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Lazer náutico para classe média

14 de junho de 2015 0

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Foto: Cristiano Estrela, Agência RBS

Enquanto no Brasil a atividade náutica de lazer é, na maioria das vezes, praticada por ricos, na Europa quem navega mais é a classe média. Segundo a secretária geral da Confederação Europeia de Indústrias Náuticas (European Boat Industry), Mirna Cieniewicz, das 6 milhões de embarcações em operação hoje na Europa, 80% têm menos de 10 metros e pertencem à classe média. Dia 4 ela esteve em Florianópolis na 1ª Feira do Mar Itália-Brasil e falou com a coluna.

Qual é a expectativa do setor náutico da Europa com o mercado brasileiro e catarinense?
O Brasil é quase tão grande quanto toda a Europa. É um mercado pouco conhecido das empresas europeias. A feira foi promovida para proporcionar uma aproximação com empresas do Estado de Santa Catarina e entender melhor o mercado náutico brasileiro. Avaliamos que a região de Florianópolis tem um grande potencial para o setor.

Que produto e serviço a Europa pode oferecer ao Brasil?
Do ponto de vista da indústria manufatureira é possível fornecer de tudo. Empresas europeias podem fazer parcerias com as brasileiras, permitindo criar ou fortalecer uma indústria genuína na região. Não dá para trazer da Europa os serviços, as pessoas qualificadas para fazer a manutenção de barcos, marinas. O ideal é que o Brasil tenha condições de fabricar produtos e, principalmente, preparar pessoas para atuar no setor.

Como estão os números do setor na Comunidade Europeia?
Os números são maiores do que os do Brasil, mas menores do que os dos EUA. A indústria manufatureira europeia tem 3 mil empresas que empregam cerca de 50 mil pessoas e faturam de 3 a 4 bilhões de euros. Emprega 230 mil pessoas que atuam em 35 mil empresas com um faturamento anual de 18 bilhões de euros. A atividade de serviços é bem mais importante do que a da indústria para a economia do setor como um todo.

E a infraestrutura?
Temos na Europa 4,5 mil marinas que oferecem 1,750 milhão de vagas para barcos. Esses números incluem a infraestrutura do Mar Báltico, Mar do Norte, Mediterrâneo e Oceano Atlântico, navegação em lagos e rios. Atualmente, a Europa tem uma frota de 6 milhões de barcos, sendo 80% com menos de 10 metros. Isso significa que predominam as pequenas embarcações usadas pela classe média. Quanto por cento das pessoas participam de atividades náuticas? Temos 400 milhões de pessoas na Europa, sendo 46 milhões fazendo atividade náutica. Isso corresponde a cerca de 12% da população.

Produtores de barcos de SC dizem que o lazer náutico é de alta qualidade, aproxima famílias. Qual a sua opinião?
Concordo com eles, absolutamente. A náutica é uma relação de amor de uma pessoa com o mar e com o barco. Esse amor inclui a família. Em geral, uma pessoa que gosta de náutica leva os demais familiares para navegar e, leva também os amigos para conhecer. Quem não é acostumado a navegar desde criança pode ter medo do mar. É algo que se aprende em família e com os amigos.

O setor náutico europeu vai crescer este ano?
O setor ainda passa por uma crise muito forte que começou em 2008.
Ano passado teve um pequeno crescimento. Busca novos mercados no Brasil, Ásia e Rússia. Em Santa Catarina e em outros Estados há possibilidade de novas parcerias e negócios.

Empresários do Brasil criticam o rigor de leis e demora nos licenciamentos ambientais. Como é na Europa?
A limpeza ambiental da marina é fundamental. A legislação da Europa é dura, rigorosa, para que as marinas sejam feitas de uma maneira sustentável. Hoje, 40% são em áreas protegidas. Em nosso setor, a sustentabilidade é importante porque a náutica é praticada nos locais mais belos do mundo. Isso exige natureza preservada. É fundamental manter o ambiente no seu estado original porque, do contrário, o setor náutico não avança.

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