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Por que o varejo fará menos "gols"

19 de maio de 2014 0

RoqueCasaEnquanto a Seleção Brasileira treina para fazer muitos gols na Copa do Mundo, o varejo brasileiro não espera o mesmo “em campo.” Um dos motivos é justamente o mundial que vai gerar feriados nas cidades sedes e vendas menores. O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, aponta mais razões para o setor ter cautela, como a inflação e os juros.

Qual será o impacto da Copa do Mundo no varejo?

Roque Pellizzaro Junior – As cidades brasileiras que terão jogos sofrerão um impacto maior nas vendas. Foi uma dádiva para Florianópolis a Copa não ter vindo para cá. A situação é mais difícil no Nordeste, em função de feriados das festas juninas. Lá o recuo nas vendas será maior. Uma grande operadora de cartões de crédito prevê que o volume que vai transacionar no Brasil durante os dias da Copa terá queda em torno de R$ 1 bilhão.

Quanto o setor deve crescer este ano?

Pellizzaro – Estamos vivendo um dilema. Vínhamos num crescimento enorme de vendas, investimentos elevados em abertura de pontos de venda e a vinda de muitas empresas internacionais. Mas em agosto do ano passado ocorreu um divisor de águas, quando o Brasil passou a crescer num ritmo menor. Este ano, o varejo restrito (que não inclui automóveis e materiais de construção) não deve crescer mais de 3%. Ano passado foi 4,3% e no ano anterior, 8,5% (dados do IBGE).

Quais são as causas desse recuo?
Pellizzaro
– As molas propulsoras se esgotaram. Como temos pleno emprego, não entram pessoas novas no mercado e a ascensão para classes de maior renda parou. Para subir, tem que fazer uma graduação ou outro curso, o que demora. Além disso, temos a inflação alta de um lado comendo o aumento de renda e, de outro, os juros limitando o acesso de recursos por preço razoável. Por isso a relação crédito –PIB praticamente parou de crescer, está em cerca de 45% desde o final de 2012. A inadimplência aumentou para 8% no último mês, o que preocupa muito.

E o cenário para a inflação e o PIB?

Pellizzaro – Teremos uma inflação em 2014 muito represada que vai estourar. Isso vai acontecer depois da eleição. A inflação real está acima dos 6% e o Brasil está indo para o caminho perigoso de maquiar números. É o pior dos mundos. É como enganar o médico alterando o resultado dos exames. O médico vai receitar o remédio errado. Para o governo reduzir a infllação, hoje, não basta juros altos. É preciso reduzir despesas públicas e o déficit fiscal. Quanto ao PIB, este ano deve ficar em cerca de 1,8%.

Como está o projeto CDL shopping de lojas virtuais?

Pellizzaro – Estamos vivendo a entrada de uma nova geração no consumo, principalmente a geração “Y” (de 20 a 25 anos), que gosta de ver a loja pela internet antes de visitar. Dentro de 10 anos só eles vão consumidor. Quem não trabalhar na linguagem dessas pessoas, não vai ter sucesso. Eu não acredito no fim da loja física, mas as empresas precisam ter um canal digital. Criamos, com a ajuda de uma empressa de florianópolis, a Flexy Negócios Digitais, o CDL Shopping Virtual (www.cdlshopping.com) que vai abrigar milhares de lojas de todo o Brasil. Com esse projeto coletivo o preço ficará mais acessível ao lojista e seu negócio terá mais visibilidade.

A substituição tributária, que antecipa a arrecadação de ICMS,prejudica o setor. Há perspectiva de mudança?

Pellizzaro – Hoje o lojista tem que pagar o ICMS na hora da compra e não na hora da venda. Como os governadores estão precisando de dinheiro, não podem ceder. Só mudando o pacto federativo.

No Brasil e exterior

16493531À frente da CNDL pelo segundo mandato, que vai se encerrar no final do ano, o empresário catarinense Roque Pellizzaro, de Curitibanos, tem defendido as causas do setor no Brasil e, paralelamente, busca tendências do varejo no exterior. Também analisa uma participação maior na política.

Advogado e economista, é casado com Dhébora e tem dois filhos: Luiz Guilherme e Maria Eduarda (foto). No tempo livre gosta de motociclismo, de cuidar da fazenda, pescar e nadar.

 

Fotos: Arquivo pessoal, divulgação

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