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Consumo cresce acima do projetado por lojistas

23 de dezembro de 2012 1

O comércio brasileiro vai fechar o ano com crescimento acima de 9%, apesar do pibinho de 1% e da inflação de 6%. O setor registrou crescimento de vendas acima do esperado nos últimos três meses e o mesmo ocorre para o Natal. O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) Roque Pellizzaro Junior, diz que as estimativas para a data eram de alta de 4% nas vendas, mas chegará a 5% ou mais.

As vendas para o Natal estão surpreendendo o varejo?

Roque Pellizzaro Junior – Nós tínhamos previsto aumento de vendas de 4% para o Brasil no final do ano. Esse número vai ultrapassar e vamos conseguir crescimento de 5% a 5,5% em relação ao mesmo período de 2012. O país registrou, nos últimos meses, uma melhora significativa nas vendas, e isso está se refletindo no Natal. A partir de ontem (quinta) e hoje (sexta), com o pagamento da segunda parcela do 13o salário, a maioria acredita que vai superar as expectativas. Em Santa Catarina, as vendas também devem ultrapassar o projetado.

Os presentes serão mais baratos?

 Pellizzaro – O tíquete médio deve ter uma queda em relação ao ano anterior porque as pessoas estão preferindo comprar menos a prazo e mais à vista. Mas o número de presentes será maior, mais pessoas serão contempladas.

Como vai a oferta de emprego no setor?

Pellizzaro – Estamos empregando um pouco menos trabalhadores temporários do que no final do ano passado, não porque não tem postos de trabalho, mas porque a gente não conseguiu pessoas para ocupar essas vagas. O mercado está muito aquecido. A taxa de desemprego de novembro ficou em 4,9%, a menor para o mês dos últimos 10 anos. Isto é, praticamente, pleno emprego. Mas, em função da desoneração do INSS da folha, devemos ter o maior índice de retenção de temporários da história. O normal é reter cerca de 10%, mas vamos fechar em 20% ou 25% desta vez.

A CNDL vai fazer pedido específico para a desoneração da folha?

Pellizzaro – Da forma como o ministro Guido Mantega falou não ficou claro se será possível optar ou não pela desoneração. As empresas, hoje, pagam 20% sobre a folha ao INSS. Com a mudança, pagarão 1% sobre o total do faturamento. Nossa reivindicação é que isto seja opcional. O empresário decide em qual cadeira quer sentar, no modelo novo ou no antigo. A desoneração é boa para as empresas que vendem produtos de valor agregado mais baixo, especialmente roupas e calçados, porque comercializam muitos itens. Como elas têm bastante mão de obra, é bom. Agora, para empresas que vendem itens de alto valor agregado, como eletrodomésticos, eletroeletrônico e móveis, 1% sobre o valor total do faturamento pode gerar uma despesa maior para o empresário do que ele tem hoje.

A prorrogação do IPI menor ajuda?

Pellizzaro – Ajuda. O governo tomou essa iniciativa porque precisa segurar, nos primeiros três meses do ano, as pressões inflacionárias, mas vai acabar auxiliando bastante o varejo porque manterá os níveis de vendas em janeiro e fevereiro.

Quanto o comércio vai crescer este ano?

Pellizzaro – O crescimento do setor, este ano, vai ultrapassar 9% no país. Devemos fechar o ano com números melhores do que a expectativa. O comércio é a atividade que está sustentando toda a estrutura socioeconômica brasileira. A participação do comércio no PIB aumentou nos últimos cinco anos. Isto é natural porque o país fez uma opção de crescimento baseada no consumo. Mas para isso ser sustentável, a indústria e a agricultura precisam crescer em proporção parecida. O juro básico caiu para 7,25%, mas não é suficiente. É preciso reduzir a carga tributária e investir bem mais em infraestrutura.

Qual é a projeção para 2013?

Pellizzaro – A oferta de crédito será menor e boa parte dos brasileiros está com a renda comprometida. Numa expectativa bem pé no chão, esperamos, para 2013, um crescimento real do comércio de 6%.

E o cadastro positivo começa quando?

Pellizzaro – O consumidor terá que autorizar a inclusão do seu nome no cadastro, que deverá entrar em vigor mesmo no segundo semestre de 2013. Será um divisor de águas porque cada pessoa terá taxa de juros com base no seu histórico.

Lazer em viagens

Viagens a trabalho são constantes na agenda de Pellizzaro. Eventualmente, também viaja a lazer, com a família, a mulher Dhébora Costa Pellizzaro (acima, à D) e os filhos Luiz Guilherme, estudante de Direito, e Maria Eduarda, que cursa Arquitetura. O principal hobby do casal é viajar de motocicleta, em longas distâncias. A próxima aventura será com mais três casais de moto. O grupo vai para a Argentina e o Uruguai, com planos para percorrer 5 mil quilômetros pelos pampas.

Grupo familiar

O empresário Roque Pellizzaro Junior, 47 anos, está à frente da CNDL desde o final de 2007. Antes, foi presidente da CDL de Curitibanos, no Meio-Oeste Catarinense, e da Federação das CDLs do Estado. É graduado em Direito pela PUC do PR e em Economia pela UFP. Atua no Grupo Lux, de Curitibanos, fundado por seu pai há 56 anos, que tem lojas de informática, telefonia, móveis e decoração, brinquedos, agropecuária e reflorestamento. Todos os fins de semana, ele vem de Brasília para acompanhar de perto os negócios.

Adepto do tablet

Pellizzaro é um dos empresários que adotaram as últimas tecnologias em tempo integral. O iPad o acompanha até durante palestras (foto). Ele revela que lê pelo menos quatro jornais por dia – Diário Catarinense, Folha de S. Paulo, Valor Econômico e Brasil Econômico – e mais quatro revistas: Exame, Isto É Dinheiro, Veja e Isto É, tudo pelo tablet. Além disso, está sempre conectado pelo o iPhone, inclusive para enviar e-mails. – Como viajo muito, a tecnologia é um facilitador. Não preciso transportar papéis – afirma o empresário.

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Comentários (1)

  • Mica diz: 23 de dezembro de 2012

    Quem trabalha no ramo ve o quanto o volume de vendas reduziu. A ilusão do país próspero e sem crise está se indo aos poucos. A midia continua firme e forte no trabalho de nos iludir cada vez mais…

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