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Fiesc renova mandato com ênfase em inovação

23 de junho de 2014 0

Glauco22Entidade empresarial catarinense mais poderosa, com orçamento de R$ 1,2 bilhão para este ano, a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) vai às urnas sexta-feira para eleger sua diretoria por mais três anos. Em chapa única, concorrem à reeleição o atual presidente, Glauco José Côrte, de Florianópolis, e o primeiro vice-presidente, Mario Cezar Aguiar, de Joinville. A gestão segue com prioridade em ações que visam a mais inovação para avançar na competitividade global. Nesta entrevista, Côrte fala de gestão, planos e cenário econômico.

Quando assumiu, em agosto de 2011, o senhor apresentou plano para ampliar a competitividade da indústria. Como avançou?

Glauco José Côrte - Nos concentramos em duas grandes ações, uma para dentro da Fiesc e outra para fora. Para dentro, definimos que precisaríamos tornar o sistema igualmente competitivo, a altura das exigências e desafios da indústria hoje. Para isso, deveríamos estar a um passo à frente da indústria ou, no mínimo, no mesmo nível. Fizemos uma grande modernização da estrutura interna e unificamos o trabalho de atendimento à indústria por meio do Senai, Sesi e IEL. Hoje, os diretores das entidades do sistema se dedicam somente à atividade fim. Isso nos permitiu, por exemplo, crescer em 60% no número de matriculas no ensino técnico.

Quais foram as medidas ao público externo?

Côrte – Construímos o mapa estratégico da indústria catarinense. Definimos quatro piliares: ambiente institucional favorável, educação, tecnologia e inovação e qualidade de vida. Cada um dos nossos profissionais recebeu um caderninho com esse mapa com a recomendação de que toda iniciativa só pode avançar se cumpre um desses pilares. Se não, não deve nem começar. E a Fiesc seguiu mais voltada ao ambiente institucional, junto ao executivo e legislativo para criar ambiente mais favorável e evitar normas ou leis que retiram a competitividade da indústria.

Como evoluiu a educação para a indústria e o que muda a partir de agora?

Côrte – A educação foi a principal bandeira da nossa primeira gestão. Mapeamos a situação educacional de todos os municípios do Estado e verificamos que na indústria catarinense o nível de escolaridade do trabalhador é baixo, só 57% têm o ensino básico completo, segundo dados do Ipea. Ele não teve oportunidade para estudar. Para mudar isso lançamos o Movimento a Indústria pela Educação e conseguimos a adesão de 1,7 mil empresas. Elas não têm custo, nós construímos com a empresa currículo de cursos de acordo com a sua demanda. Em decorrência da boa receptividade, lançamos o documento Boas Práticas da Indústria Catarinense para a difusão de exemplos. Considerando toda nossa área de educação do Senai e Sesi, saímos de 210 mil matrículas em 2011 para 338 mil em 2014, 60% mais. Temos mais de 3 mil docentes. O Senai está completando 60 anos. Levou 56 anos para atingir 90 mil matrículas. Agora, nos últimos quatro anos, dobramos o número, chegamos a 180 mil. Só no Pronatec foram 40 mil no ano passado e 51 mil este ano. Um estudo recente da CNI mostra que entre 11 países avaliados, ficamos em nono lugar em competitividade. A educação é fundamental para mudar isso.

E para avançar na tecnologia e inovação?

Côrte – Nesse aspecto, estamos sob o guarda-chuva da CNI. O Senai está investindo em 24 institutos de inovação no Brasil para atender todo o país. O primeiro do Brasil, inaugurado em fevereiro, foi o de manufatura, em Joinville. Desses 24, três serão em SC: Manufatura, Laser e Sistemas Embarcados. Os dois primeiros serão em Joinville porque lá está a maior concentração de indústrias. O de Sistemas Embarcados será no Sapiens Parque em Florianópolis. Vamos ter no país 60 institutos de tecnologia, dos quais sete serão em SC para atender as diversas regiões do Estado. Neste projeto de institutos estamos investindo R$ 230 milhões, sendo R$ 100 milhões de recursos próprios e R$ 130 do BNDES. As empresas que usarão os serviços pagam a preço mais acessível que os de mercado.

Como está o plano aos setores portadores de futuro?

Côrte – O programa de Desenvolvimento da indústria Catarinense, que inclui esse trabalho, está sendo feito em três etapas. Definimos no ano passado os chamados setores portadores de futuro. Foram incluídos 16 setores: economia do mar, metalomecânica, tecnologia da informação, cerâmica, móveis e madeira, saúde, têxtil, energia, construção, agroindústria, indústrias emergentes, produtos químicos e plástico, bens de capital, celulose e papel, meio ambiente e turismo. Na segunda etapa estamos reunindo executivos de cada setor e no final deste ano ou início do ano que vem teremos o Master Plan, para atrair mais investimentos a cada um desses setores.

Qual é o orçamento do Sistema Fiesc para o ano?

Côrte – É cerca de R$ 1,2 bilhão, com crescimento de 3,73% frente a 2013. Inclui o compulsório do Sistema “S”, mais os serviços que o Sistema Fiesc presta.Desse total, a receita de serviços está em cerca de R$ 350 milhões (27%). As cozinhas e farmácias do Sesi respondem por R$ 200 milhões. O que sobra é investido, especialmente em educação. O Senai, hoje, está em 170 municípios de SC, mais da metade do Estado. Os maiores municípios têm unidades fixas ou móveis. O Sesi está em cerca de 100 municípios. Estamos ampliando nossa presença e, com isso, temos um olhar especial para micro e pequenas empresas. Nossas visitas nas regiões, percebemos a importância desse segmento.

O que mudará no segundo mandato?

Côrte – Vamos consolidar um programa de descentralização de atuação da Fiesc. Iniciamos esse processo. Cada uma das 16 vice-presidências regionais da Fiesc passou a ter uma estrutura de apoio. Também vamos dar atenção ao fortalecimento dos sindicatos industriais para que tenham uma base técnica maior. Também vamos ter um olhar especial para as micro e pequenas empresas. Outra novidade é que na educação, vamos trabalhar fortemente a participação dos pais na educação dos filhos. Uma pesquisa do Instituto Ayrton Senna apurou que quando os pais se envolvem na vida escolar, os alunos, em média, estão quatro meses à frente na comparação com os demais. Na área da saúde, vamos instalar em Florianópolis o Instituto de Inovação em Tecnologias para Segurança e Saúde no Trabalho, com abrangência nacional.

Como vê o cenário para a economia brasileira e de SC?

Côrte – Os últimos anos têm se caracterizado por um baixo crescimento e uma performance muito setor industrial brasileiro. Os principais desafios, fora do controle da indústria são a infraestrutura deficiente e cara, legislação trabalhista ultrapassada, a burocracia, juros elevados, a inflação real alta e dúvidas sobre o que vai acontecer com os preços controlados. Por isso vemos a economia retraída tanto em 2014 quanto 2015. Mas Santa Catarina está melhor do que a média nacional e dos Estados da região Sul. Nossa produção industrial de janeiro a abril cresceu 0,1%, ou seja, quase não cresceu, mas a do Brasil caiu 1,2%. A indústria de SC, no mesmo período, vendeu 2,4% mais, a do Brasil avançou 0,7%. Nossas exportações de janeiro a maio cresceram 1,8%, as do país caíram 3,5% e nossos empregos gerais no Estado, de janeiro a abril, cresceram 3,1%, no Brasil só 1,1%. Estamos melhor, mas em índice muito modesto, temos potencial maior.

O que o próximo presidente (a) da República deverá priorizar?

Côrte – Achamos que deveria dar prioridade aos investimentos. Precisamos dar celeridade às obras. Hoje, elas são demoradas e caras no Brasil. Outra questão que o governo precisa trabalhar são as reformas política e tributária. Está muito caro produzir no Brasil. O presidente do Paraguai esteve na CNI para convidar industriais para investirem lá porque é mais barato.

A presidente Dilma disse que não sabe porque o Brasil não cresce. Por que não cresce na sua opinião?

Côrte – É porque nós temos muitos entraves ao investimento no Brasil. A incerteza sempre provoca uma queda de investimento. Fazemos todo ano a pesquisa sobre planos de investimento do setor industrial de SC. Estamos compilando a próxima, mas os dados preliminares já indicam que ele vai continuar investindo. Mostra que o industrial está confiante no seu negócio. Mas em termos de país, há uma nítida retração do setor.

Por que as indústrias estão entre os investimentos mais desejados?

Côrte – A CNI acaba de divulgar uma pesquisa sobre a visão da sociedade sobre o setor industrial. Ela apontou que para 43% dos brasileiros a indústria é o setor mais importante para o crescimento do país, em segundo lugar ficou o agronegócio, com 17%, a administração pública e o comércio tiveram 10% cada. Os entrevistados foram questionados se pudessem escolher um investimento que gera mil empregos na sua cidade, 51% escolheram uma indústria e 13%, um comércio e 58% acham que o trabalho na indústria é mais qualificado. Isso é bom para atrair talento para a indústria.

Notas

Perfil executivo

O empresário Glauco José Côrte é acionista da Portobello, líder nacional em revestimentos cerâmicos, e da Inplac, principal fabricante de embalagens plásticas para fertilizantes. É graduado em Direito na UFSC e cursou pós-graduações nos EUA. Além de empreendedor, foi professor universitário e executivo. Natural de Timbó, é casado com Silvia, tem três filhos – Luciana, Glauco Filho e Gustavo – e cinco netos.

Ano de grandes eventos

No ano que vem, quando completará 65 anos, o Sistema Fiesc será protagonista de três importantes eventos internacionais. Em maio, sediará em Florianópolis o Congresso Mundial de Saúde do Trabalhador. Também a partir de maio, a Fiesc vai abrir a Bienal Internacional do Design e, em setembro, será anfitriã, em Joinville, o Encontro Brasil –Alemanha.

Foto: Jessé Giotti

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