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Resultados da pesquisa por "banco central"

"China vive momento de transição", afirma ex-presidente do Banco Central

03 de setembro de 2015 0

Antes da palestra na Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, na última semana, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, conversou com a imprensa sobre vários temas, numa entrevista de quase 20 minutos. Reproduzo, aqui, parte da conversa que eu não havia publicado ainda. Confira:

 Economia da China

- É preocupante. A China viveu uma fase extraordinária de crescimento. É um país que trabalha muito, poupa muito, estuda muito, investe muito. Isso gerou esse incrível crescimento dos últimos trinta e poucos anos. Agora, ela vem se confrontando com alguns limites. Já está mais ou menos claro que o crescimento via exportações ficou grande demais, o mundo ficou pequeno para a China. Está claro que o crescimento alavancado por crédito não reage tanto. É preciso expandir mais e mais o crédito para ter cada ponto de crescimento do PIB. É um sinal de que a China precisa ir para uma nova etapa com mais ênfase para a produtividade e menos para a força bruta no crescimento, com muito investimento. A sociedade chinesa demanda isso, é consistente com uma sociedade mais bem informada. A China vive um momento de transição muito importante. É normal, nessas fases, alguns solavancos, e isso nos afeta. Os chineses vão encontrar seu caminho. Se isso levar de um a três anos para nós, nessa altura do jogo, é negativo. Parte as implicações nós já sentimos pelo preço das exportações (para o país asiático), que entraram num verdadeiro colapso.

Ajuste no Brasil

- Arrumar a casa requer questões muito profundas. Que tamanho de Estado nós queremos? Ele está entregando o que a população precisa? Ele arrecada 38% do PIB e do jeito que a coisa está indo, daqui a pouco vai estar arrecadando 45% do PIB. Para quê? Não sou defensor do Estado mínimo, defendo um Estado que cumpra com a sua missão e isso, infelizmente, não vem acontecendo. Do lado econômico, a chamada nova matriz econômica precisa ser desfeita. Não precisa ser da noite para o dia, mas é necessária uma sinalização clara de que isso vai acontecer.

Quando vai melhorar?

Não é suficiente uma resposta tecnocrática. Ela precisa vir do mundo político, que é quem decide o nosso destino. Nossos representantes precisam se organizar e alterar o rumo. Isso pode demorar um pouco. Não sou do ramo, não quero fazer nenhum tipo de previsão. As instituições estão funcionando, mas é inegável que no momento não é fácil construir uma base de discussão que pense a longo prazo, que tome decisões e faça as mudanças que são necessárias.

Dívida e PIB

Eventualmente, diminuir o Estado poderia ser feito de forma virtuosa. Se a economia cresce muito e o gasto público cresce menos, isso vai acontecer sem o prejuízo do Estado entregar o que precisa e não está entregando. Mas eu acho que precisa pelo menos mudar a direção. Não dá para continuar ano após ano com o crescimento da relação gasto público como proporção do PIB. É preciso, pelo menos parar de crescer. A dívida pública como proporção do PIB também precisa parar de crescer. Nossa dívida é bastante grande e cara. É preciso abrir uma grande discussão sobre o Estado.

Joaquim Levy

Eu tenho falado pouco com o ministro (da Fazenda) Joaquim Levy. Somos amigos, fui professor dele. É uma pessoa preparada, experiente e bastante correta. Mas ele não é o líder político. Tem liderança, mas é um especialista, um economista. Ele tem um conhecimento profundo da realidade brasileira. Não é uma questão técnica. É também, mas é preciso a dimensão política para que se possa tomar essa atitude.

Corte dos ministérios

Acho bom que se corte, bom que se diminua o número de cargos comissionados, mas isso é pequeno no âmbito geral das coisas. É preciso ver como a coisa vai ser feita, se terá alguma consequência prática.

Câmbio e juros

- Não me arrisco a fazer cenários. O quadro ainda é muito incerto. O câmbio sofre com a perda dos preços de exportações e com a incerteza e medo que prevalecem na economia brasileira. O juro é um sintoma de uma situação inflacionária que foi reprimida artificialmente e depois a realidade apareceu. O BC está procurando resolver esse assunto. A parte fiscal, que deveria ajudar um pouco, fica prejudicara num período de recessão. É um quadro que exige uma atuação além do presente. Se o Brasil começar a tomar decisões importantes para o futuro, as coisas poderiam melhorar no presente. Por exemplo, o fator previdenciário foi revogado. Isso atrapalha porque coloca mais dúvida sobre a saúde financeira do país a médio e longo prazos. Se tivesse ido na direção contrária e tomado, por exemplo, a decisão de afetar a idade mínima de aposentadoria, isso teria impacto já no presente. Há muitas coisas que podem ser feitas hoje que melhoram as expectativas, com isso trazem mais confiança e vão fazendo a economia funcionar. Tem que ter um mix de ações no presente, com sinalizações e ações que afetem o futuro.

Santa Catarina

- Santa Catarina é um Estado muito bem sucedido. Jaraguá do Sul, onde nós estamos, é uma cidade quase única. É até perigoso extrapolar o que se vê aqui. Mas mesmo aqui o quadro já traz alguma tensão. Conversando com as pessoas aqui, elas me disseram que esta é uma cidade acostumada com o pleno emprego, mas já se vê sinais de perdas de empregos. Se até em Jaraguá isso está acontecendo, é porque o quadro nacional é grave.

Decisões de investimento

- Depende de cada caso. É um cenário que exige certa dose de prudência. Quando cada um age com prudência, a soma pode ser prudente até demais. Mas é racional não se endividar demais, pensar bem no tipo de investimento a ser feito. Aquele investimento ousado que faria num momento de crescimento econômico pode ser arriscado numa fase de crise. Se o Brasil estivesse crescendo a 4% ao ano, o empresário teria outro espírito para investir, para tomar dinheiro emprestado. A incerteza prevalece numa fase de recessão, quando não há confiança.

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Prévia do Banco Central indica queda na economia de Santa Catarina

19 de agosto de 2015 0

Em junho, o Índice de Atividade Econômica Regional de Santa Catarina (IBCR-SC), calculado pelo Banco Central do Brasil, registrou queda de 0,75% frente ao mês anterior, maio, considerados ajustes sazonais. Mas frente ao mesmo mês do ano passado, registrou crescimento de 1,77%. No acumulado do ano frente aos mesmos meses de 2014, houve queda de-1,21%. No acumulado de 12 meses, o IBCR-SC apresentou um leve aumento de 0,03% na comparação com os 12 meses anteriores.

A economia brasileira, segundo o IBC teve queda de- 0,58% em junho frente ao mês anterior e de 1,2% na comparação com junho de 2014. No acumulado de janeiro a junho, recuou 2,49%.

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Banco Central eleva taxa de juros Selic para 13,75%

04 de junho de 2015 0

Para corrigir erros anteriores, o Banco Central elevou a taxa de juros Selic para 13,75% e fará mais aumento visando conter a inflação. Isso significa mais recessão e desemprego, o que prejudica os mais pobres.

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Diretor do Banco Central recomenda poupar mais

19 de novembro de 2014 0

Um dos gargalos da economia brasileira, que inibe os investimentos e o crescimento, é a baixa taxa de poupança do país. No segundo trimestre deste ano ela ficou em apenas 14,1% do PIB, a menor para o período desde 2001. Estimular o brasileiro a poupar mais foi um dos desafios colocados pelo diretor do Banco Central (BC), Anthero Meirelles, que abriu o 6º Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, que se encerra hoje, no auditório da ACM, em Florianópolis. Segundo ele, o BC está fazendo esforços para desenvolver novos instrumentos de aplicação financeira e estímulo ao hábito de poupar.
A autoridade monetária do país tem razão em trabalhar nesse sentido porque em outros países as pessoas poupam mais, especialmente para aposentadoria ao participarem de fundos de previdência complementar. Na China, por exemplo, a maioria poupa cerca de 50% da renda. Aqui, falta a muitos perceber a importância de aplicar em fundo de pensão desde jovem. Quando mais cedo começar, menor será o sacrifício. Vale lembrar que a renda da previdência pública ao trabalhador do setor privado, no Brasil, é insuficiente para as despesas na terceira e quarta idade.

Plenária sobre microcrédito em SC
O Fórum do BC inclui diversos segmentos das finanças. Hoje, às 9h, será o dia especial de SC no evento, com plenária sobre a experiência do Estado no microcrédito. Vão participar o secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni; a presidente da Associação das Organizações de Microcrédito e Microfinanças (Amcred-SC), Isabel Baggio; o superintendente do Sebrae/SC, Carlos Guilherme Zigelli; e o presidente do Sicoob SC/RS e representante das cooperativas de crédito do Estado, Rui Schneider da Silva.

Crise, eleições e autonomia do Banco Central

15 de setembro de 2014 0

A crise global de 2008 completa seis anos hoje, data da queda do Lehman Brothers. O Brasil se saiu bem nas medidas pós-crise, mas continuou com estímulos e isso ajudou a gerar o pibinho atual. Agora, preocupa é a guerra na campanha sobre a autonomia do Banco Central, medida que é saudável para a economia.

A escolha de Dilma para o Banco Central

24 de novembro de 2010 0

O economista gaúcho Alexandre Tombini, escolhido pela presidente Dilma Rousseff para presidir o Banco Central, é respeitado por seus pares pelos conhecimentos técnicos, experiência no BC, onde atua desde 1995, e discrição com a imprensa. A decisão da presidente foi muito bem pesada. Agora, resta provar que ele terá independência à frente da instituição para tomar as medidas necessárias para controlar a inflação. O mercado ficou com dúvidas sobre isto, porque o atual presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que só ficaria à frente do banco se tivesse autonomia. Essa informação gerou alta dos juros futuros.

O primeiro compromisso de Tombini deverá ser a elevação da taxa Selic para controlar o atual surto inflacionário. Afinal, a taxa chegou a quase 0,9% na última apuração. Cerca da metade disso é alta de alimentos, que não tem muita influência diante da Selic. Se Meirelles não aumentar o juro antes de sair, o compromisso ficará para o ano que vem e aí, a decisão será da nova cúpula do BC.

Diretor de Política Monetária deixa Banco Central

16 de novembro de 2009 0

Após contar muitas informações não conhecidas sobre os bastidores do mundo financeiro brasileiro durante a crise global, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós, deixou o cargo hoje. Ele alegou motivos pessoais e vai ser substituído por Aldo Luiz Mendes, que exercia o posto de vice-presidente do Banco do Brasil.

Especula-se que Torós já estaria de saída e a gota d`água foi entrevista que deu ao jornal Valor Econômico de sexta-feira, na qual contou que no pico da crise global, em dezembro do ano passado, R$ 40 bilhões migraram dos pequenos bancos para os grandes bancos do país, e que o Banco do Brasil foi informado por um diretor do BC que o Banco Votorantim estava em dificuldades. Mais tarde, este banco foi adquirido pelo BB. Outro fato que desagradou foi ele ter dito que o presidente do BC, Henrique Meirelles, quase foi demitido nos dias que antecederam a crise internacional.

Vale lembrar que a diretoria de Política Monetária é uma das mais importantes do Banco Central do Brasil.

 

Postado por Estela Benetti

Troca-troca no Banco Central

28 de setembro de 2009 0

O presidente do Banco Central Henrique Meirelles, chegou a afirmar que se filiaria a um partido, mas ficaria no comando do BC até o final de 2010, término do governo Lula. Agora, além de divulgar que vai se filiar ao PMDB, partido da base aliada, deverá deixar o governo antes para candidatar-se, e tem três opções: o governo de Goiás, uma vaga ao Senado ou uma para a Câmara Federal. Para o seu lugar, Lula escolherá o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, segundo informações da Globonews.

Apesar de ser mais desenvolvimentista, Coutinho é um economista ponderado e não deverá alterar o rumo das políticas econômica, monetária e cambial do Banco Central. A propósito, o mercado está mais preocupado com o nome que será escolhido para o BC pelo sucessor de Lula.   

 

Postado por Estela Benetti

Banco Central informa taxas de juros

06 de fevereiro de 2009 0

Postado por Estela Benetti, redação

O difícil dilema do Banco Central

10 de novembro de 2008 0

Com juros altos e crédito em baixa os preços deveriam cair, afinal, o ritmo da atividade econômica cai. Mas esse resultado esperado não está ocorrendo no Brasil, o que é um novo desafio ao Banco Central. É que, mesmo com o grave impacto da crise global nos juros e nas vendas a prazo, os preços do atacado estão em alta, refletindo o aumento da cotação do dólar, também conseqüência da crise.

O relatório semanal Focus do Banco Central, que ouve analistas de várias instituições, apontou hoje projeção de 6,40% para a inflação oficial do país, o IPCA, este ano, acima dos 6,31% estimados na semana anterior. A meta é 4,5%, mas pode variar 2 pontos percentuais acima e dois abaixo. Para o ano que vem, os analistas projetam 5,2% enquanto a estimativa anterior era de 5,06%.

O fato é que várias cadeias produtivas tiveram aumento de matérias-primas devido ao câmbio e outros fatores e estão passando adiante. Enquanto o consumo estiver alto, na ponta, essa transferência fica fácil. Reduções de preços devido à crise, como para carnes de frango e suíno, devem chegar ao consumidor apenas no ano que vem. Diante desse cenário fica a dúvida se o BC vai aumentar juros em dezembro ou esperar mais um pouco.  

Postado por Estela Benetti

Cooperativas como bancos

20 de novembro de 2014 0

Uma das prioridades do Banco Central do Brasil para a inclusão financeira é difundir mais o cooperativismo de crédito, que atua quase como bancos. O diretor do BC Luiz Feltrim disse ontem no Fórum da instituição que SC é um exemplo no cooperativismo, especialmente de crédito. O BC abriu consulta pública para aprimorar a estrutura de auditoria e incentiva a qualificação de gestores. O modelo alemão tem sido o principal benchmarking.

Terra da BMW
Apenas quatro municípios de SC não têm agência ou posto de cooperativa de crédito. Um deles é Araquari, a terra da montadora BMW, observou o presidente da Central Sicoob SC/RS, Rui Schneider no fórum do BC, ontem. Os outros sem agência são Celso Ramos, Imaruí e Pescaria Brava. No final de 2013, o setor tinha R$ 7,7 bilhões em depósitos em Santa Catarina.

E se o banco fechar sua caderneta de poupança e ficar com o dinheiro?

16 de janeiro de 2014 6

Para melhorar o seu balanço, a Caixa Econômica Federal contabilizou para si depósitos em caderneta de poupança de pessoas que não estão movimentando essas contas. O advogado Luciano Duarte Peres, presidente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Bancário, fez um artigo sobre o assunto. Confira: 

Manobra questionável 

DrLucianoJá pensou chegar para olhar a sua antiga conta da poupança e não encontrar mais nada? A recente descoberta do Banco Central (BACEN) só reforça a importância de estar sempre atento às formas indevidades das instituições financeiras de manterem seus lucros. Segundo análise do BACEN, a Caixa Econômica Federal (CEF) contabilizou de mais de R$ 400 milhões em lucro com o fechamento de cerca de 500 mil contas de poupança sem movimentação em 2012. A instituição está sendo obrigada a revisar e corrigir as impropriedades identificadas no fechamento das poupanças inativas, ajustando o balanço sem a incorporação do dinheiro ao patrimônio da empresa. 

A “manobra” praticada pela CEF não é comum e é extremamente questionável, uma vez que não está de acordo com as orientações do Banco Central e vai de encontro com a legislação vigente, em especial o Código de Defesa do Consumidor. A instituição ainda tentou justificar apresentando resolução e circular vigentes, no entanto as normas internas da CEF foram consideradas irregulares pelo BACEN e pela Corregedoria Geral da União. 

Os consumidores devem ficar atentos ao saldo disponível em conta e ao prazo de inatividade, estabelecido a partir seis meses sem movimentação da conta. Após esse período a instituição financeira pode providenciar o encerramento da conta, devendo, para tanto, comunicar o cliente, que tem o direito de retirar a quantia junto a qualquer agência da instituição portando o documento de identidade. 

No caso de qualquer irregularidade identificada, como a não liberação do valor, o consumidor deve imediatamente fazer uma denúncia no Banco Central do Brasil pela área de ouvidoria no site oficial (www.bc.gov.br), bem como ingressar com ação judicial contra a instituição para reaver o dinheiro. 

Dr. Luciano Duarte Peres é especialista em direito bancário e presidente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Bancário

Decisão do STF pode causar rombo de R$ 150 bilhões e quebrar bancos

23 de novembro de 2013 2

A pauta econômica da próxima semana será o início do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) de processos sobre a correção das cadernetas de poupança após a adoção de planos econômicos para combater a inflação nas decadas de 1980 e 1990. Cálculos apontam que se a decisão for a favor dos poupadores as instituições financeiras terão rombo próximo de R$ 149 bilhões e algumas podem quebrar. Como a Caixa era a principal depositária de poupança, o governo estima que ela ficará com um terço do débito, algo em torno de R$ 50 bilhões. Ministros e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, estão fazendo forte pressão junto ao STF para que o resultado não seja favorável aos titulares de poupança em função do estrago que a decisão vai provocar no sistema financeiro. Ela poderá limitar muito a oferta de crédito e isso vai conter a atividade econômica, gerar um pibinho e reduzir as chances de reeleição da presidente Dilma. A derrota poderá obrigar a União a elevar a carga tributária para cobrir a dívida da Caixa. Outras hipóteses são o adiamento do julgamento para depois da eleição do ano que vem ou o pagamento do débito em longo prazo. A votação pode ser apertada e a favor dos poupadores.

Um "banco" com 180 mil donos

21 de novembro de 2011 1

Os altos custos de serviços bancários levam milhares de pessoas a procurar a alternativa das cooperativas de crédito, onde podem ser donas da instituição e ter acesso a serviços bancários mais baratos, especialmente empréstimos. É por isso que a Viacredi, ex-Credihering, que era a cooperativa de crédito dos trabalhadores da Cia Hering, de Blumenau, atrai de 3 mil a 4 mil novos associados por mês no Vale do Itajaí, e se tornou a maior cooperativa de crédito do Brasil em número de sócios, com 180 mil cooperados. Segundo o presidente da Viacredi, o economista Moacir Krambeck, a organização, que fará 60 anos dia 26, precisa ser dividida para atender melhor seus associados. Krambeck também preside a central de cooperativas Cecred, que reúne 13 organizações, entre as quais a Viacredi, Transpocred, Credifiesc e Credelesc. Em nome dessa central, ele recebeu sexta-feira, em Cancun, no México, o prêmio mundial para excelência cooperativa, concedido pela organização americana DotCooperation LLC (DotCoop).

 Moacir Krambeck

Presidente da Viacredi (ex-Credihering) e da Cooperativa Central de Crédito Urbano Cecred. Moacir Krambeck, 67 anos, descendente de alemães, é natural de Blumenau. Desenvolveu sua carreira na área de controladoria da Cia Hering. Paralelamente, passou a atuar na gestão da Cooper, cooperativa de consumo da empresa, e, em 1995, assumiu a presidência da Credihering, da qual era sócio. Técnico em Contabilidade e economista pela Furb, também atuou como professor. É casado com Mary Krambeck e tem três filhos, dois engenheiros e um médico.

Como nasceu a Viacredi?
Moacir Krambeck – Foi constituída em 1961 por um grupo de 21 trabalhadores da Cia Hering, liderado pelo então presidente da empesa, Ingo Hering, pai de Ivo Hering, atual presidente do conselho. Ele se preocupava muito com a qualidade de vida dos trabalhadores. Conhecia o modelo alemão, mas foi copiar o da Renner, no RS. A Credihering foi fundada como as cooperativas Luzatti, da Itália, que associavam todas as pessoas, independentemente da atividade profissional, apesar de o Banco Central ter reconhecido isso somente em 2003, com a permissão da livre admissão. Em 1990, começou a permitir outras pessoas porque os funcionários da empresa começaram a se aposentar e queriam continuar na cooperativa. Nessa época ela tinha cerca de 8 mil cooperados. Em 2001, ela mudou o nome para Viacredi porque fez 50 anos e precisava sair do “casulo”.

Como vocês chegaram a 180 mil sócios, o maior número do Brasil?
Krambeck – A Viacredi é a maior do Brasil em número de cooperados. Em ativos, as do setor agropecuário são maiores. Alcançamos 180 mil sócios em 2004. As pessoas foram se associando em função da propaganda boca a boca. Elas tentam encontrar soluções para si, familiares e amigos.

Os ativos somam quanto?
Krambeck – A Viacredi tem R$ 1,040 bilhão em ativos. Vale explicar que ativos são o dinheiro aplicado pelos cooperados na cooperativa, mais os imobilizados dela, depósitos em conta corrente, poupança e aplicações de curto e médio prazos. Se dividirmos os ativos pelo total de associados, dá R$ 5 mil ou R$ 6 mil para cada um.

Quem pode ser sócio?
Krambeck – Todas as pessoas que têm domicílio na região. As empresas podem operar pela cooperativa, mas os sócios são as pessoas. O ingresso requer a integralização de R$ 240. Esse dinheiro é sempre do sócio e, se decide sair, leva o valor atualizado. O resultado da cooperativa, nos últimos anos, tem sido maior do que o da caderneta de poupança. Se você olhar a rentabilidade do patrimônio, vai chegar a 16% ou 17%. Se comparar com a taxa Selic, que está em 11,50%, o resultado é extraordinário.

Quais as vantagens dos sócio?
Krameck – A pessoa tem a segurança de qualquer sistema financeiro brasileiro porque a cooperativa, como os bancos, participa de um fundo garantidor. A remuneração é um pouco melhor do que a do sistema financeiro convencional. Já as operações de empréstimos são feitas com juros muito menores, chegam a menos de 50% do que o mercado cobra, em média. Além disso, a pessoa praticamente não tem tarifa. Enquanto os bancos cobram tarifa para manutenção de conta, as cooperativas não cobram praticamente nada. Só com isso dá para fazer uma poupança razoável.Entre os objetivos das cooperativas de crédito está motivar as pessoas a poupar. Eu sempre digo que a melhor previdência é ter capital na cooperativa. Quando se aposentar, vai lá, tira o seu capital devidamente atualizado e vai viver como um rei e como uma rainha. Não paga taxa de carregamento e taxa administrativa para a gestão dos recursos.

E o futuro da Viacredi?
Krambeck – Ela está crescendo de forma muito acelerada, com 3 mil a 4 mil novos sócios todos os meses. Como oferecemos atendimento personalizado, um sólido trabalho de educação sobre os objetivos do sistema cooperativista, é preciso pensar em melhorar a gestão. Entramos com projeto no Banco Central para criar uma cooperativa regional no Alto Vale com uma parte das 58 agências da Viacredi.

Como está constituída a central de cooperativas Cecred?
Krambeck – O sistema Cecred compreende, hoje, 13 cooperativas singulares, entre elas a Viacredi. Foi criado em 2002, com três organizações de Blumenau, a Viacredi, a Concredi e Acredicoop. Entre as nosssas associadas estão a Transpocred, da Federação dos Transportes do Estado, a Credifiesc, da Federação das Indústrias, e a Cedelesc, dos eletricitários do Estado. Uma das nossas associadas é a Rodocredito, do Paraná.

 Notas

Cooperativa

O sistema cooperativo tem foco socialista. Segundo Moacir Krambeck, não tem nada a ver com banco.
– Fazemos os serviço do sistema financeiro, mas as cooperativas são diferentes. São formadas por uma sociedade de pessoas que buscam solucionar seus problemas, obter operação financeira mais barata, uma remuneração melhor porque o objetivo não é ter lucro. Se não é ter lucro, tudo o que sobrar vai voltar para o cooperado, diferente do sistema financeiro tradicional – explica Krambeck.

Brasil

O sistema cooperativo geral nasceu na Inglaterra, mas o cooperativismo de crédito nasceu na Alemanha. Hoje, é forte nos países desenvolvidos e é o que mais cresce no Brasil, observa Moacir Krambeck. A fiscalização geral do sistema, no país, é feita pelo Banco Central, que acompanha 162 bancos e mais de 1,3 mil cooperativas de crédito. O modelo passou a ser mais procurado por pequenos empresários após a crise financeira de 2008, quando os bancos convencionais limitaram a oferta de crédito. As cooperativas também são alternativa para aumentar a concorrência bancária.

 Educação

Entre as ações desenvolvidas pelas lideranças das cooperativas está a educação dos associados. Todos são convidados a participar das assembleias. Os sócios são os donos da organização e tomam decisões em conjunto. As escolhas feitas por 50% dos votos mais um prevalecem nas assembleias, informa Moacir Krambeck.

Bancos federais vão reduzir mais os juros

31 de janeiro de 2009 0

Em mais uma tentativa para reduzir o custo do dinheiro para pessoas e empresas, os bancos federais vão cortar ainda mais os juros cobrados em linhas de crédito mais competitivas. O objetivo é reduzir o spread, que é a diferença entre o custo de captação do dinheiro e o custo pelo qual é repassado aos clientes. O Banco Central tem constatado que esse custo não pára de subir.  

A CEF e o BB estão entre os bancos que vão participar dessa operação. O governo estuda também divulgar um ranking dos bancos que cobram os menores spreads, a exemplo do que ocorre com as tarifas.  

Postado por Estela Benetti

Pressão aos bancos

17 de outubro de 2008 0

O Banco Central poderá obrigar os bancos que fazem empréstimo em moeda estrangeira a destinar esses recursos para financiar exportações de empresas no Brasil. A autorização já foi dada pelo Conselho Monetário Nacional. Se isso ocorrer, vai aliviar um pouco o lado das empresas, que estão sem recursos para exportação e esperam liberações do BNDES, ainda muito lentas.

Postado por Estela Benetti

Pequenos bancos na mira

07 de outubro de 2008 1

Uma das medidas anunciadas ontem à noite pelo Banco Central autoriza a instituição a assumir carteiras de crédito de bancos pequenos caso eles tenham problemas com a crise global. O BC teve que assumir esse risco porque os bancos maiores do Brasil não estão dispostos a correr perdas emprestando para bancos menores, apesar de o governo ter liberado compulsório com esse objetivo.

Na verdade, as tesourarias dos grandes bancos estão preferindo não liberar o dinheiro. No fim dos dias, elas pegam os recursos que sobram e colocam no Banco Central, mesmo recebendo menos por essa aplicação do que receberiam se emprestassem ao vizinho menor.

A propósito, vários pequenos bancos cresceram, no Brasil, de uma hora para outra graças ao governo que autorizou os mesmos a operarem com crédito consignado. Agora, alguns não devem estar com fôlego para aguentar novos desafios da crise internacional, que reduziu a oferta de dinheiro.

Postado por Estela Benetti, Florianópolis

Bancos aceleram alta dos juros

29 de julho de 2008 0

Relatório divulgado hoje pelo Banco Central revela que a taxa média dos juros bancários, no primeiro semestre, subiu de 33,8% para 38% ao ano, o que representa uma elevação de 4,2 pontos percentuais em seis meses. Entre as causas deste aumento estão a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da taxa básica de juros Selic.

As expectativas para os tomadores de empréstimos não vão melhorar neste segundo semestre porque o Banco Central elevou em 0,75 ponto percentual  a Selic, este mês, para conter a inflação, o que pode sobrecarregar ainda mais a taxa média.

Como os últimos índices de preços já revelaram um leve recuo da alta inflacionária, em parte devido aos juros maiores, isto sinaliza que o consumo poderá cair de forma mais acelerada nos próximos meses.

 

Postado por Estela Benetti, Florianópolis

Inflação segue em alta

06 de outubro de 2015 0

As projeções para a inflação deste ano, que já estavam altas, ganharam mais pressão agora com o aumento de 6% do preço da gasolina e de 4% do óleo diesel. A mediana das estimativas no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 5, pelo Banco Central, passou de 9,46% para 9,53%. Há quatro semanas, estava em 9,29%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC havia previsto 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado.

Alta de preços e incertezas mudam hábitos de consumo nos supermercados de SC Leia as últimas notícias

Câmbio pressionado amplia crise no país

25 de setembro de 2015 0

As variações do dólar dos últimos dias, resultantes da crise política do governo Dilma Rousseff, agravam o cenário de incertezas na economia. A comunicação do Banco Central de que poderá usar as reservas amenizou os temores quinta-feira, mas como o desequilíbrio fiscal continua e o governo não tem adotado medidas concretas para reduzir os gastos públicos, querendo transferir tudo para o contribuinte, os problemas continuam. Além disso, pesa a dúvida se a presidente continuará no cargo ou sofrerá impeachment caso surjam provas contra ela na Operação Lava-Jato.

A inflação é o principal efeito negativo do dólar alto. Afeta toda a economia, mas prejudica mais os pobres. Embora a transferência aos preços seja gradual e possa demorar até um ano, alguns danos afetam cadeias produtivas do Estado imediatamente. Uma das atingidas é a do agronegócio, que já registra alta de 26% no milho e de 40% no farelo de soja em função do câmbio. Indústrias que usam insumos externos sentem a pressão logo. Há o temor da alta dos combustíveis e outros insumos cotados em dólar. Entre os efeitos positivos estão o impulso às exportações, o que não ocorre de uma hora para outra, e a vinda de turistas do exterior. Apesar disso, o cenário indica que é preciso cautela nas decisões econômicas.

Com aumento do dólar, momento é de cautela e incertezas:

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