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Mudar o Estado para os próximos cem anos

13 de setembro de 2015 0
Foto: Marco Favero, Agência RBS

Foto: Marco Favero, Agência RBS

Gestão de qualidade em todos os serviços é a principal razão do sucesso da Ibagy Imóveis, de Florianópolis, que comemora 45 anos de atuação terça-feira. Fundada pelo advogado Ady José Ibagy, a empresa, que administra cerca de 7,5 mil imóveis, é dirigida pela segunda geração. O filho Leandro atua mais na direção geral, financeira e jurídica; e a filha Luciane dirige as áreas de gestão de pessoas, qualidade e marketing. A seguir, os principais trechos da entrevista com Leandro Ibagy.Y.

Como nasceu a Ibagy Imóvies e em que áreas atua?
A empresa foi fundada em 15 de setembro de 1970 pelo meu pai, Adyr Ibagy, que já exercia advocacia há dois anos. Ela nasceu dentro do princípio pelo qual teve origem a adminstração de imóvies no Brasil, num escritório de advocacia. O pai tinha trabalhado numa empresa do segmento. Abriu a Ibagy confiando nos seus valores e conhecimento. Hoje, atuamos na área de compra e venda, locação e advocacia. Temos três empresas num grupo só: A Ibagy Imóveis na locação, Ibagy Negócios na compra e venda e Ibagy Advogados Associados na assessoria jurídica.

Será possível crescer neste ano de crise econômica?
O mercado está mais favorável para locação residencial. Nós realizamos anualmente um planejamento estratégico. Nosso calendário comercial inicia dia 1 º de dezembro e termina dia 30 de novembro. Projetamos para 2015 um crescimento de 12,5% no número de locações que administramos. Na receita total nosso planejamento é de 10% de crescimento. Fazemos a gestão de aproximadamente 7,5 mil imóveis atualmente.

Qual é a principal novidade para o aniversário de 45 anos?
Vamos comemorar o aniversário da empresa dia 30 deste mês, com a inauguração da agência Trindade, em Florianópolis, a quinta da empresa. Estamos investindo R$ 2 milhões num prédio bem localizado numa esquina da Rua Lauro Linhares. Ano passado inauguramos duas agências na Grande Florianópolis.

A Ibagy se destaca por ofecer oportunidades de investimentos nos EUA. Como está essa atuação no exterior?
Nós administramos e vendemos imóveis na Florida, com uma parceria que temos em Miami há 20 anos. Atendemos quem tem sonho de morar lá, emprender, ter um patrimônio no exterior. Até no ano passado, o interesse em investir lá fora era maior. Com a alta do dólar, no último semestre, diminuiu um pouco a procura.

Como a empresa atua em outras regiões de SC e do Brasil?
Em SC estamos presentes em 19 cidades. Temos representantes nas maiores, em todas as regiões. No Brasil, a Ibagy atende em 16 capitais das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

O que representou a conquista da primeira colocação do ranking de Melhor Empresas para Trabalhar em SC?
Lideramos no segmento de média empresa do ranking Great Place to Work e revista Amanhã. Com certeza é a maior comenda que a empresa recebeu na história. Deixou nossa equipe de 140 colaboradores ainda mais motivada.Muito desse trabalho está ligado a atuação do nosso pai que, mesmo como conselheiro, contrata as pessoas e, sempre que pode, passa na empresa para conversar com cada um.

E a certificação ISO 9000?

Conquistamos a certificação em 2009. Isso imapcta diretamente na qualidade dos nossos serviços. Dá mais segurança para a nossa equipe, locatários, locadores e fiadores.

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Casan investe R$ 1,8 bilhão até 2017, com ênfase em esgoto sanitário

26 de julho de 2015 0
Foto: Diorgenes Pandini, Agência RBS

Foto: Diorgenes Pandini, Agência RBS

Enquanto só se fala em crise no Brasil, a Casan, Companhia de Água e Saneamento de SC, executa o maior volume de investimentos da sua história. São mais de R$ 1,8 bilhão em obras em 90 municípios do Estado, afirma o presidente da companhia, o engenheiro civil Valter José Gallina. SC vai passar do 17º Estado do país para o 4º em saneamento básico.

Durante anos a Casan negociou financiamentos para investir mais. Agora o dinheiro chegou. Quanto a empresa tem para investir e quais são os principais financiadores?
Temos hoje mais de R$ 1,8 bilhão para investimentos até em 2017. São mais de R$ 420 milhões da Caixa Econômica Federal, R$ 410 milhões da JICA (instituição financiadora do Japão), mais de R$ 350 milhões da instituição francesa AFD, R$ 100 milhões do BNDES e outros. Além disso, há as contrapartidas da Casan. Até 2017, esse montante vai superar os R$ 2 bilhões. Fizemos bons projetos e soubemos aproveitar.A capacidade de endividamento da emrpesa está em alta e tivemos o respaldo do governador Raimundo Colombo que avalizou tudo. Estamos com obras a todo o vapor.

Há obras em quantos municípios?
Em 90 municípios. Não sei se tem alguma empresa oxigenando tanto a economia de SC quanto a Casan.

A empresa é criticada pelo baixo índice de esgoto tratado no Estado. Como está hoje, como vai ficar e o que é projetado para o futuro?
É uma vergonha para nós. Hoje, o Estado é o melhor em qualidade de vida no Brasil, tem o menor índice de mortalidade infantil, menor índice de desemprego, de analfabetismo, maior longevidade, mas temos apenas 19% de cobertura de esgoto e somos o 17o Estado brasileiro em sanemanto. Com esses investimentos, até 2017 vamos chegar a 49% de cobertura de esgoto e ficaremos em 4o lugar no país. Projetamos a universalização do saneamento básico para 2028. Mas para os 80 menores municípios, estamos negociando um empréstimo com o banco alemão KfW de 100 milhões de euros (cerca de R$ 350 milhões). Eu e o governador vamos para a Alemanha firmar esse compromisso no final do ano. Esse plano permitirá chegar a 60% de cobertura de esgoto e ficaremos, então, em 2o lugar, atrás apenas de Brasília.

O que está sendo feito para evitar a falta de água no próximo verão na região da Grande Florianópolis?
Não faltou água no Norte da Ilha no último verão. Foi um desafio. Nos 45 anos da Casan faltou água na região em todos os verões. Na última temporada fizemos um planejamento técnico e investimentos R$ 25 milhões para que não faltasse água e não faltou. Este ano, planejamos investir R$ 20 milhões. Estamos trabalhando para que não falte mais água.Eu falo muito na obra do flocodecantador. É uma obra de R$ 25 milhões que vai aumentar em 50% a capacidade de tratamento de água na Grande Florianópolis. Ficará pronta em meados de dezembro.

Muitos municípios deixaram a Casan após o término do contrato de 30 anos e optaram por gestão própria. Como está esse processo?
Em 2004 saíram 32, entre os quais alguns grandes como Joinville e Lages.Foi uma época em que a Casan não tinha grandes investimentos e o passivo era grande. Hoje é diferente, temos grandes investimentos. Içara retornou para a Casan este ano, Porto Belo e Barra Velha retornaram. Chapecó saiu e voltou. Garopaba e Paulo Lopes também retornaram. Em 2013 saiu Imbituba, quando tínhamos R$ 50 milhões para investir lá com recursos da Caixa. Eles recusaram esse investimento, disseram que iriam investir e não fizeram um metro de esgoto.Palhoça saiu da Casan há oito anos, nesse período não foi feito um metro de esgoto e temos recursos para investir lá. Estamos em negociação do valor da tarifa da água. Se voltarem, temos R$ 80 milhões para investir no município. Mês que vem a Justiça deverá definir uma nova tarifa para Palhoça e aí vamos negociar a volta para a Casan.

Diversas cidades tiveram dificuldades para tratar a água. É muito difícil?
São vários tipos de tratamento e muitos produtos são importados. Se a água tem excesso de ferro, é preciso tratar, se tem muito manganês. São poucas só com cloro. As exigências dos órgãos ambientais de fazer testes de duas em duas horas. São muitas coisas. A água da Casan é considerada a melhor do Brasil. Eu tomo água da torneira, coisa que eu não fazia antes de trabalhar na Casan. Mas é preciso ter uma caixa d’água limpa, o que deve ser feito a cada seis meses. Há empresas especializadas nisso.

São Paulo enfrenta há dois anos uma grande seca e a Sabesp, companhia de água do Estado, é acusada de não ter investido o suficiente enquanto retorna muito lucro aos acionistas. Se der uma grande seca em SC, a Casan está preparada?

Em São Paulo eu acho que faltou planejamento. Mas qual é a região de Santa Catarina que poderá, daqui a 10 anos, passar o que São Paulo passou se acontecer uma grande seca? Por incrível que pareça, a região de Chapecó. Isso porque não há rios que passam dentro do município. Há dois rios, o Lageado Tigre e o Lageado Chapecó. Os dois mais próximos são o Rio Uruguai a cerca de 60 quilômetros e o Chapecozinho, que fica depois de Xanxerê. Fizemos um projeto mutio bem feito. Apuramos que ele requer orçamento superior a R$ 220 milhões e uma adutora de um metro de diâmetro. Fomos atrás de recursos e conseguimos com o Ministério da Integração.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apurou que os reflorestamentos das nascentes de rios na Região Sul estão bem. Santa Catarina está nesse grupo enquanto outras regiões do Brasil enfrentam situação preocupante. O que a Casan faz para proteger as nascentes?
Nós temos parcerias com vários municípios e associações que desenvolvem projetos de proteção das nascentes. Em Caçador, temos o SOS Nascentes. Mas eu gostaria de destacar um em especial, o Consórcio Iberê, que em 2012 foi considerado um dos dois melhores do Brasil em proteção de mata ciliar em nascentes. O trabalho é desenvolvido por prefeituras (municípios de Cordilheira Alta, Chapecó, Guatambu, Planalto Alegre, Caxambu do Sul, São Carlos e Águas de Chapecó), Ministério Público, Polícia Ambiental e outras instituições. A Casan participa ativamente com recursos e pessoas. Eu assinei convênio superior a R$ 300 mil para esse projeto este ano.

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Mais tecnologia para expandir o agronegócio

03 de julho de 2015 0
Foto: Luiz Brasil, Divulgação

Foto: Luiz Brasil, Divulgação

DIFUSÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE TECNOLOGIA E GESTÃO AOS PROFISSIONAIS DO CAMPO SÃO PRIORIDADES DO NOVO MANDATO DE JOSÉ ZEFERINO PEDROZO À FRENTE DA FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE SC, A FAESC. O LÍDER RURAL (FOTO) ASSUME NESTA SEXTA-FEIRA, ÀS 19H30, EM EVENTO NO AUDITÓRIO DO CUPER HOTEL, EM SÃO JOSÉ, NA GRANDE FLORIANÓPOLIS. PEDROZO PREVÊ CONTINUIDADE DO CENÁRIO POSITIVO AOS PRINCIPAIS SEGMENTOS DO SETOR NO ESTADO.

O que vai priorizar na nova gestão á frente da Federação da Agricultura do Estado?
Vamos continuar, através do nosso Sistema “S”, o avanço da profissionalização e do conhecimento. Hoje, o produtor está muito mais informado. Queremos multiplicar a oferta de cursos técnicos inteiramente gratuitos aos profissionais do agronegócio. Também vamos avançar na parte de inclusão digital. Temos batalhado muito para que o nosso produtor saiba tudo o que ocorre, instantaneamente, em qualquer lugar do mundo. Nosso agricultor se tornou um empresário rural, dá atenção especial à gestão do seu negócio, busca redução de custos e rentabilidade. Esses avanços é que estão permitindo à nossa atividade passar à margem da crise nacional.

Quais setores do agronegócio de Santa Catarina vão crescer mais?
Um dos nossos principais desafios é continuar a expansão da atividade leiteira. Queremos fazer com que Santa Catarina usufrua dos benefícios que tem do status de livre de aftosa sem vacinação. Também vamos incentivar o aumento da pecuária de corte e seguir com atenção aos setores de suínos e aves. Buscaremos ainda a expansão da produção de grãos, maçã e outros produtos. Nos últimos anos não tivemos decepções. O agronegócio de SC está num bom momento e esperamos que isso continue. As notícias não tem sido ruins ao nosso setor no país. Eu gostaria de citar uma frase que me marcou muito, dita pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, numa teleconferência do BB, anteontem, em Brasília. Ele falou que a agricultura brasileira de hoje é bem diferente da agricultura do passado. A do passado era o somatório de mão de obra e terra. A do presente e do futuro, é tecnologia e capital. Estamos entrando na era do mundo desenvolvido. Nós temos ainda, no Estado, cerca de 15% da população no meio rural. Os EUA têm só 3%.

E quanto às agroindústrias?
Vai continuar crescendo. As agroindústrias continuam investindo no Estado. Nós vamos aumentar a nossa produção não só com números, mas com tecnologia. Na área de leite, temos crescido mais do que a média nacional e vamos continuar. No segmento de bovino de corte esperamos avançar com melhoramento genético e pretendemos exportar. Há países interessados em comprar carne catarinense porque somos livres de aftosa sem vacinação.

Como avalia a participação do setor primário na economia nacional?
O setor primário da economia vem prestando grande serviço ao país. Além de produzir alimentos de qualidade a preços acessíveis, proporciona superávits anuais superiores a R$ 100 bilhões. Isso significa que a agricultura está, literalmente, salvando a balança comercial do Brasil. A atuação dos produtores e o fantástico desempenho apresentado pela pecuária motivaram o governo a adotar políticas específicas orientadas para elevar o potencial de produção, geração de renda e incrementar as divisas com exportações de produtos pecuários. Além da ampliação dos programas de custeio e investimento, foram lançadas novas linhas de financiamento para dar suporte à pecuária.

A carência de infraestrutura é grande. Quais são as obras que fazem mais falta ao agronegócio catarinense?

O que falta para nós é o elo de ligação férrea do centro de produção de grãos, o Centro-Oeste, com o Oeste de SC, ou seja, a Ferrovia Norte-Sul. Isto porque somos deficitários em milho. Precisamos de uma ferrovia que ligue o Centro de produção de grãos para atender a demanda de SC e Rio Grande do Sul. Nós também defendemos a ferrovia da integração (do frango). Outra obra prioritária para o nosso setor é a duplicação da BR-282 que liga o Extremo-Oeste ao Litoral do Estado.

Quais são as principais preocupações do produtor rural atualmente?
A evolução resultante da introdução de técnicas aprimoradas, a ausência de salvaguardas contra os subsídios externos, o excessivo liberalismo nas importações, os custos internos e a falta de mecanismos eficientes de apoio ao beneficiamento e à comercialização da produção, somadas a um conjunto de outros fatores.

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Entrevista: Pamplona no clube das bilionárias

28 de junho de 2015 0
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Esta é uma fase especial da Pamplona Alimentos, de Rio do Sul, agroindústria de carnes presidida por Irani Pamplona. A companhia inaugurou neste sábado fábrica de industrializados que recebeu investimento de R$ 70 milhões e, em breve, entrará no clube das empresas que faturam mais de R$ 1 bilhão por ano. Planeja fechar 2015 com receita bruta de R$ 1,1 bi.

Este é o ano em que a Pamplona Alimentos entra no seleto grupo das companhias bilionárias. Em que período vai alcançar essa marca?

No último trimestre deste ano.

Como foi a trajetória da empresa nos últimos anos?

Desde 2009, com a implementação do business plan da companhia, alinhado com o planejamento estratégico, a Pamplona Alimentos S.A. vem ampliando a comercialização dos produtos industrializados nos diversos canais, destacando-se a ampliação no varejo, melhorando significativamente a lucratividade, possibilitando a modernização do parque fabril.

O que representa a nova fábrica de industrializados inaugurada neste sábado em Rio do Sul?

É a concretização de um sonho que foi desenhado no planejamento estratégico da empresa e que só se tornou possível graças ao empenho dos acionistas, executivos e de todos stackholders (públicos estratégicos).

Em quais mercados a Pamplona comercializa industrializados e como se posiciona em termos de preços?

Estamos, nos últimos anos, ampliando as nossas vendas para todo o território nacional, direcionando a produção desta nova fábrica para o mercado interno, grande parte ao varejo. Acreditamos que com os atributos e qualidade alcançados pelos nossos produtos com a tecnologia de ponta adquirida vamos agregar ainda mais valor, aproximando nossos preços aos dos grandes players do mercado.

Quanto da produção da companhia é exportada e em quais mercados projeta crescer mais no exterior?

Exportamos 45% da nossa produção para mais de 20 países. Se destacam os crescimentos ainda em 2015 para o Japão, África do Sul e China, e no próximo ano, para a Coreia do Sul.

A Pamplona atua no segmento de proteína animal com carnes suína e bovina. Planeja atuar na avicultura?

Manteremos a nossa estratégia de focarmos somente em suínos, industrializando 40% do total faturado pela empresa, e pequena parte em bovinos.

A Pamplona aperfeiçoou a gestão, criou o conselho de administração. Quais são os principais resultados dessas mudanças?

O processo de governança começou em 2009 pela então presidente, dona Ana Pamplona, apoiada pelos demais acionistas. Naquele ano, com o apoio da Fundação Dom Cabral, a empresa reformulou a diretoria e instituiu o conselho de administração do qual o nosso irmão mais velho, Valdecir Pamplona, é presidente. Desde o início, foi integrado por conselheiros independentes. Atualmente são quatro. Esta mudança contribuiu sobremaneira para a recuperação econômico-financeira da Pamplona Alimentos, que desde então, suportada nos seus investimentos alinhados com planejamento estratégico, vem crescendo de forma sustentável, ampliando o mix de produtos e market share no mercado interno.

A senhora acaba de assumir a presidência do Sindicato das Indústrias de Carnes (Sindicarnes/SC). Quais são as prioridades da entidade?

A maior, sem sombra de dúvidas, é lutar pela manutenção da segurança sanitária do nosso Estado. Com o apoio das agroindústrias e dos órgãos públicos, manteremos o status diferenciado em relação aos demais Estados do Brasil, nos credenciando a ter acesso aos importantes mercados como o Japão, Estados Unidos, China, África do Sul e, futuramente, também a Coreia do Sul.

Qual é a sua avaliação sobre o cenário do setor para este ano e 2016?

Estamos otimistas com a nossa performance para 2015 e 2016. Entendemos que esta crise que assola os demais setores se dissipará nos próximos semestres.

A senhora preside a Pamplona Alimentos desde 2009. Como foi sua trajetória na empresa?

Minha vida profissional foi toda dedicada à Pamplona, desde muito cedo, aos 14 anos. Trabalho há 48 anos na empresa, sendo nove como diretora financeira, 25 no administrativo e, em 2009 assumiu a presidência. Nossos pais, os fundadores Ana e Lauro Pamplona tiveram cinco filhos: Edina, Valdecir, Irani, Jacir e Daurete. Hoje, Valdecir preside o conselho, Edina é conselheira e gerente da fábrica de Rações, Maria Daurete é gerente Comercial da filial de Itajaí e secretária do conselho.

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Pedra Branca, cidade planejada que conecta para a inovação

15 de setembro de 2014 0
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Fotos: Alvarélio Kurossu, Agência RBS

Baseada em Palhoça entre a serra e a BR-101, a Cidade Pedra Branca é um dos maiores empreendimentos imobiliários privados do país. Para o fundador e presidente, Valério Gomes Neto, é o melhor e mais criativo. Na última semana, a cidade conquistou o PRÊMIO Master  Imobiliário, um dos mais importantes do Brasil.O projeto é dirigido por Valério (foto) e seu filho Marcelo Gomes, (imagem abaixo). Como a sustentabilidade é um dos focos na nova urbanização, ambos circulam de bicicleta.

O empreendimento Pedra Branca adotou o modelo de cidade criativa. Como é esse conceito urbanístico?

Valério Gomes – A gente está surfando a onda das coisas boas que estão acontecendo no mundo. As cidades mais agradáveis, hoje, são as criativas, ou seja, lugares que proporcionam e facilitam encontros, que induzem as pessoas à convivência, à troca de ideias e isso gera bons negócios. Estamos buscando construir um endereço que seja agradável de se morar, de se viver, mas principalmente siga esse caminho da inovação e da criatividade visando muito um público de pessoas especiais, de tecnologia, um pouco desse sonho de um Vale do Silício.

Quando o projeto começou e como virou uma cidade?

Valério – Nós começamos em 1999, em novembro o projeto fará 15 anos. A Pedra Branca era uma fazenda de 250 hectares. Quando começamos não enxergávamos isso tudo, foi um aprendizado. A gente continua aprendendo, foram muitas etapas com a colaboração de muitas pessoas. A gente vinha assinando “cidade sustentável”, mas no final do ano passado mudamos para “cidade criativa”. Entre as cidades com esse perfil estão Londres e HafenCity, em Hamburgo, na Alemanha.

Quantas pessoas vivem na cidade e qual será a capacidade total até o fim do projeto?

Valério – Hoje, são cerca de 6 a 7 mil moradores, mas o projeto vai chegar a uns 40 mil. Então, ainda estamos engatinhando. Temos mais uns 20 anos pela frente.

Por que o Passseio?

Valério – É o quarto capítulo – moradia, trabalho, estudo e lazer. Faltava no bairro o lazer, que é exatamente essa rua de comércio para as pessoas desfrutarem e se encontrarem, Ela foi concebida por um grupo enorme de arquitetos sonhadores com o que tem de mais moderno em termos de concepção de uma rua compartilhada, desde o uso do sapato de salto, a bicicleta, as pessoas de idade, a calçada e a rua no mesmo nível, o piso não escorregadio, onde o espaço mais nobre é sempre do pedestre, seguido pela bicicleta e por último o automóvel. E isso está acontecendo.

Como está a área empresarial da Pedra Branca?

Valério – A parte industrial foi lançada há dez anos. Agora vamos lançar um novo empreendimento chamado Aeroparque, que é no município de São José mas também faz parte da Pedra Branca, que passa ter área territorial em dois municípios. Serão lotes industriais para pequenas e médias empresas porque há demanda grande para esses espaços. A pessoa pode residir na Pedra Branca e ir ao trabalho de bicicleta.

E o centro tecnológico?

Valério – Nós estamos muito focados na atração de empreendedores e retenção desses talentos. Há o Inaitec, que é uma incubadora, o Instituto de Tecnologia e Inovação do Continente, fundado pela prefeitura, Unisul e outros parceiros. É gerido pela Unisul, justamente porque tem nesse campus universitário baseado na Pedra Branca o DNA.

Há mais projetos para breve?

Valério – Estamos projetando um teatro em parceria com a Unisul, que poderá sediar também eventos. Além disso, estamos elaborando um plano de 70 quilômetros de ciclovias para a prefeitura de Palhoça porque a cidade é plana e o uso de bicicletas é crescente. O prefeito Camilo Martins está entusiasmado.

Quais são os planos para melhorar o sistema viário?

Valério – Temos uma parceria com o governo do Estado para fazer a Avenida das Universidades, ligando Palhoça a São José e Biguaçu. Sai do Bairro Pagani, passa pela Pedra Branca e vai até a SC-407. E o contorno da BR-101 passará entre a Cidade Pedra Branca e o morro ao lado.

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Inovação em cerâmicas para revestir

31 de agosto de 2014 2
Foto: Caio Marcelo / Agência RBS

Foto: Caio Marcelo / Agência RBS


O empresário Edson Gaidzinski, 49 anos, está à frente da Eliane Revestimentos Cerâmicos, de Cocal do Sul, desde 2006. Terceira geração da família fundadora, ele lidera a empresa com foco na qualidade e inovação. O crescimento anual está numa média de 10%. Gaidzinski, que também preside a Anfacer, está otimista com o cenário futuro, especialmente ao mercado brasileiro onde há carência de aproximadamente 7 milhões de moradias.

Quanto a Eliane cresceu até julho deste ano como o senhor vê o cenário futuro?
Edson Gaidzinski – A empresa faturou de janeiro a julho do ano passado R$ 444 milhões e, este ano, atingiu R$ 489 milhões, um crescimento de 10%. Na geração de caixa, no mesmo período de 2013 tivemos R$ 64 milhões enquanto, neste ano, estamos com R$ 78 milhões, com um acréscimo de 22%.As pessoas me perguntam sobre o Brasil, o ano de eleições e como vai ser o futuro. Tenho afirmado que no Brasil o empresário tem que ser muito otimismo com tudo apesar das dificuldades. O empresário brasileiro é empreendedor. Nós somos uma empresa tradicional que vai faturar talvez este ano R$ 870 milhões, tem 2.500 funcionários. dois polos fabris: em Cocal do Sul, SC, e em Camaçari, na Bahia.

O senhor é a terceira geração da família fundadora. Como foi a gestão até aqui?
Gaidzinski – A Eliane é uma empresa que foi fundada em 1960, pelo meu avô Maximiliano Gaidzinski. Ele tocou a empresa de 1960 até 1980. Na segunda geração, meu pai assumiu a empresa, de 1980 a 1996. Em 1996, num processo de profissionalização, ela foi tocada por profissionais durante dez anos, até 2006. Em 2006, assumi a empresa, onde estou há oito anos. Já estou no terceiro planejamento estratégico da empresa, que é de 2015 a 2020. Dentro do planejamento estratégico tem os nossos planos de negócios. A Eliane vai fazer 55 anos no ano que vem e exporta desde a década de 1980.

Como está a marca no exterior e quanto por cento da produção vocês exportam?
Gaidzinski – A Eliane é uma marca bastante internacionalizada. No Canadá é uma marca de referência. Também temos uma posição muito boa na América do Sul, com clientes principalmente no Chile; e temos diversos clientes em países da Europa. Desde 2009, por opção, a empresa exporta 10% e destina 90% ao mercado interno.Desses 90%, 45% vai para revendas, lojas de varejo.Outra parte é para o mercado de construção.

Vocês negociaram uma fusão com a Portobello que não evoluiu. A Eliane tem plano para ir ao varejo a exemplo da concorrente?
Gaidzinski – Não, não temos intenção nenhuma de trabalhar diferente do que trabalhamos hoje. Eu acredito muito no fato de que nós como indústria precisamos de investimento em ativos permanentes de longo prazo. E esse investimento mais a inovação dentro do nosso laboratório, dentro do nosso estudo de produto, é relevante. Então a indústria trabalha com indústria e o varejo como varejo. Acho essa diferenciação é muito importante. Cada empresa trabalha do seu modo e tem o seu DNA.

Como vocês trabalham a inovação?
Gaidzinski – Nós temos parcerias muito fortes com empresas do Japão e da Itália. Todo o processo de fachada ventilada de obras como o Shopping JK Iguatemi de São Paulo e a sede da Odebrecht usam esse método de instalação com nossa parceria japonesa. Considero essa inovação muito importante porque sai da vala comum para aplicação de um método mais limpo, rápido, econômico e sustentável. No caso das obras da Copa, por exemplo, fornecemos revestimentos para cinco estádios, incluindo a Arena Corinthians. Um dos nossos diferenciais em qualidade e inovação é termos o Colégio Maximiliano Gaidzinski, onde formamos técnicos em cerâmica. Vai fazer 35 anos e é motivo de orgulho.

A empresa chamou a atenção ao voltar usar carvão em parte da produção. Por que?
Gaidzinski – Hoje, a indústria cerâmica é muito dependente de gás natural, que é o gás limpo. Temos um processo de via úmida, que requer menos calor, para tirar umidade da matéria-prima. Adoraríamos usar só gás natural, mas como é um insumo caro e limitado, tivemos que adaptar esse processo para a matriz energética do carvão.

O senhor também preside a associação nacional do setor, a Anfacer. Quais as expectativas para o setor este ano?
Gaidzinski – O Brasil é o segundo maior produtor e consumidor mundial de cerâmica. Vejo os empresários do nosso setor investindo e acreditando no Brasil. Há um processo contra o produto chinês nesse último ano que já tá em prática, que é para proteger a indústria brasileira. O mercado cresce 6 a 7% ao ano no país e há o déficit habitacional de 7 milhões de moradias que precisa ser preenchido. Estamos no lugar certo e na hora certa.

Educação é tudo

27 de agosto de 2014 0

Questionado sobre a educação numa entrevista ao Estadão em 2004, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, que faleceu domingo, afirmou:
– Não perdemos o bonde da educação, mas estamos andando muito vagarosamente, o que é lamentável, pois educação é um ponto seríssimo, mais do que a saúde. Não ter educação é um desastre para  o país. Educação é tudo em uma nação. Sem educação não somos nada – disse. Avaliação superatual.

Como o campo pode ficar mais rico

25 de agosto de 2014 1

O agronegócio brasileiro é um dos poucos setores em alta da economia, mas pode gerar ainda mais riqueza diante de um mercado global cada vez mais comprador. Para desenvolver ainda mais o campo, é preciso mudar a legislação para tornar possível a micro e a pequena empresa rural. É isso que defende o secretário de estado da agricultura e pesca, Airton Spies. Ele é mais otimista do que a média porque conhece os modelos do agronegócio da Nova Zelândia e Austrália, onde cursou mestrado e doutorado, respectivamente.

Foto: Betina Humeres

Foto: Betina Humeres

O senhor é otimista com o futuro do agronegócio, disse até que as pessoas do campo terão maior qualidade de vida e mais riqueza do que as da cidade. Por que vê esse cenário?
Airton Spies – Primeiro porque o mundo precisa muito de alimentos. Temos 7 bilhões de habitantes no Planeta e teremos 9,4 bilhões em 2050. Segundo a ONU, mesmo que a população cresça 40%, o consumo de alimentos vai crescer 75% até 2050 frente a 2010 porque muitos ainda não consomem a quantidade de alimentos que gostariam. Como os países mais populosos como a China e a Índia estão aumentando a renda, vão demandar mais alimentos. E o Brasil, por suas condições de clima e tecnologia no agronegócio, é o candidato a ser o celeiro mundial. Por isso vejo há mais oportunidades do que ameaças para o agronegócio brasileiro.

E para Santa Catarina?
Spies – Com base na agricultura familiar, temos uma condição muito favorável para a produção diversificada de alimentos em função do relevo acidentado e microclimas diferentes. Além disso, temos cadeias produtivas muito organizadas. Então é possível prever que as pessoas que vão ficar no campo vão se profissionalizar mais, usar mais tecnologia, alcançar mais produtividade e mais renda, o que resultará, naturalmente, em mais qualidade de vida. Vão ficar no campo não mais as pessoas que sobraram e sim as que optaram por ser profissionais. O governo tem políticas para melhorar a infraestrutura do meio rural para equipará-la com a das cidades em estradas, energia, internet e tudo mais que leva qualidade de vida ao campo.

O senhor defende mudança na legislação para as pequenas propriedades se tornarem empresas. O que falta para isso?

Spies – O modelo brasileiro tem um equívoco no seu formato. Para a propriedade rural efetivamente evoluir, ela precisa ser administrada como uma empresa. A propriedade rural é um lugar onde se investe dinheiro para para ganhar mais dinheiro. Isso é o empreendorismo que faz. As nossas propriedades são baseadas num CPF, administradas como uma pessoa física. O dono da terra é também o sócio da cooperativa, do sindicato e o cliente do banco. Tudo está no nome dele, enquanto as outras pessoas da família não têm identidade econômica. Precisamos de uma legislação que permita que a propriedade rural se converta numa micro ou pequena empresa na qual todos da família sejam sócios. Assim, quando um morre ou deixa o campo, a propriedade não precisa ser fracionada, só muda o contrato social e as atividades continuam. Quem vai para a cidade pode continuar sócio da propriedade rural.

Qual é o projeto proposto?
Spies – Nós sugerimos o projeto de lei complementar número 103, que já tramita no Congresso. Ele propõe a criação do estatuto da microempresa rural e da empresa rural de pequeno porte. O objetivo é fazer com que todos os benefícios que existem hoje ao produtor rural sejam mantidos, mas que a propriedade possa se organizar em forma de empresa.

Quais são os principais projetos da Secretaria?
Spies – Temos projetos voltados ao desenvolvimento e para situações de risco, como problemas climáticos. Ao desenvolvimento, temos pesquisas e inovação através da Epagri, cuidado da defesa agropecuária e da qualidade dos produtos com a Cidasc e fomento pelo o SC Rural. Na questão climática, uma prioridade é a oferta de água. Estamos investindo R$ 100 milhões de reais do Juro Zero para captação e armazenagem de água e irrigação no meio rural.

Santa Catarina se prepara para exportar mais moda

25 de agosto de 2014 0

Após nove anos de união pelo avanço do design de moda em parceria com universidades, o Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC), integrado por 17 empresas, dá um novo salto para ampliar as exportações. Está aderindo ao Texbrasil, programa entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e a Apex-Brasil, agência de promoção de exportações do país que inclui capacitação, inteligência competitiva, promoção comercial e consultoria da Fundação Vanzonlini.

Sábado, empresários que integram o SCMC, movimento presidido por Claudio Grando, receberam no condomínio Vivá Cacupé, em Florianópolis, o presidente da Abit, Rafael Cervone, para discutir a adesão ao Texbrasil.

Estudos feitos pela Abit, segundo Cervone, revelam que consumidores do exterior gostam do estilo de vida alegre e colorido do Brasil. Ele diz que o maior potencial para exportar é de produtos de qualidade, mas de médio valor. Entre os mercados potenciais estão as Américas, Ásia (especialmente as grandes cidades da China, e Europa). Para o europeu, por exemplo, vestir produtos brasileiros remete à alegria, explicou Cervone.

Conforme Claudio Grando, o objetivo é que todas as empresas do SCMC possam participar do Texbrasil. Outra meta é atrair mais empresas ao movimento voltado ao design de moda no Estado. O grande objetivo, segundo ele, é colocar o Estado como polo gerador de moda, de produtos de valor agregado.
- Queremos atrair mais empresas de todas as regiões para fortalecer a nossa cadeia têxtil, que é completa – diz Grando.

Leia a entrevista com o presidente da Abit, Rafael Cervone:

Como iniciou o programa Texbrasil?
Rafael Cervone - O programa começou há 13 anos numa parceria entre a Abit e a Apex-Brasil, tem como objetivo fomentar as exportações e promover a internacionalização e o posicionamento das empresas lá fora. E um projeto muito grande que envolve a sensibilização das empresas para exportação, capacitação, inteligência competitiva, promoção comercial, missões internacionais e a internacionalização de fato (nivel cinco), que são as empresas que já se posicionaram globalmente e são referência para as demais. Hoje, estamos falando neste evento da gestão do processo de inovação. Não é só a inovação de produtos, mas a forma de inovar dentro das empresas. Isso permite que o sistema todo de inovação seja vivenciado de maneira adequada e isso faz com que a empresa dê um salto tecnológico.

Onde o Texbrasil começou a ser implantado?
Rafael – É um programa que iniciou em SP, estamos partindo para a terceira turma. Nosso parceiro é a Fundação Vanzonlini, da Universidade de São Paulo. Estamos partindo para a terceira turma e já são mais de 50 empresas participantes.

Que cenário vê para o setor têxtil brasileiro?
Rafael
- Estamos fazendo uma revisão do plano prospectivo do setor. Fizemos um plano para 15 anos que termina em 2023 e estamos atualizando para 2030, o que deve ficar pronto até o final do ano. Estamos projetando o futuro do setor, que é um dos mais importantes para a economia brasileira. É integrado por 30 mil empresas que faturaram no ano passado algo em torno de US$ 60 bilhões de dólares. É o segundo maior empregador da indústria de transformação, atrás só de alimentos e bebidas junto, emprega 75% de mulheres, das quais 40% sustentam seus lares, é um setor que tem investido mais de US$ 2 bilhões em máquinas e inovação mesmo depois da crise esse valor dobrou. Até 2008 esse valor médio era de US$ 1 bilhão, o que mostra que o setor está investindo. Temos 30 mil empresas e detemos o know-how de toda a cadeia, que é longa. Acho que pouquíssimos países do mundo detém isso, desde as fibras naturais e sintéticas até o fashion design. As empresas tendem a se verticalizar, partindo para o varejo. Essas têm conseguido resultados melhores. Aqui em Santa Catarina temos alguns exemplos. A Dudalina é um caso típico, que partiu para a inovação do lado feminino, se internacionalizou.
Como estão as empresas de SC?
Rafael - O Estado de Santa Catarina tem demonstrado uma pegada muito interessante. Primeiro com o Santa Catarina Moda e Cultura, que a gente vem acompanhando desde o início e tem feito a diferença no setor. Esse movimento tem mudado o próprio Estado, com esforço enorme de agregação de valor, trabalho em conjunto, capacidade de inovar. Isso se reflete nos números das empresas.

Quais são as perspectivas lá fora?
Rafael
– O Brasil enfrenta falta de competitividade. Não adianta o setor investir US$ 2 bilhões por ano se o país não é competitivo. Aliás, isso tem afetado a produtividade das empresas. Nos últimos anos, os salários cresceram muito acima da inflação e a lucratividade não acompanhou. É importante melhorar a infraestrutura e fazer as reformas. Há 15 ou 20 anos, nós já tivemos market share de 1% no mercado mundial. Esse cenário é muito interessante, considerando o os negócios têxteis internacionais, sem considerar o mercado interno de cada país, falamos de algo em torno de US$ 650 bilhões. Sabemos que nos próximos 10 anos esse mercado, com crise e tudo mais, vai subir para US$ 850 bilhões. Então, pensamos em qual market share queremos ter. A nossa meta é voltar a ter pelo menos 1%, aí vamos exportar US$ 7 bilhões e não US$ 1,3 bilhão como hoje.

Com que produtos vamos competir?
Rafael
– De uma coisa eu tenho certeza: o Brasil não vai competir mais em commodities. A estratégia das empresas, agora, é agregar valor. Eu também acho que o posicionamento da moda brasileira não precisa ser o mesmo da Louis Vuitton, Prada ou Gucci. Há um middle market (mercado de produtos de médio valor) onde os nossos designers podem fazer a diferença, até pela questão do preço. Não adianta se posicionar no meddle market com preço da Louis Vuitton, aí não vamos vender.

As restrições da Argentina estão prejudicando muito o setor?
Rafael
– A Argentina e o nosso principal cliente. Apesar de estarmos inseridos no Mercosul, ela não nos trata como um país do mercado comum. Ela se protege e dificulta o máximo nossas exportações. Resultado disso é que nos últimos quatro anos perdemos 40% do mercado argentino. E eles não ampliaram o parque fabril próprio,mas substituíram os nossos produtos por outros mais baratos da Ásia, especialmente da China.

E outros mercados?
Rafael
– Em função dessa restrição na Argentina, nossas empresas passaram a buscar outros mercados. Primeiro foi em outros países da América Latina. Agora, avançam no mercado Árabe, Rússia e, por incrível que pareça, a China. Nós, da Abit, estamos finalizando um estudo de mercado de dois anos na China, envolvendo as grandes e médias cidades, Essas de segunda grandeza têm de 15 milhões a 10 milhões de habitantes. Também identificamos que os consumidores chineses estão se saturando das grandes marcas e abrindo espaço para o novo. E o Brasil é visto como novo, especialmente em função da Copa do Mundo e Olimpíadas de 2016.

A questão ambiental ajuda a abrir mercados?
Rafael
– Isso tem muito apelo, especialmente na Europa. O algodão brasileiro é bem aceito. Existe algo no mundo que é o BCI, o Better Cotton Iniciative, que considera o produto auditado, controlado desde a origem, que preserva o meio ambiente e não utiliza o trabalho escravo. O Brasil representa mais de 55% do BCI mundial. Isso pouco se conhece ainda. O algodão colorido da Paraíba e da Bahia tem feito sucesso na Alemanha e no Japão. Existe empresa de Minas trabalhando design com base na etnografia indígena ou do corante natural da Amazônia. O Brasil conta com uma diversidade cultural muito grande. A moda de SC é diferente de São Paulo, que é diferente da Bahia que é diferente de Minas. Essa diversidade chama a atenção lá fora. O Brasil tem condições de exportar algo único, criativo, versátil, que agrega valor inclusive do estilo de vida brasileiro. Isto no Primeiro Mundo e na China também. A classe A chinesa está crescendo, como o país é grande, isso pode fazer a diferença para nós.

Conversa com Dilma

20 de agosto de 2014 0

A exemplo das anteriores, a entrevista da presidente Dilma ao Jornal Nacional, segunda, envolveu questionamentos sobre pontos críticos do partido da candidata e dificuldades da gestão. Muitos ficaram curiosos para saber o que rolou após a entrevista ao vivo, realizada no Palácio da Alvorada a residência oficial da presidência da República. Mas a presidente ficou uma hora conversando com entrevistadores William Bonner e Patrícia Poeta. O principal assunto foi sua relação com Eduardo Campos. As informações são da coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy, do Estadão de hoje.

Fecomércio foca serviços, inovação e educação

16 de agosto de 2014 0
Foto: Marco Favero

Foto: Marco Favero

Entidade que representa 400 mil empresas e mais de 60% do PIB do Estado, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Sistema Fecomércio-sc), empossa neste sábado, no Costão do Santinho, sua nova diretoria para mandato de mais quatro anos. O empresário Bruno Breithaupt, reeleito presidente, adianta que focará soluções às empresas, inovação e educação. Integrante do Sistema “S”, a federação representa empresas que empregam mais de 1 milhão de trabalhadores no Estado e arrecadam 72% do total de ICMS. Entre as prioridades de Breithaupt estão maior aproximação com empresários e consolidação do trabalho de pesquisas ao setor.

Perfil

Bruno Breithaupt é de tradicional família do varejo da região de Jaraguá do Sul, é sócio da rede de lojas de materiais de construção Breithaupt, um shopping center e uma importadora de produtos elétricos. É presidente da Fecomércio desde março de 2009 e foi reeleito para um segundo mandato de quatro anos à frente entidade. É graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Joinville e tem pós-graduação em Administração Financeira pelo Centro Universitário de Jaraguá do Sul. Também integra os conselhos das federações de SC (Cofem), do Sebrae-SC e da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul.

O que a diretoria da Fecomércio vai priorizar neste mandato que se inicia?

Bruno Breithaupt – O nosso grande objetivo é colocar a federação à disposição do empresário e trazer ele para dentro da entidade para que a gente possa, com mais rapidez, defender seus interesses. Um dos projetos que iniciamos e vamos ampliar é o observatório do comércio que estamos instalando onde temos vice-presidências. Trata-se de uma fonte de coleta de dados. Com eles identificamos obstáculos e sugerimos soluções, muitas vezes em forma de políticas públicas.

Quais os planos para incentivar inovação e tecnologia ao setor?

Breithaupt – Um projeto que admiramos e, através do Senac e da própria federação, podemos participar é o dos Centros de Inovação, do governo do Estado, liderado pela Secretaria de Desenvolvimento. Isso visa, sem dúvida, levar Santa Catarina a outro patamar. Qualquer empresa inovadora, inclusive do nosso setor, pode participar desses centros. Nós, do comércio, precisamos utilizar mais tecnologias, incluindo as redes sociais, para ampliar nossos negócios, melhorar a relação do lojista com o consumidor. O comércio eletrônico é uma realidade.

Por que a Fecomércio passou a priorizar pesquisas?

Breithaupt – No meu primeiro mandato tiramos a pesquisa do chão. Esse setor demanda conhecimento. Nesses quatro anos chegamos a um patamar muito bom de apuração, acerto, mas queremos mais. Fazemos quatro modalidades de pesquisa: perfil de consumo (comércio eletrônico, classe média, mercado imobiliário); sazonais (datas comemorativas); econômicas (hoje temos índices de endividamento e inadimplência junto com sindicatos de regionais); e turismo. As pesquisas requerem tecnologias especiais, tivemos que buscar know-how.
Nos moldamos, dependendo da necessidade podemos formatar a pesquisa necessária para determinado setor. Se não temos a expertise, vamos buscar onde há. A equipe de pesquisa foi constituída há cinco anos.

Como vocês promovem a maior aproximação com os empresários do setor?

Breithaupt – Com as 10 câmaras setoriais buscamos uma aproximação do empresário com a federação. Queremos identificar as necessidades, aquilo que incomoda as diversas categorias para tentar minimizar os problemas do dia a dia. Precisamos entender a relação nova das empresas com o consumidor. Temos que trazer os empresários aqui para resolver os problemas deles.

A educação ganhou força nas instituições da Fecomércio – Sesc e o Senac. Quais são os focos?

Breithaupt – A qualidade é prioridade. Com o Sesc, atuamos com educação infantil e ensino fundamental. O Senac oferece cursos técnicos, graduação e pós-gradação com ênfase nos setores que representamos. Também estamos expandindo cursos pelo Pronatec. Um país referência, para nós, é a Coréia do Sul. Há 60 anos ela estava devastada, investiu alto em educação fundamental por 20 anos e avançou. Acreditamos que só vamos mudar o país se investirmos em educação fundamental. Não que que o ensino médio e universitário não sejam importantes, mas a base tem que ser mais consistente. Todos devem ter um mínimo de educação fundamental. Os nosso investimentos do Sesc têm se voltado a essa área. Temos 18 escolas de educação infantil e 8 escolas de ensino fundamental. O Senac tem 27 unidades mais cinco carretas-escola. Entre os anos de 2010 a 2013, qualificou 179 mil profissionais para o mercado de trabalho. Vamos ter três novas escolas modelo de ensino fundamental no Estado em horário integral, uma em Joinville, uma em Jaraguá e outra em Itajaí.

Qual é o orçamento do Sistema Fecomércio para este ano?

Breithaupt – Cada casa (Fecomércio, Sesc e Senac) tem orçamento separado. Juntos, eles vão somar cerca de R$ 400 milhões este ano.

Com vê o mercado para o segundo semestre e para o ano?
Breithaupt
- Eu tenho que ser otimista. Usualmente, a nossa atividade se intensifica no segundo semestre e o ano político ajuda. Mas nossos índices de crescimento estão baixos. Eu gostaria de chegar no final do ano com resultado positivo. Acredito na criatividade do nosso empresário.

Buddemeyer avança no segmento de têxteis de luxo

11 de agosto de 2014 1
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Foto: Betina Humeres

Uma das sólidas indústrias de Santa Catarina é a Buddemeyer, marca de têxteis para cama, mesa e banho, de São Bento do Sul. Empresa familiar liderada pelos primos Rolf Buddemeyer, no conselho, e Claus Buddemeyer, na presidência executiva, ela é líder nacional em produtos de luxo no segmento e dita moda.Iisso também garante crescimento estável. Saiba mais sobre essa atuação na entrevista do diretor financeiro da companhia, o engenheiro mecânico graduado pelaUFSC Evandro Müller de Castro.

A Buddemeyer se consolidou como marca de produtos têxteis de luxo para o lar. Como evoluem as vendas?

Evandro Müller de Castro – No mercado em que a gente atua a crise atual atinge menos esse tipo de produto. O que se observa é que o setor de têxteis e confecções, em especial o nosso segmento, é um dos menos prejudicados. Se a marca é forte a empresa é menos atingida por crises. Estamos crescendo numa média de 9% a 10% ao ano. Este ano, projetamos faturar R$ 250 milhões, cerca de 10% a mais que em 2013. Geramos hoje 1.180 empregos diretos.

Quais são as expectativas de crescimento para 2015?

Evandro – Apesar deste ano estar melhor do que a gente imaginava,prevemos mais dificuldades para 2015 independentemente de a presidente Dilma ser reeleita ou não. Será uma fase mais complicada, um ano de ajuste porque o Brasil não está crescendo.

A empresa está chegando aos 63 anos. Como foi a trajetória até aqui?

Evandro – A Buddemeyer foi fundada pelo imigrante alemão Friedrich Bernard Buddemeyer em 1951. Engenheiro têxtil, ele chegou a Santa Catarina em 1924, começou a trabalhar na Cia Hering e, depois, Renaux. Em 1941, com a Segunda Guerra Mundial, abriu uma fábrica de teares. Durante seis anos produziu mais de 2 mil, vendeu para empresas de Blumenau e Joinville. Encerrou a produção de teares e, com os que sobraram,passou a produzir felpudos (toalhas e roupões de algodão) em São Bento do Sul. A decisão de ir para São Bento foi porque havia um surto de malária em Itajaí e, no frio da serra, não havia o problema. A Buddemeyer enfrentou altos e baixos como todas as empresas, mas cresceu de forma consistente.

Quando entrou no segmento de felpudos diferenciados?

Evandro – Essa mudança de foco dos produtos de banho da Buddemeyer começou em 1985, quando passou a fazer algo mais sofisticado, fugindo das toalhas florais. Embora pequena, a empresa passou a ter produtos diferenciados. Isso avançou numa progressão grande, mais a partir de 1995, quando a marca começou a percorrer um caminho muito forte. Parte dos nosso produtos é feita com algodão egípcio. São itens com valor agregado e relação qualidade-preço muito boa.

Como é a comercialização?

Evandro – Nossas vendas são por distribuidores do segmento de cama, mesa e banho.

Quanto é exportado?

Evandro – Cerca de 7% para os EUA, Europa e América do Sul. A maior parte é com a marca própria, especialmente na Alemanha e aqui na América do Sul.

As importações de têxteis afetam muito a empresa?

Evandro – A importação brasileira de cama, mesa e banho gira em US$ 160 milhões/ano. Mas não dá para identificar qual é a importação de cama feita pelos turistas. Em 2013, por exemplo, os brasileiros gastaram lá fora US$ 25 bilhões A gente sabe que a importação de cama via turismo é muito alta. Isso atrapalha, mas faz parte do mercado. No Brasil, o produto é caro por causa do imposto. Nos EUA a taxação é de 20% para têxteis, aqui a carga tributária é em torno de 40%, com tributos diretos e indiretos. É preciso o país encarar esse problema de frente.

Quanto a empresa investe?

Evandro –Investimos regulamente pelo menos em torno de US$ 4 milhões por ano para manter o parque fabril sempre atualizado.

Estilo e sofisticação
Entre os produtos da Buddemeyer que reforçam o estilo e a sofisticação da marca estão roupões confeccionados com fio de algodão egípcio, bordados com renda guipure (foto).

Foto: Buddemeyer, divulgação

Foto: Buddemeyer, divulgação

Renda fixa é mais segura para investidor, diz gestor de recursos

11 de agosto de 2014 2

alexamorim11Gestor de recursos autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e credenciado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Alexandre Amorim, da Par Mais Planejamento Financeiro, acompanha de perto a movimentação dos mercados. Nas últimas semanas, ele esteve em São Paulo para reuniões com representantes de alguns dos principais bancos de investimentos e corretoras do País.E sexta-feira, em evento para convidados, ele e os sócios recebem em Florianópolis o responsável pela área internacional da Credit Suisse Hedging-Griffo, Arthur Wichman. Confira, a seguir, orientações de Amorim considerando o atual cenário.

O que mais preocupa quem tem recursos para investir?
Alexandre Amorim – Há muita incerteza sobre os rumos da economia – no Brasil e no exterior. A recente instabilidade provocada pelo conflito na Ucrânia, por exemplo, fez com que muitos investidores que tinham recursos na Rússia migrassem para o mercado brasileiro, mais atrativo do que o de outros membros dos BRICs. Ao mesmo tempo, o FED (Federal Reserve, banco central americano) sinalizou que não tem a intenção de aumentar os juros no curto prazo, o que também refletiu em mais dinheiro aplicado no país. Esse cenário pode indicar dólar em queda e bolsa em alta. Mas o cenário não é tão simples. O Brasil também sofre por causa das incertezas sobre o futuro da economia. A inflação segue em nível elevado, os juros estão muito altos, o crescimento do PIB é pequeno, as famílias estão endividadas e perdem poder de compra e a eleição presidencial é fonte de insegurança no mercado.

Nesse cenário, qual a opção mais segura de investimentos?

Amorim – Desde o início do ano as aplicações de renda fixa se mostram as mais positivas. Os juros estão elevados e devem se manter assim por algum tempo ainda, o que reflete positivamente nesses investimentos. Aplicações como os CDBs bancários, títulos públicos (tipo LFT) e as Letras de Crédito (LCIs e LCAs – que tem isenção de imposto de renda) vem garantindo ganhos superiores à inflação com risco baixo. A bolsa e o dólar, por outro lado, seguem com grande volatilidade. Os ganhos momentâneos em algumas dessas aplicações podem ser expressivos, mas os riscos são maiores. Lembrando que a opção ideal de investimento, independente do cenário, depende do perfil de cada um (capacidade de exposição ao risco). Mas no atual cenário a alocação em renda fixa tem sido maior que a média, para todos os perfis de investimento.

A bolsa e o dólar são boas opções?

Amorim – Ao se investir em ações compramos frações de empresas, portanto a valorização do investimento depende muito do potencial de crescimento e geração de lucro dessa empresa. O valor do dólar em relação ao real depende muito dos fundamentos econômicos e crescimento do país. Além dos fundamentos, o valor tanto das ações quanto do câmbio depende muito do fluxo de investimentos, especialmente de estrangeiros. Como o dólar tem forte influência nos preços de tudo que é vendido no pais e, consequentemente, na inflação, atualmente a cotação do dólar tem sofrido forte influência do Banco Central, que compra e vende dólares no mercado.O que deve determinar se dólar e bolsa serão bons investimentos nos próximos meses será a condução da política econômica pelo próximo governo. Caso se mantenha a atual política, espera-se (no mercado) que os investimentos em ações percam ainda mais valor e o dólar se valorize. Caso haja mudança na política e aumento na confiança dos investidores, poderemos ver uma forte valorização da bolsa. O câmbio, nesse caso, pode sofrer uma desvalorização no início (em razão da entrada de capitais), mas a tendência é que no médio prazo busque patamares mais justos, que sem dúvida estarão acima da cotação atual.

Qual a expectativa dos investidores para 2015?

Amorim – O Brasil vai pagar em 2015 o preço por anos de desequilíbrio fiscal e erros na condução da política econômica (como a intervenção indevida no mercado de energia) e a política de crescimento baseada no estimulo ao crédito e ao consumo. As taxas administradas pelo governo (combustíveis e energia elétrica, principalmente) deverão subir, pressionando a inflação e diminuindo ainda mais o poder de compra das famílias. Sem dúvidas teremos mais um ano de baixo crescimento da economia, especialmente da indústria.Algumas mudanças podem ocorrer a partir do resultado das eleições. A confiança dos investidores dependerá de uma forte mudança na condução da política econômica do país, o que inclui uma boa equipe econômica e a autonomia do ministério da fazenda e do banco central. Considerando que, apesar de tudo, o Brasil ainda é uma boa economia se comparada a seus pares, caso ocorram essas mudanças, é bem provável que obtenhamos novamente a confiança dos investidores e seus investimentos. Esse aumento de confiança se reflete na entrada de recursos no país, estimulo e crescimento da economia, formando um circulo virtuoso.

Para a economia

06 de agosto de 2014 0

Os candidatos a vice-governador Eduardo Moreira (chapa de Raimundo Colombo) e Joares Ponticelli (chapa do candidato Paulo Bauer) mostraram que estão atentos às maiores demandas do setor produtivo, na entrevista do Conversas Cruzadas da TVCOM, segunda, ancorada por Renato Igor. Pelas promessas, o agronegócio terá energia de melhor qualidade.

Tecnologia de SC para transporte sobre rodas

28 de julho de 2014 0

 

Foto: Fabrine Jeremias / Divulgação

Foto: Fabrine Jeremias / Divulgação

Uma das indústrias catarinenses que aceleraram expansão nos últimos anos é a Librelato S.A. Implementos Rodoviários, de Orleans, no Sul do Estado. A companhia, que tem cinco fábricas no município e cresceu 40% ano passado, detém 11% do mercado de semirreboques e rodotrens do país. O principal investimento atual é em nova fábrica no Espírito Santo, um projeto de R$ 40 milhões. Também comprou um terreno em Criciúma para empreendimento futuro. Quem está à frente da empresa é o executivo José Carlos Sprícigo (foto), indicado pelo fundador José Carlos Librelato, que faleceu ano passado.

A Librelato vem se destacando nos mercados interno e externo. O que impulsiona essa expansão?

José Carlos Sprícigo – Ao longo dos anos, a Librelato tem aproveitado as oportunidades de mercado. Temos plantas segmentadas. Uma atende o mercado de basculante, outra o de grãos e assim por diante. Aliado a isso, oferecemos produtos de qualidade reconhecida com uma força de vendas em todo o Brasil e lá fora.

Quais produtos a empresa fabrica?

Sprícigo – Fazemos a linha pesada (para carretas e caminhões), que responde por 85% do nosso faturamento. Inclui semirreboques, bitrens e rodotrens (puxados por cavalo mecânico). Entre os mais vendidos estão o graneleiro/carga seca e o basculante. Fazemos também tanque para o transporte de combustível, semirreboque silo para grãos e o carrega tudo, que leva outros veículos. Também temos a linha leve. Os segmentos em que atuamos são semelhante aos da Randon.

Como foram os resultados de 2013 e quais as expectativas para este ano?

Sprícigo – A empresa faturou meio bilhão líquido (R$ 500 milhões) ano passado, com crescimento de 40% frente ao ano anterior. Este ano, o mercado prevê queda de 18%. O recuo maior será na linha pesada e a Librelato cresceu mais na linha leve. Seria bom se conseguissemos o mesmo resultado de 2013 que foi maravilhoso.

Como foi a trajetória da Librelato desde a fundação até agora?

Sprícigo – A empresa nasceu em 1969 fabricando carrocerias de madeira, com toda a família envolvida, liderada pelo patricarca Berto Librelato. Em 1980, José Carlos Librelato, um dos seus filhos, fundou a Irmãos Librelato, que é a empresa atual. Em 1998 fizemos o primeiro semirreboque basculante; em 2001, a primeira carreta, um semirreboque graneleiro. Em 2011, a Librelato se transformou em Sociedade Anônima (SA) de capital fechado, onde teve aporte de importantes fundos de pensão, liderado pelo CRP VII, do qual participam Funcef, Petros, PNDESpar e outros. A família ficou com 83% do capital e o fundo, 17%. Essa mudança acelerou o crescimento. Temos mais de 2 mil empregados e uma linha diversificada de produtos.

Vocês firmaram uma joint venture com um grupo italiano Como evoluiu?

Sprícigo – Fizemos uma joint venture com a empresa italiana Themac International S.A. Criamos a Libremac Ambiental Implementos Rodoviários Ltda. que já começou a produzir. Oferece equipamento para coleta lateral de resíduos sólidos (lixo) em cidades. É um sistema já adotado na Europa, exige só o motorista. No RS, duas cidades já estão utilizando: Caxias do Sul e Porto Alegre (bairro Moinhos). Em SC, Chapecó começou o projeto. O produto está credenciado no BNDES para aquisição pelo Finame. Isso facilita.

Quanto a Librelato está investindo?

Sprícigo – Vamos instalar a primeira fábrica fora de SC em Linhares, no Espírito Santo. A Brametal, de Criciúma, e a WEG, de Jaraguá, também têm projetos lá. Nosso investimento inicial é de R$ 40 milhões, para a produção de 2 mil carretas por ano. Vamos gerar 300 empregos diretos na unidade.

Como está a presença nos mercados?

Sprícigo – No Brasil estamos em todas as regiões, do Chuí ao Acre. No exterior, começamos a prospectar mercados em 2012, no ano passado já fizemos exportações para o Paraguai, Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina. Ainda este ano vamos iniciar vendas ao Peru e estamos negociando com países da África. No exterior também está duro vender. No Chile a demanda caiu 50% devido a uma série de medidas da presidente Michele Bachellet. Hoje, exportamos 8% da nossa produção.

E os investimentos em pesquisa e desenvolvimento como estão?

Sprícigo – Temos uma diretoria de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A Librelato foi reconhecida entre as 50 empresas mais inovadoras da região Sul. Entre as nossas inovações estão um produto de alumínio e uma linha de eixos especiais.

Fizemos exportações para o Paraguai, Chile, Bolívia, Uruguai e Argentina.

Carreira na Librelato

Graduado em Direito e Contabilidade, o executivo José Carlos Sprícigo, 50 anos, está na Librelato desde 1982, onde começou fazendo uma cotagem de estoque. Pelo seu talento em gestão, foi indicado pelo fundador para sucedê-lo na presidência. Como a companhia é uma SA, tem conselho de administração presidido por Aloir Librelato. Sprícigo é casado com Nádia Cordini e tem duas filhas: Malu e Clara.