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Cenários de risco para endividados com crédito consignado

22 de julho de 2015 0

Empréstimos consignados para aposentados são os que cobram os menores juros do mercado e atraem mais atenção nesta fase de crise, mas o aumento do limite desse recurso, de 30% da renda total para 35%, aprovado na última semana, preocupa especialistas em finanças pessoais. Estudo feito pelo planejador financeiro Jailon Giacomelli, da Par Mais, de Florianpopolis, aponta que essa expansão de limite eleva ainda mais o risco de endividamento no cheque especial porque sobra menos renda para o aposentado cobrir suas despesas mensais prioritárias. 

A primeira projeção feita por Giacomelli é para uma pessoa com renda mensal de R$ 1,5 mil, que comprometeu 30% da renda com um empréstimo consignado. Com base nas necessidades mensais apontadas pelo IBGE, mais R$ 450 (30%) do consignado, ela teria despesa de R$ 1.860 e ficaria devendo R$ 360 por mês. Esse tébito no cheque especial com juro de 10% ao mês, chegaria ao final do ano num total de – R$ 7.698. Em 24 meses, somaria -R$ 31.859 e em 36 meses (três anos), – R$ 107.686. Se ela opta por 35% da renda em crédito consignado (R$ 525 por mês), a despesa mensal sobe para R$ 1.935 e o déficit, para -R$ 435. Em 12 meses fica em -9.302, em 24 meses -R$ 38.496 e em 36 meses, – R$ 130.120.Isso mostra uma dívida acumulada em crescimento acelerado e impagável para a maioria.  
Para endividado com renda de R$ 3.500, o consignado de 30% seria de R$ 1.050, teria déficit mensal de -R$ 210, dívida acumulada de -R$ 4.491 em 12 meses, – R$ 18.584 em 24 meses e – R$ 62.817 em 36 meses. Com 35% da renda, o valor do consignado ficaria em R$ 1.225, débito mensal subiria para – R$ 385, a dívida acumulada no chege especial em 12 meses ficaria em -R$ 8.233 em 12 meses, -R$ 34.071 em 24 meses e – R$ 115.164. Uma pessoa com renda de R$ 5 mil, no limite de 30% teria parcela de consignado de R$ 1.500, déficit mensal de R$ 300, dívida no cheque especial de -R$ 6.415 em 12 meses, de -R$ 26.549 em 24 meses e – R$ 89.738 em 36 meses. Com 35% de limite, a parcela do consignado subiria para R$ 1.750, déficit de R$ 550, e as dívidas de -R$ 11.761 em um ano; -R$ 48.674 dois anos e -R$ 164.520 em três anos.   

Dívida galopante

As projeções feitas pelo planejador financeiro mostram que, independentemente de 30% ou 35%, o impacto do consignado na renda é muito elevado e o endividamento via cheque especial com juro em torno de 10% ao mês é proibitivo. O ideal é fugir de qualquer dívida que envolva juros altos. O estudo também deixa claro que a pior situação é para a pessoa de menor renda. Para conciliar empréstimo com despesas necessárias do dia a dia ela gasta a maior parte da renda e fica endividada. O ideal é não gastar toda a renda do mês e ainda sobrar um pouco para fazer uma poupança para emergências.

 

Confira, com detalhes, a primeira projeção de Giacomelli. As demais seguiram esse mesmo padrão, incluindo 30% e 35% de consignado, e as demais rendas mensais: de R$ 3,5 mil e R$ 5 mil.

 Renda líquida de R$ 1.500/mês

 Dados do IBGE em relação aos gastos de uma família nessa faixa de renda

 Consignado, regra antiga: parcelas de no máximo 30% da renda mensal

 Consignado, nova regra: parcelas de no máximo 35% da renda mensal

 Taxa de juros do cheque especial para cobrir o saldo negativo na conta: 10% ao mês

Resultados para renda de R$ 1.500/mês

Condição antiga (consignado 30%); Renda mensal líquida (A) 1.500; Total de despesas (B) R$ 1.860; Parcelas (consignado 30%) R$ 450

Alimentação R$ 285;  Habitação R$ 465; Vestuário R$ 75;  Transporte R$ 180; Higiene e cuidados pessoais R$ 45; Assistência à saúde R$ 90; Educação R$ 30; R$ Recreação e cultura R$ 30.

Despesas diversas R$ 210

Qual o saldo do mês? (A – B) -R$ 360;

Como fica ao longo dos anos? Em 12 meses -R$ 7.698;  Em 24 meses -R$ 31.859;  Em 36 meses -R$ 107.686

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