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Caviar made in SC conquista mercados

12 de março de 2014 0

Entrevista dominical da edição de 2 de março do Diário Catarinense

AbottargaA crise global de 2008 criou condições para que dois empreendedores apaixonados por pesca pudessem realizar o sonho de produzir uma iguaria de alto valor, a ova de tainha desidratada, um tipo de caviar. Cassiano Ricardo Fuck e Sérgio Marcos Arins fundaram a empresa Caviar Brasil em Itajaí e, em 2010, lançaram a Bottarga Gold. As vendas crescem 50% ao ano. Um dos novos nichos da empresa é a oferta do produto para presente, já que tem duração de longo prazo e não requer logística especial. Na entrevista a seguir, Cassiano Fuck conta a trajetória do empreendimento.

Como vocês entraram no negócio de caviar de ova de tainha?

Cassiano Ricardo Fuck – Diversas empresas do Estado vendiam ovas de tainha para a Europa. Um italiano sempre comprava muito. Mas, com a crise de 2008, o mercado europeu caiu muito, o dólar despencou e o preço da ova também. Então decidi segurar mais ovas e congelar. Conversei com o Sérgio Arins sobre o meu sonho de fazer bottarga, um produto de ouro. Ele disse que tinha o mesmo sonho. Daí começamos a planejar a empresa.

Por que o nome Caviar Brasil?

Fuck – É que toda a ova de peixe é considerada um caviar. E o produto da ova de tainha é conhecido como “Caviar do Mediterrâneo.” Aquele da Rússia, Irã e outros países, feito com ovas do peixe selvagem esturjão, custa cerca de R$ 40 mil por quilo na Europa. É vendido em latinhas de ouro. O produto nosso é muito mais barato. Custa ao consumidor R$ 50 cada 100 gramas, quantia que dá para cerca de 15 pratos. Assim, sai por pouco mais de R$ 3 por prato, o valor de um cafezinho.

Como é o processo produtivo?

Fuck – O sistema é semelhante ao de antigamente. O produto é salgado e desidratado.Nós utilizamos ovas de tainhas do Litoral de SC, capturadas durante a safra, que dura cerca de 40 dias. Congelamos e produzimos conforme recebemos os pedidos. Nossa indústria é pequena, oferece cinco empregos. Já investimos mais de R$ 1 milhão. A fábrica tem o selo SIF (do Serviço de Inspeção Federal) e, em breve, terá licença para exportar.

Como evoluem as vendas?

Fuck – Começamos a produzir em 2010.No começo foi difícil porque ninguém conhecia o produto. No primeiro ano vendemos 150 quilos; no segundo, 250; no terceiro 500 e no quarto mil. Temos crescido cerca de 50% ao ano só no Brasil. Para este ano, com a Copa, esperamos vender 2,3 mil quilos. Além de supermercados e lojas de produtos premium, temos a nossa loja virtual.

Quando vão exportar?

Fuck – Em breve. Fizemos uma parceria com a empresa francesa Petrosian, que vende também o caviar da Rússia e outros em diversos países. Por enquanto, ela vende nosso produto no Brasil. Poderá levar para o exterior quando tivermos a autorização legal. Já recebemos pedidos de fora pelo site, mas falta a licença para vender.

Por ser feita com ovas, a bottarga provoca elevação do colesterol?

Fuck – Não, pesquisas indicam que ela até reduz o colesterol e os triglicerídeos. Eu como muita bottarga e meu colesterol fica em torno de 140. Não tomo remédio para reduzir.

Como o produto é desconhecido, vocês precisam divulgar muitas receitas?

Fuck – Divulgamos receitas pelas redes sociais e muitos consumidores fazem o mesmo. Chefs famosos como Alex Atala e Roberta Sudbrach usam e valorizam por ser produto local. A bottarga é muito usada na Ásia e Europa.

No maior polo pesqueiro
ABottarga2Foi em Itajaí, maior polo pesqueiro do Brasil, que Cassiano Fuck, 57 anos, e Sérgio Arins, 35, se tornaram profissionais do setor e se encontraram entre uma exportação e outra de ovas de tainha. Na Caviar Brasil eles dividem atividades. Fuck cuida do marketing e Arins (D) comanda a produção. Fuck também é executivo da empresa Neto Pescados.

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