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A estreia dos estádios solares

09 de abril de 2012 0

 

A onda de geração de energia limpa ganha cada vez mais adeptos de peso no mundo, e, no Brasil, acaba de incluir os estádios de futebol. Quem deu o chute para fazer esse primeiro gol sustentável foi o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal), baseado em Florianópolis, fundado e presidido pelo engenheiro e ex-deputado federal Mauro Passos. 

Nesta terça-feira será inaugurado em Salvador, Bahia, o primeiro estádio solar do Brasil, o Pituaçu Solar, que ganhou a usina de placas fotovoltaicas na sua cobertura a partir de projeto do Ideal. A energia gerada será suficiente para atender à arena e abastecer uma parte do centro administrativo do governo baiano. Serão 630 MW/h por ano e permitirá ao estádio economizar R$ 200 mil por ano de conta de luz.

A parceria envolveu o governo com a empresa Coelba, distribuidora da Bahia. Mauro Passos, que participará da inauguração com o diretor científico do instituto, Ricardo Rüther, diz que o projeto Estádios Solares foi elaborado para as 12 arenas da Copa de 2014 e pelo menos cinco terão usina solar na cobertura.

O Itaquerão, de São Paulo, onde será a abertura da Copa, e o Maracanã, sede do jogo final, serão contemplados.

O Ideal, que completou cinco anos dia 12 de fevereiro, trabalha com mais projetos de icentivo à geração limpa, à pesquisa e difusão de informações nas escolas.

Mauro Passos

Fundador e presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal).Mauro Guimarães Passos, 63 anos, é graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Rio Grande (RS) e tem pós-graduação em Recursos Hídricos e em Planejamento Energético. Trabalhou no Ministério das Minas e Energia e na Eletrosul, empresa da qual é aposentado. Foi vereador por duas legislaturas, no município de Florianópolis, e deputado federal pelo PT de 2003 a 2007. Ao encerrar o mandato de deputado, decidiu deixar a atuação política para fundar o Ideal. É casado com a engenheira civil Silvia Schmidt Passos e o casal tem dois filhos: Andréia, jornalista que é sócia da grife Vish, da Capital; e Eduardo, economista que fez mestrado na Europa em Ciências Políticas.

O que representa a inauguração do primeiro estádio solar da América Latina?
Mauro Passos
– Esse projeto nasceu junto com o Instituto Ideal, em 2007. Para dar visibilidade para esse novo conceito que gostaríamos de difundir, pensamos na Copa de 2014. A ideia foi associar o sol com o futebol. São duas coisas que têm a cara do Brasil. E, com a Copa, esse casamento estava perfeito. Encontramos parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o professor Ricardo Rüther, que liderou os estudos técnicos para o projeto Estádios Solares aos 12 que vão sediar a Copa. Na Bahia, o estádio do Mundial será o Fonte Nova, mas o Pituaçu, fez o primeiro projeto de estádio solarizado da América Latina, que será inaugurado agora. O investimento da distribuidora Coelba e do governo baiano somou R$ 5,5 milhões. Ele será um teste para os futuros estádios solares.

Quantas arenas da Copa terão usina na cobertura?
Passos – Em 2008, fizemos visitas a todos os gestores dos 12 estádios, mas cinco devem adotar o projeto. O Maracanã, no Rio, será solarizado pela Light e a EDF, a Cemig vai investir no Mineirão; o Estádio Mané Garrincha, de Brasília, está sendo construído com projeto solar; o de Pernambuco e o Itaquerão, de São Paulo, que sediará a abertura da Copa, também terão usina solar. Isso vai ser muito positivo para a imagem do Brasil no mundo, que será projetada durante a Copa. Nosso país já é a principal potência ambiental, e isso será importante.

Por que as energias limpas vão avançar no mundo?
Passos – Eu tenho certeza de que as energias alternativas vão avançar no mundo porque as fontes tradicionais estão se esgotando e países com grande força econômica, como a China e os EUA, estão investindo nesse segmento, o que garante escala e redução de preços.

Casas serão autossuficientes?
Passos
– O avanço tecnológico permitirá às casas solarizadas gerar energia para o consumo residencial e, também, abastecer carros elétricos. Assim, as pessoas farão uma grande economia nas contas de luz e de combustível.Além disso, terão uma casa moderna e ecológica. Os prédios deveriam investir mais nisso, inclusive aqui em Florianópolis.

Como evolui a geração eólica?
Passos – A geração de energia eólica começou no Nordeste, mas, hoje, há um deslocamento para o Sul. Os grandes parques eólicos novos estão nas regiões de Chuí e Santa Vitória do Palmar, no RS. Há projetos da Eletrosul com a Impsa, da Argentina. O primeiro parque foi o de Osório, idealizado pela presidente Dilma quando ela era secretária de Energia do RS. Santa Catarina também tem novos parques. Já a geração off shore é caríssima, especialmente ao Brasil.

Notas

Na cobertura

Uma das sugestões do Instituto Ideal que foram acatadas é o projeto Megawatt Solar, que vai solarizar toda a cobertura do prédio da Eletrosul, estatal federal de energia.O investimento será de R$ 12 milhões, com financiamento do banco de fomento alemão KfW e da Eletrobras, com apoio da agência alemã GIZ e da UFSC. O sistema de placas será integrado ao edifício e será gerado cerca de um megawatt-pico. O edifício será o primeiro do Brasil com conexão à rede elétrica em larga escala.

Pesquisa

Nos dias 24 e 25 deste mês, no Centro de Eventos da UFSC, o Ideal realizará mais uma edição do seminário Energia +Limpa. São esperados cerca de mil participantes do Brasil e América Latina, quando vai entregar a premiação do concurso Eco_Lógicas, para estudantes que pesquisam energia limpa em universidades do Mercosul. O evento incluirá palestras empresariais e o lançamento de premiação também para empresas que adotam práticas sustentáveis.

Instituto

O Ideal é um instituto privado sem fins lucrativos para incentivar a matriz energética limpa na América Latina.
– A gente quer chegar a 2015 com esse concurso, tanto acadêmico quanto empresarial, em todos os países da região, assim, teremos uma fotografia do que está sendo feito em inovação na área. Como não tivemos o acolhimento que esperávamos do setor empresarial, trabalhamos em cima de projetos. O concurso Mercosul, que está dando US$ 70 mil em prêmios, está sendo patrocinado pela Itaipu, Petrobras e Tractebel _ disse Passos, que espera novos apoios de outras empresas.

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