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Vinhos made in Florianópolis

06 de julho de 2013 6

É comum abrir uma empresa de tecnologia em garagem. Apple, Microsoft e HP nasceram assim. Mas o empresário de software Rogério Gomes, de Florianópolis, fez o contrário. É consultor e empreendedor na área de tecnologia mas fundou, em 2009, uma vinícola de garagem, a Quinta da Figueira. Um dos vinhos finos elaborados por ele obteve a melhor pontuação no Anuário Vinhos do Brasil 2013.

Como ingressou no mundo do vinho?

Rogério Gomes – Na adolescência eu tomava mais vinho demi-sec. Nunca seco. Em 2005, quando trabalhava em São Paulo na área de software, um colega levou um vinho cabernet sauvignon para um jantar na minha casa e mostrou conhecimento no segmento de vinhos finos. Falei que estudaria o assunto e saberia mais do que ele. Comecei a ler muito e a degustar vinhos. Depois, fui visitar meu irmão nos Estados Unidos e conheci uma loja na qual o cliente elaborava seu próprio vinho.

Quando começou a produzir?

Gomes – Voltei a Florianópolis e, em fevereiro de 2008, eu e um ex-colega fizemos o primeiro vinho no apartamento que eu moro, no Centro. Em 2009, transferi a produção para a garagem da casa dos meus pais, no Bairro Abraão. Em 2010 eles mudaram. Então a casa ficou só para a vinícola.Comprei equipamentos e barricas de carvalho. Já investi cerca de R$ 300 mil. Os vinhos são elaborados com uvas viníferas de São Joaquim.

Como atingiu a melhor nota no Anuário Vinhos do Brasil?

Gomes – Estudei muito e procuro aprimorar o modo de elaboração dos vinhos com base em degustações e avaliações de amigos. Nas últimas três safras fiz três toneladas de uvas cada. A Quinta já lançou sete vinhos, um branco e seis tintos. Ano passado, expus em Brasília onde conheci o editor do Anuário Vinhos Brasil, Marcelo Copello. Ele pediu para enviar uns vinhos para degustação às cegas. O Quinta da Figueira Reserva Perpétua Lote II ficou em primeiro lugar com 90 pontos, o Quinta da Figueira Reserva Perpétua Lote I ficou em segundo lugar com 89 pontos e Quinta da Figueira Miramar 2011 obteve terceiro lugar com 88 pontos.

Por que o nome Quinta da Figueira?

Gomes – Optei por Quinta porque sou descendente de portugueses. A Patrícia, minha mulher, sugeriu figueira em homenagem à figueira da Praça XV.

E para o futuro, quais são os planos?

Gomes – Penso em produzir uvas em São Joaquim e instalar uma vinícola na Ilha para enoturismo. Vou continuar com a vinícola, na área de software e planejo outros negócios, inclusive em chocolates. Quero ser um investidor sequencial.

De que forma a Quinta vende vinhos?

Gomes – A produção é de 2,5 mil garrafas/ano e as vendas são pelo site http://loja.quintadafigueira.com.br/

Como atua no setor de software?

Gomes – Sou um nerd. Desenvolvo programas com rapidez. Tenho uma empresa em sociedade com o meu irmão e, em outra, sou sócio do Jaime de Paula, da NeoWay.

Empreendedor

O empresário Rogério Gomes, 40 anos, é graduado em Ciência da Computação na Univali e tem especialização em Inteligência Artificial na UFSC. Até 2000 atuou na área acadêmica. Depois, abriu empresa e se tornou consultor. Atualmente, apesar da série de negócios, está fazendo o curso à distância de Winemaking na Universidade da Califórnia (Davis). O lado empreendedor é familiar. Seus pais, Manoel e Maria Dalva (descendente de alemães de Antônio Carlos) eram comerciantes na Ilha até 2005, com as lojas Focu’s Jeans. O irmão mais velho, Ronei, é contador e administrador, fez MBA na Fordham, em Nova York, e é diretor financeiro da Kraft Foods. O irmão caçula, Ronald, é engenheiro de automação e trabalha nos EUA. Seu MBA no IMD, na Suíça, foi considerado o melhor do mundo para formação de líderes.

 Brinde exclusivo

Confiante nas suas habilidades de enólogo já em 2009 Rogério Gomes produziu o vinho (foto) que presenteou os convidados no seu casamento com a ortodontista Patrícia Delatorre Gomes. Também planejou com detalhes o rótulo da garrafa de 375 ml, com imagem dos noivos. Agora, trabalha para que a vinícola se torne sustentável para o casal poder investir a poupança na futura casa própria. A intenção é aumentar a família. Por isso, um dos planos estudados é a entrada de um investidor na vinícola.

Amor à Ilha

 Além do nome em homenagem à Praça XV, Rogério Gomes também projeta Florianópolis dando nomes da cultura açoriana aos rótulos dos vinhos. A lista inclui Reserva Perpétua, Ponte Velha, Garapuvú, Miramar e Istepô. O grupo de amigos também ajuda. Recentemente, o presidente da Dígitro, Geraldo Faraco, colaborou com a sugestão do nome Moça Faceira a um vinho merlot, que incluiu até verso do poeta Zininho no contra-rótulo.

Comentários

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Comentários (6)

  • Roselito Lins diz: 7 de julho de 2013

    Boa Noite,

    adorei a matéria, tenho uma ótima oportunidade para o Rogério, pois sou proprietário de um imóvel rural município de Urupema, cujo terreno é ideal para instalação de uma vinícola, ou até mesmo, apenas para plantação de uva.

    caso tenha interesse em parceria. Fico à disposição.

    49 3222.6453 32240257

  • Amir de Lima Goulart diz: 7 de julho de 2013

    Parabéns Rogério pelo sucesso com teus vinhos e por elevar o nome na nossa queria Cidade.
    A Idéia de homenagear os símbolos de Florianópolis ao nomear seus vínhos foi brilhante.
    Você nos enche duplamente de orgulho.

  • Altanir jaime Gava diz: 24 de março de 2014

    Rogério, tenho visto ventos favoráveis aos seus vinhos e, parabéns por conseguir tanto em pouco tempo, mesmo não vindo da área específica.
    Sou nascido em Nova Veneza e tive a oportunidade de fazer o MS em Food Science na UCD (California), muitos anos atrás. Podes me dar algumas dicas sobre o curso, à distância que fazes lá?
    Se possível, quando estiver em Floripa gostaria de fazer uma visita. Gosto de Floripa onde fiz o Ginásio na Catarinense (1957).
    Enoabraços, Altanir

  • Frederico Vieira Machado diz: 23 de abril de 2014

    Parabens e muito sucesso nessa empreitada!
    Gostaria de algum dia conhecer a vinicula , sou um apreciador de vinho e comprei no site da sua loja para degustar. fiquei surpreso e ao mesmo tempo grato por saber que o melhor vinho do Brasil esta sendo produzido aqui na nossa ilha!
    moro no centro de Florianopolis.
    abraço
    Fred Machado

  • ANTONIO ROGEREIO MATOS diz: 23 de abril de 2014

    Rogerio, surpresa total com a noticia de que Floripa, possui o melhor vinho do Brasil com uvas de São Joaquim.
    Meus cumprimentos pelo empreendedorismo, desejo sucesso pleno, esta novidade há que ser mais divulgada.
    Vou atrás da primeira garrafa deste Quinta da Fiqueira.

  • Elisabete Maria Colombi Lima diz: 24 de setembro de 2014

    Boa noite, Rogério!
    Somos alunos do IFSC e gostaríamos de saber se vc pode nos explanar sobre o seu negócio. O professor Wilton Cordeiro é um mestre.
    Atenciosamente,
    Elisabete

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