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Virada de mesa rumo ao luxo e à competitividade

06 de maio de 2014 0

Oxford77A Oxford, de São Bento do Sul, virou a mesa, literalmente, nas duas últimas décadas e chegou aos 60 anos mais avançada do que nunca. A empresa que exportava cerâmica de mesa barata se voltou ao mercado interno no final dos anos de 1990. Em 2003, foi comprada por Eggon João da Silva, da WEG, apostou no marketing e na inovação, entrou no mercado de luxo e está investindo alto. Quem fala sobre essa transformação é o diretor superintendente da companhia, Irineu Weihermann.

Como foi a trajetória da Oxford até os anos de 1990 e a troca de acionistas?

Irineu Weihermann – A Oxford completou 60 anos em 26 de novembro do ano passado. Na maior parte dessa trajetória produziu cerâmica de mesa de baixo valor agregado. Nas decadas de 1980 e 1990, quando o dólar era favorável, foi mais exportadora, vendia para cerca de 80 países. Com a valorização do real, no final dos anos de 1990, passou a atuar mais no mercado interno. Em 2003, a família de Otair Becker, que detinha o controle acionário, vendeu para Eggon João da Silva, da WEG. A partir daí, passou a investir mais forte em marketing. De 2003 até agora crescemos 5 vezes no Brasil.

E a virada para o luxo como foi?

Wheihermann – No final de 2008, resolvemos entrar no segmento de porcelanas. Mudamos a razão social da empresa para Oxford Porcelanas. Hoje somos líderes nacionais em porcelana e cerâmica de mesa. Esse mercado demandou uma estruturação do setor de design da companhia. Contratamos um designer para o trabalho interno e começamos a fazer um link das linhas de porcelanas com as tendências de moda em confecções e automóveis.

Qual foi o impacto do trabalho do designer Karim Rashid?

Wheihermann – Em 2012, fizemos um contrato com Karim Rashid, referência mundial em criatividade. Ele é natural do Egito, mas mora nos EUA e tem atuação forte na Europa e América do Norte. Ele criou uma coleção de porcelanas para a Oxford com novas formas e estampas que foi muito aceita pelo mercado. Ano passado, ela representou 7% das nossas vendas. Nosso contrato com ele é de uma coleção por ano. Estamos começando a trabalhar a que vamos lançar em março de 2015.

Como está o plano de expansão da matriz da empresa, em São Bento?

Weihermann – O prédio permitiu expansão da produção. Investimos R$ 13 milhões em máquinas e ampliamos a capacidade de produção de 30 milhões de peças por ano para 45 milhões. Estamos concluindo a implantação este mês e isso nos dará condições para crescer no Brasil e no exterior, onde obtemos, hoje, cerca de 7% da receita total.

E a nova fábrica no Espírito Santo?

Weihermann – Vislumbrando maior crescimento do consumo no país, especialmente das classes C e D, decidimos ampliar mais a produção com uma fábrica em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. Buscávamos oferta de gás natural e encontramos naquela região que tem, também, incentivos da Sudene. Estamos investindo R$ 80 milhões. A primeira etapa será para 15 milhões de peças. A segunda, mais 15 milhões. O início da produção está previsto para daqui a um ano e meio.

Vocês diversificaram com cristais. Como vai esse segmento?

Wheihermann – Como todo o fabricante de porcelanas no mundo, também aderimos à produção de cristais. Em 2011, compramos uma fábrica de cristais artesanais em Pomerode que produz em torno de 30 mil peças por mês. É um cristal puro, feito manualmente, de alto valor. Com outros fabricantes de SC estamos negociando com o Ministério do Desenvolvimento a denominação de origem Vale Europeu, para nos diferenciar.

Quanto a Oxford projeta crescer em 2014?

Wheihermann – Faturamos R$ 170 milhões ano passado e projetamos crescer, este ano, cerca de 40%, superando R$ 200 milhões. Esse avanço será possível porque entrou em vigor este ano a barreira antidumping contra a China, obtida pela defesa comercial brasileira. Em 2013, crescemos 12% frente ao ano anterior. Empregamos 1,7 mil pessoas e, com a ampliação, abrimos mais 400 vagas.

Na terra natal

Irineu77Irineu Weihermann, 51 anos, graduado em Ciências da Computação pela UFSC, atuou como programador da Celesc logo que se formou. Depois, foi pesquisador do Laboratório Grucad, de Engenharia Elétrica da universidade, trabalhando com os professores Renato Carlson, João Pedro Bastos e Nelson Dadowski, participação que foi marcante na sua carreira. A próxima etapa foi o retorno à terra natal, São Bento do Sul, onde ingressou na Oxford e trabalha até hoje, por 26 anos, tendo passado por diversos setores antes de chegar à superintendência.É casado com Magrit Weihermann, com quem tem duas filhas, Paula e Camila (D).

Foto 1: Rodrigo Philipps, BD/25/11/2013

Foto 2: Arquivo pessoal

 

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