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SC e o Brasil perdem um industrial extraordinário

14 de setembro de 2015 0
WEG, Divulgação

WEG, Divulgação

Eggon João da Silva (C), mentor da mais admirada multinacional catarinense, a WEG, e articulador da recuperação da Perdigão em 1993, hoje a BRF, foi um empreendedor extraordinário. O desenvolvimento do grupo que fundou, a WEG, uma das gigantes mundiais de equipamentos para o setor elétrico, o colocou no seleto grupo de lenda empresarial, brilhante, admirado dentro e fora do Brasil. Jaraguá do Sul e região têm o maior orgulho dele e da transformação que proporcionou para a região com seu modelo de gestão, inteligência e disciplina, melhorando a renda e a qualidade de vida da cidade, do Estado, do país e de mais de uma centena de países onde a WEG e a BRF atuam ou vendem seus produtos. Hoje, a companhia emprega 31 mil pessoas, das quais 15 mil em Jaraguá. Estima-se que cerca de 30% do movimento econômico do município esteja ligado diretamente ou indiretamente à WEG.

As lições que aprendi com o empresário Eggon da Silva
Um adeus em sintonia com a vida de Eggon, sócio da WEG
Para sócio Werner Voigt, honestidade era principal marca de Eggon da Silva

O grupo que fundou com os sócios Werner Voigt (E) e Geraldo Werninghaus (D) – Eggon é o E da marca WEG – se tornou também um dos mais inovadores do Brasil.

Santa Catarina fica menor sem o líder inspirador, mas ele vai com missão mais do que cumprida, deixando um legado muito além da WEG e BRF. Foi conselheiro e comprou a Oxford Porcelanas, foi conselheiro da Marisol, da Tigre e de muitas outras empresas para as quais orientava voluntariamente para que encontrassem o rumo do desenvolvimento.

Senador Paulo Bauer destaca pioneirismo do empreendedor

Um adeus à altura
As homenagens de despedida para Eggon foram em sintonia com a sua vida. Muito amor da família e dos amigos, reconhecimento de lideranças. Uma orquestra acompanhou toda a solenidade, desde o velório na Recreativa WEG até o cemitério, no centro de Jaraguá do Sul.

Desde menino ele sempre gostou de música, de praticar esportes – foi jogador dos três times de Jaraguá e atleta olímpico –, de dançar e de uma roda de amigos. Seu sucesso nos negócios tem muito a ver com a sólida formação familiar. Com pai de origem portuguesa e mãe descendente de imigrantes húngaros e alemães, ele herdou a disciplina alemã e características de outras culturas. Fez o ensino fundamental incompleto porque era o que tinha em Jaraguá na época. Mas foi muito além como autodidata. Lia livros e notícias de economia, o que o tornou um grande estrategista nos negócios.

“A WEG foi uma escola para muita gente”

Foto: WEG, Divulgação

Foto: WEG, Divulgação

Parábola dos talentos
Muito emocionado com a perda do pai, Décio da Silva, ex-presidente da WEG e presidente do conselho da empresa, me contou que o Sr. Eggon, católico praticante, gostava muito da parábola bíblica dos talentos. Décio conta que o pai sempre estava pronto para dar conselhos a outros empresários, o que considerava multiplicação dos seus talentos.

Na foto, Décio, que é apontado como sucessor do pai, discursa durante a reinauguração do Museu WEG, dia 16 de setembro do ano passado, quando a empresa completou 53 anos.

Honestidade
Companheiro de Eggon desde a função da WEG, há quase 54 anos, o sócio fundador Werner Voigt disse ontem que uma das características principais do colega era a honestidade. Werner trabalhava na empresa ao mesmo tempo, mas em áreas diferentes. Eggon era administrador e ele, eletricista.

Reconhecimento
Presente no velório, o governador Raimundo Colombo afirmou que Eggon João da Silva tinha uma grande capacidade de liderança e que sua morte é uma perda para SC e o Brasil. Também em Jaraguá, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, disse que uma das marcas do empresário foi sua visão sobre a importância das pessoas, sobre o valor das equipes nas empresas.

Colombo destaca a liderança de Eggon

Legado de união
Coordenadora do grupo de família da holding da WEG, a WPA, Márcia da Silva Petry, filha de Eggon, afirmou que um dos principais legados do seu pai foi a união da família, o que também ocorreu com os fundadores. Ele tinha sempre o cuidado de fazer o máximo de investimento em conjunto entre os três sócios. Um desses projetos foi a compra da Oxford Porcelanas, de São Bento do Sul.

Empresa no céu
Entre as curiosidades do velório, uma contada pela nora do empresário, Denise da Silva, merece registro.

– Estão dizendo que, agora, o Sr. Eggon vai se reunir no céu com o outro fundador da WEG, o Geraldo Werninghaus (que faleceu de acidente de carro em 1999), tomar umas cachacinhas e vão fundar uma empresa por lá – contou.

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