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Laboratório Elofar receita qualidade e inovação

30 de março de 2014 0

AElofar1Medicamentos de qualidade só vendidos com receita médica. Essa é a principal razão do sucesso do Elofar, laboratório de Florianópolis que comemora 50 anos terça-feira. Ao fugir do golpe militar, dia 10 de abril de 1964, o farmacêutico Roberval Silva reativou a indústria. Agora, o Elofar, que tem sede no bairro Estreito, parte para a inovação, com pesquisa em parceria com a Univali. O atual controlador quer vender a empresa e negocia com grupo alemão.

Como o senhor entrou no ramo de fabricação de medicamentos?

Roberval Silva – Sou natural de Urussanga. Ao terminar o ginásio, fui trabalhar numa farmácia. Depois fui transferido por essa empresa para a filial de Florianópolis para poder estudar. Cursei contabilidade, atendi 80 empresas, me tornei servidor público, mas ingressei na faculdade de Farmácia. Nessa época, entrei na militância estudantil. Cheguei a ser preso três vezes por razões políticas. Casei com a Ana Amélia, minha atual esposa. Com 27 anos abri a primeira farmácia. Depois, investi em mais sete. Passei a produzir medicamentos para as nossas farmácias e para outras.

Qual foi a influência do golpe militar no rumo do laboratório?

Roberval – O laboratório, que atuava com as marcas Raulivieira e Elofar, estava com a produção parada, mas tinha estoque. Como teve o golpe dia 31 de março, amigos meus ligados ao Exército me avisaram que eu seria preso dia 10 de abril em função da minha militância. Então enchi o carro de medicamentos (tinha um Dodge) e parti para o interior do Estado. Fiquei um mês, recebi pedidos para três meses. Meu irmão conseguiu suspender o pedido de prisão e eu pude retornar.

Quais as razões do sucesso do Elofar?

Roberval – Seguimos conselhos de médicos e produzimos só medicamentos éticos, isto é, aqueles prescritos com receita médica. Focamos em produtos para mulheres e crianças. Atualmente, temos 41 produtos. Nosso líder é um antibiótico, mas vendemos bem o Vi-Ferrin (suplemento de ferro) e o Elotin.

Nessa sua trajetória, qual foi o melhor momento e o mais difícil?

Roberval – Não tive fase difícil. Acho que não existe problema se a pessoa sabe trabalhar. O mais difícil foi quando decidimos vender o laboratório, em 2001. Estávamos fechando com uma empresa alemã quando surgiu a ideia de o governo do Estado comprar para produzir genéricos.Comprou em 2002. Em 2003, o projeto de genéricos acabou por razões políticas. Aí vendemos para o grupo Multitrade, de SP. Meus filhos Roberval e Kátia trabalhavam na empresa e mudaram de atividade.

E a parceria com a Univali?

Alberto Vieira – A Univali tem excelentes pesquisadores. Eles estão desenvolvendo novos produtos. Vamos registrar a patente de um medicamento feito com a planta wedelia paludosa. Vamos fazer pomada e comprimido.

Qual é o faturamento do Elofar?

Vieira – Faturamos R$ 37 milhões ano passado. Temos 130 colaboradores e atuamos em todo o Brasil, menos em São Paulo

O laboratório Elofar está à venda?

Vieira – Estamos negociando. As conversas estão mais adiantadas com um grupo alemão. Há mais dois interessados.

Aelofar2O fundador e o diretor
Desde 2003, quando o Elofar foi adquirido por grupo paulista, o executivo mineiro Alberto Vieira (D) preside a companhia. O fundador Roberval Silva, 86 anos, após a venda, atuou na empresa como diretor comercial até 2012 para transferir conhecimento e manter clientes. Agora, dedica-se ao setor imóbiliário em Florianópolis.

Fotos: Daniel Conzi

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