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Como o campo pode ficar mais rico

25 de agosto de 2014 1

O agronegócio brasileiro é um dos poucos setores em alta da economia, mas pode gerar ainda mais riqueza diante de um mercado global cada vez mais comprador. Para desenvolver ainda mais o campo, é preciso mudar a legislação para tornar possível a micro e a pequena empresa rural. É isso que defende o secretário de estado da agricultura e pesca, Airton Spies. Ele é mais otimista do que a média porque conhece os modelos do agronegócio da Nova Zelândia e Austrália, onde cursou mestrado e doutorado, respectivamente.

Foto: Betina Humeres

Foto: Betina Humeres

O senhor é otimista com o futuro do agronegócio, disse até que as pessoas do campo terão maior qualidade de vida e mais riqueza do que as da cidade. Por que vê esse cenário?
Airton Spies – Primeiro porque o mundo precisa muito de alimentos. Temos 7 bilhões de habitantes no Planeta e teremos 9,4 bilhões em 2050. Segundo a ONU, mesmo que a população cresça 40%, o consumo de alimentos vai crescer 75% até 2050 frente a 2010 porque muitos ainda não consomem a quantidade de alimentos que gostariam. Como os países mais populosos como a China e a Índia estão aumentando a renda, vão demandar mais alimentos. E o Brasil, por suas condições de clima e tecnologia no agronegócio, é o candidato a ser o celeiro mundial. Por isso vejo há mais oportunidades do que ameaças para o agronegócio brasileiro.

E para Santa Catarina?
Spies – Com base na agricultura familiar, temos uma condição muito favorável para a produção diversificada de alimentos em função do relevo acidentado e microclimas diferentes. Além disso, temos cadeias produtivas muito organizadas. Então é possível prever que as pessoas que vão ficar no campo vão se profissionalizar mais, usar mais tecnologia, alcançar mais produtividade e mais renda, o que resultará, naturalmente, em mais qualidade de vida. Vão ficar no campo não mais as pessoas que sobraram e sim as que optaram por ser profissionais. O governo tem políticas para melhorar a infraestrutura do meio rural para equipará-la com a das cidades em estradas, energia, internet e tudo mais que leva qualidade de vida ao campo.

O senhor defende mudança na legislação para as pequenas propriedades se tornarem empresas. O que falta para isso?

Spies – O modelo brasileiro tem um equívoco no seu formato. Para a propriedade rural efetivamente evoluir, ela precisa ser administrada como uma empresa. A propriedade rural é um lugar onde se investe dinheiro para para ganhar mais dinheiro. Isso é o empreendorismo que faz. As nossas propriedades são baseadas num CPF, administradas como uma pessoa física. O dono da terra é também o sócio da cooperativa, do sindicato e o cliente do banco. Tudo está no nome dele, enquanto as outras pessoas da família não têm identidade econômica. Precisamos de uma legislação que permita que a propriedade rural se converta numa micro ou pequena empresa na qual todos da família sejam sócios. Assim, quando um morre ou deixa o campo, a propriedade não precisa ser fracionada, só muda o contrato social e as atividades continuam. Quem vai para a cidade pode continuar sócio da propriedade rural.

Qual é o projeto proposto?
Spies – Nós sugerimos o projeto de lei complementar número 103, que já tramita no Congresso. Ele propõe a criação do estatuto da microempresa rural e da empresa rural de pequeno porte. O objetivo é fazer com que todos os benefícios que existem hoje ao produtor rural sejam mantidos, mas que a propriedade possa se organizar em forma de empresa.

Quais são os principais projetos da Secretaria?
Spies – Temos projetos voltados ao desenvolvimento e para situações de risco, como problemas climáticos. Ao desenvolvimento, temos pesquisas e inovação através da Epagri, cuidado da defesa agropecuária e da qualidade dos produtos com a Cidasc e fomento pelo o SC Rural. Na questão climática, uma prioridade é a oferta de água. Estamos investindo R$ 100 milhões de reais do Juro Zero para captação e armazenagem de água e irrigação no meio rural.

Comentários

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Comentários (1)

  • Lidia Panis diz: 25 de agosto de 2014

    Fico feliz com iniciativas como essas para que as pessoas que optarem por ficar no meio rural , esta opção seja com qualidade, é de oportunidades como estas que precisamos.

    Parabéns

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