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Resultados no desenvolvimento de produtos sem lactose

16 de agosto de 2015 0
Winston Gambatto / Divulgação

Winston Gambatto / Divulgação

*Escrito por Julia Pitthan

Desde menino, o catarinense Acari Menestrina trabalha com o leite. natural de rio dos cedros, cidade de colonização italiana no vale do Itajaí, ele conta que, na infância, ajudava a nona a ordenhar vacas. Mais tarde, como técnico do Estado, foi protagonista no desenvolvimento da bacia leiteira no Oeste de SC. Hoje à frente da Gran Mestri, empresa idealizada por ele que tem foco na qualidade, celebra a expectativa de crescer 60% em 2015. Sem crise, ele fala sobre a expansão da linha de produtos sem lactose

Como surgiu a ideia de fundar a Gran Mestri?

Eu era extensionista rural da Acaresc, atual Epagri. Em 1976, vim para o Extremo-Oeste trabalhar. Na época, a região vivia um abandono total. Não havia estradas, TV, telefone. Era um empobrecimento grande. Meu objetivo era transformar a região em uma bacia leiteira de referência para o Brasil. Eu trouxe a primeira vaca, aparelhos e semente de pastagens. Naquele tempo, as propriedades não produziam leite nem para subsistência. Fiz mais de mil reuniões junto a produtores para desenvolver essa ideia. Depois de oito anos, saí da Acares para empreender. Fundei a Cedrense, em 1989, uma empresa que chegou a ser referência no Sul do Brasil. Mas vendi a empresa e percebi que era hora de sair da produção de commodities para o valor agregado. Então, em 2001, fundei a Gran Mestri. Acompanho tudo pessoalmente. Os equipamentos são todos importados da Itália e trabalhamos apenas com leite de padrão internacional. É o maior parque industrial de queijos duros da América Latina.

A empresa fez investimentos este ano. Não há crise para a Gran Mestri?

A Gran Mestri não participa do grupo da crise, estamos do outro lado. O que passamos agora é bíblico: há sete anos de vacas gordas e sete de vacas magras. Temos que trocar a palavra crise por crie. Levantar mais cedo, trabalhar mais e fazer melhor do que os nossos concorrentes. Em 2015, vamos crescer 60%. Fizemos investimentos este ano que somam R$ 5 milhões. Além disso, estamos lançando novos produtos sem lactose. Também queremos aumentar em 30% a capacidade de estocagem, para mais de 1,2 milhão de quilos, porque o que é produzido precisa de uma maturação de 6 a 18 meses.

O consumo de queijos sem lactose cresce muito no país?

No Brasil, de 60% a 70% das pessoas adultas tem algum tipo de intolerância a lactose, sendo que pelo menos 25% tem uma intolerância mais grave. Diante disso, a empresa resolveu investir numa nova linha de produtos. Compramos equipamentos para fazer requeijão nas versões tradicional, light e zero lactose. Também lançamos o grana padano, parmesão, parmesão ralado, pecorino (com leite de cabra), todos zero-lactose. Agora, pretendemos dobrar a capacidade do parmesão ralado, automatizando os processos de fabricação.

O queijo grana padano é o principal produto da Gran Mestri?

O grana padano é o queijo mais nobre do mundo. Ele é produzido na Itália há mais de mil anos, na região da Padânia, e é um produto de origem controlada. Trouxemos esse processo para Santa Catarina. Tudo é feito com muito cuidado, com mestres queijeiros italianos. Entre o processo de fabricação, estabilização, salmoura e secagem são necessários 30 dias. Após isso, o queijo vai para a maturação que é de, no mínimo, 12 meses. E a cada 10 dias os queijos são escovados e virados. De três em três meses, um mestre queijeiro, com a batida de um martelinho, verifica o ponto.

E quais são os seus próximos planos?

O nosso parque industrial, aqui em Guaraciaba, é uma referência e investimos muito forte na questão das pessoas. Acreditamos que as pessoas certas nos lugares certos são fundamentais para o negócio. Temos muito orgulho do nosso show room da fábrica, que virou ponto turístico na região. Agora, depois do lançamento da linha sem lactose, queremos ampliar a linha de produtos saudáveis. Além disso, estou desenvolvendo um projeto de oliveiras. Testamos variedades, e cinco delas se adaptaram bem. A partir do ano que vem, vamos ter azeita de oliva extra virgem prensado a frio produzido no Oeste de SC.

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