Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Os 20 anos do real e os preços fora da curva

30 de junho de 2014 0

Mais moeda em circulação, oferta insuficiente de produtos e serviços e a cultura da indexação no DNA. Esses desequilíbrios pressionam preços para cima e geram inflação. As taxas brasileiras atuais já causam grandes estragos, mas os jovens com até 30 anos não têm ideia do que é uma hiperinflação, com aumento de preços diários. A propósito, quando eu era adolescente e atenta ouvinte de rádio, um dos programas que mais me chamaram a atenção foi sobre a hiperinflação de 1923, na Alemanha.

- O normal é ir à feira com dinheiro no bolso e trazer alimentos na cesta. Mas durante a hiperinflação alemã ocorria o contrário. As pessoas iam à feira com dinheiro na cesta e retornavam com alimento no bolso – dizia enfaticamente o locutor.

Eu não imaginava que, cerca de uma década depois dessa notícia voltada à história, o Brasil enfrentaria uma hiperinflação. Em 1989, os preços aumentavam todos os dias e os salários passaram a ser pagos em duas vezes, uma no dia 15 e outra até o início do mês seguinte para permitir mais poder de compra aos assalariados. Mas a alta de preços do Brasil não causou perdas insuportáveis a todos. Isto porque a hiperinflação daqui foi eletrônica, ou seja, todas as pessoas que tinham dinheiro em banco aplicavam diariamente no overnight. No dia seguinte, o valor estava reajustado com a perda do dia anterior. Essa situação foi estancada com o Plano Collor 1, em 1990, que confiscou quase todo o dinheiro das pessoas. Mas o Brasil teve que implantar diversos planos econômicos até conseguir o controle de preços com o Plano Real, adotado em 1 de julho de 1994.

Passados 20 anos, dá para dizer que o país teve duas décadas de relativa estabilidade da moeda, mas esses últimos anos de tolerância a uma taxa perto de 6,5% ao ano, o teto da meta que é de 4,5%, e a perspectiva de ultrapassar o teto em breve, assusta quem viveu o sobe e desce de mais de duas décadas atrás. O que se percebe é que quem está no poder só pensa na próxima eleição. Parece que não aprendeu que inflação alta prejudica todo o país, mas especialmente os mais pobres, os que todos os políticos dizem ter intenção de proteger. A principal origem da inflação brasileira está nos gastos públicos acima da receita. Os preços indexados também ajudam.

Comentários

comments

Envie seu Comentário