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Mercado de imóveis pode desacelerar mais nos próximos meses, diz pesquisador

30 de setembro de 2015 2
Divulgação

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Nesta fase de mercado em contração, 400 lideranças do setor imobiliário de 18 Estados do Brasil participam a partir de hoje à noite, no Majestic, em Florianópolis, do 18 º Congresso Nacional do Mercado Imobiliário (Conami). São esperadas cerca de mil pessoas considerando também a feira. Nesta edição, haverá um enfoque mais internacional com especialistas dos Estados Unidos e Europa, que falarão sobre práticas desses mercados. Um dos palestrantes será o pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e professor convidado da FGV, Bruno Oliva. Também foi economista da Tendências Consultoria e consultor da Unesco. Confirma a entrevista.

Como está o mercado imobiliário?
Apesar de o mercado de imóveis para moradia ter melhorado, hoje está numa situação mais complicada. O de imóveis comerciais sofre desaceleração há mais tempo. A desaceleração da demanda acontece porque o desemprego cresceu e as perspectivas são muito ruins. Outro fator que pesa é o crédito imobiliário cada vez mais caro e mais escasso. Além disso, a perspectiva para a economia até 2017 não é boa.

Os preços estão em queda?
De fato há uma redução. É comum comparar os preços de imóveis com os preços médios da economia pedidos pelos índices de inflação. Quando a gente olha a evolução dos preços de imóveis frente à inflação, eles sobem menos do que a inflação. A isso a gente chama de queda real de preços. Os preços ainda sobem em termos nominais. Mas a nossa perspectiva é que ainda este ano a gente registre queda nominal de preços, o que significa uma maior desaceleração de mercado. O preço de imóveis menores estão subindo menos do que os de imóveis maiores embora ambos estejam perdendo pela inflação. Isso mostra que o mercado para a classe A, de imóveis maiores, parece sofrer menos do que os de imóveis menores.

Quais são suas expectativas para o PIB em 2015 e nos próximos anos?
Eu não sou um macroeconomista, mas a gente sabe que a perspectiva do mercado é de queda do PIB de 2,5% ou mais este ano, e para 2016, é de recuo de 1%, com retomada tímida em 2017. É claro que tudo isso vai depender do ambiente político, das turbulências em Brasília.

Com a queda da oferta de crédito e juros mais caros, o mercado está oferecendo mais outras opções para comprar imóveis?
O grosso das vendas é por financiamento bancário. Quem lidera é a Caixa, embora haja a participação de outros players importantes. Como a taxa de juros está subindo, é natural que o crédito fique mais escasso.

Como a crise está afetando o mercado de locação?
A gente tem uma queda na demanda por locação que já se traduziu em queda nominal dos preços de aluguéis. No período de agosto do ano passado a agosto deste ano, tivemos uma queda nominal de 1,8% nos preços de locação de imóveis. Se você observar que a inflação anualizada está em torno de 9,5%, você tem uma queda acentuada bastante superior nos valores de locação.

Você será um dos palestrantes do Conami. O que vai apresentar aos empresários do setor?
Vou mostrar a evolução dos preços e discutir um pouco de perspectivas, considerando a situação de crédito, mercado de trabalho e juros. Com isso, poderemos fazer uma perspectiva para os próximos 12 meses, mostrando que essa desaceleração de mercado vai se acentuar, muito provavelmente, nos próximos meses.

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Comentários

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Comentários (2)

  • Fabrício B. Aguirre diz: 30 de setembro de 2015

    O mercado está muito bom para comprar, preços estagnaram e as condições de negociação ficaram mais favoráveis.

  • João Israel Alves diz: 1 de outubro de 2015

    Boa análise desse pesquisador.
    Realmente espero que o mercado imobiliário sucumba e traga esses corretores de volta a realidade. Onde já se viu um imóvel de 70m² valer 150.000 reais?
    A saída até essa bolha estourar é o aluguel. Nada de imóvel “bolhudo”.

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