Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

“A indústria deu uma guinada”, diz Glauco Côrte

29 de junho de 2013 1

Com planos para investir R$ 3 bilhões até 2015, a indústria catarinense está mudando seu perfil, com mais projetos em inovação, design e preservação ambiental. Quem falta sobre essa mudança e a conquista do mercado japonês para a carne suína é o presidente da Federação das Indústrias, Glauco José Côrte.


Como o senhor avalia a abertura do mercado japonês de carne suína para SC?

Glauco José Côrte – É importante porque ratifica a qualidade do produto catarinense. O Japão é um dos mercados mais exigentes do mundo. Foi difícil abrir. Isto certamente foi influenciado pela tradição catarinense. Em muitos contatos que tive com japoneses eles ressaltam a qualidade do produto catarinense e a pontualidade das empresas. Santa Catarina abre uma janela de oportunidades. O crescimento das vendas não acontecerá da noite para o dia. Nossa expectativa é que, nos próximos cinco anos teremos uma presença maior aqui.


Isso abre portas para outros negócios com empresas japonesas?

Glauco – Acredito que isso vai resultar num maior conhecimento do Estado e isso aumenta a possibilidade de investimentos em SC. Por isso nós mostramos, no seminário, o perfil do nosso parque industrial. Saio convencido de que temos que ampliar a nossa presença aqui (no Japão). A distância é grande e o custo é muito alto. Mas se queremos ampliar nossa presença aqui, se queremos receber investimentos japoneses, temos que ampliar esses contatos. Há um movimento de empresas japonesas saírem da China porque a economia chinesa está desacelerando sua economia e a competição lá é dura. Nessa área de saúde, petróleo e gás, que já tem uma presença no Brasil, tende a ser ampliada. Por isso, como Fiesc, acredito que de uma forma ou outra devemos estar mais aqui em feiras, remessas de estudos e convites. A primeira providência que vamos tomar lá é formalizar o convite à Jetro para recebermos uma missão japonesa.


Investir no Japão é difícil?

Glauco – É difícil, os custos são elevados. Ontem encontrei o João Carlos Brega, da Whirlpool. Ele disse que a meta da empresa é aumentar a presença no Japão pela unidade da China. Outras empresas catarinenses também podem ampliar negócios aqui, como a Weg.


A Fiesc fez o estudo anual sobre investimentos que apontou planos da indústria do Estado para mais R$ 3 bilhões até 2015. O que isso representa?

Glauco – O que mais nos deixa animados com relação a essa pesquisa não é tanto o volume de investimentos. Essa média tem se mantido, com crise ou sem crise. A indústria precisa investir anualmente porque as mudanças tecnológicas são muito rápidas. Todo o ano investimos de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão. A pesquisa apontou R$ 3 bilhões para o triênio 2013-2015 e mais R$ 2 bilhões de novos investimentos de empresas de fora. O que mais anima é a qualidade do investimento, isso está mudando em SC.


Como as indústrias do Estado estão melhorando a qualidade do investimento?

Glauco – Nos últimos cinco anos começou a haver uma modificação com mais projetos para design, novos processos produtivos, qualidade, investimento em pesquisa e desenvolvimento. Estamos na 13 edição dessa pesquisa Desempenho e Perspectivas da Indústria Catarinense, que acompanho desde o início. Nos primeiros anos metade dos projetos era para aumento da capacidade da produção. Hoje, aumenta-se a produção com novos equipamentos, mais tecnologia, não em resultado físico. Muitos investimentos são mais para produtividade. Isso vai permitir que a indústria catarinense possa ser competitiva num mercado cada vez mais disputado. Estamos convencidos que vamos vencer no design, qualidade do atendimento, melhoria do nível de escolaridade do trabalhador. Essa tendência dos últimos anos veio para ficar. A indústria catarinense mudou conceitualmente. Busca produtos melhores, pós-venda melhor, marketing. A indústria deu uma guinada.


O que mais a pesquisa apontou?

Glauco – Ela apontou, também, um aumento de 6 seis pontos percentuais nos investimentos em preservação ambiental, de 17% para 23%. Isso reflete esse aumento de consciência do setor industrial catarinense na buscada compatibilização da atividade industrial com a preservação da natureza e responsabilidade corporativa.


E sobre o investimento a mais de R$ 2 bilhões de multinacionais?

Glauco – Nos últimos anos, a média tem sido essa. Além dos investimentos das nossas empresas apurados na pesquisa, temos um investimento adicional de empresas que estão chegando, que não foram registradas na nossa pesquisa. Desta vez, temos a BMW e outras multinacionais. Apuramos isso no BRDE, solicitação de incentivo do Prodec e em outras fontes.


O empresário Glauco José Côrte vai completar em agosto dois anos à frente do Sistema Federação das Indústrias do Estado ( Fiesc). Natural de Timbó e advogado graduado pela UFSC, tem participação societária na Inplac e Portobello e uma forte atuação no associativismo empresarial.

Comentários

comments

Comentários (1)

  • Sarandi diz: 1 de julho de 2013

    Isso é muito importante para nosso Estado, parabéns pelos articuladores,
    por estarem sempre atentos, sem medir esforços para termos uma SC cada
    vez mais forte e competitiva.

Envie seu Comentário