um pouco mais, ficando em 4% ou 4,5%. Entre os fatores que ajudarão para esse desempenho está a oferta de crédito, que vai continuar, até porque o governo federal deu sinais de redução da taxa básica de juros Selic. O varejo catarinense não tem tanta inadimplência, ficou em 3,5% em novembro, segundo o SPC. Um diferencial do mercado, no Estado, é a oferta de crédito próprio por parte do varejo, o que facilita as vendas.

  • José Pedrozo

    Presidente da Faesc

    – Apesar dos elevados custos de produção, o ano de 2011 foi bom para os setores de grãos, carnes e leite em Santa Catarina. Mesmo assim, muitos segmentos não conseguiram se capitalizar adequadamente e estão vulneráveis. Os últimos anos foram de mercado crescente e de preços satisfatórios, panorama que pode mudar já que o setor trabalha com margens estreitas e o grau de risco da atividade é muito elevado. Acredito que teremos mais um ano de crescimento, porém, com alguns sobressaltos, porque há, hoje, no mercado mundial, algumas incertezas econômicas. Temos, no país, uma política com maior disciplina macroeconômica, que tem reagido rapidamente não só à inflação, mas, também, ao nível de atividade econômica. A crise na Europa e na América do Norte pode durar um longo período, resultando em crescimento baixo. Os efeitos disso se farão sentir na Ásia e na América Latina, enfraquecendo a demanda pelo que nós produzimos. Os mercados futuros de commodities agrícolas podem ficar voláteis em função das turbulências do mercado financeiro.

  • Pedro Lopes

    Presidente da Fetrancesc

    – O setor de transportes depende muito do ritmo de crescimento da economia porque quase toda movimentação de cargas, no Brasil, é por rodovias. Por isso nossa expansão será parecida com a do PIB em 2012. Mas os problemas de infraestrutura que enfrentamos em 2011, especialmente os gargalos nas rodovias, vão se agravar no novo ano.Também preocupam as constantes tentativas de limitar o nosso trabalho com restrições ao tráfego de caminhões bitrem, entrada de veículos em cidades ou limitação de tráfego em feriados.

    No Estado, nossos principais gargalos rodoviários estão nas BRs. O problema da BR-101 Sul já tem projeto para solução, mas temos outros, nas BRs 470 e 280, mais na 282, no Oeste, e a 163, em Dionísio Cerqueira, onde há problemas na aduana, o que limita o deslocamento de cargas de importação e exportação. O crescimento da frota tem sito natural, mas precisamos de mais integração entre as montadoras e os transportadores porque os caminhões estão cada vez mais modernos, o que requer treinamento para os motoristas usarem as novas tecnologias.

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