Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Pioneira em embalagens ecológicas

28 de maio de 2012 1



















A atual onda de sustentabilidade no país foi surfada pelos empreendedores da C-Pack, Creative Packaging SA, na Europa, nos anos de 1990. Foi por isto que a empresa de São José, na Grande Florianópolis, aberta em 2002, numa iniciativa suíço/brasileira e, hoje, líder latino-americana em embalagens tipo bisnaga, nasceu com foco na preservação ambiental e tecnologia de ponta. Presidente e sócio da companhia, o manezinho Luiz Gonzaga Coelho está animadíssimo com a PE Verde, nova embalagem flexível que a empresa vai lançar terça, em São Paulo, feita com o plástico desenvolvido pela Braskem a partir da cana de açúcar. Além disso, a C-Pack desenvolveu mais dois produtos ecológicos em seu laboratório: o PCR, com uma camada interna de plástico reciclado, e outro feito de resina derivada de milho e batata, item que poderá ser exposto na Rio+20. O grupo suíço, que atua com hospital privado classe A em Genebra, tem outros negócios na região. No ano passado, se tornou acionista do Hospital SOS Cárdio, no qual Gonzaga também atua na gestão. A C-Pack, que este ano completa 10 anos, vai faturar mais de R$ 100 milhões. Fornece produtos para os setores de cosmético, farmacêutico, de alimentos e outras indústrias.

Luiz Gonzaga Coelho

Presidente e sócio da C-Pack, Creative Packaking SA, de São José, líder latino-americana em embalagens tipo bisnaga. Também é diretor da Orange, Anazê, Acelog e Hospital SOS Cárdio. Luiz Gonzaga Coelho tem 46 anos e é natural de Florianópolis. Com 20 anos, foi buscar experiência profissional na Europa. Fez carreira em Genebra, na Suíça, onde cursou MBA em Gestão Hospitalar e trabalhou na área. Voltou a SC para liderar o projeto da C-Pack e investir no ramo hospitalar. É casado com Elisabeth, da Suíça, e pai de Laura.

 Por que, após uma carreira na Europa, você retornou como investidor, com sócios da Suíça?
Luiz Gonzaga Coelho –
O que me motivou a trabalhar na Europa foi uma curiosidade, uma vontade de entender porque lá as coisas funcionavam de maneira mais equilibrada e, também, aplicar algo aqui. Fiquei na Suíça por 17 anos, fiz uma carreira lá, aprendi que os negócios se desenvolvem porque existe um equilíbrio e tudo é feito com muita ética e transparência. Foi isso que eu tentei trazer, essa responsabilidade social e visão comprometida com o futuro.

E a opção inicial pela C-Pack, no setor de embalagens?
Gonzaga –
A entrada no segmento de embalagem tipo bisnaga foi por acaso. A minha opção inicial seria a área da saúde, com a abertura de um hospital. Mas, nos anos de 1990, seria muito difícil. Quando eu estava estudando, me apresentaram este tipo de embalagem tubo como sendo ecológica, que consumia menos matéria-prima e energia. Vi nela um potencial e comecei a avaliar oportunidades de negócios.

 foi o início da produção e quais as projeções?
Gonzaga –
A C-Pack foi aberta em 2002 e começou a operar, em 2003, com uma linha de produção e 14 empregados. Ela vem crescendo numa média de 60% ao ano e, nos últimos 18 meses, investimos quase R$ 80 milhões. Nossa previsão de faturamento é ultrapassar os R$ 100 milhões este ano.Pretendemos, ainda, dobrar de tamanho nos próximos três anos. Hoje, geramos 430 empregos diretos e 200 indiretos.

 Quais são os produtos “verdes” da C-Pack?
Gonzaga –
O nosso grande trunfo é o PE Verde, que estamos lançando na FCE Cosmetique, maior exposição da indústria cosmética, a partir de terça, em São Paulo. É o primeiro tubo flexível do mundo feito com a resina plástica desenvolvida pela Braskem a partir da cana de açúcar. Isso sim é algo extraordinário, pode ser uma revolução. Além de ser reciclável, tem as mesmas qualidades físico-químicas do que o plástico e uma carga negativa de carbono importante. Essa embalagem tem cerca de 2,4 toneladas de carbono a menos porque a cana consome CO2 no perído que se desenvolve, enquanto o tubo derivado do petróleo tem 2,6 toneladas a mais porque emite carbono. Também criamos, em nosso laboratório, em conjunto com o Senai/SC, uma linha de embalagens com o PLA, que é uma resina derivada de polilácteos do milho e da batata. É uma embalagem que, depois de usada, é colocada na terra e vira adubo em cerca de um ano. Só pode ser usada para produtos com óleo. O PCR Verde é outro produto ecológico que desenvolvemos. Tem três camadas. A do meio é feita com plástico reciclado e as demais são novas.

Quem são sócios da C-Pack e quais negócios têm aqui?
Gonzaga –
É um grupo suíço da área da saúde, com uma holding no Brasil que controla a C-Pack e participações em outras empresas. Junto com sócio americano; é acionista da Orange, de Santo Amaro da Imperatriz, uma das líderes mundiais em esferas para desodorante roll-on. Tem, também, a Acelog, do setor logístico, e o Anazê, um laboratório de cosméticos, pequeno, que dá apoio aos nossos clientes que precisam de pesquisas de envaze de produção. 

E a sociedade no Hospital SOS Cárdio, de Florianópolis?
Gonzaga –
O grupo criou outra holding, que está investindo na área da saúde. É sócia do Hospital SOS Cárdio, da Capital. Eu faço a gestão e tenho uma participação pequena nesses negócios. Tenho apoio direto do presidente do grupo, o suíço Philippe Glatz, que foi um dos fundadores do partido verde da cidade de Lausanne.

Como avalia o ambiente de negócios no Brasil?
Gonzaga –
Ford queria criar uma estrutura industrial em que quem trabalhasse nela pudesse comprar o carro. Esse princípio não acontece no Brasil devido à alta carga tributária e elevado custo de vida. Veja um exemplo. Um produto custa R$ 100 para a indústria e chega ao consumidor por R$ 450. Um engenheiro dessa empresa ganha R$ 5 mil, recebe R$ 3,6 mil após encargos e impostos e, além disso, paga 40% de impostos sobre o que consome. Esse modelo não é sustentável. No papel, é inviável. 

 Notas

Reciclável

O empresário Luiz Gonzaga Coelho explica que a embalagem de tubo de plástico é mais ecológica do que as outras opções de vidro e metal.
– Uma embalagem plástica pode ser reciclada inúmeras vezes. E, no final, pode ser queimada para gerar energia. O grande problema, hoje, é gerar energia – afirma Gonzaga. Segundo ele, filtrar o CO2 da fumaça é uma tecnologia acessível, que todo o mundo conhece. Vidro é uma super embalagem, mas a quantidade de energia para transformar a areia é de 20 a 30 vezes maior do que a similar de plástico.  

Florianópolis

Na marca C-Pack o C representa Creative (criatividade), que tem ligação direta com inovação. Segundo Gonzaga, a criatividade está no DNA da empresa. A escolha da Grande Florianópolis, além da qualidade de vida, é porque há universidades e centros técnicos formadores de profissionais. A C-Pack tem parcerias com a UFSC e o Senai/SC. No seu centro de pesquisas, o laboratório Ecotub é voltado a soluções ecológicas.  

Na Rio+20

A bisnaga feita de polilácteos, em parceria com o Senai, chamou a atenção do Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, que sugeriu à CNI levar para mostra na Rio+20. Graças à alta qualidade, a C-Pack tem mais de 400 clientes no Brasil e exterior, entre os quais Avon, O Boticário, Natura, Nivea, Johnson & Johnson e Aché. A empresa também acumula premiações.  

Carreira

Luiz Gonzaga, que começou a trabalhar aos 14 anos, diz que uma das maiores lições que aprendeu com a sua mãe, dona Ivone Koerich Coelho, é que para ser feliz é mais fácil gostar daquilo que a gente faz do que fazer aquilo que a gente gosta. O empresário disse acreditar, ainda, que alguns políticos de visão poderão consertar entraves que afetam o crescimento econômico.

Foto de Júlio Cavalheiro

Comentários

comments

Comentários (1)

  • Rafael diz: 30 de maio de 2012

    O Desenvolvimento Sustentável e a Responsabilidade Social Corporativa deixaram de ser apenas uma ferramenta de marketing a muito tempo. Empresas comprometidas e engajadas nessa causa tem muito a ganhar. Parabéns a C-Pack pela gestão e a Estela pela matéria.

Envie seu Comentário