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Bolsos vazios motivam caminhoneiros

27 de fevereiro de 2015 0

Embora liderem o movimento que já causa prejuízos bilionários à economia e falta de produtos à população, a maioria dos caminhoneiros mobilizados mantém os protestos. Para eles, as promessas do governo federal de postergar alta do diesel por seis meses, aprovar legislação na íntegra e flexibilizar pagamentos ao BNDES não foram suficientes. Cobram redução do preço do diesel e valor mínimo para o frete. A razão dessa disposição em continuar de braços cruzados é porque a categoria está trabalhando com prejuízo, não sobra dinheiro para levar para a família, explica Ademir de Jesus, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Containeres e de Cargas em Geral de Itajaí e Região (Sintracon), entidade que não aderiu à mobilização. 
Segundo ele, os caminhoneiros de São Paulo conseguiram reajustes para fretes, mas em SC a maioria enfrenta o mesmo preço dos últimos anos enquanto os custos não param de subir. Cita o caso do Sitracon, que não consegue os reajustes necessários desde 2011. Ademir de Jesus cita como exemplo um frete de Itajaí para São Paulo, uma distância de cerca de mil quilômetros, mas o caminhoneiro recebe apenas R$ 2,5 mil. Como o veículo faz apenas 2,5 quilômetros com um litro de diesel, o dinheiro mal dá para pagar o combustível. Não paga as refeições, os pneus (22 cada veículo simples) e o pedágio. Hospedagem nem pensar porque o hotel dos caminhoneiros é o próprio caminhão. Por isso, ele acredita que a categoria pode deixar as estradas em função das multas, mas continuará de braços cruzados em casa.
- A maioria continua na profissão porque gosta muito. Meu pai era caminhoneiro, minha mãe era professora, meus irmãos seguiram outras carreiras, mas eu não. Imagina dirigir um um caminhão grande, acelerar em subidas, ouvir o ronco do motor, tudo é uma magia – lembra com saudade Ademir, 63 anos, que é aposentado em função de problema cardíaco.
O que se espera é que o governo volte a negociar e chegue a um acordo para o fim do movimento em todas as regiões do país. 

 

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