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Caos no trânsito: é preciso copiar modelos europeus

31 de outubro de 2014 4

O engarrafamento quase total da cidade de Florianópolis quarta-feira à tarde devido a um acidente de trânsito mostrou a vulnerabilidade do atual modelo de carro individual para a Ilha de SC. A solução pode ser um eficiente transporte coletivo, com preço acessível e alta qualidade como existe em boa parte das cidades europeias. Quem tem sistema de transporte para carro individual é Los Angeles, nos EUA, um país continental. Mesmo assim registra graves acidentes (veja em link abaixo).

A maior distorção da Grande Florianópolis é o fato de ser mais barato vir para a cidade de carro do que de ônibus, especialmente quando é um pequeno trajeto entre os municípios. Por isso 90 mil veículos entram na Ilha diariamente. Além disso, há a questão da qualidade do serviço. Os ônibus amarelinhos são ótimos, mas atendem somente a algumas pessoas porque a oferta é insuficiente. O transporte coletivo comum é lento demais e, além disso, não tem ar condicionado. No verão, as pessoas derretem dentro dos veículos. E se alguém resolve optar por táxi (que é um sistema individual) nem sempre há carro disponível.

No início deste ano fiquei sem carro uns dias porque o meu foi atingido num engavetamento e precisou de conserto. Experimentei as alternativas de transporte e concluí que os serviços para mobilidade coletiva de Florianópolis são péssimos. Usei ônibus na maioria das vezes, mas quando minha família precisou de táxi para deslocamento urgente por motivo de saúde, tive que pedir carro emprestado para amigos duas vezes porque o rádio táxi estava fora do ar ou não havia carro disponível. A propósito, recomendo às autoridades e aos planejadores do transporte que utilizem os serviços de mobilidade urbana durante um tempo para poder avaliar a qualidade e oferecer soluções efetivas.

Como hoje tudo se copia, pelo perfil da Ilha de SC acredito que modelos adotados em Londres ou Berlim poderiam ser referência. O da capital da Grã-Bretanha é excelente porque a pessoa paga um valor diário e usa o transporte para todos os deslocamentos na cidade durante aquele dia sem despesa maior. Aqui, é preciso ir ao Centro de carro porque se a pessoa tiver que se deslocar de um lado para outro da Ilha paga de novo. Em Berlim, por um valor acessível, a pessoa compra um cartão e utiliza todos os meios de transporte, desde metrô, ônibus, trem entre cidades e outros.

Em Florianópolis, é preciso oferecer mais ônibus com ar condicionado, criar corredores exclusivos para eles trafegarem em maior velocidade, cobrar valor único de passagem por dia ou reduzir o preço. Com bilhetes eletrônicos, é possível equilibrar o custo para ser atrativo aos usuários. Assim, dá para tirar carros das ruas e postergar a construção de nova ponte.

Cidade para veículos individuais

Conhecida por ser uma cidade onde quase todos têm carro e praticamente não há pedestres, Los Angeles conta com uma série de obras viárias e viadutos que impressionam. Mesmo assim, enfrenta muitos acidentes.Na foto acima, a região do Hotel Angeleno, em LA.

A intersecção Judge Harry Pregerson, que chama a atenção pela grandiosidade e série de viadutos, é um dos cruzamentos mais perigosos do mundo. Confira a terceira foto no http://worldsbestfacts.com/worlds-dangerous-roads/

Comentários

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Comentários (4)

  • João Paulo diz: 31 de outubro de 2014

    Acredito que o modelo holandês também seja interessante. Há uma série de linhas de trens, trams, ônibus e metrô juntamente com uma boa infraestrutura viária. As pessoas tem carro mas utilizam somente quando querem fazer alguma viagem ou ter uma flexibilidade diferente.

    Alguns sites para se ter uma ideia são

    http://www.htm.nl (Gerencia o transporte de massa entre Rotterdam, Den Haag e Delft)

    http://www.ns.nl (Companhia de trens da Holanda)

    Considerando o nosso território e parte da topografia, em especial no nosso litoral, uma rede integrada de transportes nas macroregiões de Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Jaraguá do Sul e Joinville não seria nenhuma bobagem. Transportes integrados nelas, com interligações entre elas em pontos específicos.

    Custa caro? Pode até custar no início, mas gera retorno. Demora? Bastante, mas cada dia que não se inicia é tempo perdido.

  • giovani diz: 31 de outubro de 2014

    Estela e amigos.
    Por necessidade usei serviço de ônibus e táxi em Floripa por muitos anos e, se depender de mim, nunca mais.
    A solução para Floripa é complexa mas algumas ações ajudariam muito a mobilidade.
    Ações que exigem vontade e coragem política, pois são polêmicas e desagradariam a maioria. Sugestões:
    - Acesso à ilha com pagamento de pedágio, quanto mais pesoas no carro, menos paga;
    - Proibir o acesso de veículos ao centro da cidade. A locomoção dentro do centro dar-se-ia com bondinhos elétricos,
    - Ruas e avenidas livres para o trânsito fluir. Isto significa multar qualquer parada na via, “estacionadas oportunistas”, caçamba de entulho, caminhão de entrega, etc.;
    - Fluxos em sentidos únicos, terminando com cruzamentos multi direcionais (aqueles como na Gama D’ Eça, próximo ao Hospital, em que há trânsito nas quatro direçoes e cruzam para qualquer lado, além das faixas de pedestre;
    - Inversão de mãos na beira mar e vicinais, eliminando os cruzamentos e semáforos liberando o trânsito para quem vai para o norte da ilha e UFSC, assim como quem vai em direção a ponte.
    - Ou, pelo menos, liberação de faixas exclusivas para quem vai direto à ponte, sem paradas em semáforos;
    Teria uma infinidade de sugestões.
    Para o caos desta semana, relembraram o projeto de uma nova ponte entre as existentes. Resolveria o problema? O Gargalo continuaria no acesso às pontes.
    Precisamos reduzir o número de veículos nas ruas.
    Os motoristas precisam perceber, de dentro de seus carros parados nas filas, que o ônibus está passando ao seu lado, climatizado, e chegará bem antes ao seu destino. Só assim deixarão a comodidade de usar isoladamente seu meio de transporte. Mas para isso é preciso que o transporte coletivo funcione.
    Além das ações governamentais, precisamos fazer a nossa parte também.
    Tenho carro, mas arrisco minha vida, todos os dias, indo trabalhar de motocicleta, pois não compactuo com as filas que todos os dias se formam na beiramar.
    Almoço perto de meu trabalho ou de casa para evitar utilizar o carro e o estresse que o trânsito proporciona.
    As atitudes e a conscientização de cada um refletem na sociedade em que vivemos.

  • jose rui diz: 31 de outubro de 2014

    Impressionante Estela, falas do transporte em varias partes do mundo, mas nao falas de teansporte Maritimo, ja que ele existe no mundo todo e ate aqui do nosso lado como em Laguna/Farol e Itajai/Navegantes.
    Sem contar ainda esses mais proximos como: Rio Guaiba, Baia de Guanabara, Baia de Guaratuba, Joinville/Sao Chico.
    Porque sera?

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